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'Ressaca financeira' dos grandes afeta glamour de reforços no Paulista

Perrone

22/01/2020 04h00

O Campeonato Paulista de 2020, que começa nesta quarta (22), exibe marcas da gastança promovida pelos quatro grandes de São Paulo no ano passado.

Os sintomas são de "ressaca financeira". Após abrirem os cofres em busca de contratações badaladas ou simplesmente com barcas recheadas de apostas, os principais times do Estado iniciaram o ano contratando pouco.

O torcedor sentirá a diferença desde a primeira rodada. No lugar de um longo desfile de novidades, muitas de grife, contemplará um ou outro reforço conhecido e mais jovens vindos da base do que nas últimas temporadas. 

Se em 2019 o Estadual serviu de palco para Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos apresentarem reforços concorridos como Boselli, Sornoza, Ricardo Goulart, Zé Rafael, Pablo, Hernanes e Soteldo, neste ano as novidades são mais escassas.

Nos quatro rivais o discurso é de cortar gastos. Palmeiras e Corinthians, por exemplo, passaram boa parte da pré-temporada tentando se livrar de jogadores que não emplacaram e representavam despesas importantes.

Em tempos de vacas magras, apesar de sua delicada situação financeira, o Corinthians apresenta os dois principais destaques em termos de contratações do Campeonato Paulista entre os grandes: Luan e Cantillo. Também, veio Sidcley, que está de volta ao ex-time.

Só com o Luan o alvinegro gastou mais de R$ 20 milhões! A quantia pesa ainda mais quando lembramos que o clube terminou 2019 com expectativa de um déficit de R$ 144,8 milhões!

Com salários, direitos de imagem e direitos econômicos de jogadores, o Corinthians gastou em 2019 cerca de R$ 278,5 milhōes, de acordo com relatório financeiro do clube. A previsão inicial era de um gasto de R$ 190,5 milhões. Para 2020, o orçamento do alvinegro prevê que essa despesa emagreça para R$ 215,1 milhões.

A lista de reforços que alavancou os gastos corintianos é extensa. Tem nomes como Richard, Sornoza, Ramiro, Manoel, Boselli, Júnior Urso e Vágner Love.

Todos juntos, certamente não animaram a Fiel na temporada inteira tanto quanto Luan e Cantillo empolgaram em duas participações na Flórida Cup deste ano. 

Já no São Paulo, inicialmente, a gastança animou a torcida. A equipe tricolor começou o Estadual com reforços que empolgaram os fãs, como Pablo,  Hernanes e Volpi. Mais novidades de peso foram chegando. Vieram Tchê Tchê e Alexandre Pato.

Mas os fracassos nas competições foram se acumulando e a direção decidiu gastar mais para tentar reverter a situação. Durante o Brasileiro, desembarcaram no Morumbi reforços do quilate de Daniel Alves e Juanfran.

Não adiantou. No lugar do título veio um aumento de déficit galopante.

O quadro negativo aumentou a pressão de membros do Conselho de Administração sobre Leco para o corte de despesas.

A atuação tímida no mercado encontra explicação na proposta orçamentária do clube para 2020 enviada ao Conselho de Administração. Trecho do documento diz que neste ano serão investidos R$ 21,5 milhões na aquisição de direitos econômicos. Se esse valor for atingido, novas contratações só serão feitas caso sejam alcançadas metas esportivas, receitas com venda de atletas e o corte dedespesas estabelecido.

Pressão no mínimo tão grande quanto a que atingiu Leco, sofreu Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, para reduzir os gastos com contratações e demitir Alexandre Mattos, ex-diretor executivo de futebol.

O resultado é que o clube que acostumou sua torcida nos últimos anos a receber já no Estadual reforços de peso, dessa vez chega ao Paulista sem ter anunciado contratações.

Primeiro, a diretoria tratou de arrumar interessados em jogadores caros e que não agradavam, como Borja e Deyverson. Agora inicia a busca por reforços pontuais.

Assim como a torcida do Palmeiras, os santistas também reencontrarão seu time no Campeonato Paulista numa nova realidade.

Depois de se esforçar para atender aos pedidos do técnico Jorge Sampaoli em 2019, com reforços como Everson, Soteldo, Jorge, Marinho e Cueva, a diretoria do Santos mudou sua política de contratações.

A primeira consequência foi a saída de Sampaoli, que bateu o pé por reforços que aumentassem a competitividade da equipe.

O alvinegro do litoral passou a priorizar reforços modestos, como Madson (ex-Grêmio) e trocas, como a feita com o São Paulo, que cedeu Raniel para ficar com Vítor Bueno.

Numa primeira olhada, a retração nas contratações pode sugerir queda do nível técnico dos grandes de São Paulo no Estadual.

Mas há aspectos positivos nesse movimento. Quem contrata menos aproveita melhor a base do ano anterior e, em tese, começa a temporada com um time mais entrosado.

Certamente uma boa notícia é o espaço maior para os jovens revelados nas categorias de base. É o que acontece por exemplo com os palmeirenses Gabriel Veron, Wesley e Gabriel Menino. E no Corinthians, com Lucas Piton e Janderson.

Só não dá para cair na tentação de dizer que a situação atual mostra que os cartolas criaram juízo. Melhor esperar o desenrolar da temporada. Maus resultados e cobranças da torcida têm grande potencial para fazer dirigentes voltarem a gastar dinheiro que seus clubes não possuem.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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