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Diário do isolamento: comprar comida já foi difícil no primeiro dia

Perrone

18/03/2020 11h59

Na última segunda-feira (16) à noite cheguei do Paraguai após nove dias cobrindo o caso Ronaldinho Gaúcho, preso preventivamente em Assunção com o irmão Assis por entrar no país usando documentos paraguaios falsos.

Apesar de não ter recebido orientação no aeroporto de Cumbica para isso, resolvi voluntariamente iniciar um período de isolamento por sete dias.

As dificuldades que encarei logo no primeiro dia completo me motivaram a escrever um diário do isolamento, que começa neste post.

Na verdade a condição não é a ideal, pois não estou sozinho. Meu sobrinho mora fora de São Paulo e operou o joelho aqui. Ele estava se recuperando em casa quando fui ao Paraguai.  Agora, por ordem médica, também está trancafiado. Com receio do novo coronavírus, seu médico suspendeu as sessões de fisioterapia e passou exercícios para serem feitos em casa.

O primeiro passo para o isolamento foi montar um pequeno estoque de alimentos. Nada de comprar vinte pacotes de macarrão, isso prejudicaria outras pessoas.

A ideia era ter algo para os três primeiros dias. Não foi fácil. Em três supermercados consultados não conseguimos comprar macarrão. Esse é o primeiro alimento que me vem à cabeça em situações de restrição. Pelo jeito, muita gente pensa assim.

Ficamos sem macarrão, bolacha de água e sal, pão sem adição de açúcar (não é frescura, é recomendação médica), entre outras coisas. Patinho moído também não rolou. Só tinha corte premium sei lá o que. Filé de frango resolveu a situação.

Papel higiênico foi fácil. Lembrando de relatos de amigos que moram nos Estados Unidos sobre a falta desse produto em alguns locais por lá, pintou  até a tentação de montar um estoque que daria para cobrir um estádio argentino na entrada da seleção de Messi em campo. Prevaleceu o bom senso. Compramos um pacote com oito unidades.

O indício de que muitos estão estocando mantimentos é o fato de várias coisas diferentes faltarem nos três supermercados pesquisados. A compra precisou ser feita em dois lugares. Ainda assim, uma nova deve ser necessária nesta quarta.

Entrega das compras feitas e uma rápida escapada até a portaria do prédio para pegá-las e veio momento de jantar. Depois, uma extravagância: tomar um gole do uísque de US$ 6 que comprei no aeroporto paraguaio.

Na segunda bicada fui alertado por meu sobrinho que peguei o copo dele. "Tanto faz", diríamos numa situação normal. Porém, em tempos de novo coronavírus tive que servir outra dose para ele e ainda ser interrogado: "lavou direito esse copo?". Comprovação de que só o isolamento não basta. Os hábitos terão que mudar nesta casa.

*Além dos habituais posts publicados neste blog, a partir de hoje, por tempo indeterminado, esse espaço também será dedicado a temas relacionados ao novo coronavírus

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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