Blog do Perrone

Arquivo : Carlos Augusto de Barros e Silva

SPFC luta contra queda em meio a fim de plano que reduz força de técnico
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No final de maio do ano passado, com o time nas semifinais da Libertadores, Gustavo Vieira de Oliveira, então diretor executivo do São Paulo, celebrava o início de um projeto a longo prazo para o clube. O plano previa o fortalecimento da comissão técnica fixa tricolor, a efetivação de um modo de jogar que seria aplicado também nas categorias de base e a diminuição do poder do treinador. Entre outros benefícios para a agremiação, ele previa que as trocas de treinadores seriam menos traumáticas. Sairia o comandante, ficaria a maioria da comissão, e o novo trabalho não começaria do zero.

Hoje, pouco mais de um ano depois, vítima da combinação entre política conturbada e maus resultados em campo, o sistema idealizado pelo filho do ex-jogador Sócrates está aniquilado.

Em meio a uma de suas maiores crises técnicas e da luta contra o rebaixamento no Brasileiro, o São Paulo enfrenta praticamente tudo que o plano do ex-dirigente queria evitar: instabilidade técnica e tática, mudanças radicais na comissão técnica e  treinadores com amplos poderes.

Em setembro do ano passado, golpeado pela eliminação na Libertadores e por uma forte pressão política contra seu mentor, o projeto de Gustavo começou a virar pó com a saída dele. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que havia abençoado o planejamento do executivo, não resistiu às cobranças de conselheiros e diretores, trocando o ex-dirigente por Marco Aurélio Cunha.

Seguidas mudanças na direção de futebol e no comando técnico também ocorreram. Depois da saída (contra a vontade da diretoria) de Edgardo Bauza, que simbolizava o projeto de diminuição do poder de treinadores no Morumbi, passaram pelo comando técnico Ricardo Gomes e Rogério Ceni antes da chegada do atual treinador, Dorival Júnior, sem contar os interinos.

Foram diversas as transformações de filosofia de jogo enfrentadas pela equipe, ao contrário do que previa o projeto de Gustavo.

Com a chegada de Rogério para a temporada de 2017, foi abandonada a ideia do treinador com poderes limitados. Ele trouxe dois auxiliares estrangeiros e filosofias próprias para implantar no clube.

Ceni não aguentou aos seguidos fracassos do time. Viu um de seus assistentes pedir as contas dias antes dele ser demitido.

Em seguida, veio o golpe fatal no sistema de estabilidade idealizado anteriormente. A comissão técnica fixa, antes vista como fundamental, foi parcialmente destruída. Acabaram demitidos o preparador físico José Mário Campeiz e o treinador de goleiros Haroldo Lamounier, alvos de pressão de conselheiros.

O auxiliar técnico permanente, Pintado, também não resistiu e foi convidado para atuar na integração entre as categorias de base e o time principal. Ele era fundamental no antigo projeto para diminuir o poder dos treinadores. Cabia a ele dialogar com os técnicos e trabalhar pela filosofia do clube.

Dorival chegou com um auxiliar, um analista de desempenho, um preparador físico e ainda indicou um preparador de goleiros. Ou seja, a ideia de as trocas no comando provocarem menos traumas no clube e não representarem o recomeço do zero também foi sepultada.

A atual diretoria, comandada pelo mesmo presidente que avalizou as ideias de Gustavo e com Vinícius Pinotti como executivo, nega interferência política nas trocas realizadas. Internamente, são feitas críticas à decisões do passado, da época em que o filho de Sócrates estava no comando e que estariam sendo corrigidas agora.


Pagamento de multa a Rogério faz Leco ser cobrado internamente
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Com José Eduardo Martins, do UOL, em São Paulo

O fato de o São Paulo ter que pagar multa de R$ 5 milhões a Rogério Ceni por sua demissão gerou descontentamento em pelo menos três áreas no São Paulo. Os insatisfeitos estão na diretoria, no Conselho de Administração e no Conselho Deliberativo. No último caso, especialmente entre os opositores.

Na atual direção, há quem acredite que foi um erro da antiga diretoria de futebol e do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva concordar com o pagamento de multa. Mas, nesse caso, não há barulho.

Já parte dos integrantes do conselho de administração mostra mais incômodo. A ala insatisfeita quer que Leco explique os motivos que levaram o clube a aceitar a inclusão da multa e pretende sugerir ao presidente que ele defina um padrão para os próximos contratos de treinador. Não é usual o clube estipular multas contratuais para seus técnicos. Os antecessores de Ceni demitidos receberam indenizações de um mês de salário. O sucessor dele, Dorival Júnior, tem previsão de multa equivalente a dois meses de pagamentos.

Os pedidos de explicação e a sugestão sobre a definição de um padrão deverão acontecer na próxima reunião do Conselho de Administração.

No órgão, também há quem queira informações sobre o afastamento de Pintado da comissão técnica da equipe principal. Existem membros que consideram que o Conselho de Administração não pode ser surpreendido com decisões importantes. A tese é de que eles só podem colaborar com o presidente se emitirem suas opiniões antes de tais medidas serem adotadas. Porém, os mais próximos a Leco discordam. Afirmam que se atos referentes ao departamento de futebol forem alvos de discussões, haverá lentidão nas ações. O clube poderia ser prejudicado.

Já no Conselho Deliberativo, o opositor Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, e seus colegas tentam colher 50 assinaturas para que seja marcada uma reunião extraordinária do órgão. Entre outros temas, seriam cobradas explicações sobre os motivos que levaram o clube a concordar a incluir multa rescisória no contrato do ex-goleiro. Também seria pedido um balanço financeiro sobre as recentes vendas e contratações de jogadores. A medida é vista pela situação como meramente política.

O blog telefonou para o presidente são-paulino, mas ele não atendeu à ligação.

 


Sigilo: Conselho de Administração do SPFC assina termo de confidencialidade
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Na última segunda, membros do Conselho de Administração do São Paulo assinaram um termo de confidencialidade se comprometendo a não comentar assuntos discutidos nas reuniões do órgão.

Preocupado com vazamentos de informações após serem apresentadas ao conselho, Carlos Augusto de Barros e Silva chegou ao último encontro já com o documento pronto para os conselheiros assinarem. Presidente do clube, Leco preside também o Consdelho de Administração.

Além dele, parte dos integrantes, estava incomodada com os vazamentos que colocaram conselheiros sob suspeita.

De acordo com o termo de confidencialidade, apenas Leco pode falar sobre assuntos abordados nas reuniões. Ele emitirá notas oficiais quando entender necessário.

Entre os temas conversados no último encontro, estavam a situação financeira do clube e as recentes vendas de jogadores.


Diretor do SPFC é favorável à renovação de Lugano. Leco ficou em dúvida
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Colaborou José Eduardo Martins, do UOL, em São Paulo

Lugano gostaria de já ter resolvido sua situação no São Paulo. O zagueiro fica sem contrato no dia 30 de junho e ainda não foi comunicado se o clube deseja a renovação.

O blog apurou que Vinicius Pinotti, diretor executivo de futebol, é favorável à renovação, mas que  nada foi definido por causa de dúvidas do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva durante o processo de decisão.  Principalmente, também conforme apuração deste blogueiro, por achar o uruguaio caro para um reserva. Leco entende que só deve manter o beque se a conclusão for de que sua permanência trará benefícios técnicos, não apenas para agradar a torcida ou para homenagear quem tem passado vitorioso na agremiação.

Já o técnico Rogério Ceni se manifestou a favor da prorrogação do compromisso de Lugano com o clube até o final do ano por conta do papel de liderança que ele exerce no elenco.

Parte dos jogadores também faz campanha pela renovação, apesar de avaliar que o uruguaio não tem condição de ser titular. Esses atletas entendem que a prorrogação contratual seria um sinal de respeito com Lugano.

Nesse cenário, a decisão que a diretoria precisa tomar se tornou mais complexa do que apenas medir a relação entre custo e benefício. Por se tratar de um ídolo e líder, o desfecho terá reflexos na torcida, entre os conselheiros e no vestiário.

O blog tentou falar com Leco na tarde desta quarta-feira, mas ele estava em reunião. Seus colegas de diretoria afirmam não saber qual será a palavra final do presidente.

Enquanto isso, Lugano teve sondagem do futebol asiático, mas seu desejo é permanecer no Morumbi.


Diferentes? Em 10 temas, Leco e Pimenta têm 4 propostas semelhantes
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O Conselho Deliberativo do São Paulo decide nesta terça, após uma campanha marcada pela troca de acusações, quem presidirá o clube pelos próximos três anos. Apesar de seus aliados terem trabalhado para mostrar as diferenças entre eles, os projetos de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, atual presidente, e José Eduardo Mesquita Pimenta possuem pontos em comum. Das dez propostas listadas pelos candidatos como suas principais, quatro são semelhantes. Confira abaixo. Os dados foram retirados do site Leco Presidente e da página Volta Pimenta no Facebook.

Estatuto

Leco promete colocar o novo estatuto em funcionamento o mais rápido possível. Pimenta afirma que vai implantar a “Carta Magna já no primeiro dia de mandato”. Vale lembrar que adequar o clube às novas regras é uma obrigação do futuro presidente.

Transparência

Ambos apontam que uma gestão transparente está entre as suas prioridades. O plano de governo de Leco diz que ele vai disponibilizar informações sobre contratos, dados financeiros, relatórios de gestão e procedimentos para a participação em concursos para fornecimento de produtos e serviços. Porém, não informa como será feita a disponibilização e nem para quem. Pimenta diz em seu programa que os conselhos “deliberativo, de administração, consultivo, presidência, diretoria, gerências e coordenadores terão acesso a todos os dados e informações necessárias para o desenvolvimento do trabalho”. Ou seja, promete o básico: dar condições para todos trabalharem.  

Marketing

Leco planeja continuar buscando “fortalecer a marca São Paulo”, enquanto seu adversário fala em “trabalhar a marca São Paulo”.

Morumbi

O atual presidente afirma que vai “ampliar as possibilidades de uso do estádio”. Pimenta declara em seu projeto que o Morumbi sempre foi o palco de grandes shows em São Paulo, mas que hoje é subaproveitado, prometendo investir para potencializar a geração de receitas pela casa tricolor. Ele cita também que vai construir um estacionamento, aproximar as cadeiras térreas do gramado e estudar a possibilidade de cobrir o Morumbi. No espaço destinado para  dez propostas do candidato na página oficial da chapa de Leco essas três questões não são citadas.

Diferenças

Entre as principais diferenças estão a proposta de Pimenta de captar entre R$ 100 e R$ 150 milhões por meio de um fundo de investimento para aplicar no departamento de futebol, a separação  dos centros de custo do futebol e da área social e a profissionalização da gestão. Do lado situacionista aparecem o investimento no futebol feminino para ter uma equipe forte e a manutenção de uma agenda de diálogo com as lideranças políticas do clube.


Oposição vê vantagem mínima de Leco em eleição, mas crê em virada
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Apoiadores da candidatura de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, calculam uma vitória na eleição presidencial no São Paulo por diferença entre 36 e 46  votos no próximo dia 18.

A oposição admite que neste momento o situacionista leva vantagem sobre José Eduardo Mesquita Pimenta, mas acredita na virada. A avaliação é de que o atual presidente tem hoje uma superioridade pouco maior do que um empate técnico.

Os opositores esperam alcançar cerca de 120 votos dos conselheiros. Membros do grupo de Leco acreditam ter entre 129  e 138 apoios.

Nesta quinta, os candidatos registraram suas chapas. Leco confirmou como vice Roberto Natel, que ocupou o mesmo cargo na atual administração, mas pediu afastamento por causa de discordâncias com o presidente e para se candidatar à presidência. Porém, ele desistiu da candidatura e reatou com o atual mandatário.

Por sua vez, Pimenta terá o advogado Sergio Barbour como vice.

Atualização

Às 16h07 desta terça, o grupo de Pimenta procurou o blog para dizer que o candidato conseguiu mais votos nas últimas horas e virou o placar. A oposição, então, passou a trabalhar com vitória por 118 a 117.


Por que mecenas emplacam no Palmeiras, mas não no São Paulo?
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De um lado uma equipe que se fortaleceu e levantou taças com a ajuda dos braços fortes de ricaços apaixonados pelo clube, além de interessados na vida política da agremiação. Do outro, um time no qual quem colocou dinheiro o fez uma vez e parou. Ou investiu muito menos em outras áreas sem ser na contratação de craques. Esse é o retrato de Palmeiras e São Pulo que se enfrentam nesta tarde pelo Campeonato Paulista. Mas por que os mecenas decolaram no alviverde e patinaram no tricolor?

A resposta está na forma diferente com que os conselheiros palmeirenses Paulo Nobre, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira encararam a relação entre paixão pelo clube, ambição política e colaboração em comparação com são-paulinos endinheirados, como Abilio Diniz e o diretor de marketing Vinícius Pinotti.

Indagada pelo blog sobre o que motiva os seguidos investimentos feitos pela empresa dela e de seu marido no Palmeiras, donos da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), Leila respondeu o seguinte por meio de sua assessoria de imprensa: “nossa enorme paixão pelo clube e a ótima relação que temos com os dirigentes do clube”. Ela virou palmeirense por causa do marido, sempre palestrino.

Por sua vez, Abilio escreveu em 2015 em seu blog no UOL duas afirmações que mostram a maneira de pensar diferente em relação à empresária palmeirense. “O São Paulo não precisa de caridade de seus torcedores. Não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Na ocasião, havia a expectativa da diretoria comandada por Carlos Miguel Aidar de que ele participasse de um fundo que colocaria pelo menos R$ 100 milhões nos cofres tricolores, mas que nunca saiu do papel.

Cifras mostram o tamanho da diferença com que os ricos palmeirenses e são-paulinos em questão atuam em seus clubes.

Crefisa e FAM renovaram seus patrocínios com o Palmeiras por cerca de R$ 80 milhões anuais mais bônus por conquistas. O compromisso anterior rendia aproximadamente R$ 60 milhões por ano à agremiação.

Nobre, enquanto reinou na presidência, tirou do bolso a título de empréstimo aproximadamente R$ 200 milhões para tocar o clube e reforçar o time. Recentemente, ele recebeu de volta R$ 43 milhões.

No lado são-paulino as quantias envolvidas não podem ser consideradas mixaria, mas são bem menores.

Abilio, cobrado por adversários políticos por nunca ter patrocinado o São Paulo, bancou a atuação de duas renomadas empresas de consultoria avaliada pelo entorno do empresário em cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do trabalho foi verificar a verdadeira situação do clube, incluindo o CT das categorias de base, em Cotia, para permitir o melhor uso dos recursos, aumentar a geração de receitas e equacionar o pagamento de dívidas. Ou seja, a ação seguiu a linha de raciocínio de que é melhor criar condições para um faturamento maior do que injetar dinheiro para contratações.

 Pinotti, antes de ser diretor, emprestou cerca de R$ 19 milhões para a contratação de Centurión. Por causa da correção pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), a dívida com ele hoje passa de R$ 20 milhões. O jogador não emplacou, foi emprestado para o Boca Juniors e Pinotti nunca mais emprestou dinheiro para o clube.

O dirigente não quis dar entrevista sobre o assunto, mas, internamente, ele afirma que o fato de não ter feito novos empréstimos está desconectado do fracasso de Centurión no Cícero Pompeu de Toledo. A opção do cartola foi por contribuir com o São Paulo conseguindo novos patrocinadores.

Investimento alto em patrocínio dá retorno?

A distância mantida por Pinotti e Diniz do formato de patrocinar o time do coração leva à pergunta se comercialmente compensa investir pesado em patrocínio, como fazem Crefisa e FAM.

Ao ser indagada pelo blog se o retorno dado às suas empresas pela exposição na camisa do Palmeiras é satisfatório ou inferior ao dinheiro investido, Leila afirmou: “o retorno foi muito positivo, porém a maior satisfação que temos é poder contribuir para o sucesso de um projeto e ficamos extremamente felizes pela alegria que o Palmeiras proporciona aos torcedores”.

Nos clubes adversários é comum ouvir dirigentes afirmando que o preço pago pelas duas empresas ao atual campeão brasileiro é muito superior ao de mercado. E no Palmeiras, conselheiros argumentam que a empolgação com o título brasileiro e a popularidade alcançada pela dupla de empresários contribuíram para o aumento no aporte financeiro. Tais fatores não existem hoje no lado são-paulino da moeda.

“Nosso amor pelo Palmeiras e nossa confiança com o clube ajudaram muito em nossas tomadas de decisão. Ver os torcedores felizes, muito contentes por ter um time muito competitivo é gratificante”, afirmou Leila sobre o incremento nos investimentos.

Política

Apesar de pensarem de maneiras distintas sobre como ajudar o time de coração, Abilio, Pinotti, Paulo Nobre, Leila e Lamacchia têm um ponto em comum na relação com seus clubes: o envolvimento político.

O casal da Crefisa e da Fam acaba de colocar dinheiro na campanha por vagas no Conselho Deliberativo palmeirense. Após a vitória esmagadora, ambos podem participar da vida política do clube. Nobre, bem antes de ser eleito presidente, já estava engajado politicamente no alviverde.

No Morumbi, Pinotti apoia Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na tentativa de se reeleger à presidência. Porém, é visto mais como cartola do que político. Abilio está do outro lado da trincheira. É incentivador do candidato de oposição no pleito de abril, José Eduardo Mesquita Pimenta. Alex Bourgeois, ex-CEO do clube e homem de confiança do empresário, é um dos principais articuladores da campanha do oposicionista.

Os estilos distintos de pensar de quem tem conta bancária para ser mecenas de seus times, obviamente teve influência na montagem das equipes dos rivais desta tarde para a temporada. O reflexo mais emblemático é o fato de Pratto, o principal contrato do São Paulo, ter habitado os sonhos de Leila, mas acabar sendo preterido por Borja, mais caro e badalado.


Del Nero explica, e candidato de oposição “aceita” Leco na seleção
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Com Dassler Marques e Gustavo Franceschini, do UOL, em São Paulo

Marco Polo Del Nero tomou providências para tentar impedir que a escolha de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, como chefe da delegação da seleção brasileira nas partidas contra Uruguai e Paraguai virasse munição da oposição na disputa eleitoral no São Paulo.

O presidente da CBF conversou com José Eduardo Mesquita Pimenta, candidato oposicionista à presidência do clube no pleito marcado para abril, e explicou os motivos que o levaram a convidar o mandatário tricolor em plena campanha para a reeleição. “A escolha não tem nada a ver com política. Fazia tempo que eu queria convidar o Leco, por merecimento. Isso foi pensado antes da campanha eleitoral. Até falei com o Pimenta e expliquei isso. Ele entendeu”, disse Del Nero ao ser indagado pelo blog sobre o assunto após entrevista coletiva do técnico Tite nesta sexta.

A oposição tem acusado Leco de usar a máquina do clube para fazer campanha, o que o dirigente nega. Mas, pelo tom adotado por Pimenta, não deve questionar se houve uma manobra de Leco para ganhar holofotes, mostrar ao eleitorado prestígio junto à CBF e posar como engenheiro da reconstrução do relacionamento entre São Paulo e confederação, turbulento na era Juvenal Juvêncio.

Além da indicação de seu presidente, o clube tricolor terá um treino da seleção em seu CT antes do jogo com o Paraguai, no próximo dia 28, na arena alvinegra. A equipe de Tite também treinará no CT do Corinthians, que terá seu estádio usado na partida.

A assessoria de imprensa de Pimenta confirmou a conversa entre Del Nero e o candidato, que entendeu que a CBF convida quem quer e que o assunto não tem influência na política são-paulina.


Por que Roberto Natel desistiu de ser candidato à presidência do São Paulo?
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Depois de renunciar à vice-presidência do São Paulo para concorrer contra o atual presidente na eleição de abril, Roberto Natel desistiu da candidatura e é esperado de braços abertos na chapa de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, de novo como vice-presidente.

Conforme apurou o blog, a decisão foi atribuída internamente pelo dirigente à ação de Alex Bourgeois, ex-funcionário do clube e homem de confiança de Abilio Diniz, sócio do São Paulo e desafeto de Leco.

Até a publicação deste post, Natel não havia se pronunciado oficialmente sobre a desistência. Porém, de acordo com relatos ouvidos pelo blog, o discurso interno é de que ele retirou sua candidatura por discordar de ver um torcedor do Flamengo (Bourgeois), que não é sócio são-paulino e aciona o clube na Justiça por suposta dívida, interferir no processo eleitoral e por avaliar que sua chapa seria usada pelo ex-funcionário da agremiação a fim de alcançar os objetivos de Abilio.

O empresário apoia José Eduardo Mesquita Pimenta na disputa. A campanha do ex-presidente fez a de Natel começar a murchar.

O ex-vice havia costurado o apoio de alguns líderes da oposição. Ele se apesentara como uma terceira via. Teria o voto de ex-aliados de Leco e de parte dos oposicionistas. Mas Pimenta, com a benção de Abilio e trabalho de Bourgeois, anunciou sua candidatura apesar de Fernando Casal de Rey, coordenador da oposição estar viajando naquele momento e não ter chancelado de imediato a candidatura.

Com Pimenta no páreo, Natel ficou sem poder explorar com esperava o apoio de algumas alas da oposição. Sua candidatura, em tese, então, só ajudaria a do ex-presidente, pois ele tiraria mais votos de Leco do que do escolhido por Abilio. Acabou recuando. O grupo de Leco dá como certo que ele será vice na chapa do presidente, mas Natel tem dito a pessoas próximas que ainda não aceitou o convite e estuda o que fazer.

Para a oposição a explicação para retirada é mais simples: Natel desistiu por causa do crescimento da candidatura de Pimenta. E sem o apoio da oposição ele não tem outra alternativa a não ser voltar a dar as mãos para Leco. A justificativa sobre a interferência de Bourgeois é vista como cortina de fumaça. O trabalho do escudeiro de Abilio estaria sendo superestimado. Pimenta é considerado por líderes oposicionistas o principal articulador de sua campanha, não o ex-CEO são-paulino, demitido por Carlos Miguel Aidar, recontratado por Leco e dispensado novamente pelo atual presidente.

Procurado pelo blog, Bourgeois disse: “não vou falar sobre isso. Não vou comentar porque não foi por minha causa que ele deixou a candidatura, né? Essa é a pauta que ele quer promover, mas isso não tem o menor sentido”.

Natel só deve se pronunciar oficialmente entre hoje e amanhã.


Ex-vice revela mágoa com diretoria e deixa voto em aberto no São Paulo
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Júlio Casares, ex-vice-presidente do São Paulo, era apontado como um dos possíveis candidatos à presidência tricolor. Porém, ele não lançou candidatura. Agora, conselheiros ligados aos três postulantes ao cargo na eleição de abril (Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, atual presidente, Roberto Natel e José Eduardo Mesquita Pimenta) afirmam contar com seu apoio.

Mas em depoimento ao blog, ele negou ter definido quem vai apoiar. Revelou ainda mágoa com membros da gestão comandada por Leco por se considerar alvo de disparos enquanto era cotado para ser candidato, apesar de ser coordenador do partido político do presidente.

Abaixo, veja o posicionamento de Casares em relação à disputa eleitoral.

“Minha prioridade é o trabalho profissional. Posso apoiar o Leco, mas sentar ao lado de pessoas que me bateram apenas quando fui cogitado (como candidato) é muito difícil. Ou seja, um obstáculo que podemos superar. Eles estão ao lado do presidente. Veja o que fizeram na apresentação do Rogério Ceni (Casares atribui a aliados do presidente comentários de que teria ido ao evento para fazer campanha). Discutiremos dentro do partido.

Fizeram reuniões (comandadas por Leco para discutir a eleição) sem os coordenadores (dos grupos situacionistas). Causou incomodo. Desconforto. Leco gentilmente explicou. Foi uma reunião adulta e respeitosa. Levarei tudo isso para a discussão interna.

Estou muito decepcionado com algumas pessoas que sempre conviveram comigo. Fogo amigo ou fogo inimigo travestido de amigo. Mas tudo pode ser reconciliável. Quem bate esquece, quem apanha, jamais.

Defendo um pacto de gestão entre todos. Pode ser uma pregação no deserto. Continuarei dizendo. O clube tem 15 grupos. Todos importantes. O meu (Participação) é muito forte. Só pertenci a ele desde 2002. Mas o principal partido é o São Paulo.

Precisamos conhecer os programas dos candidatos. Isso é democrático. Todos os candidatos têm que se comprometer com o planejamento e autonomia do Rogério Ceni. Ele deve ter o apoio e o compromisso prévio de todos.

Todos os candidatos devem apresentar seus programas. Caberá a conselheiros e partidos analisarem as propostas. Elas devem ser mais preponderantes do que os nomes”.