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Por que é arriscado para o Corinthians um acordo com a Odebrecht agora?
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Como mostrou o UOL Esporte, a Odebrecht pretende chegar a um acordo com o Corinthians para deixar o fundo responsável pela arena do clube. Porém, uma série de fatores torna essa saída arriscada para o alvinegro.

O principal deles é o fato de ainda não ter sido entregue o relatório da auditoria feita pelo escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva. Ela analisa se a Odebrecht cumpriu o contrato na íntegra dos pontos de vista de engenharia e arquitetura.

Pelo esboço do acordo apresentado verbalmente pela construtora a dirigentes alvinegros, a Odebrecht perdoaria parte da dívida do Corinthians e sairia com um prejuízo de R$ 200 milhões, pelas contas dela. Esse é o valor aproximado que outro relatório, produzido pelo escritório de advocacia Molina & Reis, aponta como equivalente ao que a Odebrecht teria deixado de fazer ou que precisa ser refeito no estádio. Só que o documento foi produzido sem os dados do trabalho comandado por Cláudio Cunha, que não ficou pronto a tempo.

Ou seja, com os dois relatórios o resultado pode ser de um valor superior aos R$ 200 milhões. Assim, se aceitar o acordo antes de a conclusão da segunda auditoria ser entregue, o Corinthians corre o risco de não poder cobrar a construtora por montantes superiores aos R$ 200 milhões. A Odebrecht afirma ter cumprido o contrato na íntegra.

Se forem comprovadas as centenas de milhões de reais equivalentes a trabalhos não feitos ou insatisfatórios, a construtora estaria perdoando uma dívida que de fato não existe.

Outra questão é a Lava Jato. Antes do fim das investigações, o clube não pode medir o tamanho de eventuais prejuízos que teve com supostas operações ilegais envolvendo sua arena e seus dirigentes, se elas forem comprovadas. Planilhas do setor de propinas da construtora ligam o estádio a pagamentos irregulares para pessoas ainda não identificadas. Além disso, em sua deleção, Marcelo Odebrecht citou doação por meio de caixa 2 para a campanha a deputado de Andrés Sanchez, segundo a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega o recebimento de dinheiro ilegal.

Assim, conselheiros do clube defendem que nenhum acordo seja assinado com a Odebrecht antes do fim das investigações da Lava Jato.

Outro ponto que gera incertezas para o clube é o fato de a Odebrecht, pela proposta inicial, deixar de ser a garantidora do empréstimo feito pela Caixa junto ao BNDES para financiar a construção. Nesse caso, ela retiraria as garantias que deu ao banco e o clube teria que encontrar outra forma de garantir o pagamento. Só que a Caixa e outros bancos não enxergam com bons olhos garantias dadas por clubes, tanto que a Odebrecht precisou dar as suas.

Por fim, conselheiros corintianos também se incomodam com a possibilidade de a Odebrecht sair do negócio como boa moça, supostamente perdoando parte do débito corintiano, apesar da suspeitas do clube de que ela não cumpriu em 100% o combinado.

 


Corinthians promete apuração na arena após pouco fazer diante de alertas
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Na última quinta, a diretoria corintiana divulgou nota em seu site afirmando o seguinte:

“O Sport Club Corinthians Paulista, tendo tomado conhecimento de trechos da delação do sr. Marcelo Odebrecht que envolvem a Arena Corinthians, vem a público reforçar que quaisquer irregularidades ou desvios de conduta, constatados por autoridades ou não, serão devidamente apurados pelo clube, que tomará todas as providências para resguardar seus direitos e buscar a punição dos responsáveis, bem como diligenciará para garantir que todos os prejuízos causados ao clube e à arena sejam devidamente ressarcidos”.

O comunicado contrasta com a maneira como a direção lidou até aqui com alertas sobre supostas irregularidades e eventuais prejuízos causados ao alvinegro por conta da obra do estádio e pedidos para que questionasse a Odebrecht na Justiça ou em corte de arbitragem.

Na maioria das vezes o clube não reagiu. São inúmeros os relatos de pessoas que fizeram alertas e se sentiram ignoradas pela diretoria.

Em setembro de 2015, Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena, enviou e-mail para Roberto de Andrade alertando o dirigente para a suposta existência de um esquema fraudulento envolvendo o estádio. Ele apontou que o fundo responsável por administrar a arena aceitou relatórios da Odebrecht que atestavam a conclusão das obras um ano antes de a própria construtora declarar os trabalhos encerrados.

O caso foi revelado pelo blog em outubro de 2016. Na ocasião, por meio de sua assessoria de imprensa, Andrade, respondeu que a direção corintiana estava “tomando providências junto aos responsáveis pela gestão da arena”. Isso cerca de um ano após a denúncia ser feita.

Também em 2015, Coutinho apresentou extenso relatório no qual descreveu cenário de caos, desrespeito e descalabro, afirmando que a Odebrecht não havia feito trabalhos previstos em contrato ou realizado outros com baixa qualidade, o que a construtora nega.

Ele ainda listou prejuízos ao Corinthians e pediu imediata apuração dos fatos. Na ocasião, procurado pela Folha de S.Paulo para comentar o relatório, Andrés Sanchez, principal responsável pelo estádio no clube, não quis se pronunciar. Deputado federal pelo PT-SP, ele é citado em planilha entregue pela Odebrecht ao Ministério Público como recebedor de R$ 32,5 milhões em caixa 2 de campanha, de acordo com a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega ter recebido dinheiro de forma irregular.

Nenhuma medida enérgica foi tomada pelo clube após a entrega do relatório feito por Coutinho.

A Odebrecht deu a obra por encerrada em setembro de 2015. Pressionada pelo relatório do arquiteto, a diretoria, então esclareceu que esperaria a conclusão de auditoria que verificaria dos pontos de vista arquitetônico e de engenharia se a construtora cumpriu o contrato. O trabalho dos auditores só começou no segundo semestre do ano seguinte e ainda não foi concluído.

No final de 2016, em novembro, Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians disse que pediria a Andrade que tomasse medidas judiciais contra a Odebrecht. Até agora, a questão não foi levada aos tribunais e nem para a arbitragem.

Em dezembro de 2016, relatório apresentado por comissão de conselheiros do clube destacou desequilíbrio na relação entre Corinthians e Odebrecht. A conclusão foi de que a construtora sempre contou com profissionais altamente especializados para discutir pontos divergentes, enquanto o clube não montou uma estrutura no mesmo nível para enfrentar a empresa quando necessário.

Outro relatório, feito pelo escritório Molina & Reis, concluiu em janeiro de 2017 que a construtora deixou de executar cerca de R$ 200 milhões em obras na arena, fato contestado pela empresa. O clube seguiu aguardando a auditoria técnica.

A diretoria só chegou a endurecer o jogo com a Odebrecht no final de 2016, após novos problemas na arena se tornarem públicos. O Corinthians trocou cartas e notas ásperas com a empresa e chegou a impedir a ação dela na reparação de um dos defeitos, mas depois autorizou o serviço.

Nesse cenário, pelo menos parte das pessoas que fizeram alertas ao presidente corintiano sobre a situação leu com indignação a nota em que ele promete apurar eventuais desvios de conduta.

Na manhã desta sexta, o blog telefonou para Andrade, mas ele não atendeu à ligação.


Corinthians conta com avanço em mata-mata para compensar público na arena
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O Corinthians viu sua média de público pagante como mandante na primeira fase do Paulistão cair de 28.939 por jogo em 2016 para 20.935,3 na atual temporada, de acordo com os boletins financeiros dos jogos.

A renda bruta (sem descontar as despesas) média em casa desceu de R$ 1.503.254,18 para R$ 991.215.83.

Contra o Novorizontino, pela primeira fase do Paulista atual, a Arena Corinthians registrou o pior público da sua história em jogos do time profissional: 11.708 pagantes. A marca representa pouco mais da metade da menor presença de torcedores na casa alvinegra na etapa de grupos do Estadual do ano passado. Ela foi de 22.029 pagantes diante da Ponte Preta.

 Em 2017, apenas em duas das seis partidas da primeira fase do Paulista o público foi superior a 19 mil pessoas. Isso só aconteceu nos clássicos contra Palmeiras (30.727 pagantes) e Santos (36.111 torcedores). Na temporada anterior, a marca dos 30 mil pagantes na arena foi superada contra XV de Piracicaba, Linense, São Paulo e Novorizontino. Ou seja, na metade das atuações em Itaquera na etapa inicial.

Diante da queda demonstrada pelas comparações, o discurso corintiano não é de preocupação por enquanto. A expectativa é de que o clube siga avançando no Paulista e na Copa do Brasil para compensar públicos considerados fracos.

“Como venho informando há anos, o Corinthians trabalha na questão da venda de ingressos se planejando para uma temporada, não para um jogo. Precisamos esperar a temporada acabar para avaliar nosso desempenho”, afirmou Lúcio Blanco, gerente de operações da Arena Corinthians.

Indagado sobre quais as médias de público e renda projetadas pelo clube para a atual temporada, ele afirmou que os números não podem ser divulgadas.

Não custa lembrar que as rendas dos jogos são importantes para o pagamento da dívida pela construção do estádio.


Odebrecht usa CIDs da Arena Corinthians para pagar IPTU de sua sede
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A Odebrecht transformou o pagamento do IPTU de 2017 do prédio em que fica sua sede em São Paulo numa ação relativa à Arena Corinthians. A construtora usou CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que ajudam o clube a pagar a conta da obra, na quitação de R$ 2,8 milhões referentes ao imposto.

Dos cerca de R$ 465 milhões em certificados autorizados pela Prefeitura de São Paulo foram utilizados para pagamentos de impostos por empresas que adquiriram os papéis apenas R$ 42,5 milhões. A maioria foi comprada por consórcios dos quais a própria Odebrecht, credora do Corinthians pela construção da arena, faz parte.

Porém, há contratos que asseguram a troca de outros CIDs no valor de R$ 70 milhões com seis companhias que não são ligadas à construtora. Elas vão escolher o momento em que querem utilizar os papéis.

O Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que administra o estádio corintiano, vive um momento de otimismo com os CIDs depois de uma longa fase de pessimismo. Após a vitória em primeira instância na Justiça contra o Ministério Público que contesta a decisão do então prefeito Gilberto Kassab de autorizar a emissão dos certificados, o interesse de empresas não ligadas à construtora começou a aumentar. A situação melhorou depois que os primeiros papéis foram trocados. Os Cids são negociados com descontos no preço de face, o que permite ao comprador vantagem no momento de pagar parte de seus impostos.


Palmeiras vira exemplo para Corinthians ir à Justiça contra Odebrecht
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O Corinthians corre o risco de perder o prazo para reclamar da Odebrecht na Justiça por eventuais problemas em sua arena, segundo o conselheiro e advogado Heroi João Paulo Vicente, crítico da atual administração. O alerta à direção foi feito por ele em forma de cobrança num requerimento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger. No documento, ele indaga à diretoria por qual motivo o clube ainda não entrou com uma ação contra a construtora e pergunta qual o cronograma de ações da direção para resolver problemas no estádio e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos.

Para reforçar a necessidade de rapidez, Heroi cita o exemplo do Palmeiras, que acionou uma câmara de arbitragem e ganhou disputa pelas cadeiras de sua arena contra a construtora WTorre.

“… por infortúnio, largo lapso de tempo vem perpassando sem que qualquer postura judicial seja adotada para resguardo formal dos interesses do Sport Club Corinthians Paulista. Caso não seja essa a situação, queira por gentileza apontar quais medidas obstativas da prescrição e decadência (do prazo para reclamar na Justiça) foram adotadas. Atento à realidade contextualizada do desporto, lamentavelmente consta-se que a rival Sociedade Esportiva Palmeiras não hesitou em buscar solução aos conflitos de sua própria arena na seara adequada, já inclusive tendo obtido resultado favorável!”, escreveu Heroi, dirigindo-se ao presidente do conselho.

Ele também cita post publicado pelo blog sobre a entrega da auditoria relativa à engenharia e arquitetura da arena feita pelo escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva ter sido adiada em mais um mês.  O conselheiro pede para que o clube não espere pelo resultado do trabalho e busque na Justiça uma medida cautelar de produção de provas para comprovar se a Odebrecht não executou serviços previstos no contrato ou se existem obras que precisam ser refeitas. A construtora alega que cumpriu o contrato e que deixou de realizar trabalhos avaliados em cerca de R$ 40 milhões por causa de um estouro no orçamento.

“Como já exposto, há fundado receio de que os prazos de garantia por parte da construtora sejam expirados ou que não seja mais possível a propositura de uma eventual ação estimatória (para reclamar de defeitos) …”, afirma o conselheiro em outro trecho.

Ele não explica qual o prazo para a prescrição. De acordo com a legislação, varia dependendo do problema. Há casos em que vence um ano após a entrega efetiva do imóvel. Porém, enquanto a Odebrecht considera a obra completa e entregue, o Corinthians ainda não assinou o termo de aceite. O clube espera o resultado da auditoria para saber que atitude tomar.

Heroi pede para que o presidente do Conselho pergunte à direção e à diretoria jurídica qual o prazo final considerado para ajuizar eventuais ações indenizatórias, de abatimento de preço ou rescisão e por qual motivo ainda não foi proposta uma ação cautelar antecipatória com pedido de produção de provas e concessão de tutela de urgência contra a Odebrecht.

No requerimento ele também faz um protesto formal contra a diretoria, especialmente em relação ao presidente Roberto de Andrade, por não entregar uma série de documentos pedidos por conselheiros. O blog teve acesso a uma lista de pedidos feitos pelo opositor Romeu Tuma Júnior sem resposta. A não entrega de papéis solicitados por membros do conselho foi um dos argumentos usados para a tentativa frustrada de impeachment de Andrade. A assessoria de imprensa do dirigente não respondeu à pergunta feita pelo blog no último dia 3 sobre documentos requisitados por Tuma Júnior.

“Na verdade é totalmente impossível aferir qual a extensão dos direitos do clube que foram vulnerados, porque, conforme visto alhures, nenhum documento fora disponibilizado aos conselheiros solicitantes”, escreveu Heroi.

Procurado pelo blog, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano afirmou que encaminhará os pedidos do conselheiro para Andrade.


Ex-diretor cita fim da “Marginal sem número” para exaltar Arena Corinthians
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Fonte de aflições no Parque São Jorge por conta da dívida gerada e alvo de auditorias para saber se ela foi entregue como previa o contrato, a Arena Corinthians é usada pelo ex-diretor financeiro do clube, Raul Corrêa da Silva, para destacar o trabalho da antiga diretoria alvinegra. Ele cita entre os acertos dos ex-dirigentes o fim do apelido “Marginal sem número”, usado por torcedores rivais na época em que o time jogava no Pacaembu. Parte do antigo estádio do clube fica voltada para a Marginal do Tietê.

A citação foi feita por Raul em carta ao Conselho Deliberativo para se defender da acusação de que teria maquiado o balanço patrimonial do clube de 2014 em R$ 328 milhões.

“Por fim, registro que a atuação diligente da antiga gestão no registro contábil da participação da arena foi apenas mais uma das diversas medidas implementadas para conferir maior transparência e eficiência à administração do SCCP – inclusive acabando com a história de Marginal sem número –, …” diz trecho da mensagem enviada pelo ex-dirigente.

Ele decidiu se manifestar após reportagem da Folha de S.Paulo que mostrava carta de seus sucessor no cargo, Emerson Piovezan, também aos conselheiros. O atual dirigente explicava que em reunião do órgão disse que usou a expressão “maquiado” de maneira coloquial para definir o balanço preparado pelo antecessor. Mas afirmou que a suposta informação errada distorceu a análise dos conselheiros, que acabaram aprovando a peça.

A maquiagem teria acontecido porque as cotas pertencentes ao clube no Arena Fundo, ligado ao estádio, foram computadas como receita direta tornando o balanço superavitário. Para Piovezan, elas deveriam ser registradas como patrimônio líquido, o que teria causado déficit.

Em sua carta, Raul negou a maquiagem. Ele escreveu que a forma como foram registradas as cotas observou estritamente as regras do Conselho Federal de Contabilidade. Entre outras explicações, disse também que a regularidade da maneira como incluiu as cotas no balanço foi atestada por uma auditoria independente e um escritório de advocacia.


Corinthians tenta acordo após ver dívida com arquiteto aumentar em R$ 4 mi
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Deve, não nega e paga parceladamente depois que a dívida aumentar em cerca de R$ 4 milhões. Essa afirmação serve para o Corinthians, cobrado judicialmente pelo escritório do arquiteto Anibal Coutinho, responsável pelo projeto da arena do clube.

Em janeiro de 2015, Coutinho emprestou R$ 7 milhões para o alvinegro, que enfrentava dificuldades para quitar os salários dos jogadores. Após seguidas tentativas de receber a quantia, resultante de pagamento feito pela Odebrecht por parte de seu trabalho no estádio, ele acionou a Justiça. Só que o valor subiu para R$ 11,1 milhões, com juros, correções, multa e honorários advocatícios.

O Corinthians discorda apenas da quantia cobrada como honorários advocatícios. “Não contestamos o valor cobrado por ele e vamos tentar um acordo para parcelar a dívida. Só não concordamos com os honorários porque eles já tinham sido calculados pelo advogado dele na inicial (da ação). O juiz fez o cálculo de novo, então teríamos que pagar duas vezes”, disse ao blog Diógenes Mello Pimentel Neto, advogado corintiano.

Ele alegou na ação excesso de execução, por conta da discordância em relação aos honorários. No último dia 21, o juiz André Pinto, da 27ª Vara Cível do Rio de Janeiro, onde fica o escritório, recebeu o pedido e apenas marcou uma audiência para 15 de março. Nela, o Corinthians vai sugerir o acordo, que evitaria penhoras em contas do clube.

O empréstimo foi feito ainda na gestão de Mário Gobbi e deveria ser quitado seis meses após a entrega do dinheiro. O blog apurou que Coutinho fez várias tentativas de receber, acionando principalmente Andrés Sanchez, ex-presidente corintiano e que tocou os assuntos relativos à obra. Ele não foi ouvido porque não fala com o blog. Emerson Piovezan, diretor financeiro corintiano, não respondeu à mensagem com pergunta sobre o motivo para um acordo não ter sido feito antes da ação na Justiça.

Na ocasião em que decidiu conceder o empréstimo, Coutinho alegava dificuldades para receber por seu serviço, o que aconteceu, segundo sua versão após a operação com Corinthians ser alinhada.  Já a construtora nega que tenha havido entraves na liberação do dinheiro para o clube fazer o pagamento ao escritório de arquitetura.


Conheça as suspeitas que envolvem o estacionamento da Arena Corinthians
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Cláusulas contratuais mais favoráveis à parceira do que ao clube e suspeitas de irregularidades na operação transformaram o contrato de gestão do estacionamento da Arena Corinthians numa metralhadora para conselheiros tentarem derrubar Roberto de Andrade. O afastamento será julgado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado terá que ser ratificado pelos sócios.

Os problemas vão além do fato de o presidente alvinegro ter assinado o contrato com a Omni com data anterior à sua posse. Esse fato foi visto pela comissão que julgou o pedido de destituição como insuficiente para tirar Andrade do trono, pois não teria sido provado que o episódio causou dano à imagem do Corinthians, como alegam membros do conselho.

A oposição, porém, sustenta que existem outros elementos que indicam prejuízo material ao clube, o que também daria motivo para o impeachment, além da alegada sonegação de informações por parte do dirigente aos conselheiros. O cartola nega ter cometidos falhas que permitam seu afastamento.

O estacionamento ganhou até um dossiê feito pelo conselheiro Romeu Tuma Júnior e seu grupo na tentativa de sustentar que Andrade assinou um contrato lesivo ao clube.

De cara, o fato de o Arena Fundo de Investimento Imobiliáro, responsável pelas contratações do estádio e do qual o Corinthians faz parte, ter contratado uma empresa que não tinha objeto social ligado à operação de estacionamentos é usado para indicar o prejuízo. O contrato, que desde a sexta retrasada o fundo tenta rescindir unilateralmente, prevê que a Omni fica com 30% da receita liquida obtida com o estacionamento durante os jogos.

A empresa contratou prestadores de serviço para fazer a operação, como admitiu Andrade em sua defesa por escrito no processo de impeachment. Quem discorda do acordo afirma que deveria ser contratada diretamente uma empresa para operar a área, como está sendo feito agora com a Indigo. Assim, haveria economia. O argumento é de que a contratação da Omni só beneficiou a intermediária.

Apenas no segundo semestre do ano passado a parceira corintiana criou outra empresa especializada em estacionamentos, mas ela ainda não começou a funcionar.

Nota Fiscal

O dossiê sobre o caso traz cópia de reclamação feita por torcedor junto à prefeitura por não ter recebido Nota Fiscal Paulistana ao comprar seu tíquete para o estacionamento em 5 de outubro do ano passado.  O caso está sendo analisado pela prefeitura.

Se não emitir Nota Fiscal Paulistana for mesmo praxe na arena, a dúvida passa a ser se a empresa recolhe corretamente o ISS (Imposto Sobre Serviços). O recolhimento dele está previsto no contrato, diminuindo a receita que fica com o Fundo. Ou seja, se não ocorrer o pagamento do imposto, o Corinthians, membro do fundo, tem prejuízo porque o valor do tributo é descontado da receita bruta, diminuindo o que sobra para a arena. Também há o temor de possíveis sanções ao clube.

O relatório feito por Tuma Júnior e seu grupo também traz documentos para mostrar que a Omni paga seus impostos pelo sistema Simples Nacional, válido para empresas que têm faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões. A questão aqui também é se a gestora do estacionamento recolhe corretamente seus tributos ou está pagando a menos. Vale lembrar que ela também fatura com Fiel Torcedor, além de outros contratos ligados ao Corinthians.

Seguro vencido?

Há ainda no dossiê cópia do tíquete do estacionamento fornecido no jogo contra o Santo André, o primeiro do Corinthians em casa neste Campeonato Paulista, com apólice de seguro vencida em 26 de agosto de 2016.

O blog procurou Marta Alves de Souza Cruz, sócia e diretora da Omni. Por mensagem de celular ela disse que houve um erro de gravação na data do seguro e que ele vale até 2017. A empresária, porém, não respondeu às perguntas sobre as outras supostas irregularidades.

Eterna?

Um dos pontos mais criticados do trato com a Omni é o fato de o acordo ter sido assinado por dez anos com opção por renovação por outros dez, invadindo a administração de futuros presidentes. Mas há outra controvérsia ligada ao prazo no contrato para locação da área em que funciona o estacionamento. A lei 8.245 diz que em aluguéis comerciais o inquilino tem direito à renovação pelo mesmo prazo do contrato anterior desde que o acordo seja por pelo menos cinco anos. Como foi firmado com a Omni compromisso de dez anos, em tese, caso o clube quisesse colocar outra empresa no local, como quer agora, seria praticamente impossível fazer a mudança sem alegar descumprimento contratual. A renovação nesses termos também impede que sejam cobradas luvas.

O novo contrato com a Indigo será por quatro anos. Assim, ela não terá direito à renovação.

Mistério

E quanto o estacionamento da arena gera de receita? A resposta é difícil de ser obtida porque os relatórios financeiros enviados pelo clube para Federação Paulista e CBF não trazem essa informação. Documento feito pela empresa que auditou o balanço da arena de 2015 também não cita as receitas arrecadadas com carros estacionados no estádio.

O número ainda ficou de fora de apresentação das metas da arena para 2016 ao Conselho Deliberativo do clube em março do ano passado.

Entre os pontos considerados lesivos ao Corinthians por conselheiros está a cláusula 1.2, na qual a Omni declara que os parâmetros de operação serão regulados diretamente com o clube, sem qualquer espécie de vínculo ou solidariedade entre Corinthians e fundo. Para conselheiros, esse item faz o alvinegro se responsabilizar sozinho por eventuais problemas.

Outros pontos polêmicos do acordo são o fato de só a Omni poder rescindir o compromisso sem falha da outra parte e a validade retroativa do contrato. Datado de janeiro de 2015, ele começou a valer na prática em 2014.

O blog enviou perguntas sobre o tema para as assessorias de imprensa do Corinthians que cuidam da arena e do presidente, mas nenhuma respondeu até a publicação deste post. Rodrigo Cavalcante, representante do fundo, também não atendeu ao blog.


Auditoria vê setores norte e sul como mais incompletos da Arena Corinthians
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A história parece confusa. Realmente é. Depois de o escritório que coordenou a auditoria relativa à Arena Corinthians entregar seu parecer, a empresa que auditou a obra do ponto de vista de engenharia e arquitetura ainda vai entregar seu relatório.

Acontece que o Molina & Reis Advogados completou seu trabalho no final do mês passado sem que o escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva terminasse sua auditoria.

Os dois relatórios terão em comum a conclusão de que a Odebrecht teria deixado de fazer uma série de obras e que outras precisariam ser refeitas, conforme apurou o blog.

O parecer já entregue pelo escritório de advocacia calcula em pelo menos cerca de R$ 200 milhões o valor do que não teria sido feito e do que necessita de intervenção, sem laudos de engenharia e documentos que faltaram.

Por sua vez, o Claudio Cunha planeja entregar seu relatório no dia 15 de março, com mais de três meses de atraso, que serão justificados principalmente pela demora da Odebrecht em entregar documentos.

O trabalho que abrangeu dez disciplinas ligadas à construção deve apontar que os setores norte e sul do estádio são os mais incompletos. Essas são justamente as áreas mais simples da arena e com ingressos vendidos pelos menores preços.

Para indicar o que precisa ser refeito em sua opinião, o escritório de engenharia classificou itens como fora de conformidade com o que prevê o contrato.

A Odebrecht ainda não tem conhecimento do conteúdo de nenhum dos dois trabalhos, mesmo assim avalia serem contraditórios. Isso porque os setores norte e sul representam a menor parte da área construída da arena. A construtora acredita que se eles são os mais inacabados não é possível se chegar aos cerca de R$ 200 milhões relatados pelo Molina & Reis.

Porém, conforme informações obtidas pelo blog, os setores norte e sul são considerados mais incompletos em quantidade de itens que ainda precisam ser feitos, não em valores.

Como mostrou o blog, a Odebrecht admite que deixou de fazer cerca de R$ 40 milhões em obras porque o orçamento do estádio estourou. Quantia semelhante foi gasta, segundo a construtora. em outros serviços que estariam sem preço fixado previamente e acabaram provocando o estouro.

Porém, o relatório do escritório de engenharia atestará que a construtora tinha a obrigação de executar os trabalhos que faltaram.

Entre as obras que a Odebrecht admite não ter feito nos setores norte e sul por causa do alegado estouro orçamentário, sem ter ferido o contrato, de acordo com a empresa, estão a instalação de dois elevadores em cada lado. Eles seriam usados por deficientes físicos para irem ao banheiro na parte inferior da arena e custariam no total R$ 650 mil pelas contas da Odebrecht.

As áreas norte e sul também ficaram sem parte do acabamento. O piso seria de granito, como nos setores leste e oeste. Porém, segundo a Odebrecht faltou verba e eles foram entregues no contrapiso.

O Corinthians vai decidir se considera a obra entregue ou não baseado nos dois relatórios. Uma das possibilidades é pedir um desconto no valor da dívida pela construção tendo como base a auditoria.

 

 


Como empresa de Fernando Garcia virou anunciante na Arena Corinthians
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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Anúncio de empresa que tem Fernando Garcia como sócio no telão da Arena Corinthians     Foto: Diego Canha

Anúncio de empresa de Fernando Garcia no telão da Arena Corinthians Foto: Diego Canha

Em meio a vários anúncios que apareceram no telão da Arena Corinthians durante o amistoso da última quarta, com a Ferroviária, um chamou atenção por ser inusitado. Ele trazia a logomarca da Elenko Sports, empresa de agenciamento de jogadores que tem entre seus sócios Fernando Garcia, ex-conselheiro alvinegro.

Por que uma empresa que tem como principais clientes jogadores de futebol teria interesse em pagar para divulgar a sua marca dentro de um estádio de futebol?

A resposta foi dada ao blog pela assessoria de imprensa da arena. A explicação é que a Elenko e outras empresas que apareceram no telão e em outros painéis não pagaram pela divulgação. Foi uma cortesia a todas que têm camarote no estádio como parte de uma ação de relacionamento inicialmente válida apenas para aquela partida.

A Elenko foi uma das primeiras empresas a adquirir camarote na casa alvinegra.

Garcia e sua empresa são tão influentes quanto polêmicos no clube. Há muitas queixas de conselheiros sobre as últimas diretorias fazerem inúmeras negociações de jogadores, inclusive nas categorias de base, com Fernando, que até já emprestou dinheiro para o Corinthians.

Recentemente, a Elenko foi acusada por Will Dantas, representante do meia Pedrinho, destaque do time na última Copa São Paulo, de assédio ao jogador a fim de assumir o gerenciamento da carreira dele. Garcia desmentiu as acusações.

Marlone, Walter, Guilherme Arana, Maycon e Vilson aparecem no site da Elenko como atletas agenciados por ela no time principal do Corinthians. Lucca, emprestado para a Ponte Preta, e Pottker, que deverá vir do clube de Campinas para integrar a equipe corintiana após o Paulistão também estão na lista. Na relação há ainda uma série de ex-corintianos como Uendel, André, Petros, Malcom e Matheus Pereira.

Além de ex-conselheiro, Fernando é irmão de Paulo Garcia, ex-candidato à presidência do clube e doador na campanha de Andrés Sanchez a deputado Federal por meio de sua empresa, a Kalunga.

Abaixo, nota enviada ao blog pela assessoria da Arena Corinthians sobre o assunto:

“Essa foi uma ação de relacionamento da Arena com todos os clientes do estádio, que tiveram suas marcas expostas no telão e faixas de led durante o amistoso.

As empresas que tiveram essa exposição adquiriram camarote na arena.

Todos que estavam no telão possuem camarote, exceto a Honda, que tem uma parceria maior. Mas nem todos os camarotes estavam no telão por opção da própria marca.”