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'Mais seguro seria parar campeonato', diz Nicolelis sobre surto no Flamengo

Perrone

26/09/2020 09h12

Indagado pelo blog sobre se é seguro realizar o jogo entre Flamengo e Palmeiras, neste domingo, apesar do surto de Covid-19 no rubro-negro, o médico, professor e neurocientista Miguel Nicolelis afirmou que o melhor seria a paralisação do Brasileirāo.

Um dos coordenadores do Comitê Científico do Consórcio Nordeste para para o combate ao novo coronavírus, ele diz haver incertezas em relação ao risco de transmissão do vírus durante a partida, mesmo com o time da Gávea utilizando atletas que testarem negativo.

 "Não dá pra saber (qual o risco de transmissão). Teria que fazer o que qualquer país civilizado faz, fazer um rastreamento, saber com quem cada jogador (contaminado) teve contato. Desde o começo, não poderia ter tido jogo. Tudo isso mostra como no Brasil o hedonismo está acima da preocupação com a saúde pública", disse Nicolelis.

Antes do retorno das competições no Brasil, ele havia classificado a decisão como loucura.

"Esse caso só reforça o que eu disse lá atrás, não era hora de voltar com o futebol. Quando teve o caso (de atletas contaminados) do Goiás, foi um indício de que nāo dava certo, que era melhor parar o campeonato. Por sorte, nāo tivemos uma fatalidade com um jogador até agora. O mais seguro seria parar o campeonato", afirmou o médico.

Para Nicolelis, dirigentes não estão levando em conta a possibilidade de outras pessoas envolvidas com a partida, como massagistas e funcionários do Allianz Parque, fazerem parte do grupo de risco na pandemia de covid-19 e se contaminarem.

"Estão envolvidas múltiplas questões de saúde pública e levam para questões clubísticas. Que falta vai fazer para o planeta não ter Palmeiras e Flamengo? Qual a justificativa para colocar essas pessoas em risco?", indagou.

Em meio à discussão sobre se deve haver jogo ou não, os atletas palmeirenses se posicionaram publicamente pela realização da partida. Nicolelis, porém, avalia que eles deveriam ter outra postura. "Eu, como palmeirense, estou preocupado com a saúde dos jogadores do Palmeiras e do Flamengo. A CBF graganteia como se fosse um excelente protocolo, mas vimos que não existe protocolo que se provou eficiente. Se eu fosse jogador do Palmeiras, estaria muito preocupado", disse Nicolelis.

O professor falou do risco de o surto no Flamengo ultrapassar os limites Gávea com a ajuda da partida.

"Pode mandar mais gente para os hospitais, sobrecarregar médicos que já estão exauridos. Estudei um caso na Coreia do Sul no qual um surto num ônibus escolar se transformou num dos três maiores  do país", contou.

Ele também explicou porque considera que a retomada da Libertadores tornou a situação pior para os integrantes das equipes. O surto de covid-19 no rubro-negro foi detectado após partidas no Equador pela competição continental.

"A Libertadores piorou as coisas. Você viaja para o exterior, fica no aviāo muito tempo, sem ventilação, se tem alguém contaminado é um risco grande", disse o neurocientista.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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