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Como Corinthians arrumou grana para ter Luan apesar de rombo nas contas?

Perrone

18/12/2019 04h00

Como o Corinthians conseguiu 5 milhões de euros (R$ 22,69 milhões na cotação atual) para pagar pela compra de 50% dos direitos econômicos referentes a Luan mesmo projetando terminar 2019 com déficit de R$ 144,8 milhões? Isso além de encerrar a dívida do Grêmio pela aquisição de Juninho Capixaba. Os dados da compra foram revelados pelo site oficial gremista.

Em busca dessa resposta, o blog procurou a direção corintiana, que não quis dar entrevista. Mas, internamente, o discurso é de que o alvinegro não pegou dinheiro emprestado com o BMG, seu parceiro, nem com outra instituição financeira.

A explicação é de que a agremiação usou uma receita futura, mas não antecipou dinheiro que tem a receber para fechar a negociação. Segundo essa justificativa, é chamada de receita futura quantia que o Corinthians faz jus por uma parceria ainda não anunciada oficialmente. O nome do suposto parceiro é mantido em sigilo.

O que chama atenção é o fato de o BMG ter divulgado em rede social a contratação de Luan acompanhada da hashtag "#NãoÉSopatrocinio", o que sugeriu a participação do banco na negociação. Nada impede que seja firmada uma nova parceria com um antigo parceiro.

Além da indicação de uma nova parceria outro argumento usado internamente para explicar o gasto com o ex-gremista apesar do rombo nas contas de 2019 é contábil. A afirmação é de que "caixa não tem a ver com déficit". Ou seja, mesmo com a situação deficitária, o clube entende que pode fazer o investimento usando uma nova fonte de receita.

Vale lembrar que o déficit pode diminuir até o final do ano, caso pelo menos um jogador seja vendido. A diretoria demonstra tranquilidade em relação à situação financeira. Mas conselheiros da oposição protestam. Avaliam o momento como crítico e reclamam de investimentos em jogadores que não renderam o esperado em 2019. Também argumentam que com o valor desembolsado para ter Luan a diretoria demonstrou não encarar as dificuldades financeiras do clube com a seriedade que deveria.

O déficit está previsto em relatório sobre o orçamento para 2019. O documento deveria ter sido votado pelo Conselho Deliberativo na semana passada, mas foi adiado. Integrantes da oposição apontaram falhas na peça orçamentária, e a votação acabou sendo adiada. O orçamento original previa que em 2019 o alvinegro teria superávit de R$ 650 mil. A diferença em relação à nova projeção também incomoda a oposição. Em junho, o déficit já era de R$ 94,9 milhões de acordo com documento publicado no site do clube.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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