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Opinião: Flamengo precisa falar também para sociedade, não só para seus fãs

Perrone

11/02/2020 15h45

Em notas oficiais e por meio de entrevistas de seus principais dirigentes, o Flamengo tem priorizado falar o que imagina ser o que sua torcida quer ouvir. Claro, na opinião deste blogueiro.

Foi assim no comunicado sugerindo que críticas feitas em programas da Globo ao comportamento do clube em relação às famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu são motivadas pelas divergências comerciais e jurídicas entre partes.

Sei lá por qual motivo muitas das torcidas dos times brasileiros adoram dizer que a Globo persegue seus clubes. Então, é fácil para os dirigentes dessas agremiações agradar seu público alvo alfinetando a rede de televisão.

Direcionar o discurso para seus fãs não é exclusividade do rubro-negro. Esse é um antigo pensamento dos cartolas brasileiros. "Meu torcedor é o meu consumidor, então só interessa a opinião dele".

Isso já não é era eficaz antes. Num mundo conectado e com a influência das redes sociais tal estratégia se torna mais furada.

Pior ainda num caso complexo como as mortes dos dez meninos da base do Flamengo.

Obviamente, o fundamental é amparar as famílias. Mas a direção rubro-negra deveria pensar também na comunicação com a sociedade em geral, não apenas em relação aos seus seguidores.

Não vou entrar na questão se o Flamengo oferece indenizações justas. Como já escrevi aqui é muito difícil opinar.

O problema é que quando os cartolas demonstram frieza ao falar sobre o tema geram indignação, principalmente em quem não é rubro-negro.

 A direção do clube parece não perceber que eventuais patrocinadores estão olhando isso.

Grandes empresas são detalhistas ao decidir onde colar sua imagem.

Muitas delas procuram mostrar um lado humano e preocupação social. Ou seja, as atitudes dos dirigentes do Flamengo podem afastar potenciais parceiros. Esse olhar voltado para o próprio umbigo pode ser prejudicial ao clube num futuro próximo.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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