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Arquivo : Alberto Valentim

Cobranças no Palmeiras atingem de jogadores ao presidente
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Perrone

No final da noite da última quarta-feira, celulares de conselheiros do Palmeiras começaram a tocar freneticamente. Do outro lado da linha colegas de clube indignados coma derrota por 3 a 1 para o Vitória, sacramentada pouco antes em Salvador.  As conversas madrugada adentro sinalizavam uma pressão em efeito dominó capaz de atingir jogadores, comissão técnica e dirigentes. Mostravam também como o clima no clube foi da euforia motivada pela esperança do título brasileiro à revolta em apenas dois jogos. O vento havia começado a mudar no revés no clássico de domingo vencido pelo Corinthians por 3 a 2.

A cúpula palmeirense, no entanto, minimiza no clima de cobrança. Acredita existir na verdade apenas uma movimentação política por parte de militantes do ex-presidente Mustafá Contursi, que tem pontos de divergência com a atual administração.

Em campo, Egídio, Juninho, Mayke e Erik viraram alvo de conselheiros de diferentes correntes políticas que pedem que eles não sejam mais escalados. Também há insatisfeitos com Dudu. Um deles passou a chamar o atacante de Pikachu da Água Branca. A junção do nome da criatura fictícia criada pela Nintendo com o bairro na vizinhança do Allianz Parque é uma maneira de protestar contra o jogador. A crítica é de que neste Brasileiro ele só estaria desequilibrando jogos contra adversários de menor expressão, preferencialmente em casa, não fazendo o mesmo em clássicos decisivos.

Se os atletas mal avaliados por conselheiros não deixam o time, a insatisfação passa a ser também com o técnico. Mas a bronca com a Alberto Valentim não é só por ele manter na equipe jogadores criticados. A lista é extensa. Os nove gols sofridos e oito marcados nas últimas quatro partidas viraram argumento para dizer que o treinador joga a equipe pra frente desordenadamente e expõe a defesa. O ex-auxiliar é “cornetado” por não conseguir arrumar o sistema defensivo  e nem cobrir brechas deixadas por seus laterais.

Um dos principais motivos de descontentamento é a ausência de Felipe Melo entre os titulares. Os críticos do substituto de Cuca ainda lamentam o fato de o volante não ter jogado em Itaquera. Argumentam que o clássico é pra jogadores cascudos como ele. O meio-campista também é usado para sustentar a tese de que Valentim não fez mudanças radicais após a saída de seu ex-chefe para buscar uma melhora acentuada de desempenho. Por tudo isso, os insatisfeitos fazem coro para que outro treinador seja contratado depois do final do Brasileirão.

E se o treinador não breca a repetição de erros do time e nem troca quem está mal logo a diretoria passa a ser responsabilizada. As duas últimas derrotas fizeram conselheiros que são antigos críticos de Alexandre Mattos, a maioria alinhada com  Mustafá, retomar os ataques ao dirigente remunerado. O novo barulho acontece porque ele não estaria cobrando o técnico, apontando falhas e sugerindo mudanças.

E se o diretor remunerado não enquadra o treinador, as flechas atingem o presidente do clube. Maurício Precivalle Galiotte é criticado por supostamente não exigir que Mattos atue para corrigir a rota. O dirigente teria deixado, assim como Paulo Nobre, o funcionário ter muita autonomia. Isso se estende a contratações. Para os críticos, o poder aumentou pelo fato de ele estar entrosado com Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, conselheiros e patrocinadores que ajudam o clube a investir em reforços.

Sob a argumentação de que é necessário alguém do clube supervisionado os profissionais do departamento de futebol, um grupo de conselheiros, liderados por “mustafistas”, planeja pedir ao presidente que nomeie um conselheiro como diretor não remunerado. Além de fazer esse papel, ele seria os olhos e ouvidos de Galiotte junto à equipe.

Política

Integrantes da atual gestão minimizam as críticas. Atribuem, principalmente as feitas a Mattos e a Galiotte ao grupo de Mustafá. Avaliam que a pressão acontece porque o ex-dirigente estaria insatisfeito por não ter sugestões atendidas pelo presidente. Entre elas estariam o corte de profissionais considerados caros pelo veterano cartola. O ex-presidente nega que seja contra o profissionalização de todos os setores do clube defendida por Galiotte. Mas admite ser contra gastos que considera altos e ineficientes. Publicamente, já criticou a grande quantidade de jogadores contratados no início de cada temporada desde a chegada de Mattos.

Galiotte não dá sinais de se incomodar com a pressão. O discurso interno do dirigente é de que continuará tocando o plano de contar com profissionais especializados em cada área. Se a palavra for mantida, a demissão do diretor de futebol e a nomeação de um conselheiro para acompanhar seu trabalho estão descartadas.

O blog procurou falar com Mattos e Galiotte por meio da assessoria de imprensa do Palmeiras, mas não obteve resposta até a publicação deste post.


Ofuscado por Mano, Alberto Valentim tem lobby no Palmeiras
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Com Danilo Lavieri e José Edgar de Matos, do UOL, em São Paulo

Assim que o Palmeiras oficializou a saída de Cuca, Alberto Valentim ganhou um lobby no clube para ser efetivado como treinador visando a próxima temporada. O apoio vem de conselheiros de diferentes correntes, mas não abala o favoritismo do cruzeirense Mano Menezes para ocupar o cargo.

O técnico interino é definido por seus defensores como estudioso, moderno, conhecedor do clube e bem relacionado com os jogadores. Ele também é visto como uma opção barata, o que, em tese, agradaria a Mustafá Contursi. O ex-presidente é um dos conselheiros mais influentes e prega permanentemente a austeridade financeira, apesar de atualmente as finanças alviverdes irem bem.

Recentes experiências bem-sucedidas com ex-assistentes também escoram os pedidos por uma chance para Valentim. São lembrados por conselheiros os nomes de Jair Ventura (Botafogo), Zé Ricardo (ex-Flamengo e hoje no Vasco) e do corintiano Fábio Carille.

Apesar de o ex-auxiliar agradar profissionalmente ao presidente do clube, Maurício Galiotte, a diretoria palmeirense avalia que não pode correr o risco em 2018 de mais uma vez precisar trocar de técnico durante a temporada. Isso dá força à escolha de alguém mais experiente, como Mano.

Ao falar sobre a saída de Cuca na semana passada, em entrevista coletiva, Galiotte elogiou o ex-auxiliar.  “Ele ainda está em evolução, tem características modernas e hoje é o técnico do Palmeiras. Enquanto a gente não tiver nenhuma outra notícia, ele é o técnico do Palmeiras”, declarou o dirigente.

Após deixar o clube em dezembro do ano passado, Valentim retornou em junho a pedido de Cuca. Fora do Palmeiras, ele teve a oportunidade de trabalhar como treinador do Red Bull.

A chance de o interino ser efetivado é remota e passa por um eventual fracasso na tentativa do alviverde de contratar Mano. O Cruzeiro tenta manter seu comandante.


Conviver com auxiliares influentes é desafio para novo técnico do Palmeiras
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No Palmeiras, Dorival Júnior terá de conviver com auxiliares influentes e chefes que parecem enfraquecidos, mas sobrevivem a uma avalanche de críticas feitas por conselheiros de várias correntes.

Ele será o sucessor de Ricardo Gareca, apesar de grande parte dos conselheiros ter pedido a efetivação do auxiliar técnico Alberto Valentim. Mas não é no Conselho Deliberativo que o assistente exibe influência. É no vestiário. Valentim tem sido muito ouvido pelos jogadores brasileiros do elenco recheado de estrangeiros e até domingo comandado por um argentino.

Pelo menos com Gareca, o assistente nunca teve a imagem de fiel escudeiro do técnico, aquela que vem à cabeça quando se pensa em Murtosa e Felipão. Sua figura é muito mais ligada aos atletas nacionais da equipe.

Contratado pelo alviverde em janeiro, Valentim tem como vantagem no relacionamento com os jogadores o fato de ter parado de jogar não faz muito tempo, em 2010. Ex-lateral, ele atuou com Wesley, um dos líderes do grupo palmeirense, no Atléltico-PR.

Além de depender de Valentim para sentir a temperatura do vestiário, o novo treinador deverá ter como uma de suas primeiras tarefas definir se o goleiro Fábio segue como titular após alternar boas defesas e graves falhas. Então, será a vez de o Dorival sentar para conversar com Fernando Miranda, treinador de goleiros.

Como em qualquer clube, o preparador de arqueiros é fundamental na decisão do técnico sobre quem escalar no gol. E Fernando até agora defendeu a permanência de Fábio em detrimento de Deola, jogador de personalidade forte e formado no clube, assim como o treinador de goleiros.

O chefe dos arqueiros atuou pelo Palmeiras entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Desde de 2005 trabalha preparando goleiros do clube em que fez amizades influentes. Ele tem relação estreita com Marcos, contratado pelo departamento de marketing alviverde desde que deixou de defender a meta do clube. Fernando também é amigo de conselheiros importantes, como Alberto Strufaldi, presidente do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização).

Como chefe direto, Dorival terá Omar Feitosa. Ele tem fama no clube de ser um gerente que fala grosso e não leva desaforo para casa. Após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, no último sábado, Feitosa se envolveu numa quente discussão com o conselheiro Stéfano Américo Giordano. Teté, como é conhecido o desafeto do gerente, faz parte da legião que existe no Conselho Deliberativo em campanha pela demissão de Feitosa. Uma das críticas ao funcionário é de que ele, supostamente, não sabe fazer a leitura do vestiário. Assim, problemas não chegam até a diretoria e deixam de ser corrigidos com rapidez. Feitosa é homem de confiança de José Carlos Brunoro, que apesar de ser bombardeado diariamente, ainda sobrevive no cargo de principal executivo do clube.

Se o cenário descrito acima não é o mais confortável para um treinador brasileiro iniciar seu trabalho, imagine para um argentino como Gareca.


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