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Arquivo : Diego Aguirre

Clássico opõe rotatividade são-paulina à continuidade corintiana
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O clássico entre  São Paulo e Corinthians no Morumbi neste domingo, às 16h, pelas semifinais do Paulista, confronta a rotatividade tricolor com a continuidade alvinegra.

A última vitória são-paulina, em novembro de 2016, por 4 a 0 (não está na conta a disputa de pênaltis na Flórida Cup de 2017), serve como ponto de partida para essa comparação. De lá para cá o time da zona leste só trocou uma vez de treinador: Oswaldo de Oliveira foi substituído por Fábio Carille. Já os são-paulinos vivem atualmente o começo da era Diego Aguirre. Ele é o terceiro técnico (sem contar períodos de interinidade) a passar pelo clube desde aquela goleada. Rogério Ceni e Dorival Júnior foram os outros.

Entre os jogadores, as mudanças também são mais significativas do lado tricolor. Do elenco do São Paulo no atual Campeonato Paulista, apenas Rodrigo Caio e Cueva estiveram em campo na última vitória do time no Majestoso. O zagueiro, no entanto, não joga hoje por estar na seleção brasileira.

Do lado alvinegro, sete atletas que amargaram aquela derrota permanecem no clube: Cássio, Fágner, Balbuena, Vilson, Marquinhos Gabriel, Rodriguinho e Romero. Cássio, Balbuena e Rodriguinho devem começar a partida deste domingo. Fagner é ausência certa por estar na seleção, assim como Balbuena e Romero estão na seleção paraguaia.

Fora de campo, o Corinhians também mudou menos do que o rival desde o revés por quatro gols de diferença. Alessandro Nunes já era o principal dirigente remunerado do clube na ocasião. Por sua vez, o São Paulo convive com um entra e sai de diretores executivos. Marco Aurélio Cunha ocupava o posto na goleada. Ele foi substituído por Vinícius Pinotti, trocado por Raí, atual dirigente.

Esse cenário coloca, em tese, Aguirre numa situação menos confortável do que a de Carille na disputa por um lugar na decisão do Paulista. Enquanto um está tateando o novo terreno, construindo uma estrutura de jogo e descobrindo as reações dos atletas, o outro se sente em casa no clube e conhece profundamente o elenco.


Lugano indica uruguaios ao São Paulo, mas cobranças serão sobre Raí
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O São Paulo está em estágio avançado de negociação com o atacante Gonzalo Carneiro, do Defensor, do Uruguai. Assim como o técnico Diego Aguirre, o jogador uruguaio foi indicado pelo compatriota Lugano. E da mesma forma que aconteceu com o treinador, o atleta pretendido gera desconfianças no Morumbi sobre seu potencial.

Apesar de os dois nomes terem saído da cartola de Lugano, aas cobranças, caso se confirme também a chegada do atacante, recairão sobre o diretor executivo Rai.

O Conselho de Administração do clube, que entre outras funções avalia o desempenho de dirigentes remunerados, entende que não é o caso de opinar sobre cada contratação. Porém, considera que elas entram na análise do trabalho do diretor executivo. Ou seja, se Lugano, superintendente de relações institucionais, ou outro funcionário indica reforços e Raí faz as contratações, os resultados devem ser cobrados do ex-meia, responsável pelo departamento de futebol.

Segundo membros do Conselho de Administração, neste momento, não há insatisfação com Raí. Ele tem sido elogiado por relatar seu trabalho ao órgão com transparência. O entendimento dos cartolas é de que com pouco mais de três meses de trabalho é cedo para exigir mudanças profundas no departamento de futebol. A ordem é esperar para avaliar.


Cinco problemas que se repetem no São Paulo
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Em cerca de dois anos e meio como presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Sila, o Leco vê  problemas se repetirem incomodamente. A falta de solução causa mudanças constantes na comissão técnica e na diretoria, mas a maioria não surte o efeito esperado. Abaixo, veja cinco desses problemas recorrentes.

1 – Erros em campo

Passes errados e falhas individuais, especialmente na defesa, são problemas que perseguem o São Paulo nas últimas temporadas. Rogério Ceni e Dorival Júnior caíram sem encontrar solução. Diego Aguirre já viu em sua estreia que terá dificuldade para se livrar deles.

2 – Substituto de Rogério Ceni no gol

A aposentadoria do ídolo deixou uma preocupante lacuna no gol tricolor. Dênis, Sidão e Renan Ribeiro não conseguiram se firmar na posição. Jean, a bola da vez, sofreu um baque ao sair catando borboleta no cruzamento que gerou o gol da vitória contra o São Caetano. A falha foi pontual e está longe de indicar que ele não é o cara certo pra posição. Mas é preciso ver como o goleiro vai reagir ao golpe.

3 – Inconstância de Cueva

A trajetória do peruano no Morumbi é marcada por altos e baixos. Ele alterna grandes partidas (cada vez menos) com atuações apagadas. Constantemente recebe críticas de cartolas e membros da comissão técnica por suposta falta de comprometimento. Em janeiro, num momento de atrito com a diretoria, o jogador chegou a pedir para não atuar contra o Mirassol. Depois pediu desculpas e voltou o time. Ele já tinha sido multado por atrasar em seis dias sua reapresentação à equipe no início da temporada. O camisa 10 foi substituído por Marcos Gilherme no primeiro confronto das quartas de final e não participará do segundo, nesta terça, no Morumbi, por estar com a seleção peruana.

4 – Trocas na comissão técnica

Os últimos dois treinadores contratados por Leco foram demitidos com menos de nove meses no cargo. Ceni ficou seis meses e Dorival Júnior oito. Diego Aguirre assinou contrato por nove meses e perdeu na estreia para o Azulão comandado por Pintado. O treinador adversário é um dos que simbolizam as trocas na comissão técnica tricolor. Auxiliar que deveria ser fixo, ele foi afastado após a chegada Dorival. Por sua vez, Aguirre, depois do começo ruim, certamente já será pressionado se o São Paulo não conquistar a vaga para as semifinais. De quebra, ele tem a sombra de André Jardine, auxiliar que encanta parte considerável dos conselheiros.

5 – Busca por diretor de futebol que resolva os problemas com rapidez

O rodízio de diretores e executivos no departamento de futebol é uma das características da administração de Leco. Já passaram pelos cargos nomes como Ataíde Gil Guerreiro, Gustavo Oliveira, Luiz Cunha e Vinícius Pinotti. Atual diretor remunerado, Raí ainda não conseguiu solucionar com rapidez antigos problemas. A contratação de Aguirre, mais por vontade sua e de Lugano do que do restante da diretoria, aumenta a pressão sobre o ex-jogador.

 

 

 


Contratação de Aguirre coloca pressão sobre Raí e Lugano
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A contratação de Diego Aguirre pelo São Paulo aconteceu mais por obra dos ex-jogadores lotados no departamento de futebol do clube do que por desejo da diretoria. Assim, apesar de o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ter chancelado a escolha, a cobrança interna pelos resultados do novo treinador é maior sobre os funcionários Raí, Lugano e Ricardo Rocha.

A sugestão de contratar o técnico uruguaio partiu do ex-zagueiro, compatriota dele. Raí e Ricardo Rocha abraçaram a ideia. A maioria dos conselheiros da base aliada de Leco e parte da diretoria defendiam uma chance para o auxiliar André Jardine.

Ao avalizar a ideia dos ex-jogadores, Leco deu maior importância aos profissionais envolvidos na gestão do futebol tricolor. O presidente enfrenta críticas no Conselho de Administração do clube nos casos em que optou por nomear conselheiros para cargos remunerados, colocando em xeque o projeto de profissionalização do São Paulo. No entanto, dessa vez, ele fez um movimento na direção contrária, dando menos ouvidos aos cartolas amadores e bancado o plano dos especialistas.

Dessa forma, a contratação de Aguirre vira uma prova de fogo para os gestores boleiros. Caso o uruguaio decole, terão feito um gol de placa. Se ele fracassar, ficarão na berlinda. Principalmente Raí e Lugano.


Seis desafios de Aguirre no São Paulo
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1 – Fazer reforços renderem

Uma das principais missões de Diego Aguirre como novo técnico do São Paulo é fazer decolar Nenê, Diego Souza e Valdivia, contratações consideradas importantes pela diretoria. Dorival Júnior entrou em rota de colisão com a direção, entre outros motivos, por considerar Nenê e Diego lentos para seu esquema de jogo.

2 – Domar Cueva

Grande desafio para o novo técnico tricolor será lidar com o furacão peruano. Tirar a imagem que pelo menos parte da diretoria tem de falta de comprometimento do atacante e arrancar dele uma regularidade em alto nível são as missões.

3 – Calibrar a pontaria do time

Os erros nas finalizações prejudicaram o São Paulo sistematicamente nesta temporada. Dorival chegou a dizer que técnico não faz gol. Ele caiu sem solucionar o problema.

4 – Driblar a falta de paciência da diretoria

A julgar pelo histórico recente da direção tricolor, Aguirre corre contra o tempo para se estabilizar no cargo. Rogério Ceni foi demitido com seis meses de trabalho. Dorival durou dois meses a mais. Ou seja, os resultados precisam vir logo.

5 – Voltar a vencer clássicos

O São Paulo perdeu os três jogos que fez contra Corinthians, Palmeiras e Santos nesta edição do paulista. Os fracassos seguidos contra o principais rivais constrangem a torcida. Já a diretoria vê falta de confiança dos atletas diante dos adversários mais ferrenhos.

6 – Reconstruir a relação com a torcida

Em 2017, o apoio vindo das arquibancadas foi o ponto alto tricolor na luta contra o rebaixamento no Brasileiro. Em 2018 as vaias e protestos têm sido constantes. Para estancar a irritação dos fãs, Aguirre precisa rapidamente fazer com que as atuações do time seduzam os torcedores.


Opinião: São Paulo erra ao dar contrato curto para Aguirre
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Tudo que o São Paulo não precisava era de um treinador com garantia de apenas nove meses. Assinar contrato só até dezembro com Diego Aguirre significa que a diretoria tricolor continua imediatista. Tudo bem que Dorival Júnior tinha assinado por 17 meses e ficou pouco mais da metade desse período no cargo. Mas o prazo combinado com seu sucessor não mostra preocupação com a implantação de uma estrutura de trabalho contínua. A menos que ele só esteja esquentando o banco para André Jardine assumir em 2019. No entanto, nesse caso seria melhor já dar a prancheta para o novato.

A impressão é de que a principal intenção com Aguirre é dar um choque instantâneo no elenco. E o futuro? Seja o que Deus quiser. Se ele for bem pode assinar um novo contrato no final do ano, mas se não for, de novo, os são-paulinos terão que recomeçar do zero. Ou da metade do caminho, se o auxiliar Jardine for escolhido como herdeiro de Aguirre.

Primeiro, o novo treinador precisa sobreviver mais do que seus antecessores. Rogério Ceni caiu com seis meses de trabalho. Dorival durou cerca de oito meses.

Além de mostrar que não pensa a longo prazo em Aguirre, a diretoria tricolor dá motivos para sua torcida ficar com um pé atrás. O torcedor tricolor pode se perguntar por que ofereceram um contrato curto ao técnico? A direção desconfia da capacidade de quem acabou de contratar?

O compromisso só até dezembro com o novo treinador, também pode ser sinal de uma inversão preocupante. Será que em vez de Raí mudar o pensamento de seus chefes, os cartolas é que estão mudando as convicções do ex-jogador? Afinal, até aqui, o que se sabia era que o ex-meia defendia trabalhos mais duradouros.


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