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Análise: Paulista volta com perdas técnicas, crises financeiras e pandemia

Perrone

21/07/2020 08h25

Suspenso desde 16 de março, quando aconteceu seu último jogo, o Campeonato Paulista retorna nesta quarta (22) num cenário de enfraquecimento técnico de seus principais clubes. Também há sinais de agravamento da crise financeira em parte das equipes. Ao mesmo tempo, a pandemia de covid-19, que motivou a suspensão, ainda não está controlada no Estado.

Em tese, a principal perda técnica foi sofrida pelo Palmeiras, que emprestou Dudu para o Al Duhail, do Qatar, com possibilidade de venda futura.

Na opinião deste blogueiro, o elenco do Palmeiras é forte, mas perdeu justamente seu jogador que mais tinha potencial para desequilibrar partidas. O clube pode trazer um substituto de peso, mas é difícil encontrar por valor acessível alguém que chegue rendendo para o time o mesmo que Dudu rendia.

Outro baque técnico foi sentido pelo São Paulo, que viu Antony partir para o Ajax. Também não vejo no bom elenco são-paulino um sucessor pronto para o jovem talento perdido.

O golpe é forte porque a equipe do Morumbi vinha apresentando seu melhor futebol nós últimos anos.

A saída de Antony já era prevista, mas ele jogaria até o final do Estadual, se a competição não fosse suspensa.

É a mesma situação de Pedrinho. Ele poderia ter terminado o Estadual pelo Corinthians, se não houvesse paralisação. Vendido ao Benfica, o jogador ainda não se apresentou ao clube português, mas já não atua pelo Corinthians.

Pedrinho nunca explodiu como o torcedor corintiano esperava, ainda assim era o jogador mais habilidoso do elenco. Faltava transformar sua técnica em algo constantemente positivo para o time.

Outra perda da equipe de Tiago Nunes é a do zagueiro Pedro Henrique. Negociado com o Athletico, ele poderia ser útil durante a temporada, principalmente no desgastante Campeonato Brasileiro.

Vagner Love também se foi, mas, nesse caso, o Corinthians contratou um jogador que pode ser superior: Jô. O alvinegro trouxe ainda Léo Natel, que ficou sem contrato com o São Paulo, como aposta.

Por sua vez, o Santos simboliza a combinação entre enfraquecimento técnico e financeiro.

O clube presidido por José Carlos Peres viu Everson e Sasha pedirem suas rescisões na Justiça do Trabalho alegando atraso nas remunerações, além de outros problemas. Yuri Alberto, em fim de contrato, deve ser anunciado pelo Internacional. Felipe Aguilar foi vendido para o Athletico.

Sem poder registrar novos jogadores por conta de punição da Fifa, o Santos inscreveu promessas da base para o retorno do Paulista.

Se serve de consolo para o torcedor santista, o Corinthians também agravou sua crise financeira enquanto o futebol ficou congelado. Houve uma explosão de ações na Justiça por causa de dívidas, além de decisões nos tribunais desfavoráveis ao clube comandado por Andrés Sanchez.

Além da redução salarial durante a pandemia, jogadores e funcionários corintianos enfrentaram atrasos em seus pagamentos.

Como mostrou o UOL Esporte, os salários de maio dos atletas foram pagos nesta segunda (20). O São Paulo também tem dificuldades para pagar as remunerações em dia.

Diferentemente do que a volta do campeonato poderia sugerir, a pandemia não está sobre controle no Estado. Prova disso é o fato de nem todos os times poderem jogar em suas cidades devido a medidas de distanciamento social. É o caso do Botafogo de Ribeirão Preto. O município vive momento crítico na crise sanitária.

A direção do Botafogo criticou abertamente o retorno, mas não foi ouvida. Prevaleceu a tese da Federação Paulista de que o protocolo de segurança criado pela entidade é eficiente.

Assim, o show será retomado em meio a perdas técnicas, caos financeiros e um vírus ameaçador.

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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