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Gasto de R$ 17 mi mensais com 8° lugar no Brasileiro-19 pesa contra Andrés

Perrone

20/07/2020 04h00

Em entrevista coletiva na última sexta (17), Roberto Gavioli, gerente financeiro do Corinthians, confirmou dados fundamentais para a análise da atual administração de Andrés Sanchez. E as informações pesam contra seu chefe, sentado ao lado dele na ocasião.

O executivo afirmou que em 2019 a folha de pagamento do futebol corintiano custava entre R$ 17 milhões e R$ 18 milhões mensais. Apesar do alto gasto, o clube terminou o Brasileiro em oitavo lugar, após conquistar o Campeonato Paulista.

Segundo Gavioli, com as reduções nas remunerações feitas pela diretoria durante a suspensão do futebol por conta da pandemia de covid-19 , o gasto mensal passou a ser de aproximadamente R$ 8,5 milhões. Ele calcula que, com a retomada dos pagamentos integrais, a despesa mensal fique em torno de R$ 11 milhões. Vale lembrar que a equipe alvinegra ocupa apenas a terceira posição de seu grupo no Paulista. São 11 pontos e só duas vitórias até aqui.

Na opinião deste blogueiro, a relação entre custo e desempenho esportivo já serve para indicar que a gestão do atual presidente é ruim.

A avaliação, porém, fica mais robusta com a comparação entre os gastos corintianos em 2019 e os de times que somaram mais pontos do que o alvinegro no Brasileirão do ano passado.

Para fazer a comparação, o blog usou dados disponíveis nos balanços das agremiações referentes a 2019. Foram usados os valores declarados de despesas com salários, direitos de imagem, tributos e benefícios. O valor anual foi dividido por 13 (12 meses e 13° salário) para se chegar à média mensal.

A contabilidade corintiana confirma os dados apresentados por seu gerente financeiro. O gasto mensal médio com a folha de pagamento foi de aproximadamente R$ 17,2 milhões.

O blog só não fez ata comparação com o Flamengo porque o rubro-negro publicou em seu balanço os gastos salariais de todas as modalidades e da área social.

Em relação aos outros seis times que obtiveram colocações melhores do que ele no Brasileirão de 2019, o Corinthians só apresentou folha de pagamento menos cara que a do terceiro colocado, o Palmeiras (por volta de R$ 20,3 milhões).

O Santos, vice-campeão, registrou despesa mensal com remunerações no futebol de aproximadamente R$ 11,4 milhões.

Também gastaram menos do que o clube comandado por Andrés o Grêmio (cerca de R$ 15,3 milhões e quarto colocado), o Athletico (por volta de R$ 10,5 milhões, incluindo premiações, e quinto colocado, o São Paulo (em torno de R$ 14,2 milhões e sexto na classificação) e Internacional (por volta de R$ 14,6 milhões e sétimo na tabela).

Para este blogueiro, essa combinação entre despesas e desempenho esportivo deixa clara a ineficiência da atual administração alvinegra.

Quando voltou à presidência, Andrés colocou como uma de suas principais metas arrumar as finanças do clube. Só que 2019 terminou com déficit de 177 milhões para os corintianos. O valor vai aumentar por conta de uma correção no balanço para incluir valores cobrados pelo JMalucelli pela venda de Jucilei.

É natural no futebol um clube amargar jejum de títulos enquanto bota suas finanças em dia. No ano passado, o Corinthians não passou em branco, pois conquistou o Estadual, mas se enforcou ainda mais financeiramente.

A maioria dos clubes usados como comparação também pode ter sua relação entre gastos e desempenho esportivo questionada, mas os números escancaram que no Parque São Jorge o problema é maior. Sem usar lupa é possível afirmar que até aqui Andrés faz uma má gestão em sua segunda passagem pela presidência.

Ainda que ele equacione a dívida relativa à construção da arena do clube, a gastança com um time que não foi além de vencer o Estadual no ano passado deixará no mínimo uma nódoa em seu currículo.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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