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No GP Brasil, torcedor sofre com banheiro interditado e fila

Perrone

18/11/2019 10h56

 

Banheiro interditado no setor A do autódromo  Fotos; Ricardo Perrone/UOL

O torcedor que foi a Interlagos para acompanhar o GP Brasil de Fórmula 1, neste domingo (17), assistiu a uma corrida empolgante com vitória de Max Verstappen, mas, se ficou no setor A, enfrentou uma série de problemas.

O perrengue começou antes do treino de sábado. A espera na fila para entrar no autódromo chegou a ser de uma hora. Sem orientadores nos pontos distantes do portão de entrada, torcedores se espremiam em calçadas apertadas com gente nos dois sentidos.

Ao finalmente entrar na área das arquibancadas. o público era obrigado a adquirir um cartão para carregar de créditos e fazer compras nas lanchonetes. Durante alguns minutos no treino de sábado houve uma falha no sistema que impediu as vendas.

No setor em que pagou R$ 870 pela entrada inteira para os três dias, o fã de automobilismo ainda encarou problemas com um dos banheiros. Ele foi interditado durante o treino de sábado e só foi reaberto no domingo, horas após a abertura dos portões. Segundo funcionários que trabalharam no evento, houve problema no encanamento que demorou para ser reparado.

A interdição gerou uma situação inusitada. Um banheiro químico indicando seu uso para pessoas com dificuldade de locomoção passou a ser utilizado sem restrições. Torcedores eram orientados a respeitar a prioridade indicada na placa. Longas filas se formaram lá e no banheiro mais próximo.

 

Fila em banheiro para pessoas com dificuldade de locomoção liberado ao público em geral

Mesmo com um sanitário a menos durante boa parte do evento, os locais estavam limpos. Era possível notar a grande quantidade de funcionários trabalhando na limpeza. Outro ponto positivo foi o grande número de quiosques para a entrega de bebidas, o que evitou filas exageradas. O sistema, porém, era burocrático. O consumidor precisava passar seu cartão por uma maquininha para imprimir seu tíquete e só depois buscar o produto.

O blog questionou a assessoria de imprensa da organização do GP Brasil sobre os problemas. Veja no final do post nota no qual a organização diz estar  analisando "eventuais problemas", mas que considera o resultado final excelente".

Um avanço em relação a outros anos foi a liberação parcial da entrada com alimentos. Ela só foi feita depois de o Procon enviar uma notificação para os organizadores, como revelou o blog. A recomendação para a flexibilização nas regras relativas à comida foi feita após este blogueiro questionar o órgão de defesa do consumidor sobre o tema.

De acordo com a "Folha de S.Paulo",  em 2019 saíram dos cofres públicos R$ 75,2 milhões para aprimorar o Autódromo de Interlagos. Na conta há dinheiro do Governo Federal e da Prefeitura de São Paulo. Mesmo com todo o investimento era possível notar vestígios de manutenção precária, como sinais de ferrugem perto dos alambrados e falta de pintura em determinados locais.

Um dos grandes acertos da organização foi a homenagem a Ayrton Senna, que teve a McLaren usada na conquista do título de 1988 pilotada por Bruno Senna, seu sobrinho. O ambiente emotivo neste momento pode ser medido pela reação de um torcedor argentino que mostrava o braço com os pelos arrepiados durante a reverência ao piloto brasileiro. Estava criada a atmosfera para receber uma prova que empolgou o público do início ao fim.

Íntegra da resposta da assessoria de imprensa da organização

"Em um evento dessa magnitude – você deve ter visto que foi recorde de público desde 2001 – sempre há espaço para melhorias mas, de qualquer forma, consideramos que o resultado final foi excelente. Estamos analisando com a equipe de operações os eventuais problemas e vamos trabalhar para fazer ainda melhor em 2020".

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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