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Opinião: Luxa age como iniciante desesperado ao expor jogadores
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Em sua entrevista coletiva após a derrota do Sport por 5 a 0 para o Grêmio neste sábado, Vanderlei Luxemburgo nem parecia um dos técnicos mais experientes e vitoriosos do país. Ao expor jogadores dando a entender que há gente fazendo corpo mole e ao jogar nos ombros de seus comandados o peso do fracasso, Luxa agiu como um iniciante inábil e com medo de perder o emprego.

O principal erro foi se arriscar a perder a confiança do elenco depois de espinafrar jogadores sem dar nome aos bois e deixar todos sob suspeita com declarações como sobre levar para as partidas só jogadores que se doarem 100% e que o que está errado não pode ser o técnico outra vez.

Dá pra acreditar que os atletas manterão a obediência e o respeito ao treinador depois dessas estocadas? Dizer que o problema não pode ser o treinador é ao mesmo tempo entregar a cabeça de seus comandados para a torcida e deixar a impressão de desespero diante do risco de perder o emprego.

A afirmação de que não estava mandando recado para o grupo porque já havia dito o mesmo no vestiário é uma transgressão ao código de comportamento informal tanto usado pelos treinadores e que prega que tudo deve ser resolvido no vestiário.

Outro erro de Luxemburgo foi desvalorizar sua imagem com gestos que nada tem a ver com o carimbo de modernidade que ele sempre tentou estampar em seu perfil. Sua fala foi uma das mais retrógradas ouvidas no Brasileirão deste ano. Chega a ser triste para o futebol nacional ter um ex-treinador de seleção brasileira e do Real Madrid demonstrando tanto desrespeito em relação aos jogadores e desespero num momento que deveria saber tirar de letra.


Opinião: 19 marcas do invicto Corinthians
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1 – Estratégia

2 – Marcação

3 – Defesa

4 – Contra-ataque

5 – Movimentação

6 – Triangulação

7 – Aplicação

8 – Comprometimento

9 – Golaço

10 – Caneta

11 – Firula

12 – Eficiência

13 – União

14 – Compactação

15 – Inteligência

16 – Organização

17 – Pontaria

18 – Frieza

19 – Disciplina

Cada palavra acima lembra uma das marcas do Corinthians, invicto após as 19 rodadas do primeiro turno do Brasileirão. Claro que não se trata de um time perfeito. Há queda de rendimento em alguns momentos dos jogos, principalmente quando o alvinegro está em vantagem no placar e até uma certa soberba, às vezes. Mas, certamente, as virtudes goleiam os defeitos. São delas que lembramos ao falar dessa equipe que já fez história no campeonato nacional.

 


SPFC luta contra queda em meio a fim de plano que reduz força de técnico
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No final de maio do ano passado, com o time nas semifinais da Libertadores, Gustavo Vieira de Oliveira, então diretor executivo do São Paulo, celebrava o início de um projeto a longo prazo para o clube. O plano previa o fortalecimento da comissão técnica fixa tricolor, a efetivação de um modo de jogar que seria aplicado também nas categorias de base e a diminuição do poder do treinador. Entre outros benefícios para a agremiação, ele previa que as trocas de treinadores seriam menos traumáticas. Sairia o comandante, ficaria a maioria da comissão, e o novo trabalho não começaria do zero.

Hoje, pouco mais de um ano depois, vítima da combinação entre política conturbada e maus resultados em campo, o sistema idealizado pelo filho do ex-jogador Sócrates está aniquilado.

Em meio a uma de suas maiores crises técnicas e da luta contra o rebaixamento no Brasileiro, o São Paulo enfrenta praticamente tudo que o plano do ex-dirigente queria evitar: instabilidade técnica e tática, mudanças radicais na comissão técnica e  treinadores com amplos poderes.

Em setembro do ano passado, golpeado pela eliminação na Libertadores e por uma forte pressão política contra seu mentor, o projeto de Gustavo começou a virar pó com a saída dele. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que havia abençoado o planejamento do executivo, não resistiu às cobranças de conselheiros e diretores, trocando o ex-dirigente por Marco Aurélio Cunha.

Seguidas mudanças na direção de futebol e no comando técnico também ocorreram. Depois da saída (contra a vontade da diretoria) de Edgardo Bauza, que simbolizava o projeto de diminuição do poder de treinadores no Morumbi, passaram pelo comando técnico Ricardo Gomes e Rogério Ceni antes da chegada do atual treinador, Dorival Júnior, sem contar os interinos.

Foram diversas as transformações de filosofia de jogo enfrentadas pela equipe, ao contrário do que previa o projeto de Gustavo.

Com a chegada de Rogério para a temporada de 2017, foi abandonada a ideia do treinador com poderes limitados. Ele trouxe dois auxiliares estrangeiros e filosofias próprias para implantar no clube.

Ceni não aguentou aos seguidos fracassos do time. Viu um de seus assistentes pedir as contas dias antes dele ser demitido.

Em seguida, veio o golpe fatal no sistema de estabilidade idealizado anteriormente. A comissão técnica fixa, antes vista como fundamental, foi parcialmente destruída. Acabaram demitidos o preparador físico José Mário Campeiz e o treinador de goleiros Haroldo Lamounier, alvos de pressão de conselheiros.

O auxiliar técnico permanente, Pintado, também não resistiu e foi convidado para atuar na integração entre as categorias de base e o time principal. Ele era fundamental no antigo projeto para diminuir o poder dos treinadores. Cabia a ele dialogar com os técnicos e trabalhar pela filosofia do clube.

Dorival chegou com um auxiliar, um analista de desempenho, um preparador físico e ainda indicou um preparador de goleiros. Ou seja, a ideia de as trocas no comando provocarem menos traumas no clube e não representarem o recomeço do zero também foi sepultada.

A atual diretoria, comandada pelo mesmo presidente que avalizou as ideias de Gustavo e com Vinícius Pinotti como executivo, nega interferência política nas trocas realizadas. Internamente, são feitas críticas à decisões do passado, da época em que o filho de Sócrates estava no comando e que estariam sendo corrigidas agora.


Opinião: empate em casa não abala favoritismo corintiano
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O Corinthians conquistou status de favorito ao título do Brasileiro depois do início da competição, pela campanha que faz. O empate com o Atlético-PR, em casa, por 2 a 2, é um tropeço, mas não abala esse favoritismo.

Não abala porque o time de Fábio Carille construiu uma vantagem na tabela que lhe dá segurança nos momentos complicados. E também um jogo só, com três desfalques, é pouco para colocar em dúvida a consistência mostrada pela equipe até aqui.

Porém, na partida deste sábado à noite o alvinegro mostrou algumas fraquezas. Teve uma ligeira queda de rendimento sem Rodriguinho, Arana e Pablo. A ausência do meia afetou mais a parte coletiva, especialmente a criação. Já ausência do lateral-esquerdo deixou o time sem um de seus jogadores que podem desequilibrar individualmente.

Outro problema foi uma dose de soberba, com firulas e pouca objetividade para matar o jogo quando os corintianos venciam por 2 a 1. Faltou a humildade que Cássio costuma pregar. Ficou a impressão de que os donos da casa acharam que a partida já estava ganha e relaxaram. É um defeito que já tinha acontecido (contra o Inter pela Copa do Brasil, por exemplo) e parecia sepultado.

Mas o desempenho alvinegro também teve aspectos positivos. O time não se descontrolou ao estar em desvantagem no marcador pela primeira vez no campeonato e chegou a virar o placar.

Apesar da pequena queda de rendimento, Carille mostrou ter soluções táticas para minimizar eventuais quedas de qualidade individual causadas desfalques.

E a sintonia com a torcida, ajudada pela vitória recente sobre o Palmeiras, por 2 a 0, não foi quebrada, apesar do escorregão em Itaquera.

No final, prevaleceu a sensação de que o Corinthians ainda tem a situação sob controle. Não foi dado motivo para se desconfiar do potencial do clube para ser campeão brasileiro.


Opinião: empate justo no Morumbi. São Paulo está no mesmo nível do lanterna
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Difícil achar algo que tranquilize o torcedor do São Paulo no empate em dois gols com o Atlético-GO nesta quinta no Morumbi. O resultado justo mostra a realidade do futebol tricolor neste momento: está em pé de igualdade com o lanterna do Brasileirão.

O time do Morumbi jogou como candidato ao rebaixamento e mostrou que o estreante Dorival Júnior terá enorme trabalho para fazer a equipe apresentar um futebol decente.

O segundo gol do Atlético, marcado por Everaldo, de calcanhar em meio a três defensores rivais, simboliza a bagunça que é o São Paulo em campo atualmente.

Organizar taticamente o time, acabar com falhas infantis, melhorar a pontaria, aprimorar o preparo físico dos jogadores… Trabalho não falta pelo que se viu no Cícero Pompeu de Toledo.

Nesse cenário, o futuro para o torcedor são-paulino é assustador. No momento, não dá pra esperar nada além de passar boa parte do campeonato lutando contra o rebaixamento.


Cinco desafios de Dorival Júnior para evitar a queda do São Paulo
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Dorival Júnior assume hoje o comando do São Paulo com a missão de evitar o rebaixamento do clube, penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro. Abaixo, veja os cinco principais desafios do treinador para obter sucesso na missão.

1 – Acabar com falhas infantis na defesa

Desde o início da temporada, Rogério Ceni tentou sem sucesso acabar com bobas falhas individuais no sistema defensivo são-paulino que prejudicaram o time em diversas partidas. Não conseguiu. A bomba agora está no colo de Dorival.

 

2 – Aumentar o poder de fogo do ataque

Em 12 rodadas, o São Paulo marcou 12 gols. Apenas quatro times têm um desempenho ofensivo pior: Atlético-GO (9), Avaí (7),  Coritiba (11), que joga nesta segunda com o Sport, e Vitória (11).

3 –  Acabar com falta de comprometimento

A diretoria tricolor não cita nomes, mas acredita que existem jogadores descompromissados com o clube e que estão prejudicando o time. Os cartolas preferem citar os que são exemplos de comprometimento: Lucas Pratto, Rodrigo Caio e Jucilei.

4 –  Melhorar a preparação física

Também na visão da direção, há jogadores em má forma física. Pelo menos desde maio havia pressão de conselheiros e dirigentes pela demissão do preparador físico José Mário Campeiz, que aconteceu agora. Dorival trouxe seu preparador físico de confiança, Celso Resende.

5 – Acelerar o entrosamento do time reformulado

Na derrota contra o Santos, o São Paulo mostrou sentir a falta de entrosamento entre novos jogadores com o restante da equipe. Acelerar adaptação de Jonatan Gomez, Petros e Arboleda e a formação de um padrão do jogo estão entre as missões mais importantes de Dorival.

 

 


Por arbitragem e status de quem briga pelo título, Santos vai à CBF
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Um dia após o Santos se tornar vice-líder do Brasileirão, Modesto Roma Júnior esteve na CBF para fazer pedidos em relação à arbitragem, reclamações e dar status de time que briga pelo título ao seu clube.

 “Os presidentes de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG posicionam seus clubes diante da CBF com a importância de quem briga pelo título. Eu fiz o meso”, afirmou o dirigente santista.

Ele se encontrou com Marcos Cabral Marinho de Moura, presidente da Comissão Nacional de Aribitragem, Sérigo Corrêa, ex-chefe do juízes e agora responsável por implementar o programa de uso de vídeos na arbitragem, e Marco Polo Del Nero.

Aos homens do apito, o presidente do Santos reclamou de um impedimento inexistente de Thiago Maia marcado no final da vitória por 2 a 1, sobre a Ponte Preta, e pediu que a comissão privilegie os times que estão brigando por algo na reta final do Brasileiro com os melhores árbitros em suas partidas. Porém, o cartola ouviu que não será atendido.

“Eles explicaram que praticamente todo mundo ainda está brigando por alguma coisa no campeonato, então não podem privilegiar ninguém com os melhores juízes. Entendi a posição deles. O cobertor é curto, faltariam árbitros bons em jogos importantes”, disse Modesto.

Ao presidente da CBF, o dirigente santista voltou a reclamar do fato de a partida contra a Ponte ter sido alterada de sábado à noite para domingo de manhã em cima da hora, prejudicando a preparação de sua equipe. “Ele me disse que (por causa de pedido da PM) passou a partida para o horário mais próximo ao que estava marcada, mas não me convenceu. Continuo achando que fomos prejudicados.”

 A Polícia Militar pediu a alteração com medo de um possível encontro entre torcedores de Ponte Preta e Guarani, caso o alviverde campineiro conquistasse o título da Série C, o que não ocorreu.

Irritado, o Santos jogou com a frase “faltou respeito” nas costas de sua camisa. Modesto disse não temer represálias da CBF por conta da atitude. “Não ouvi reclamação e nem senti um clima favorável a retaliações”, declarou o cartola.


Opinião: contusão de Prass complica mais seleção do que Palmeiras
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A fratura no cotovelo direito de Fernando Prass é dessas contusões que podem mudar o rumo de uma competição. Isso por causa da qualidade do atleta lesionado. Na opinião deste blogueiro, porém, o prejuízo é maior para a seleção brasileira olímpica do que para o Palmeiras.

Principalmente porque num torneio disputado em mata-mata um especialista em defender pênaltis tem grande chance de desequilibrar, e o Brasil não tem mais um goleiro tão bom nesse quesito. Já no Brasileirão de pontos corridos claro que o Palmeiras pode deixar de ganhar um ponto aqui, outro ali por não contar com os milagres de Prass, mas num campeonato em que vale a regularidade costuma ser mais importante o conjunto do que o talento individual.

Além disso, mesmo que a CBF consiga autorização da Fifa para convocar outro veterano como substituto de Prass, o projeto de liderança montado em cima do Palmeirense ruiu. Nem o capitão Neymar tem envergadura de líder semelhante. Por sua vez, o Palmeiras ainda conta com Zé Roberto como líder e jogador capaz de acalmar os mais novos nos momentos de tensão.

Por tudo isso, a contusão de Prass pode ser vista como uma ameaça considerável ao sonho dourado olímpico. Do lado alviverde ela deve ser encarada como acidente de percurso que todo aspirante ao título nacional precisa estar preparado para superar.

Vale lembrar que até a publicação deste post não havia uma previsão precisa de quanto tempo o goleiro desfalcará o clube, mas na seleção já é uma certeza que ele não disputará a Olimpíada.


Negociação com concorrente da Globo prevê 2 jogos por rodada na TV fechada
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Em reunião na última quarta-feira, os departamentos jurídicos da Turner, dona do Canal Esporte Interativo, e representantes de clubes que negociam com a emissora discutiram detalhes de um eventual contrato para transmissão de jogos do Brasileirão em TV fechada a partir de 2019 por seis anos.

Ficou acertado que, se o compromisso for firmado, só poderão ser transmitidos até dois jogos por rodada. O limite é uma imposição dos clubes. Os cartolas avaliam que a exibição de mais partidas dificultaria a venda dos direitos para TV aberta.

Para as tratativas vingarem, no entanto, são necessárias as assinaturas de pelo menos oito clubes. Esse é o número mínimo que a Turner considera viável para comprar os direitos. O EI só poderia transmitir jogos envolvendo duas equipes com as quais têm contrato. Partidas entre um desses times e um adversário comprometido com a Globo ficariam sem transmissão.

Modesto Roma Júnior, presidente do Santos e principal entusiasta da negociação entre os cartolas, é também o mais otimista em relação a conseguir as oito assinaturas. Grêmio, Internacional, Fluminense, Atlético-PR e Coritiba são times da Série A do Brasileiro, além do alvinegro do litoral paulista, que conversam com a Turner desde o início das negociações, o que não é garantia de que vão assinar o contrato.

A empresa oferece aos clubes R$ 600 milhões, que seriam divididos da seguinte forma: 50% em fatias iguais, 25% de acordo com a audiência e 25% conforme o desempenho em campo das equipes.


Juízes ruins fazem cartola bom de briga valer como craque
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Reparou como nos últimos dias cartolas falando grosso e cobrando a arbitragem apareceram mais no noticiário do que jogadores? Natural por causa da tempestade de erros. Mas a quantidade e o tom dos pronunciamentos também sinalizam o caminho perigoso para o qual a ruindade dos juízes leva o Campeonato Brasileiro.

Pressionar árbitro para que o erro da vez não seja contra o seu time virou uma arma tão fundamental quanto um cruzamento certeiro ou uma falta cobrada no ângulo.

Isso vai ajudar a resolver o problema? Provavelmente não. Talvez ajude alguns dirigentes a ganharem votos em eventuais eleições por aparecerem como defensores de seus times. Porém, em relação à competição, a tendência é que só piore e que cada vez mais cartolas, técnicos e jogadores queiram ganhar no grito.

Diante de juízes fragilizados, a tentação do atacante de se jogar na área, por exemplo, é maior. “Se meu time foi prejudicado nas últimas rodadas e a arbitragem massacrada por um cartola poderoso como o nosso, ele não vai querer se arriscar. Vai dar o pênalti”. Isso é o que deve ter atacante pensando por aí.

Nessa toada, a desmoralização do campeonato só aumenta. Infelizmente, num Brasileirão bem jogado, com times ofensivos e jogos emocionantes, corremos o risco de voltar ao tempo em que vale tudo nos bastidores. Se continuar do jeito que está, daqui a pouco ter um dirigente bom de briga vai valer no mínimo tanto quanto um craque.