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Opinião: perguntas mostram como trabalho de Jesus pressiona Tite a melhorar

Perrone

25/10/2019 12h05

Tite agiu com bom senso ao não convocar jogadores do Flamengo e de outros times do Brasil para os amistosos contra Argentina e Coreia do Sul, em novembro. Porém, a ausência de rubro-negros na lista não evitou que o finalista da Libertadores e líder do Brasileirão fosse tema marcante na entrevista do técnico da seleção. A quantidade de perguntas sobre o time de Jorge Jesus durante a coletiva deixa claro que o trabalho do português pressiona o comandante do time nacional a evoluir.

Ao deixar flamenguistas e atletas das demais equipes nacionais de fora, Tite evita cobranças e críticas de dirigentes, jornalistas e torcedores num momento em que o treinador já é pressionado pelos últimos maus resultados da seleção. Foi inteligente evitar mais desconforto.

Só não deu para impedir a pressão provocada pelo bom futebol apresentado pelo Flamengo. Tite teve que analisar o time de Jesus e responder sobre comparações a respeito das duas equipes. Foi indagado até se o trabalho do português pode servir como inspiração.

Pressionado, usou números para defender seu trabalho e explicou as diferenças entre objetivos e momentos da seleção e do Flamengo. Basicamente, o conceito é o de que seu time está em fase de preparação, enquanto o de Jesus disputa títulos importantes. O comandante da equipe pentacampeã mundial pisou em ovos para falar do trabalho do colega. Seguiu na linha de que as comparações são difíceis, as análises precisam ser mais profundas, as situações são diferentes e de que ainda é cedo para conclusões definitivas.

O microfone girou na mão dos entrevistadores, e sistematicamente vinha uma pergunta sobre o Flamengo. Tanto que no fim ele foi indagado sobre os pontos positivos da vinda de Jesus ao Brasil. De novo, o técnico da seleção se equilibrou entre elogios e o discurso de que é preciso mais tempo para comentários sólidos.

Era natural que isso acontecesse. Quando a seleção não vai bem, automaticamente fazemos comparações com o futebol mais bem jogado perto de nós. No caso, é o praticado pelo time de Jesus. Tite já provocou esse efeito quando comandava o vencedor Corinthians e acabou substituindo Dunga na CBF.

Não estou dizendo que Jesus ameaça o cargo de Tite. Mas que o bom desempenho do Flamengo pressiona a seleção brasileira a jogar no mínimo no mesmo nível. O rubro-negro virou referência para o trabalho do treinador do Brasil, que já sua para administrar a situação.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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