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Opinião: dentro e fora de campo, Corinthians demonstra desinteresse

Perrone

27/10/2019 11h05

Sem saber o que é uma vitória em seus últimos seis jogos, o Corinthians parece desinteressado pelo Brasileirão dentro e fora de campo. Os sinais são emitidos por jogadores, técnico e, de certa forma, até torcida.

O empate sem gols neste sábado com o Santos simboliza o "modo avião" ligado pelo time corintiano. As provas são as finalizações e passes desinteressados, além da falta de esforço para tabelar ou triangular, chutões para frente e recuadas perigosas.

Essa é a parte que pode ser vista a olho nu. Uma olhada com lupa nos números do jogo escancara ainda mais o desleixo corintiano. Os donos da casa acertaram apenas 86,05% dos passes contra 91,28% dos santistas, de acordo com o site "Footstats". O rendimento corintiano foi abaixo de seu índice de acerto no campeonato: 91,1%.

Foram 11 finalizações dos comandados de Fábio Carille e apenas quatro certas, praticamente dentro da fraca média do time no campeonato: 4,1 arremates certos por jogo. Antes da conclusão desta rodada apenas quatro equipes tinham pontaria pior na média. A Fiel só não amargou nova derrota no Brasileiro porque o Santos também estava mal de mira. A equipe da Vila Belmiro fez 16 conclusões, mas só acertou três.

A falta de concentração e o aparente desinteresse corintiano contaminaram a torcida, calada durante quase todo o jogo (menos as organizadas). O silêncio na maior parte do clássico combinado com a moleza dos jogadores de Carille praticamente transformaram a Arena Corinthians num campo neutro. Sem pressão fora e dentro do gramado, o Santos ficou a maior parte do jogo com a posse da bola. O mandante teve apenas 35,97% de posse. Sua média na competição é de 49%.

Nenhum dos problemas apresentados é novidade, o que ajuda a esculpir a imagem de que o treinador também perdeu o interesse pelo Brasileirão. Além de não corrigir falhas básicas, como nas finalizações e passes, Carille aparenta ter "desencanado" do campeonato ao dar entrevistas criticando jogadores jovens, o nível do elenco e lembrando de reforços de peso que a diretoria não conseguiu contratar. Parece coisa de quem deu de ombros para tudo ao seu redor.

Já a direção também parece em ritmo de espera pelo início da nova temporada. Não consegue colocar um ponto final no desconforto com o técnico, principalmente por não convencê-lo de que inexiste interesse em um novo treinador, por mais que Carille não admita publicamente o incômodo. A constrangedora repetição de falhas do time deixa a impressão de que os dirigentes não cobram a comissão técnica como deveriam. A visível falta de preparo físico da equipe, que não aguenta pressionar adversários por muito tempo e que chega atrasada em bolas defensivas dando espaços para os rivais, é um dos problemas que os cartolas poderiam ter combatido com vigor.

Neste momento, jogadores, comissão técnica e diretoria lembram aquele aluno que assegurou nota mínima para não ser reprovado e passa a aula pensando no que vai fazer depois de o sinal tocar. Já os torcedores reagem como pais decepcionados, mas com um certo alívio por não ter rolado uma reprovação.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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