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O que vale o título paulista para presidentes de Palmeiras e Corinthians?

Perrone

03/08/2020 09h52

Abaixo, veja o que a eventual conquista do título Paulista vale para os presidentes de Corinthians e Palmeiras, adversários na decisão:

Andrés Sanchez

O título viria no pior momento político de Sanchez no Corinthians desde que assumiu a presidência pela primeira vez.

Em várias fases de pressão contra o grupo do atual presidente, o Renovação e Transparência, a oposição teve sua voz sufocada pelos resultados em campo.

A parada do Estadual por conta da pandemia de Covid-19 aconteceu num momento em que o time corria até o risco de rebaixamento. Durante a suspensão dos jogos, os conselhos Fiscal e de Orientação fizeram pareceres recomendando a rejeição das contas referentes a 2019.

Agora falta o Conselho Deliberativo votar se aceita ou não a orientaação. Se houver reprovação, um processo de impeachment pode ser aberto contra Sanchez.

O clube ainda aguarda a prefeitura autorizar a reunião presencial. Assim, ela deve ocorrer após a final.

Historicamente, Sanchez usa bem politicamente as grandes vitórias em campo. O título em cima do rival daria ao dirigente argumento para tentar defender sua política financeira já que o adversário tem um elenco bem mais caro.

O título também seria importante para Andrés alavancar a candidatura de Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol, na eleição de novembro. Seu nome ainda não foi confirmado como candidato.

Maurício Galiotte

O presidente palmeirense tem sido cobrado por ter terminado 2019 com um time caro e que não conquistou títulos. Em meio à pressão Alexandre Mattos, arquiteto do elenco, foi demitido.

Em 2020, o dirigente continuou sendo cobrado por supostamente não ter conseguido se livrar de todos os jogadores que não renderam o esperado, apesar do alto custo.

Galiotte também é criticado por conselheiros e torcedores por, na visão deles, não identificar os motivos que fazem uma equipe milionária não atingir todo o seu potencial.

Críticos pintam o presidente alviverde como um cartola sem influência nos bastidores na comparação com rivais como Sanchez.

Nesse cenário, o fato de o adversário na final ser o Corinthians é perfeito para Galiotte calar quem o critica.

O título daria a ele o argumento de que a reformulação após a saída de Mattos está sendo bem conduzida e de que não há fragilidade nos bastidores em relação ao principal oponente alviverde.

Porém, se o Palmeiras perder pela segunda vez o Paulista com o último jogo em casa para o Corinthians, Galiotte verá a pressão sobre ele aumentar de maneira drástica..

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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