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'Escapadas' de F. Luís e Diego mostram reflexo negativo de volta a treinos

Perrone

31/05/2020 09h47

As saídas de Diego e Filipe Luís para pedalar no Rio em plena pandemia são didádicas para mostrar como a volta do Flamengo, entre outros clubes, aos treinos pode influenciar negativamente a população.

Fotos mostram os dois jogadores fora de casa e sem o correto uso de máscara de proteção. Claro que a atitude de ambos é condenável.

Porém, seus atos refletem a política adotada pelo rubro-negro ao decidir retomar os treinamentos.

Se seu empregador o chama para voltar ao trabalho, alardeia que testes são feitos e que todas as medidas para evitar a transmissão do novo coronavírus foram tomadas, é natural você se sentir seguro.

Também é de se imaginar que nesse grupo de trabalhadores que se sentem saudáveis alguns pensem: "se eu não tenho Covid-19, se estou apto a ir para o trabalho diariamente, posso sair de casa que não vou contaminar ninguém. Só ficar esperto para não correr o risco de ser contaminado".

Pensar assim é um grande engano, mas o cenário montando ao redor desses profissionais, no caso os jogadores do Flamengo, os ajuda a raciocinar dessa forma.

Claro que eles têm a responsabilidade individual por seus atos, mas o clube contribuiu para esse relaxamento.

No entanto, o episódio é mais profundo. Pode ajudar a direção do Flamengo e de outros clubes que voltaram à ativa em meio à luta contra a Covid-19 a entenderem que seus retornos podem relaxar também a população.

Primeiro, o cara vê o Flamengo voltar aos treinos. Depois, vê dois jogadores do time saindo de casa. É possível ele pensar: "O pior já passou. Dá pra passear um pouco",

Em vez de eventuais notas protocolares, Filipe Luís, Diego e a diretoria do Flamengo deveriam refletir como seus atos podem influenciar a população de uma cidade que encara o colapso do sistema de saúde. Parece uma conclusão óbvia. Mas, para as mentes que comandam o rubro-negro, até agora não foi.

 

 

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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