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Volta de jogos só vai funcionar com mudança cultural, diz médico da FPF

Perrone

12/06/2020 04h00

O sucesso do eventual retorno do Campeonato Paulista depende de uma mudança cultural envolvendo hábitos de jogadores e demais integrantes das equipes. A opinião é de Moisés Cohen, presidente da comissão médica da Federação Paulista. Ele liderou a elaboração do protocolo sanitário que será usado para tentar impedir a transmissão do novo coronavírus entre atletas e demais profissionais.

"Sem uma mudança cultural, nenhum protocolo, nenhuma testagem vai funcionar. Conversamos muito sobre essa necessidade de os hábitos mudarem", afirmou Cohen.

O fim da comemoração de gols com abraços está entre as práticas sugeridas. "Pelas comemorações de gols que estamos vendo nos campeonatos que já voltaram, acho que todos já estão conscientes em relação a isso", disse o médico. Tentar evitar cusparadas nos gramados é outro ponto abordado.

Os clubes paulistas se prepararam para voltar aos treinos próxima segunda, mas ainda não obtiveram autorização dos órgãos competentes.

Nesta quinta (11), cartolas se reuniram com o prefeito Bruno Covas e ouviram que ele encaminhará o protocolo de retomada dos treinos elaborado pela FPF para a Vigilância Sanitária analisar.

Cohen explicou que, quando a volta for autorizada, o primeiro passo será cada time testar jogadores e demais profissionais.

"Teremos etapas de treinamento que vão avançando até todos treinarem juntos. Vamos começar com treinos individuais. Você divide o campo em quatro partes e coloca cada jogador em uma parte", contou o médico.

Os clubes foram orientados para tentarem evitar servir refeições e impedirem o uso coletivo dos vestiários em seus centros de treinamento.

A recomendação é para que jogadores almocem em casa e cheguem aos CTs uniformizados na fase de treinos antes de os jogos voltarem a acontecer com portões fechados. "A questão cultural é vital. Todos precisam ser rigorosos com a higiene em suas casas", declarou Cohen.

Quando a competição recomeçar, todos ficarão concentrados do começo ao fim. "Quem não tiver hotel no CT deve tomar todos os cuidados onde ficar. Por exemplo, isolar andares e evitar se deslocar de elevador. Tem que usar a escada sem encostar no corrimão", disse o médico.

E se algum atleta se contaminar e isso for descoberto depois de ele enfrentar outra equipe, o campeonato corre o risco de parar? "Acredito que não. Se acontecer, isolamos o jogador e os que conviveram mais com ele. Mas isso não deve acontecer, eles são jovens fortes", avaliou Cohen.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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