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Rollo alega sumiço de bens pessoais em sua sala. Santos diz que guardou

Perrone

14/11/2019 04h00

O blog tentou entrevistar os dois personagens da disputa política no Santos para mostrar suas versões. Porém, só o vice-presidente Orlando Rollo conversou com este blogueiro. Até a publicação deste post, a assessoria de imprensa do presidente José Carlos Peres, não havia enviado de volta questões feitas ao dirigente. Por sua vez, o vice afirmou que a sala antes usada por ele na Vila Belmiro foi desmanchada e sustentou que objetos pessoais seus sumiram. O Santos alega que está tudo guardado em ambiente seguro e disponível para retirada.

Rollo também sustentou ter dificuldades para obter informações junto a funcionários do clube e deu sua versão sobre seu dia, na última segunda (11), tentando substituir o desafeto, até então suspenso pelo STJD. Abaixo veja os principais trechos da entrevista.

Relógio dado por Pelé sumiu?

"Eu estava de licença porque o Peres assinou uma portaria que me impedia de exercer as funções de vice. Só que o Conselho Deliberativo, depois de um ano e meio, considerou a portaria ilegal. Reassumi o cargo, e Peres foi suspenso por 15 dias pelo STJD. Então, fui ao clube para assumir como interino, como determina o estatuto. Chegando lá descobri que minha sala não existe mais. Desmancharam. Não encontrei meus pertences pessoais, foram subtraídos. Tinha muita coisa. Uma coleção de camisas do Santos autografadas e um relógio dado pelo Pelé para o meu avô, que me deu antes de morrer. Estou fazendo um inventário de tudo e meus advogados vão tomar providências".

Em nota, a assessoria de imprensa do Santos negou que os bens do vice tenham sumido. Leia o comunicado na íntegra: "com o intuito de melhorar as condições de uso da presidência por todos os membros do Comitê de Gestão, a sala que Orlando Rollo utilizava passou a ter outro uso. Tal decisão foi tomada pelo Comitê de Gestão, conforme ata do dia 20/05/2019, devidamente registrada e enviada ao Conselho Deliberativo. Todos os pertences foram catalogados, fotografados, filmados e guardados, na presença de testemunhas. Os pertences estão isolados em sala trancada com chave e disponíveis para retirada."

Sob a suspensão vale lembrar que Peres obteve efeito suspensivo junto ao Tribunal de Justiça Desportiva e retomou suas funções normalmente.

Ordens só do presidente

"Depois que eu cheguei na Vila, duas equipes de polícia vieram saber o que estava acontecendo. Como eu sou investigador, uma era da corregedoria. Mostrei que não estava em horário de trabalho e que estava lá legalmente, cumprindo minhas funções estatutárias. Comecei a pedir documentos e os funcionários negavam. Até que um deles me disse que Peres revogou a portaria considerada ilegal pelo conselho e assinou uma nova dizendo que todas as comunicações internas ou outras ordens (orais e escritas) só poderão ser encaminhadas aos departamentos com autorização da presidência. Ele não pode fazer isso. É contra o estatuto porque restringe os poderes dos membros do Comitê de Gestão. E por que ele tem medo de que a gente veja os documentos?".

O blog teve acesso à portaria assinada por Peres. O texto confirma a informação de Rollo. No documento, o presidente diz que quem não cumprir a determinação poderá sofrer sanção disciplinar.

Demissões

"Falaram que eu demiti funcionários que se recusaram a entregar documentos. Mentira. Não demiti ninguém. Pelo contrário, fiz uma comunicação interna afirmando que ninguém seria demitido (o blog teve acesso ao documento). Afastei quatro membros do Comitê de Gestão e nomeei interinamente outros quatro porque precisava trabalhar com quem confio".

Aliados que processam o clube

O blog questionou Rollo sobre o fato de ter retornado à Vila Belmiro na companhia de ex-funcionários que acionaram o Santos na Justiça. O fato foi criticado pelo grupo de Peres.

"Não nomeei essas pessoas para nada. São pessoas que levei para me dar embasamento em eventuais decisões. Estavam lá por seus conhecimentos técnicos. Elas estarem processando o Santos não impede que me ajudem".

Imagem do Santos manchada

Indagado pelo blog se a guerra entre ele e o presidente prejudica a imagem da agremiação, Rollo respondeu: "infelizmente, isso acaba denegrindo a imagem do Santos, sim. Mas não sou eu que dou causa a isso.  Ele que briga com todo mundo, com o Paulo Autuori, com o Jorge Sampaoli, gerentes de futebol  já saíram. Ou as pessoas ficam quietas ou vão pra guerra. Não vou deixar o Santos se inviabilizar financeiramente nos próximos 20 anos  numa gestão de três anos.  Podem me chamar de golpista e de tumultuador. Mas de omisso não vão me taxar". 

Chance de fazer as pazes com Peres pelo bem do clube?

"Se o Peres começar a fazer uma gestão com transparência, com governança corporativa, tudo bem. Não tenho problema pessoal com ele. Meu problema é de gestão. Entendo que ele está afundando o Santos e estou inconformado."

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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