Blog do Perrone

Arquivo : Edgardo Bauza

SPFC luta contra queda em meio a fim de plano que reduz força de técnico
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No final de maio do ano passado, com o time nas semifinais da Libertadores, Gustavo Vieira de Oliveira, então diretor executivo do São Paulo, celebrava o início de um projeto a longo prazo para o clube. O plano previa o fortalecimento da comissão técnica fixa tricolor, a efetivação de um modo de jogar que seria aplicado também nas categorias de base e a diminuição do poder do treinador. Entre outros benefícios para a agremiação, ele previa que as trocas de treinadores seriam menos traumáticas. Sairia o comandante, ficaria a maioria da comissão, e o novo trabalho não começaria do zero.

Hoje, pouco mais de um ano depois, vítima da combinação entre política conturbada e maus resultados em campo, o sistema idealizado pelo filho do ex-jogador Sócrates está aniquilado.

Em meio a uma de suas maiores crises técnicas e da luta contra o rebaixamento no Brasileiro, o São Paulo enfrenta praticamente tudo que o plano do ex-dirigente queria evitar: instabilidade técnica e tática, mudanças radicais na comissão técnica e  treinadores com amplos poderes.

Em setembro do ano passado, golpeado pela eliminação na Libertadores e por uma forte pressão política contra seu mentor, o projeto de Gustavo começou a virar pó com a saída dele. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que havia abençoado o planejamento do executivo, não resistiu às cobranças de conselheiros e diretores, trocando o ex-dirigente por Marco Aurélio Cunha.

Seguidas mudanças na direção de futebol e no comando técnico também ocorreram. Depois da saída (contra a vontade da diretoria) de Edgardo Bauza, que simbolizava o projeto de diminuição do poder de treinadores no Morumbi, passaram pelo comando técnico Ricardo Gomes e Rogério Ceni antes da chegada do atual treinador, Dorival Júnior, sem contar os interinos.

Foram diversas as transformações de filosofia de jogo enfrentadas pela equipe, ao contrário do que previa o projeto de Gustavo.

Com a chegada de Rogério para a temporada de 2017, foi abandonada a ideia do treinador com poderes limitados. Ele trouxe dois auxiliares estrangeiros e filosofias próprias para implantar no clube.

Ceni não aguentou aos seguidos fracassos do time. Viu um de seus assistentes pedir as contas dias antes dele ser demitido.

Em seguida, veio o golpe fatal no sistema de estabilidade idealizado anteriormente. A comissão técnica fixa, antes vista como fundamental, foi parcialmente destruída. Acabaram demitidos o preparador físico José Mário Campeiz e o treinador de goleiros Haroldo Lamounier, alvos de pressão de conselheiros.

O auxiliar técnico permanente, Pintado, também não resistiu e foi convidado para atuar na integração entre as categorias de base e o time principal. Ele era fundamental no antigo projeto para diminuir o poder dos treinadores. Cabia a ele dialogar com os técnicos e trabalhar pela filosofia do clube.

Dorival chegou com um auxiliar, um analista de desempenho, um preparador físico e ainda indicou um preparador de goleiros. Ou seja, a ideia de as trocas no comando provocarem menos traumas no clube e não representarem o recomeço do zero também foi sepultada.

A atual diretoria, comandada pelo mesmo presidente que avalizou as ideias de Gustavo e com Vinícius Pinotti como executivo, nega interferência política nas trocas realizadas. Internamente, são feitas críticas à decisões do passado, da época em que o filho de Sócrates estava no comando e que estariam sendo corrigidas agora.


Cinco argumentos de cartolas que pedem Jardine como técnico do São Paulo
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É forte o lobby de parte da diretoria do São Paulo e de conselheiros pela efetivação do interino André Jardine como substituto do técnico Edgardo Bauza.

Esses cartolas esperam convencer o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira de que essa é a melhor opção. Por enquanto, a dupla segue tendo como prioridade trazer alguém mais experiente. Os dois dirigentes gostam do trabalho do interino e o enxergam como futuro treinador da equipe, mas acreditam que sua efetivação imediata eliminaria etapas e poderia ser prejudicial para Jardine.

Abaixo, veja seis argumentos dos que defendem o interino.

1 – Resultado

Jardine foi elogiado pela maneira como armou o time na vitória sobre o Santa Cruz, fora de casa, na última rodada do Brasileirão, por 2 a 1. A vitória motivou seus defensores a pedirem pelo menos mais uma chance para ele antes de a diretoria tentar contratar alguém. A oportunidade será dada contra o Botafogo, domingo, em São Paulo.

2 – Treinos

O interino tem sido elogiado por implantar seus próprios métodos de treinamento e por promover mudanças no jeito de jogar do time. Quem quer a efetivação dele diz que Jardine poderia ter se contentado em dar continuidade ao trabalho de Edgardo Bauza, mas mostrou personalidade e preparo ao fazer suas escolhas.

3- Rejeição a Ricardo Gomes

A avaliação de parte da diretoria é de que foi grande a rejeição da torcida nas redes sociais à ideia de trazer Ricardo Gomes, nome que ganhou força no Morumbi pouco depois da saída de Bauza. Nesse cenário, o argumento é de que Jardine teria mais apoio dos torcedores do que Gomes.

4 – Falta de opções

Com poucos nomes atraentes no mercado, os fãs do interino avaliam que é melhor a diretoria esperar antes de agir rápido e contratar alguém que possa provocar arrependimento mais tarde. Eles sustentam que já que não está fácil encontrar um treinador, dar um tempo para Jardine tentar se firmar é uma boa saída.

5 – Adaptação

Outra tese dos defensores do técnico provisório é que mesmo se o São Paulo contratar um treinador brasileiro, o novo funcionário terá que se adaptar ao clube e conhecer os jogadores, enquanto Jardine é de casa e tem bom conhecimento dos atletas.


O que o SPFC vê de positivo no indesejado convite da Argentina a Bauza
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É óbvio que a diretoria do São Paulo não quer perder Edgardo Bauza para a seleção argentina. Porém, o convite da AFA para conversar com o treinador sobre o assunto tem algo positivo para a direção são-paulina. O fato é visto na direção como prova de sucesso na escolha do treinador argentino pelo clube.

Patón foi tirado da cartola tricolor num gesto que fugiu da obviedade. Assim, os são-paulinos teriam detectado um potencial no treinador que os dirigentes da associação argentina só enxergaram depois de Bauza levar o time brasileiro às semifinais da Libertadores.

A valorização de Bauza vem num momento em que o clube já respira clima eleitoral, apesar de o pleito em que Leco concorrerá de novo ao cargo de presidente só acontecer em abril do ano que vem. A oposição critica vários pontos da atual gestão, e o acerto na escolha do treinador pode ser usado como munição pela situação, que no momento afirma estar preocupada só em tocar o clube.

O cenário ideal para a direção do São Paulo agora é que Patón não acerte com a AFA, o que evitaria nova busca por um técnico em meio a poucas opções que fogem da mesmice, o que já ocorreu anteriormente.


Mesmo eliminado, São Paulo merece aplausos de sua torcida
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Com a derrota por 2 a 1 para o Atlético Nacional, na Colômbia, o São Paulo foi eliminado da Libertadores nesta quarta nas semifinais, fase na qual parecia ser incapaz de chegar. Depois de começar o ano sofrendo com salários atrasados, vestiário rachado, irritação da torcida, acusações de corpo mole e até dando vexame ao perder para o boliviano The Strongest em casa, a equipe de Edgardo Bauza deu a volta por cima. Com garra, aplicação tática e boas atuações individuais, principalmente de Michel Bastos, Paulo Henrique Ganso e Calleri, os tricolores conquistaram o direito de sonhar com o título.

Porém, nas semifinais, o clube brasileiro, sem Ganso, lesionado, foi inferior ao Atlético nos dois jogos, e ainda ficou no prejuízo na primeira partida pela expulsão infantil de Maicon. A diferença entre os adversários foi grande. Ficou a impressão de que mesmo sem o cartão vermelho de Maicon no Morumbi não daria para o clube brasileiro.

Por tudo que superou durante a campanha, o elenco são-paulino merece aplausos de sua torcida e apoio para continuidade da temporada, que não promete ser menos dura do que foi a trajetória no torneio continental. Ainda mais se for repetido o descontrole de alguns jogadores, principalmente Lugano e Wesley, ao final da partida na Colômbia. O pênalti não marcado pelo juiz e um suposto erro na expulsão do zagueiro não justificam o destempero tricolor.


Muito além da chance de título, o que o São Paulo põe em jogo na Colômbia
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Superar a derrota para o Atlético Nacional por 2 a 0 em casa e conseguir uma histórica classificação para a final da Libertadores não é tudo que está em jogo para o São Paulo nesta quarta na Colômbia. Veja abaixo os outros reflexos que a partida decisiva deverá ter no futuro tricolor.

Grana

Chegar à final da Libertadores representaria para o clube a entrada de pelo menos mais US$ 1,5 milhão em premiação. Essa é a quantia que a Conmebol dará ao vice-campeão. O título vale US$ 3 milhões. Além disso, como finalista, o São Paulo teria a renda de mais um jogo em casa. Na abertura das semifinais, a arrecadação foi de R$ 7.526.480,00. Já a queda deve condenar a equipe a arrecadações pífias no Brasileirão, caso não haja uma rápida recuperação.

Política

Ser o presidente que levou o São Paulo de volta a uma final de Libertadores, após dez anos sem disputar o título, fortaleceria a campanha do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à reeleição. Ele é o único que já anunciou a candidatura para o pleito de abril do ano que vem. A conquista da taça o tornaria imbatível na votação, acreditam alguns de seus aliados. Porém, a eliminação provavelmente deixará como última imagem de Leco no torneio a de ter alimentado a oposição com a decisão de levar para a Colômbia entre os diretores convidados Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol, atualmente diretor de relações institucionais e que foi expulso do Conselho Deliberativo. A ligação do presidente com Guerreiro é uma das armas dos oposicionistas para tentar tirar votos de Leco.

 Bauza

Em jogo está o prestígio de Edgardo Bauza e a paciência que o torcedor terá com ele daqui para frente. O treinador desembarcou no Morumbi como especialista em Libertadores por ter conquistado dois títulos do torneio. Se reverter na Colômbia a difícil situação da equipe, reforçará esse status. A eliminação aumentaria o barulho em torno de algumas decisões do técnico, como colocar Ganso em campo no segundo tempo do jogo contra o Fluminense e ver o meia se machucar, ficando fora das semifinais. Há também a questão de ele ter preferido improvisar o time a botar Lugano em campo após a expulsão de Maicon no primeiro jogo da semifinal.

Ídolo

Chegar à final vale para Maicon a chance de provar sua importância ajudando o São Paulo à disputar a decisão. Se o time cair na Libertadores, ele terá de conviver com o carimbo de jogador que custou R$ 21,6 milhões e teve participação importante na eliminação ao ser expulso no primeiro jogo com o Atlético Nacional quando a partida ainda estava empatada. Após seu cartão vermelho, os colombianos chegaram com certa facilidade ao placar de 2 a 0.

Despedida

Se o São Paulo for eliminado na Libertadores nesta quarta, a partida contra o Fluminense pelo Brasileirão deverá ficar marcada como a última oficial de Ganso pelo clube. O meia tem boas chances de se transferir para o Sevilla e com a queda nas semifinais perderia a chance de se despedir ajudando o clube a conquistar o título continental.

Clássico

Uma classificação heroica na Colômbia certamente faria o time tricolor chegar com mais moral em Itaquera para enfrentar o Corinthians pelo Brasileirão no domingo, ainda que Bauza decida atuar com reservas. Porém, é natural o abatimento entre times brasileiros eliminados da Libertadores.

Torcida

A vaga na final não daria chances para protestos da Independente, principal organizada são-paulina. Já a eliminação aconteceria justamente no primeiro jogo após a diretoria romper com a uniformizada por causa dos distúrbios na primeira partida das semifinais em volta do Morumbi. A queda pode ser a senha para a Independente fazer fortes cobranças à direção.


Técnico chateado e oposição atiçada. Como Getterson mexeu com o São Paulo
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Técnico chateado, torcida feliz e oposição atiçada. A anulação da contratação de Getterson, do J.Malucelli, deixou sequelas no São Paulo.

A mais sentida pela diretoria é a reação do técnico Edgardo Bauza, que disse não encontrar explicação lógica para a desistência de contar com o jogador após a descoberta de postagens feitas por ele em 2012 no Twitter se declarando corintiano e se referindo aos são-paulinos como bambis. Gente da diretoria interpretou a reação do treinador como uma demonstração pública de chateação e tenta avaliar a extensão dessa insatisfação.

Mais incisivo nos bastidores foi o reflexo do episódio na oposição. Conselheiros oposicionistas aproveitaram a desastrosa tentativa de contratação para atacar a diretoria afirmando que o clube tinha a obrigação de saber das postagens antes, o que teria evitado a assinatura do contrato. Afirmam que foi mais uma trapalhada da diretoria, lembrando a negociação com Cueva. Na ocasião, o então diretor Luiz Antônio da Cunha pediu para que as conversas com o peruano fossem interrompidas até a definição da situação de Maicon, por questões financeiras. Porém, ele não foi ouvido pelo executivo Gustavo Vieira de Oliveira e pediu demissão.

A reação dos opositores é considerada natural por dirigentes são-paulinos. Além disso, a direção do clube alega que monitora nas redes sociais os jogadores que estão sendo contratados, mas que num primeiro momento Getterson afirmou não ter conta no Twitter.

Como termômetro para medir a reação interna à decisão de desistir da contratação, a diretoria tricolor usa o fato de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ter informado em primeira mão sua definição a dez conselheiros que se reuniriam com ele por outros motivos e ter recebido o apoio de todos.

O próprio presidente se irritou com o que Getterson escreveu sobre o clube, mas também pesou na decisão avaliação de que sua manutenção no elenco poderia contaminar o time com eventuais vais que ele recebesse durante uma partida difícil, por exemplo. Nas redes sociais, a maioria dos torcedores que se manifestou demonstrou indignação com o ex-reforço e aplaudiu a decisão dos cartolas de cancelar o negócio. Segundo a direção, não houve custos para o clube.


‘Policial’ bom e mau e técnico anti-moleza. Como o São Paulo virou o jogo
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Com Guilherme Palenzuela, do UOL em Manhattan Beach (Estados Unidos)

O cenário era desolador em dezembro do ano passado quando a diretoria do São Paulo se reuniu para traçar os planos para a temporada seguinte. Ao olharem à sua volta os cartolas viram um time sem líderes e ídolos, após as saídas de Rogério Ceni, Pato e Luis Fabiano, sem técnico, com remunerações atrasadas, e distante da torcida, que estava revoltada com a derrota por 6 a 1 para o Corinthians. Não bastasse essa situação agonizante, a política também estava em chamas após a renúncia de Carlos Miguel Aidar.

Menos de seis meses depois desse pesadelo, o clube festeja a volta por cima com uma vaga nas semifinais da Libertadores. A recuperação veio com muita tensão, discussões internas e estratégias que evidenciam um novo formato escolhido pelo São Paulo. Um sistema no qual o técnico não cuida de tudo, ficando concentrado em treinar o time. A seguir, conheça essa história em detalhes.

Técnico

Um dos primeiros passos para a reconstrução são-paulina era trazer um treinador. Mas faltava dinheiro, o que fez com que a direção demorasse mais do que esperava para encontrar um comandante.

O perfil desejado era o de alguém que não fosse um paizão para os jogadores. Na avaliação do diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira os atletas estavam acostumados com técnicos bonzinhos. Ele queria um pouco de tensão no relacionamento. Alguém que cobrasse constantemente os atletas.

Outro desejo era o de ter um comandante que colocasse o time para jogar de maneira simples, arrumando a defesa, se arriscando pouco e caprichando nas jogadas ensaiadas. Era a fórmula mais segura para quem tinha pouco dinheiro para contratar e tempo escasso até ir para o campo de batalha na Libertadores. Diego Aguirre foi procurado, mas a diretoria avaliou que ele não tinha a firmeza desejada.

Então, em cerca de 48 horas de análise os cartolas se convenceram de que Edgardo Bauza deveria ser contratado. Além dos outros pedidos, ele também aceitou trabalhar num regime em que o treinador não centraliza poderes.

Bauza veio para ser parte de uma sistema montado para gerir o time. Sua função não é tomar decisões fora do campo e ele respeita uma hierarquia baseada numa comissão técnica fixa. Gustavo está no topo da pirâmide. Abaixo dele está o coordenador Rene Webber, chefe de Bauza e das comissões técnicas do clube. O ex-jogador Pintado é auxiliar do treinador, mas como membro da comissão fixa é funcionário diretamente ligado à diretoria. O diretor executivo aciona os dois sem precisar passar pelo técnico, elogiado por se encaixar bem no sistema.

Reforços

A prioridade era aproximar o time da torcida, por isso, trazer Lugano foi uma das principais metas estabelecidas. Outra estratégia era trocar o talento individual pelo jogo coletivo. Até 2015, a equipe dependia na maioria das vezes de lances individuais para ganhar jogos. Como nas cobranças de faltas e pênaltis de Rogério, finalizações de Luis Fabiano (nos bons tempos) e jogadas de Ganso. Então, a preferência passou a ser por quem melhorasse o desempenho coletivo. Outro objetivo era transformar uma equipe apática em vibrante. Com essa missão na bagagem desembarcaram no Morumbi Calleri, Mena e Maicon, além de Lugano.

Vida dura

O começo de Bauza fez alguns jogadores torcerem o nariz para o treinador. Eles estranharam o fato de o time treinar até em domingo e de ter que comparecer ao CT de manhã para fazer trabalhos de recuperação um dia depois de jogos no final de semana. Começava a existir a tensão que Gustavo queria. Nada de conforto.

Depressão após protesto

Mas a tensão fugiu do controle quando os jogadores decidiram não dar entrevistas como uma maneira de protestar contra as remunerações atrasadas. Gustavo disse a eles que a diretoria não esconderia a verdade sobre o silêncio do time. E que tal situação poderia trazer consequências ruins para os jogadores.

Os atletas preferiram seguir a diante. E a derrota para o The Strongest em casa na Libertadores murchou a manifestação. Lugano foi incisivo contra o protesto, enquanto Michel Bastos defendia a greve de entrevistas. Entre os que apoiavam o movimento havia quem dizia que o uruguaio era contra porque acabara de chegar e não tinha sofrido meses com pagamentos atrasados. Lugano respondia que os colegas não conheciam o São Paulo como ele.

O vestiário rachou, e a diretoria detectou ainda uma depressão em parte do elenco pelo fato de o movimento ter fracassado. O discurso dos cartolas, então, passou a ser de que o protesto tinha vingado, já que o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, foi até o CT prometer que os atrasos acabariam. O objetivo era recuperar a autoestima dos atletas afetados.

Junto com o discurso positivo, veio o dinheiro do novo acordo com a Globo e a regularização dos pagamentos.

‘Policial’ bom e mau

Outro momento importante na reconstrução tricolor aconteceu com a chegada de Pintado como auxiliar-técnico. Um roteiro manjado em filmes policiais foi traçado pela diretoria, com Webber sendo o policial mau e Pintado o bom. O primeiro cobra os jogadores, e o segundo entra em ação em seguida para motivar quem levou a dura. Enquanto isso, Bauza se preocupa em treinar o time, sem se desgastar com os atletas.

Fritura de Bauza evitada

Um dos auges da crise são-paulina aconteceu na derrota para o São Bernardo pelo Campeonato Paulista. A diretoria entendeu que parte dos jogadores via Bauza fragilizado. O temor era de que que os atletas não se esforçassem mais, preferindo esperar a chegada de um novo chefe.

Assim, a direção passou a fortalecer o técnico publicamente. Ao mesmo tempo, Gustavo teve reuniões individuais duras com pelo menos dez jogadores. Cobrou caráter, menos individualismo e mais ajuda aos companheiros.

Os atletas que compraram a ideia da diretoria passaram a ser escalados para dar entrevistas e repetir o discurso do dirigente.

Discussões no vestiário

O time obteve vitórias mesmo jogando mal, e os jogadores começaram a se cobrar, como a diretoria queria. No intervalo da vitória por 2 a 1 sobre o Oeste dois atletas quase se pegaram no vestiário. No empate em 1 a 1 com Trujillanos, pela Libertadores, também houve cobrança interna.

Outra discussão ríspida aconteceu na derrota para o Audax, por 4 a 1, na eliminação do São Paulo no Paulista.

Os jogadores começavam a mostrar o espírito desejado pela diretoria, de não aceitar passivamente resultados ruins.

Resgaste de Michel Bastos

Para diretoria e comissão comissão técnica, recuperar Michel Bastos era considerada uma missão fundamental para reerguer o time. Além de várias conversas com o jogador para mostrar sua importância, a diretoria falou publicamente que iria acionar na Fifa clubes que o assediassem. Assim, pretendia motivar o atleta. Com o mesmo objetivo, companheiros dele foram orientados a dar entrevistas elogiando Michel.

Tempo para trabalhar e torcida

A eliminação no Paulista foi considerada fundamental para a melhora do time, pois Bauza teve mais tempo para trabalhar. O time mudou de cara na Libertadores e trouxe a torcida para seu lado. Os torcedores inflamaram a equipe, acabando de moldar o espírito guerreiro que os cartolas queriam.

Futuro

Animada com o avanço na Libertadores, a direção são-paulina espera conseguir colocar em prática seu projeto de, a partir da comissão técnica fixa, criar um padrão de jogo que permaneça independentemente do técnico, aplicado também nas categorias de base. O plano é que as mudanças de treinadores sejam menos traumáticas, já que a ideia é deixar uma estrutura pronta.


Direção do SPFC festeja resultado de broncas e contratações de ‘brigões’
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Com o time classificado para as semifinais da Libertadores, a diretoria do São Paulo festeja o resultado das broncas que deu nos jogadores e das contratações feitas no início do ano. Nos dois casos, a direção buscava uma equipe com espírito valente para enfrentar os desafios do torneio continental. Agora conseguiu o que queria.

A avaliação é de que tanto cobrar que o elenco tivesse coração, que sentisse as derrotas e lutasse contra elas, o time passou a esbanjar valentia.

Além das cobranças, as contratações feitas para esta temporada buscavam dar esse perfil lutador à equipe. Foi assim com o técnico Edgardo Bauza, o argentino Calleri, o chileno Mena e o reserva Lugano. Mas um brasileiro, Maicon, é considerado internamente um dos principais responsáveis por fazer despontar a raça tricolor. Ele é citado como um dos que mais cobram atitude guerreira do time.

O fato de os são-paulinos não fugirem da briga, literalmente, contra Toluca, River Plate, The Strongest (na Bolívia) e Atlético-MG (principalmente no Morumbi) é apontado como prova de que a diretoria atingiu sua meta quando montou a equipe pensando na Libertadores.

Até uma forte discussão entre os atletas no vestiário após a goleada por 4 a 1 sofrida diante do Audax, no Campeonato Paulista, foi festejada como sinal de que o time estava incorporando o espírito desejado pelos cartolas.

O sentimento agora é de que se o São Paulo deixar passar a chance de ganhar a Libertadores, não será por falta de raça ou comprometimento, o que assombrava a diretoria no começo do ano.


Cansaço e jogo decisivo na Libertadores blindam Bauza após vexame
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A vexaminosa derrota do São Paulo por 4 a 1 para o Audax no último domingo, pelas quartas de final do Paulista, não fragilizou o técnico Edgardo Bauza. Na avaliação da direção tricolor, o time vinha mostrando evolução nos últimos jogos, e o esforço para bater o River Plate na quarta-feira passada interferiu no rendimento da equipe no Estadual.

O entendimento é de que os jogadores sentiram o desgaste físico provocado pela vitória sobre o River, por isso caíram de rendimento no segundo tempo contra o Audax. Outro argumento é o de que o foco dos atletas está no jogo contra o The Strongest, na próxima quinta, que vai definir se o clube segue ou não na Libertadores.

Nesse cenário, não se cogita trocar o treinador caso a equipe seja eliminada na fase de grupos do torneio continental.

Com Bauza protegido pela diretoria, sobram críticas de conselheiros da oposição e da situação a alguns jogadores. O mais cobrado é Denis, que para membros do conselho falhou em partidas seguidas. Os descontentes cobram a diretoria para contratar um goleiro urgentemente.

No dia seguinte ao desastre em Osasco sobrou até para o ídolo Lugano. Alguns conselheiros não gostaram de o uruguaio falar que o elenco é pequeno para disputar duas competições. A declaração soou como justificativa pelo mau desempenho dos jogadores. Além disso, a afirmação vai contra o desejo da ala do conselho que prefere ver mais atletas da base no time principal a novas contratações.


Edgardo Bauza é alvo de críticas na diretoria do São Paulo
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Edgardo Bauza sofre críticas dentro da diretoria do São Paulo. Internas, elas são disparadas por gente que apoiou a sua contratação. A principal cobrança é por não fazer a equipe do Morumbi evoluir.

O argumento é de que era sabido que o argentino precisaria de tempo para fazer a equipe deslanchar, mas a demora agora é vista como acima do esperado. Além disso, incomoda a repetição de erros nos passes e de marcação não corrigidos pelo treinador.

Apesar da cobrança, Bauza segue blindado pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e por Luiz Cunha, novo diretor de futebol. Por enquanto, não se fala em demissão do técnico.

A prioridade da dupla é definir a contratação de um ex-jogador para a comissão técnica até o início da próxima semana. Ele ajudaria Bauza como Milton Cruz colaborava com os técnicos do clube quando era auxiliar até ser transferido para cuidar de análise de desempenho e depois ser demitido.

Pintado é o nome preferido. O novo profissional também tentará fazer a diretoria identificar mais rapidamente problemas na equipe. Na avaliação da direção, o executivo Gustavo Vieira de Oliveira não fala a linguagem dos jogadores, o que dificulta a identificação por parte dos dirigentes de alguns problemas.