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Entenda como Corinthians foi parar em caso de juiz acusado de corrupção

Perrone

05/08/2020 17h01

Na última segunda (5), o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra o juiz Federal Leonardo Safi de Melo e outros acusados por supostos atos de corrupção. Parte da denúncia está identificada como "Caso Corinthians". A informação foi divulgada primeiro pelo "Blog do Paulinho".

As investigações a respeito de Melo ganharam notoriedade com a acusação de que ele jogou dois celulares na privada durante ação da Polícia Federal.

O documento do MPF diz que o presidente do clube, Andrés Sanchez, o diretor jurídico, Fábio Trubilhano, e o advogado da agremiação, Juliano Di Pietro, confirmaram terem recebido  pedido de pagamento de propina num processo, mas negam terem aceitado a proposta (veja no final do post nota oficial em que o clube confirma essa versão).

Na mesma parte do documento, o MPF afirma que  Alexandre Husni, vice-presidente do Corinthians, admitiu der feito pagamento de propina para Melo em outro processo.

Ao blog, Husni confirmou a versão e explicou que se tratava de uma ação de um cliente seu, sem ligação com o clube.

"Vou falar a verdade. É um processo da década de 90. Meu cliente cobrava aluguel dos Correios. Ganhamos em todas as instâncias. O dinheiro, cerca de R$ 560 mil, foi depositado numa conta judicial. Mas a gente não recebia. O juiz pediu uma quantia para liberar o que já era nosso. Era pagar ou deixar meu cliente de 88 anos sem receber o que é dele. Paguei R$ 17 mil para liberar o dinheiro ao qual meu cliente já tinha direito, não comprei sentença nenhuma. Sofremos uma extorsão", afirmou o vice-presidente corintiano.

O blog não conseguiu localizar Melo para ouvir o juiz sobre as acusações.

Averiguando casos importantes com a participação do mesmo magistrado, a polícia chegou a um processo no qual o Corinthians pedia liminar referente a tema tributário.

A versão dos corintianos é a de que Melo pediu para  propina para manter uma liminar concedida anteriormente. Andrés, o diretor jurídico e o advogado tributarista do clube afirmam que rejeitaram o pedido. O caso acabou tendo desfecho desfavorável ao Corinthians.

O MPF aguarda dados de quebras de sigilo bancários de acusados de pertencerem a uma organização criminosa para avançar na apuração.

Abaixo, leia trecho da denúncia que cita o alvinegro.

"Ministério Público Federal
Procuradoria Regional da República da 3ª Região

e) Caso "CORINTHIANS", Sport Club Corinthians Paulista, Autos de Mandado de Segurança nº 5005566-23.2018.4.03.6100 e Autos de Execução Fiscal nº 5014599-48.2019.4.03.6182; "Luiz Phelipe Rezende Cintra", Autos de Cumprimento de Sentença contra a Fazenda Pública nº 0025295-97.1993.4.03.6100.

Juliano Di Pietro, advogado contratado pelo clube, Fábio Souza Trubilhano, diretor jurídico do clube, Andrés Navarro Sanchez, presidente do clube, e Alexandre Husni, seu vice-presidente, ouvidos no inquérito, confirmaram a solicitação de vantagem, mas não o seu pagamento.

Alexandre Husni, por sua vez (fls. 2080/2081), confirmou o pagamento de vantagem indevida para o levantamento do alvará nº 3848098, expedido pelo Juiz Federal Leonardo Safi de Melo, em 27/06/2018, no valor de R$ 566.638,05 (quinhentos e sessenta e seis mil seiscentos e trinta e oito reais e cinco centavos), nos autos nº 0025295-97.1993.4.03.6100 (fl. 2083).

Aguarda-se a juntada da totalidade dos dados correspondentes à quebra do
sigilo bancário obtidos via sistema SIMBA, relacionados aos membros da organização criminosa e às interpostas pessoas por eles utilizadas para a dissimulação da movimentação financeira dos valores ilícitos obtidos, com as respectivas análises, bem
como de cópia dos Procedimentos Administrativos Fiscais (PAF) nº 10803.720024/2011-
58; nº 10803.720091/2011-72, nº 10803.720092/2011-17, 10803.720007/2012-00 e nº
10803.720008/2012-46, em tramitação junto ao CARF, e a oitiva de Luiz Phelipe Rezende Cintra".

Abaixo, nota divulgada pelo Corinthians.

"O Sport Club Corinthians Paulista esclarece que sobre os fatos veiculados e que envolvem a Denúncia do MPF contra o juiz federal Leonardo Safi de Melo, que todos os esclarecimentos foram prestados perante a Policia Federal, confirmando a solicitação de vantagem indevida . Ademais, jamais se aceitou ou anuiu com essa solicitação, diferentemente. Esclareça-se , ainda, que o processo que tramitava sob a jurisdição desse Magistrado teve desfecho desfavorável ao pretendido pelo clube, o que foi alvo de recurso. O Corinthians ou seus representantes jamais cometeram qualquer ilicitude e não compactuam com qualquer ato de corrupção. Por fim, esclareça-se que o depoimento do vice-presidente, Alexandre Husni, de que valores foram entregues aos servidores públicos investigados, refere-se a processo de seu escritório particular movido contra os correios, sendo importante destacar que tal processo não tem relação alguma com o clube. O SCCP reafirma seu repúdio à conduta dos servidores públicos envolvidos nesses crimes e se colocou inteiramente à disposição das autoridades para a efetiva apuração do ocorrido".

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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