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Opinião: leitura do mercado europeu ajuda a moldar Flamengo vencedor

Perrone

05/01/2020 11h54

A iminente venda de Reinier, 17 anos, para o Real Madrid mostra como a leitura do mercado europeu ajudou a moldar o atual Flamengo vencedor.

Basicamente, funciona assim: o clube atende à demanda europeia por jogadores com menos de 20 anos e fortalece seus cofres para trazer medalhões sem espaço na Europa.

Os cartolas rubro-negros sacaram logo que a política europeia de abrir espaço para jovens despeja no balcão de negócios veteranos que dão bom caldo por aqui. São os casos de Filipe Luís e Rafinha.

Claro que vender bem suas revelações não basta para deixar o Flamengo em condições de buscar bons jogadores na Europa. A reorganização financeira do clube feita nos últimos anos permite melhor aproveitamento das receitas.

A venda de Vinícius Júnior para o Real Madrid talvez tenha sido o ponto inicial desse modelo que "troca" jovens por veteranos rodados na Europa. A ida de Lucas Paquetá para o Milan também ajudou a roda a girar.

Há um lado melancólico nessa estratégia. A venda de atletas com entre 16 e cerca de 20 anos dificulta o surgimento de ídolos formados no Ninho do Urubu.

Um tanto triste esse efeito colateral. Mas as conquistas da Libertadores e do Brasileirão do ano passado coroaram o planejamento rubro-negro.

Além de veteranos, a nova faixa etária escolhida pela elite do futebol Mundial torna possível para um clube brasileiro forte financeiramente ter bons jovens não absorvidos, ao menos atualmente, pela primeira classe europeia.

Gabigol e Bruno Henrique estão nessa cota. Aqui, de novo, o Flamengo interpretou corretamente os sinais  emitidos pela Europa.

No entanto, o clube da Gávea não é o único a se adaptar ao novo gosto Europeu. O São Paulo, por exemplo, também aposta na venda da molecada e na contratação de medalhões como Daniel Alves, Juanfran e Pato.

Mas no Morumbi a fórmula não resultou em títulos. O elenco tricolor é inferior ao do Flamengo. Além disso, o time paulista passa por dificuldades financeiras, encara um jejum de taça e sofre turbulência política.

São fantasmas que não rondam a Gávea neste momento. Isso ajuda a explicar o fato de os dois times terem resultados distintos apesar da mesma tentativa de se adaptar ao mercado europeu.

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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