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Opinião: Tite volta a criar realidade particular ao avaliar Arábia
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Em suas entrevistas coletivas Tite começa se especializar em criar uma realidade particular, que parece ser enxergada apenas por ele.

Um bom exemplo foi dado pelo treinador da seleção brasileira ao comentar sobre a Arábia Saudita, adversária do Brasil nesta sexta (12), às 15h30 (horário de Brasília), em Riad.

Do jeito que Tite descreveu a Arábia parece que o Brasil vai encarar a nova sensação do futebol mundial.

''Traz níveis de exigência, a Arábia Saudita é equipe móvel, de qualidade de passe, não é uma equipe estática, pragmática. Isso gera grau de dificuldade maior. Ela rompe linhas, ataca espaço, não é uma equipe pesada'', afirmou o treinador.

A propaganda é tão boa que dá vontade assistir ao jogo só pra contemplar essa máquina saudita.

Mas daí você lembra que a Arábia Saudita foi eliminada na primeira fase na Copa da Rússia. Na breve campanha foi  goleada por 5 a O pelos anfitriões.

Fica fácil desconfiar que a análise de Tite não retrata fielmente as habilidades da seleção saudita.

Ele já tinha optado por caminho semelhante ao dizer que Neymar entendeu a responsabilidade de ser capitão da seleção nos últimos dois jogos. Porém, ignorou um cartão amarelo levado pelo camisa 10 por simulação.

A impressão que fica é de que Tite altera a realidade para proteger jogador, a direção, responsável por acertar os amistosos, ou até mesmo de forma preventiva em relação a uma eventual dificuldade diante de um adversário frágil.

Só que essa postura fere o manual de Tite esculpido na transparência e na verdade. Qual o problema de dizer que não foi possível encontrar um adversário mais forte? Nenhum.

Análises exóticas muitas vezes sugerem a tentativa de esconder fatos verídicos. E isso costuma irritar o torcedor.

Tite deveria ter em mente que historicamente a CBF leva em conta o desejo da torcida para tomar decisões, como trocas de técnico. A irritação com o jeitão do treinador somada a eventuais maus resultados pode fragilizar a situação do técnico no cargo.


Ataque de organizada confirma discurso de Raí: idolatria não garante escudo
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Diretor executivo do São Paulo, Raí demonstra desconforto quando questionado se seu status de ídolo do clube serve como escudo contra críticas para diretoria, comissão técnica e jogadores. Em recente conversa com o blog, ele bateu na tecla de que o que blinda equipe e direção são os bons resultados. Disse que, se o time fosse mal, de nada adiantaria sua condição de ex-jogador idolatrado pelos são-paulinos.

Dito e feito. Depois da derrota por 2 a 0 para o Palmeiras no Morumbi e a queda do ex-líder do Brasileirão para a quarta posição, o ex-meia foi atacado em nota na última terça (9) pela principal torcida organizada do clube, a Independente. A uniformizada também não poupou Ricardo Rocha e Lugano, outros ex-jogadores que trabalham na agremiação.

Entre cartolas e funcionários do São Paulo há a convicção de que o peso de Raí como ídolo intimida eventuais críticos e que isso foi fundamental para algumas apostas darem certo. O caso mais emblemático é o da contratação do atual treinador. ''Aguirre não era uma unanimidade, mas acho que quando eu falei que assinava embaixo quebrei resistências para a contratação dele'', afirmou Raí no final do mês passado.

Na ocasião, ele ainda ponderou que o treinador e ele próprio enfrentariam resistências se o time não revertesse o princípio de queda que enfrentava naquele momento. ''Se não tiver o resultado, não é o nome, a nossa carreira, o que a gente construiu que vai resolver'', afirmou o ex-meia na entrevista. Ele se referia também a Ricardo Rocha e Lugano.

Aparentemente irritada por ver a diretoria impedir treinos abertos aos torcedores, a Independente não hesitou em atacar Raí. ''Ceni vencedor, trio de ídolos perdedor'', escreveu a uniformizada em sua conta no Twitter, ignorando o fato de o time ter mantido a liderança do Brasileirão durante grande parte da competição.

''Os ídolos da diretoria são os mesmos que deixaram o SPFC sem goleiro de confiança. Os milhões gastos no Jean, pra não jogar, foram coisa da diretoria de futebol'', diz a nota oficial da organizada.

Antes, o texto ressalta que por três vezes a Independente tentou apoiar o time em treinos abertos, mas que a direção vetou a ideia.

Na diretoria, o fato de os portões não terem sido abertos é tido como uma decisão em conjunto, não individual de Raí, que encabeça a cúpula do futebol.

Os dois primeiros treinamentos com portas abertas rejeitados aconteceram nas vésperas dos jogos contra Botafogo e Palmeiras. Antes do clássico paulista a atividade seria numa sexta-feira. O entendimento do clube foi de que não era uma boa ideia promover o deslocamento de torcedores num dia normal de trabalho na cidade. Além disso, considerou-se o risco de o rival abrir seu treino e haver confronto entre as torcidas.

A partir daí, a diretoria decidiu estudar permitir a presença dos fãs antes do jogo com o Internacional, no próximo domingo (14), já que o trabalho acontecerá num feriado (sexta, 12). A ideia, porém foi abortada. A conclusão dos dirigentes foi a de que, após a derrota para o Palmeiras, o contato com o torcedor poderia resultar mais em pressão do que em motivação, sendo prejudicial ao time.

O clube, no entanto, enfatiza que, apesar das negativas, considera importante o apoio dos torcedores.

Ao mesmo tempo em que a envergadura de Raí como ídolo não foi suficiente para evitar os disparos da Independente, foi capaz de  gerar insatisfação de parte dos torcedores com a uniformizada. Tanto que a cúpula da torcida postou o seguinte em seu perfil no Twitter: ''E para quem estiver revoltado com a nota sobre os ídolos do passado, lembre-se, estaremos em Porto Alegre, na vitória ou na derrota, com 20 ônibus, 18 horas de viagem. É logo ali. Tem coragem?''


Números mostram equilíbrio entre finalistas da Copa BR em fundamentos
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Finalistas da Copa do Brasil, Cruzeiro e Corinthians têm desempenho semelhante na competição em uma série de importantes fundamentos de acordo com dados do site ''Footstats''.

Um dos setores de maior equilíbrio entre os times que começam a decidir o título nesta quarta (10), no Mineirão, é o ataque. As duas equipes fizeram o mesmo número de gols: 7. A média de finalizações certas é bem próxima. Os mineiros finalizam corretamente quatro vezes por jogo, em média. A marca dos paulistas é 3,8. Em números totais, são 24 arremates com precisão dos cruzeirenses contra 23 dos corintianos.

Os dois times também precisam fazer um número parecido de conclusões para balançar as redes. Em média, o Corinthians marca um gol a cada 7,3 finalizações diante de 6,7 do adversário.

Outra semelhança acontece na quantidade de dribles certos dos finalistas no torneio. Foram até aqui 24 fintas precisas dos alvinegros e 22 dos mineiros.

A quantidade de lançamentos certos feitos por cada time nos seis jogos disputados na competição sugere exploração semelhante desse recurso. O Cruzeiro acertou 86, um a mais do que o rival.

Os finalistas são parecidos ainda no quesito passes certos. Os comandados de Mano Menezes ostentam média de 90,5 acertos em média por apresentação contra 90 do oponente.

O número de escanteios cedidos por cada um no certame também é próximo: 40 pelos corintianos e 38 pelos cruzeirenses.

Por outro lado, há uma diferença significativa nas defesas. A paulista foi vazada apenas duas vezes, enquanto a mineira cinco. O clube de Belo Horizonte leva em média um gol a cada 10,2 finalizações contra sua meta. Já o de São Paulo vê sua rede balançar depois de 34,5 arremates contra seu goleiro.


Na Justiça, vices repetem discurso de ameaça e chantagem de Leila Pereira
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Em ação movida por Leila Pereira, que pede indenização por danos morais, três vice-presidentes do Palmeiras em suas defesas não recuaram sobre afirmações contra a sócia da Crefisa. Genaro Marino Neto, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli voltaram a classificar declarações da patrocinadora do clube como ameaça e chantagem.

Na contestação enviada à Justiça, eles afirmam também que muitos consideram que a empresária usa métodos reprováveis para crescer no alviverde e age de forma desconectada ao amor à agremiação. Apontam ainda conflito de interesses por Leila ser também conselheira. Leia no final do post a resposta dela ao blog sobre a defesa dos dirigentes.

Leila foi à Justiça depois de os três vices emitirem uma nota de repúdio à entrevista dada por ela ao Blog do Ohata. Na ocasião, a empresária disse que deixaria de patrocinar o Palmeiras caso um inimigo assuma a presidência. Ela pede que cada um dos processados pague R$ 100 mil de indenização.

A defesa dos vices diz que a entrevista evidencia uma ''inescondível e indisfarçável ameaça – ameaça, sim! – de que o patrocínio será retirado ou não renovado''.

Para os advogados dos dirigentes, as aspirações de Leila no clube ''vêm se prestando a provocar reações contrárias por parte daqueles que se apercebam das clamorosas evidências a respeito da existência atual ou potencial de conflito de interesses, bem assim do modo, da atitude, dos expedientes e dos métodos dos quais ela se utiliza para o alcance dos seus objetivos e por muitos considerados como gestos e movimentos desconectados do amor ao clube…''.

Em outro trecho, a peça volta a falar sobre ameaça e chantagem ao se referir à entrevista que originou a reação dos vice-presidentes. ''Eis aí, escancarado o sabor da ameaça, com pitadas – sim! – de chantagem, não em seu significado ou tipicidade criminal, mas no sentido de que o clube ficaria à mercê do que seu patrocinador venha a fazer ou deixar de fazer…''.

A tese da defesa é de que o trio reagiu a uma declaração da patrocinadora dentro do contexto político do clube, exercendo seu direito à crítica sem a intenção de ofender a moral da adversária e usou os termos chantagem e ameaça sem conotação jurídica.

Os advogados lembram que Leila planeja alcançar a presidência e que Genaro, um dos processados, se coloca como candidato da oposição contra o atual presidente, Maurício Galiotte, no próximo pleito.

Em outra parte da contestação, eles afirmam que o clube virou refém do poderio financeiro da empresária. ''Substancialmente, os contestantes (os três vices) têm a inabalável convicção de que a autora (Leila) se vale, sim e com enorme intensidade, de seu poderio e de sua bilionária condição de riqueza material para galgar maiores espaços no clube, tornando-o cada vez mais refém de uma situação perigosa, que, ao ver de todos eles, se traduz numa inescondível contradição ou incompatibilização: a de ser patrocinadora do clube e conselheira (com notória aspiração à sua presidência) a um só tempo…''.

Apesar de pedir que o juiz considere improcedente a ação, por entender que não há dando moral, a defesa sustenta que o valor pedido pela dona da Crefisa e da FAM é exorbitante. ''O valor não poderá ultrapassar o patamar de R$ 5 mil em face da condição financeira das partes (não somente a da autora, para quem o valor pretendido nada significa, mas para os réus, para os quais tal valor se afigura absolutamente excessivo'', afirma a contestação.

Por fim, os advogados falam em oportunismo da empresária e de sua ''já notória jactância, traduzida em se valer da força de seu império material para galgar posições, como a de conselheira (eleita sem ter o tempo mínimo de inscrição como sócia)''. Nesse ponto, a defesa se refere à contestação que foi feita sobre a documentação apresentada pela empresária para se candidatar ao conselho. Ela nega irregularidades e o caso está encerrado internamente.

O que diz Leila

Por meio de mensagem de texto enviada por sua assessoria de imprensa a pedido do blog, Leila Pereira comentou os ataques que recebeu da defesa dos três vice-presidentes. Leia abaixo.

''Eles não podem simplesmente ofender uma pessoa e achar que está tudo bem.
Precisam aprender a respeitar a opinião contrária.
E não podem falar em conflito de interesse, uma coisa é a patrocinadora, cumprimos rigorosamente com tudo que está colocado no contrato, outra coisa é a conselheira, que tem direito a se expressar, precisam refletir mais sobre seus atos.
Não fui eu quem ofendi ninguém, porém acho que a Justiça é o caminho correto quando uma pessoa é ofendida, foi o que busquei''.

Com Pedro Lopes, do UOL, em São Paulo

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Mustafá e ingressos: pedido de advogado da Crefisa evita arquivamento


Justiça nega pedido do SPFC para ficar fora de ação de torcedor ferido
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Fim da noite de 6 de julho de 2016. O São Paulo acaba de perder para o Atlético Nacional (COL) por 2 a 0, no Morumbi, no primeiro confronto das semifinais da Libertadores. Do lado de fora, torcedores descontrolados promovem tumulto, roubam vendedores ambulantes e outros são-paulinos. A Polícia Militar age com bombas de gás. Os vândalos reagem com garrafas tomadas dos vendedores de cerveja e o que mais der para arremessar.

Nesse cenário de guerra urbana, o taxista Wesley Andrade Ferreira Santos sai do estádio e tenta chegar com um amigo ao seu veículo. Depois de ser impedido de prosseguir ao dar de frente com uma barreira de policiais, ele sente ser atingido em suas costas por algo que explode em seguida em suas pernas. Ele cai e é pisoteado. A bomba de gás atirada pela Polícia Militar provoca queimaduras de segundo grau.

O relato sobre o ferimento em meio à confusão é a versão dos advogados do torcedor em processo que ele move pedindo indenizações da Fazenda Pública do Estado e do São Paulo.

No último dia 28, a Justiça rejeitou pedido do clube para não fazer parte do processo alegando que não teve responsabilidade no episódio. A decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública ressalta que a discussão sobre se a agremiação tem culpa será feita durante o processo.

''Nosso pedido não foi negado definitivamente. A Justiça diz: 'vou negar num primeiro momento porque quero analisar se teve algum incidente interno (no estádio), ver a produção de provas…''', disse Leonardo Serafim dos Anjos, diretor executivo jurídico do clube.

Ele afirmou que o pedido para o São Paulo ser retirado da ação foi feito porque a direção considera ter tomado todas as providências necessárias em relação à segurança, principalmente solicitando policiamento.

O taxista, porém, usa trecho do estatuto do torcedor, que determina ser do mandante do jogo e de seus dirigentes a responsabilidade pela segurança dos presentes, para mirar o São Paulo.

Para reforçar a tese, os advogados de Santos anexaram ao processo nota oficial do clube decretando o rompimento de relações com as torcidas organizadas justamente por causa dos atos violentos que acabaram gerando o processo. Ou seja, o tricolor teria vínculo com uma das partes envolvidas no confronto. Isso porque na ocasião a PM acusou as uniformizadas de iniciarem a barbárie.

Em janeiro de 2016, o presidente são-paulino, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, admitiu em entrevista para a ''Folha de S. Paulo'' ajudar as organizadas. O apoio era com quantias em dinheiro para elas organizarem seus desfiles de Carnaval e ingressos para os jogos.

''Não fazia parte da diretoria nessa época, então não sei se havia ajuda. E se havia, são instituições que funcionam legalmente. Mas o que interessa é que tomamos todas as medidas de segurança determinadas pelos estatuto do torcedor'', declarou o diretor jurídico do clube.

Na ação, o torcedor pede R$ 40 mil da Fazenda Pública do Estado de São Paulo como indenização por danos morais. Do Estado e do clube ele cobra R$ 15 mil por danos estéticos. São exigidos mais R$ 7,5 mil como danos materiais e R$ 701,76 para cobrir despesas com tratamento médico. Nos dois últimos casos não está claro se a cobrança vale para as duas partes acionadas.


Lixo eleitoral do lado de fora da arena ofusca ação corintiana por limpeza
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Sujeira eleitoral em volta da arena Foto: Ricardo Perrone/UOL

Com a ajuda de uma empresa parceira, o Corinthians planejou ação de limpeza e demonstração de educação em sua arena na última sexta (5), durante derrota para o Flamengo por 3 a 0. A louvável iniciativa, porém, foi ofuscada pelo lixo eleitoral que empesteou o entorno do estádio.

Do lado de dentro, a ideia era de que o torcedor, após receber saquinhos de lixo, recolhesse sua própria sujeira ao final da partida, como costumam fazer torcedores japoneses. Pelo menos no setor sul, muitos corintianos não aderiram a campanha. Não só largaram seus copos e caixas de pizza pelo caminho como os próprios saquinhos. Compreensível, já que uma mudança significativa de comportamento costuma levar tempo.

O que chamou mesmo a atenção foi o caos promovido pela campanha política do lado de fora. Candidatos, cabos eleitorais e torcedores demonstraram desrespeito com a cidade emporcalhando o entorno da Arena Corinthians.

Enquanto um divulgador pedia voto para uma candidata ''corintiana e com ficha limpa'', outro promovia uma chuva de santinhos. Em movimentos ritmados, apoiadores de candidatos entregavam os papéis para os torcedores que, na maioria das vezes, jogavam a propaganda no chão.

Santinhos de um mesmo político amontoados no chão indicavam que alguns cabos eleitorais tentaram se livrar do serviço mais cedo simplesmente fazendo sujeira com as próprias mãos.

Claro que o Corinthians não tem culpa nessa bagunça. A via pública em volta de seu estádio é que foi vítima da falta de educação que começa com os candidatos, passa por sua militância ou seus prestadores de serviço e termina no eleitor. Foi a repetição de um péssimo velho hábito numa noite que deveria servir de inspiração para sua extinção.  Uma melancólica prévia do que deveremos ver hoje pelas ruas do país. E tomara que não chova para esse desrespeito não se materializar em forma de enchente.


Justiça dos EUA pede que Fifa reavalie com governo valor cobrado de Marin
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Na última quinta (4), a Justiça norte-americana analisou pedidos de Fifa, Conmebol e Concacaf para ser restituída financeiramente por José Maria Marin e Jose Angel Naput, ex-presidente da confederação sul-americana, acusados de corrupção. A juíza Pamela Chen apontou dificuldades para conceder as indenizações integrais pedidas por conta de uma jurisprudência nos Estados Unidos. Ela orientou as entidades a apresentarem suas contas ao governo do país em busca de um número em comum. Posteriormente, essa quantia seria analisada por ela.

A informação, confirmada pelo blog, foi revelada pelo site norte-americano ''Law 360'', que cita indenização de dezenas de milhões de dólares, envolvendo também outros dirigentes e cobrada por conta de esquema fraudulento. A decisão agradou à defesa do ex-presidente da CBF, que acredita num valor menor ao pedido inicialmente pelas entidades.

Os advogados de defesa argumentaram com Chen que há jurisprudência nos Estados Unidos que refuta cálculos realizados internamente por entidades privadas como base para pedidos de restituição em casos semelhantes ao de Marin. Durante a sessão, a juíza sinalizou entender ser difícil conceder a restituição apenas com os cálculos feitos pelas vítimas por conta da jurisprudência. A menos que haja um pedido do governo.

Assim, Chen pediu para que as entidades apresentem suas contas detalhadas ao governo americano na tentativa de chegar a um número de consenso. Com suporte governamental no pedido, ela analisará se concede a restituição. A juíza deixou claro, porém, que, caso seja concedida, a indenização não será obrigatoriamente no novo valor.


Análise: eleição marca esfriamento entre Corinthians e PT
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O primeiro turno das eleições neste domingo (7) simboliza a mudança sofrida na relação entre Corinthians e PT por meio de representantes das duas instituições.

A proximidade de Andrés Sanchez, filiado ao partido, com Lula e o projeto da Arena Corinthians criaram laços entre as duas partes, embora o clube nunca tenha admitido formalmente o relacionamento com o partido.

A atuação de Lula para fazer o projeto da casa corintiana sair do papel é admitida por Andrés e executivos da Odebrecht. Na esteira dela, as afinidades entre os dois lados aumentaram gradualmente.

Como presidente da República, o principal dirigente do PT fez discurso no Parque São Jorge para festejar o centenário alvinegro. Em 2012, como ex-presidente corintiano e diretor da CBF, Sanchez escoltou Fernando Haddad por ruas da Zona Leste pedindo votos para o colega de partido tentar se eleger prefeito. Andrés se elegeu deputado federal pela sigla.

A idolatria ao líder petista podia ser medida numa foto dele na sala da presidência corintiana. Ela foi retirada no final de 2016, durante a gestão de Roberto de Andrade, quando Lula já estava acuado pela Lava Jato. Oficialmente, o quadro saiu temporariamente junto com todos da sala por conta de uma mudança na decoração.

Com Lula fora da presidência e cada vez mais atingido por acusações, o relacionamento começou a ficar menos amistoso. O ex-presidente da República foi alvo de um procedimento no Conselho Deliberativo do clube que poderia culminar com sua exclusão do órgão por excesso de faltas não justificadas às reuniões. Em agosto de 2016, ele renunciou ao cargo de conselheiro vitalício, concedido ainda na gestão de Alberto Dualib.

Em outra frente, mesmo fora da presidência, Andrés se desgastava com Haddad, então prefeito paulistano, por conta de dificuldades envolvendo os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) usados para arrecadar recursos visando o pagamento da dívida corintiana pela construção de seu estádio.

Em novembro de 2017, conforme reportagem do jornal ''O Estado de S. Paulo'', Sanchez chamou o ex-prefeito de mentiroso e incompetente durante depoimento ao Ministério Público. As declarações foram dadas em investigação aberta após o atual candidato à presidência pelo PT dizer ter recebido denúncia de que o promotor Marcelo Milani havia pedido dinheiro para não entrar com ação contestando a legalidade dos CIDs. O cartola corintiano e o promotor negam o episódio.

Nesse cenário de animosidades, diferentemente do que fizera em 2012, Andrés não saiu em campanha ao lado de Haddad para ajudar o candidato de seu partido à presidência.

O corintiano também decidiu não tentar a reeleição como deputado federal, dinamitando, ainda que involuntariamente, mais uma ponte que ligava o alvinegro ao PT. Essa ligação hoje não só é rejeitada por influentes cartolas corintianos como notadamente causa constrangimentos por conta da prisão de Lula e das diversas acusações que assolam o Partido dos Trabalhadores.

Enquanto o vermelho do PT descolore no Parque São Jorge, outros partidos começam a pintar suas cores por lá. O PSD, que apoia Geraldo Alckmin (PSDB) para a presidência, tem o deputado federal Antonio Goulart presidindo o Conselho Deliberativo corintiano. Ele tenta a reeleição na Câmara.

Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube, faz campanha para Monica Rosenberg, sua filha, candidata a deputada federal pelo Novo, que tem João Amoêdo como candidato à presidência. Um dos vídeos da propaganda dela divulgados pelo dirigente há menção a petistas como corruptos e a esquemas que ''criaram raízes''.

No entanto, ainda existem no Parque São Jorge heranças do auge do romance entre clube e PT. Uma delas é a atuação de Joana Saragoça, filha de José Dirceu, como funcionária do clube. Ela foi contratada em 2015 após indicação de Andrés, que não estava na presidência. Sempre que questionados sobre Joana, dirigentes corintianos elogiam seu trabalho.

Na diretoria de relações institucionais e internacionais o titular é Vicente Cândido, colega de Andrés como Deputado Federal pelo PT, mas que também não tentará a reeleição.

Tanto Monica como Cândido costumam ficar fora dos holofotes. Também sem visibilidade é como a maioria dos dirigentes corintianos parece querer que fique o recente passado de afinidade com o partido de Lula. A rejeição a esse histórico é deselegante.

A questão que ainda carece de resposta é: como vai ser o relacionamento de Andrés com Haddad e a relação institucional entre o clube e o governo caso o PT volte à presidência?

 

 

 

 


Caso Everton fortalece Tite: dispensa da seleção só por lesão
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A decisão da CBF de não dispensar o gremista Everton dos amistosos da seleção brasileira contra Arábia Saudita e Argentina, nos próximos dias 12 e 16, é uma vitória de Tite.

Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio, havia se reunido na semana passada com Walter Feldman, secretário-geral da Confederação Brasileira, e Rogério Caboclo, eleito para presidir a entidade a partir de abril do ano que vem. Na ocasião, o dirigente tricolor trabalhou pela liberação do jogador.

Apesar de a CBF não admitir oficialmente, avaliou a possibilidade de liberar o atleta, o que eliminaria o risco de um atrito político. Tanto que a resposta negativa não foi dada imediatamente para o presidente do clube gaúcho.

A principal pedra no caminho da pretensão do Grêmio foi o técnico Tite, que fez questão de manter a convocação. A eventual dispensa de Everton abriria um precedente e deixaria a comissão técnica enfraquecida diante de pedidos futuros.

Na última quarta à noite (3), os gremistas foram avisados oficialmente pela CBF de que não haverá liberação. O artilheiro desfalcará a equipe de Porto Alegre contra o Palmeiras, pela 29ª rodada do Brasileirão.

Um dia antes do aviso formal, o discurso da cúpula da entidade já era de que ninguém  deixa uma convocação a não ser por lesão. Ou seja, o caso de Everton servirá de exemplo em eventuais novos pedidos de clubes.

Com Marinho Saldanha e Pedro Ivo Almeida, do UOL em Porto Alegre e no Rio de Janeiro


Mustafá e ingressos: pedido de advogado da Crefisa evita arquivamento
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Uma reviravolta impediu que o inquérito relacionado ao suposto envolvimento de Mustafá Contursi com a venda ilegal de ingressos para jogos do Palmeiras fosse arquivado neste momento. O arquivamento havia sido pedido pelo Ministério Público de São Paulo.

Antes de analisar o pedido, o juiz ligado ao caso foi procurado pelo advogado que representa a Crefisa, interessada no procedimento. Ele argumentou sobre a necessidade de novas investigações para esclarecer os fatos. Por meio dos autos, o juiz Ricardo Augusto Ramos encaminhou a intervenção do advogado ao MP na última segunda (1º).

''Em busca da verdade real, manifesto-me favoravelmente em relação às diligências requeridas, a serem cumpridas no prazo de 60 dias'', escreveu o promotor Paulo Castilho em despacho nesta quarta (3). Ele havia sido o responsável por solicitar o arquivamento alegando falta de provas.

''Antes de o juiz analisar o pedido de arquivamento, foi procurado pelo advogado. Já me posicionei a favor e ele vai determinar essas novas diligências. Depois, o inquérito volta para o Ministério Público (manifestar se propõe ação penal ou solicita novamente o arquivamento)'', disse Castilho ao blog.

Desde o início das investigações, Contursi nega o envolvimento com cambistas ou que ele mesmo tenha comercializado entradas para as partidas. O inquérito apura se ele negociou ou facilitou a entrega de bilhetes cedidos pela Crefisa, patrocinadora do alviverde, para revendedores ilegais.

O caso estourou no auge da crise entre o ex-presidente palmeirense e o casal dono da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas). Mustafá era aliado de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, também conselheiros do clube. Eles romperam por divergências durante o processo de mudanças estatutárias que culminou com o aumento do mandato para presidente de dois para três anos.

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