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Com volta do Paulistão, Doria e cartolas reforçam "e daí?" de Bolsonaro

Perrone

08/07/2020 14h08

A decisão do Governo de São Paulo de permitir a retomada do Campeonato Paulista, sem público, a partir de 22 de julho, fortalece o "e daí?" dito pelo presidente Jair Bolsonaro, em abril, ao ser indagado sobre o recorde de mortes em 24 horas por covid-19 quebrado na ocasião.

Agora foi a vez de o governador João Doria dar mais um "e daí?" para a pandemia. Já tinha feito isso com seu programa de reabertura do comércio que provoca filas do lado de fora de shoppings e aglomeração em rua de comércio popular.

A maioria dos clubes paulistas havia dado a sua manifestação de desdém ao pressionar pela volta. Jogadores e funcionários infectados não fizeram os dirigentes criarem juízo.

Parece que na cabeça dos cartolas paulistas só uma frase martelava: "os cariocas já voltaram e vão chegar no Brasileiro melhor do que a gente". Sinto cheiro de medo do Flamengo no ar. Pavor maior até do que em relação ao implacável novo coronavírus.

Aliás, a CBF também dá sua contribuição ao menosprezo pela ciência ao acenar com o início do Brasileirão em 8 de agosto .

Não é preciso gastar muitas linhas para explicar que não é a hora para se falar na volta o Campeonato Paulista. Basta lembrar que Doria decretou que os jogos só acontecerão nas cidades que estejam no que o governo classifica como fase amarela. A restrição demonstra que a situação não está controlada.

Quer outro dado? Nesta terça (7), o Ministério da Saúde divulgou 1.254  novos registros de óbitos por covid-19 nas 24h anteriores.

Tudo isso reafirma que cartolas e governantes não entenderam que quem está no comando, infelizmente, é o novo coronavírus, não eles.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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