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Opinião: Neymar dá motivos para mais rejeição ao monetizar desabafo
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“Uma desculpa feita por um redator publicitário?”. A pergunta foi postada por Ewerton Moraes Sarmento na página da Gillette no Facebook. Ela dá a o tom do efeito contrário que a maneira como Neymar escolheu para fazer sua principal manifestação após a Copa do Mundo tem potencial para causar.

O comercial veiculado neste domingo em intervalo do “Fantástico” com o jogador narrando comentários sobre as críticas disparadas contra sua atuação no Mundial é repleto de brechas para quem pega no pé do atacante pegar mais ainda.

A principal delas é o fato de o astro da seleção brasileira monetizar até seu discurso sobre a queda (ou suas quedas) na Rússia. Grande parte dos torcedores que olham torto para Neymar o enxerga como quem coloca o dinheiro acima de tudo. Substituir declarações na zona mista depois da derrota por 2 a 1 para Bélgica por um ensaiado texto divulgado por um de seus patrocinadores, obviamente, não ajuda a apagar essa imagem.

“Trava de chuteira na panturrilha, joelhada na coluna, pisão no pé. Você pode achar que eu exagero. E, às vezes eu exagero mesmo. Mas a real é que que eu sofro dentro de campo”, diz trecho do discurso publicitário. E qual atacante não sofre? É a pergunta natural que se faz ao ouvir o desabafo. Prato cheio para quem acusa o craque do PSG de estar mais preocupado em se fazer de vítima do que em vitimar rivais com seu futebol refinado.

“Agora você não imagina o que eu passo fora dele (campo)”, diz Neymar completando a afirmação anterior. Nesse ponto é como se ele passasse um marcador de texto nas palavras do coordenador da seleção brasileira, Edu Gaspar, responsáveis por irritar boa parte dos brasileiros. O cartola falou que “não é fácil ser Neymar” e que “chega a dar pena em alguns momentos porque o que esse menino sofre não é fácil”.

Agora imagine o trabalhador que já se prepara para dormir e levantar às 5h da manhã para pegar no batente na segunda-feira ouvir um dos jogadores mais bem pagos do planeta se queixar das durezas de sua vida. E isso ganhando dinheiro para falar. Não pode descer bem.

Se Neymar sofre com algo terrível fora de campo e que impede uma análise correta sobre seus atos, ele já deveria ter revelado o problema faz tempo. Mas, se entende ser algo estritamente pessoal, deve guardar para ele. Falar de maneira enigmática só confunde a opinião pública.

Na peça publicitária, o jogador também lembra o menino que existe dentro dele. Um dos argumentos de seus críticos é o de que ele ainda não amadureceu. Mais uma vez, as palavras escolhidas não o favorecem.

Neymar ainda afirma que demorou a aceitar as críticas. Como acreditar na sinceridade da declaração feita em um comercial?

Para encerrar, o atacante diz que você “pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. E quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo”. Nada poderia ser tão emblemático do que deixar para o encerramento o argumento que norteia sua família e seu estafe. O de que os brasileiros, incluindo os jornalistas, não devem criticar Neymar, mas sim apoiá-lo de maneira incondicional. Não faltaram nem os parças, também campeões de rejeição entre os que apontam o estilo de vida do jogador do PSG como obstáculo para ele alcançar Messi e Cristiano Ronaldo.

O conjunto da obra publicitária aproxima o atacante da figura intragável pintada nas redes sociais por “haters”. E o distancia do Neymar visto no hotel da seleção em Sochi. Um cara solícito diante dos fãs na maioria das vezes, que brincava com filhos de outros jogadores, convivia sem melindres com os jornalistas por lá hospedados e demonstrava preocupação em relação à família, em especial no tocante à irmã Rafaella. Ou seja, um sujeito muito mais cativante do que aquele que tentou conquistar consumidores no intervalo do “Fantástico”.


Opinião: eficiência defensiva do Brasil dobra dificuldade belga
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A Bélgica viverá uma situação bem diferente da que está acostumada ao encarar a seleção brasileira, assim como a maioria das seleções que batem de frente com o time de Tite.

Em confrontos anteriores, os belgas tinham que se preocupar basicamente em defender. Historicamente, com exceções como na Copa de 1994, o poder ofensivo brasileiro deixava a defesa vulnerável. Jogar para encaixar um contra-ataque e balançar as redes era algo bem possível para os rivais.

Agora, a preocupação de quem enfrenta o Brasil é dobrada. Além de trabalhar para não tomar gols, os adversários suam para penetrar na fortaleza em que se transformou a defesa brasileira.

As estatísticas da Fifa relacionadas aos dois goleiros que se enfrentarão nesta sexta (6) em Kazan dão essa noção. Alisson tomou um gol e fez apenas três defesas até aqui na Copa da Rússia. Já o belga Courtois defendeu nove bolas e tomou quatro gols. Ou seja, ele fica muito mais exposto.

Em termos ofensivos, Bélgica e Brasil finalizaram 77 vezes cada durante o Mundial. A eficiência ofensiva dos europeus é maior, pois eles fizeram 12 gols contra 7 do time de Tite.

Porém, na opinião deste blogueiro, o equilíbrio brasileiro entre defesa e ataque pesa a favor da equipe nacional. Será interessante ver os belgas com essa nova tarefa de furar a defesa verde e amarela ao mesmo tempo em que tentam não tomar gols.


Opinião: Três maus exemplos dados por Osorio ao detonar Neymar
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Juan Carlos Osorio entrou para a história da Copa do Mundo de 2018 pela porta dos fundos. Ao criticar Neymar e a arbitragem o treinador do México foi o responsável por dar mau exemplo, e não o camisa 10 da seleção, como disse o colombiano. Abaixo veja os maus exemplos de Osório.

1 – Desvio de foco

Ao dizer que a arbitragem atrapalhou o México, o treinador seguiu o manual clássico do técnico ultrapassado. Aquele profissional  que não assume seus erros e irresponsavelmente joga o juiz contra a torcida. Ou alguém acredita que os quatro minutos em que Neymar ficou no chão após levar um pisão realmente atrapalharam o México a ponto de influenciarem no resultado?

2 – Machismo

Ao dizer que futebol é para homem, Osorio praticou machismo em estado bruto. Foi preconceituoso e ensinou as crianças que o assistiam na entrevista coletiva a como não se comportar. Entre outros absurdos, ele ofendeu mulheres que jogam de maneira maravilhosa e podem ser representadas por Marta.

3 – Estímulo à violência

Ao reclamar do tempo gasto com Neymar caído após levar um pisão de Layún, Osório evitou a discussão mais importante. O comportamento do brasileiro no lance é o que menos interessa. O mexicano deveria ter sido expulso, o que mostra a fragilidade da tese do treinador de que sua seleção foi prejudicada.

A proteção de Osorio ao agressor somada ao surrado bordão “futebol é para homem” soa como incentivo à violência.

 


Opinião: Tite precisa achar equilíbrio entre concentração aberta e fechada
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Equilíbrio é o que Tite espera da seleção brasileira em campo. Também é, na opinião deste blogueiro, o que ele deveria buscar entre concentração  aberta e fechada.

Impressiona o trânsito que familiares e amigos de jogadores têm no hotel do time nacional em Sochi. Os atletas ainda são expostos a hóspedes caçadores de selfies e autógrafos. Provavelmente há os que não se sentem à vontade.

As portas abertas do quartel general da seleção na Rússia são tema de debate entre jornalistas.

Em parte, o estranhamento tem a ver com a cultura careta e ultrapassada do futebol brasileiro de trancafiar seus atletas antes das partidas.

A maioria das discussões sobre o assunto passa pelo raciocínio de que se o Brasil for hexa o modelo terá sido perfeito. Mas, em caso de fracasso, será considerado um dos culpados.

Não é simples assim. A questão se concentra na busca de Tite por um meio termo. Uma fórmula que permita o convívio dos jogadores com parentes, amigos e até um pouco com torcedores, mas que ao mesmo tempo estimule a convivência entre os atletas.

Ter a família por perto é bom. O problema é se o excesso de contato com o mundo exterior inibir as relações entre os jogadores.

Tite é inexperiente em Copa do Mundo, mas é velha raposa no futebol. É de se esperar que ele saiba da importância do equilíbrio entre regime aberto e fechado e que ele coloque isso em prática. Porém, por enquanto, a impressão deste blogueiro é de que o grupo precisa de um pouquinho mais de privacidade para fortalecer seus laços e pensar mais na Copa.


Opinião: os lados bom e ruim de encarar o México
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Por um lado, o México pode ser considerado o adversário perfeito para o Brasil nas oitavas de final da Copa da Rússia. Isso porque a equipe da América do Norte dá espaços para seus rivais. É tudo com que o Brasil sonha no Mundial.

Prova de como os mexicanos ficam expostos é o fato de o goleiro Ochoa ser o que mais fez defesas na Copa até aqui. Foram 17.

A comparação com Alisson ajuda a entender o que isso significa. O brasileiro é quem menos defendeu: apenas duas vezes, segundo o site da Fifa. A pequena quantidade de trabalho é fruto de um sistema defensivo que protege sua meta, algo que o México não tem no mesmo nível.

Mas achar que os mexicanos serão mamão com açúcar seria um erro. O lado ruim de enfrentá-los é ter pela frente um time suficientemente forte para vencer a Alemanha e se classificar no grupo dos atuais campeões mundiais, eliminados na primeira fase.

O México está em sétimo lugar entre as seleções que mais tentam o gol na Rússia, também de acordo com as estatísticas da Fifa. São 44 oportunidades contra 56 do Brasil, segundo colocado.

Além disso, os mexicanos são comandados por Juan Carlos Osório, conhecedor do futebol brasileiro e que já enfrentou Tite. Em 2015, o treinador brasileiro admitiu dificuldades por causa do esquema tático montado por Osório, que defendia o São Paulo e enfrentava o Corinthians no Morumbi. O jogo terminou empatado em um gol.

Outro ponto é a barulhenta torcida mexicana estar obcecada por eliminar o Brasil numa Copa do Mundo. Será um combustível a mais para eles.

Tais nuances aumentam o grau de imprevisibilidade do duelo. Se, de fato, o México der espaços e o Brasil souber aproveitar, a vaga nas quartas pode ser assegurada com certa tranquilidade, como diante da Sérvia. Porém, caso Osório consiga amarrar o Brasil, deverá ser a partida mais difícil dos pentacampeões até aqui em território russo.


Opinião: Tite precisa ser transparente sobre problemas físicos da seleção
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Transparência é uma palavra que Tite gosta de usar. Chegou à seleção brasileira prometendo ser transparente. E ele embarca para as oitavas de final da Copa do Mundo pressionado a decidir se segue fiel ao seu discurso e esclarece o que está por trás das seguidas lesões de seus jogadores ou deixa a transparência pelo caminho.

Contar a realidade vai proteger jogadores, aproximar a torcida do time e impedir injustiças nas análises da imprensa sobre o trabalho de cada membro da comissão.

Tite deveria responder, por exemplo, se  houve erro dele ao levar jogadores que não estavam 100% fisicamente. Além de Neymar, que qualquer um levaria, há casos como os de Danilo, Renato Augusto e Douglas Costa.

Mais importante ainda é deixar claro se, na opinião dele, houve ou não sobrecarga de exercícios provocando lesões musculares. Danilo, Marcelo, Douglas Costa e Renato Augusto apresentaram problemas musculares.

Fábio Mahseredjian, preparador físico da seleção, não foi claro ao falar sobre o tema. Disse que não há sobrecarga, mas falou em redução da carga de trabalho.

É preciso esclarecer melhor a situação também por causa das famílias dos jogadores, coladas na equipe. A desinformação pode gerar comentários injustos dos familiares em relação à comissão técnica. Isso pode levar a atritos desnecessários.

Por tudo Isso, este blogueiro espera que Tite seja coerente (outra palavra amada por ele) e mande um papo reto para o torcedor brasileiro sobre o que está acontecendo.


Opinião: Brasil faz seu primeiro grande jogo na Rússia
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Enfim, o Brasil fez uma grande partida na Copa da Rússia. Na vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia, a seleção de Tite mostrou evolução em vários aspectos e apagou um pouco da má impressão deixada nas duas partidas anteriores.

Paulinho voltou a ser decisivo. Quando ele rende abaixo de sua média o Brasil perde muito.

Neymar prendeu menos a bola, deu passes precisos e não peitou a arbitragem.

A equipe conseguiu fazer trocas rápidas de passe para abrir espaços no campo do adversário. Não foi o mesmo time cansado dos jogos diante de Suíça e Costa Rica.

A defesa esteve sempre segura. Nos momentos de pressão da Sérvia, ninguém cometeu aquele erro que põe tudo a perder.

Os nervos foram controlados. Prova disso é a seleção não desmoronar quando Marcelo saiu lesionado.

Tudo isso aumenta o otimismo do torcedor. Mas ainda há problemas. A mais assutadora ameaça é a facilidade que essa equipe tem para colecionar lesões. E isso é difícil de resolver numa competição curta com a Copa do Mundo.


Opinião: desrespeito às russas é ingratidão com povo que adora Brasil
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Além da covardia brutal, os casos de desrespeito de brasileiros a mulheres russas durante a Copa do Mundo são também demonstrações de ingratidão com quem mostra amar o Brasil.

Apesar da barreira da língua, de maneira geral, os russos demonstram carinho pelos brasileiros.

Eles são apaixonados pelo futebol verde e amarelo. Se não falam inglês, disparam nomes de jogadores brasileiros para estabelecer uma relação amistosa.

Boa parte deles, depois de gastar seu vocabulário futebolístico, mostra ainda que em russo a paixão pelas novelas brasileiras. A tradução dos nomes das obras para o russo torna impossível saber de quais eles falam.

Em menor escala aparece o gosto pela música brasileira. “Você é um brasileiro original? Adoro a música de vocês. Você sabe dançar do jeito que os brasileiros dançam?”, ouviu este blogueiro de uma russa que acompanhava treino da seleção em Sochi com seu marido e filha.

Há também quem instintivamente diga “brazilian jiu-jitsu” ao saber que seu interlocutor é brasileiro. Em seguida, tome uma lista de mestres da famosa arte marcial.

Todo esse carinho demonstrado pelos russos com o Brasil ajuda a ressaltar a estupidez da minoria brasileira que agrediu russas moralmente.


Com viagem paga pela CBF, cartolas vão se calar sobre voto de coronel
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É curiosa a situação do grupo de presidentes de federações que viajou para assistir à Copa do Mundo com despesas bancadas pela CBF.

Os cartolas estão furiosos com o presidente da entidade, Coronel Nunes, por ele ter votado no Marrocos como sede da Copa de 2026. O compromisso era de que a CBF votasse junto com todos os sul-americanos na candidatura de Estados Unidos, México e Canadá, que saiu vitoriosa.

Os presidentes de federações, irritados, afirmam que os clubes brasileiros e a própria CBF não terão mais pedidos aceitos pela Conmebol. A entidade trata Nunes como traidor.

Só que, mesmo revoltada, a maioria dos dirigentes das entidades estaduais não pretende cobrar o coronel pela lambança. Ontem, pelo menos parte deles estava em trânsito na Europa a caminho da Rússia. O discurso é de que o assunto só deve ser tratado na volta do Brasil.

Realmente, é difícil alguém desembarcar de um voo da alegria e em seguida peitar quem pagou a conta. No caso, o Coronel Nunes. Assim, o constrangimento deve ser silencioso no encontro com o presidente da CBF.


Treino da seleção mostra preocupação com contra-ataques
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Em seu primeiro treino na Rússia, na última terça (12), a seleção brasileira voltou a trabalhar a defesa em situações de contra-ataque para o adversário.

Esse tipo de trabalho já tinha sido feito na fase inglesa da preparação.

Numa parte do treinamento, dois atacantes vão pra cima de um defensor. Em outra, as disputas são entre três no ataque e dois na defesa.

Antes das jogadas há uma simulação em que um zagueiro tenta afastar a bola de cabeça.

A repetição  desses lances mostra a preocupação de Tite com a possibilidade de o time falhar na troca de passes e oferecer o contra-ataque ao adversário.

Faz sentido a atenção especial. Pelo menos na primeira fase da Copa da Rússia deve ser uma tônica a pressão brasileira sobre rivais fechados na defesa e loucos por um contra-ataque.