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Opinião: regulamento do Paulistão é feito sob medida para times entregarem

UOL Esporte

26/07/2020 12h33

(Divulgação/Federação Paulista)

Já reparou como nos acostumamos com ônibus e vagões de metrô lotados, com pessoas espremidas como sardinha em lata?

Não damos conta de como isso é desumano. Quem passa por tal perrengue todos dias normalmente pensa que precisa ter dinheiro para comprar um carro antes de pensar em cobrar os governantes para melhorarem as condições do transporte coletivo.

Mas, de repente, vem uma pandemia, e notamos como é desumano e insalubre amassar gente no ônibus, no metrô ou no trem.

Pois é, neste domingo encaramos o nosso busão abarrotado no Campeonato Paulista. Trata-se da situação que envolve Corinthians, São Paulo e Guarani.

Estamos discutindo se o São Paulo deve entregar o jogo para o Guarani para eliminar o Corinthians. Debatemos se seria ético ou não, quando na verdade deveríamos estar protestando contra o regulamento, nosso ônibus lotado.

A culpa da situação é do modelo esdrúxulo de disputa pelo qual um time briga por uma vaga nas quartas de final com quem não tem o direito de enfrentar na primeira fase.

Lembrando: os times de um grupo jogam com todos das outras chaves, mas não entre eles. Os dois melhores de cada grupo, que não mediram forças em campo, se classificam. Só nas quartas farão um duelo. Ou seja, a essência da competição é outro time decidir o destino do rival. Não é que calhou de o São Paulo ter esse poder em relação ao Corinthians. O espírito do regulamento é esse.

Fizeram essa estupidez com a fórmula do campeonato uma vez. Imprensa e torcedores criticaram. Os clubes aceitaram, nada fizeram para mudar. Assim como muita gente que literalmente luta para entrar no vagão do metrô todo os dias, mas não cobra os governantes. E pior, continua votando sem estudar verdadeiramente em quem votar.
A maior parte da imprensa e dos torcedores se acostumou com esse regulamento bizarro.

Em vez de criticarmos a Federação Paulista e os cartolas dos clubes que tratam uma fórmula ridícula como normal, focamos no São Paulo. Entrega ou não? É ético? Tem o direito de poupar jogadores prejudicando o rival?

Essas não são as perguntas certas. Temos que perguntar porque as agremiações, incluindo São Paulo, Corinthians e Guarani, aceitam todos os anos um campeonato sob encomenda para entregas.

Muitos dizem que a culpa é do Corinthians que não jogou bola para se classificar sem depender dos outros. De fato, o alvinegro fez uma primeira fase que não condiz com seu orçamento. Mas, num campeonato justo, deveria poder disputar a vaga com seu oponente direto por ela. Porém, o alvinegro não é coitadinho porque seu presidente também viu o "ônibus lotado" e nada fez.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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