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Opinião: três riscos que Carille corre se jogar no Maracanã como treinou

Perrone

02/11/2019 04h00

Este blogueiro é um antigo defensor da escalação de Pedrinho centralizado, atuando como armador no Corinthians. Foi assim que ele se destacou nas categorias de base, mas sabe-se lá porque Fábio Carille nunca gostou de assim aproveitá-lo.

Sem encontrar um padrão de jogo para equipe já no fim do ano, o treinador finalmente acenou com a possibilidade de usar a revelação alvinegra nessa função neste domingo (3), contra o Flamengo no Maracanã. Talvez seja a última tentativa de acabar com a dificuldade do time em construir jogadas ofensivas. Deveria ter sido a primeira. Mesmo defendendo que esse é o papel ideal para Pedrinho assumir, vejo uma série de riscos na decisão de Carille de fazer a mudança justamente nessa partida e da forma como testou no treino, se ela for concretizada. Vamos a eles.

1 – Pouco treino

Pedrinho não treina nessa posição no Corinthians e apenas em algumas circunstâncias durante os jogos aparece centralizado. Nesta sexta (1º) a novidade foi testada pela primeira vez antes do jogo com o Flamengo.

Obviamente há o risco de o jogador e seus colegas sentirem a falta de treinamento, caso esse seja mesmo o esquema tático usado. Para tornar a situação mais difícil, Carille ensaia inovar contra o líder do Brasileirão e finalista da Libertadores. A oportunidade de Pedrinho jogar como quer pode rolar contra o rival mais difícil que o alvinegro poderia enfrentar neste momento da competição. O cenário está muito longe do ideal para testar uma nova situação.

2 – Falta de companheiros para Pedrinho servir

Se confirmar a escalação testada na sexta, Carille vai entrar com Ramiro aberto pelo lado direito em vez de um jogador com características mais ofensivas. Mateus Vital ficará do outro lado, e Gustagol de centroavante.

Por seu estilo, é natural que Ramiro ajude muito na marcação e, dependendo das necessidades, faça papel de volante em alguns momentos do jogo. Mesmo quando estiver na beirada, ele não é de aproveitar lançamentos para ir à linha de fundo com velocidade e nem de tabelar rapidamente com os meias.

Por sua vez, Gustagol joga praticamente fixo. Não flutua, não se aproxima dos meias para tabelar e dar opção de passe. Claramente prefere receber a bola na área pelo alto. Pode fazer o pivô para Pedrinho avançar? Pode, mas isso tem acontecido raramente. Ele fica muito longe dos meias.

Restarão como opções próximas para Pedrinho servir e tabelar Mateus Vital e Fágner, que deve ficar sobrecarregado na marcação do rápido ataque rubro-negro. O lateral-esquerdo Carlos Augusto poderia ser outra opção, mas ele já tem dificuldades para atacar quando enfrenta times bem menos ofensivos do que o Flamengo. É de se imaginar que pouco se apresentará como opção na frente.

Por tudo isso, há risco considerável de o Corinthians seguir com sua anemia na criação de jogadas e com a constrangedora distância entre seus jogadores no meio e no ataque. Para explorar Pedrinho pelo centro, o treinador deveria escalar atacantes rápidos e com mobilidade.

3 – Saída de bola

Uma marca torturante para a torcida do atual time de Carille é a dificuldade de superar a marcação adversária para sair de seu campo de defesa. Isso mesmo quando o oponente marca só depois do meio-campo, como fez na maior parte do tempo o CSA na vitória alagoana por 2 a 1 na última quarta.

Agora, como será a saída de bola se Jorge Jesus fizer o óbvio e marcar bem Pedrinho? Sobra praticamente apenas Fágner como desafogo para volantes e zagueiros quando a bola estiver queimando em seus pés. A menos que Vital recue para ajudar ali. Há o risco de a paralisia criativa corintiana aumentar no Maracanã. Se isso acontecer, ficar travado na defesa sem saber o que fazer com a bola diante de meias e atacantes perigosos do Flamengo será um pesadelo para a torcida alvinegra.

 

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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