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Caso Blackstar: Palmeiras diz em ação que foi claro o risco de Crefisa sair

Perrone

13/11/2019 04h00

Em ação judicial na qual o ex-vice-presidente Genaro Marino contesta sua suspensão do clube por um ano, o Palmeiras alega que correu grave risco de perder o patrocínio da Crefisa no ano passado.

A chance de ficar sem a poderosa parceira foi citada no processo pelos advogados palmeirenses para justificar o procedimento que culminou com a punição a Genaro, candidato derrotado por Maurício Galiotte no pleito de novembro de 2018. Às vésperas da votação, o opositor apresentou ao clube proposta da Blackstar, empresa disposta a pagar R$ 1 bilhão por um contrato de patrocínio válido por dez anos. Após ser reeleito, o atual presidente cancelou as negociações acusando a companhia de apresentar garantias bancárias falsas.

Na contestação que a defesa do Palmeiras apresentou em relação às alegações de Genaro e outros cartolas punidos, é alegado que o caso precisou ser investigado, após pedido de conselheiros, porque a proposta teria influenciado o voto de parte dos eleitores. "Além disso, houve claro risco de perda da renovação do atual patrocínio da associação, situação grave na visão dos associados", aponta trecho do documento apresentado à Justiça.

Procurada por meio de sua assessoria de imprensa, Leila Pereira, presidente da Crefisa, afirmou que não se manifestaria sobre o assunto. Depois de Galiotte fechar as portas para a Blackstar, a atual atual patrocinadora renovou com o alviverde, ao lado da FAM, também controlada por Leila e seu marido, José Roberto Lamacchia, até 2021.

O casal integra o Conselho Deliberativo do Palmeiras, está alinhado com Galiotte e Leila deve ser apoiada por ele como candidata à presidência do clube. Por sua vez, Genaro afirma que a suspensão tratou-se de uma retaliação política. Ele nega que as garantias apresentadas pela Blackstar eram falsas.

Na ação na Justiça, os conselheiros Ricardo Galassi e José Carlos Tomaselli, advertidos pelo conselho por participação no caso Blackstar, tentam junto com Genaro anular a reunião do conselho em que o trio foi punido.

Entre seus argumentos, o ex-vice alega que foi suspenso como conselheiro, não como associado e que não foi atingido o quórum exigido na reunião em que foi determinada sua suspensão. O departamento jurídico do Palmeiras contestou as duas afirmações.

A defesa palmeirense também cita a autonomia da agremiação para definir suas regras internas e a obrigação de associados, como Genaro, de seguirem o regulamento. "Logo, não compete ao poder judiciário intervir, de modo a suprimir o procedimento administrativo previsto no próprio estatuto social do clube, notadamente quando exercido amplo direito de defesa", afirmam os advogados do Palmeiras. Genaro alegou na ação que seu direito de defesa foi prejudicado durante o procedimento interno.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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