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Por prevenção e economia, times compartilham logística de voo fretado

Perrone

11/08/2020 04h00

A pandemia de covid-19 aumentou a importância de se locomover por meio de voos fretados para os times brasileiros. Porém, o alto custo para fretar um avião é obstáculo.

Para tentar driblar o problema,  ao menos parte das agremiações que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro busca compartilhar a logística das viagens. A ideia é aproveitar uma aeronave para dois times que farão bate e volta nas mesmas cidades, invertendo os locais de saída e chegada.

O São Paulo faria essa operação com o Atlético-GO, que acabou tendo o seu jogo na primeira rodada adiado porque o Corinthians chegou à final do Paulista.

A aeronave levaria no sábado (8) os são-paulinos para Goiânia a fim de enfrentarem o Goiás (o jogo não aconteceu por conta da demora na entrega de resultados positivos para covid-19 de jogadores do Goiás).

Depois de o São Paulo desembarcar, o avião seria higienizado para o embarque do Atlético-GO rumo à capital paulista. Quando terminasse o jogo com o Corinthians, a aeronave levaria o Atlético para casa e buscaria o São Paulo. O clube do Morumbi gastaria a metade do que acabou gastando para viajar em voo fretado para Goiânia.

As informações são trocadas num grupo de aplicativo de mensagens que tem como integrantes supervisores dos times. Além de tratarem sobre os voos, eles se ajudam em relação a outros temas ligados ao protocolo de prevenção contra a transmissão do novo coronavírus.

Apesar de participar do grupo que troca informações e apoio logístico, o Red Bull Bragantino se antecipou e já fretou voo para as 15 partidas que tem fora de São Paulo no Brasileirão. A saída será sempre de Campinas.

A decisão foi tomada pela direção pensando em diminuir os riscos de contaminação dos jogadores, pois eles são testados constantemente e não dividirão aeronave com quem não enfrenta a mesma rotina.

A avaliação do clube, conforme apurou o blog, é que, além de protegerem a saúde de seus funcionários, os fretamentos evitam o risco de a agremiação ficar com atletas parados por pelo menos duas semanas, em caso de contaminação, enquanto continuam recebendo salários.

O Atlético-MG também planeja viajar em avião fretado sempre que jogar fora de casa no Brasileiro por considerar a medida mais segura em termos de prevenção contra a transmissão do novo coronavírus.

Pensando nisso, o Galo dá preferência a aeroportos com menor trânsito de passageiros, como o São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, em São Roque. O local é privado e fica a aproximadamente 70 quilômetros do centro da capital paulista.

O Corinthians é outro com entendimento de que fretar voos é uma medida necessária para preservar a saúde de seus profissionais. Pelo menos as viagens para os dois primeiros jogos fora de casa, contra Atlético-MG e Grêmio, serão em aviōes só para os alvinegros. Ainda não há uma definição sobre as demais partidas, segundo a assessoria de imprensa corintiana.

O Flamengo pretende fazer todas as viagens em aviões reservados só para sua delegação. No entanto, o clube não relaciona a medida à pandemia. O assunto é tratado como aprimoramento de um esquema que funcionou em 2019, quando cerca de 80% das viagens foram em voos fretados. A direção entende que a redução do desgaste em relação às viagens em aeronaves abertas para outros passageiros compensa o investimento.

De acordo com um dos dirigentes ouvidos pelo blog, a CBF disponibiliza uma quantia para a compra de 23 passagens por jogo para cada time da Série A como visitante, mas o valor pode ser usado para pagar parte do fretamento. São Paulo e Atlético-MG já fizeram isso.

Mesmo assim, alguns clubes já concluíram que o fretamento é inviável para eles. "Não, não temos dinheiro para pagar a conta de voos fretados", afirmou ao blog Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, ao ser questionado se iria aderir aos fretamentos.

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, também disse que fretar aeronaves não cabe no bolso de seu clube. "Pra gente é mais caro ainda porque o avião não sai daqui. Ele sai de algum lugar para vir até aqui. Então tem que pagar essa gasolina de onde ele vem pra cá, aí fica meio inviável", declarou Paz.

Por sua vez, conforme apurou o blog, o São Paulo calcula que se não tivesse optado pelo fretamento teria desembolsado praticamente a mesma quantia referente ao avião com mais uma diária de hotel e refeição para o time todo em Goiânia. O clube vai decidir o que fazer a cada rodada do campeonato avaliando o custo.

Entre as informações que os suprevisores compartilham estão dados sobre hotéis que facilitam a adoção das medidas de prevenção.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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