Blog do Perrone

Arquivo : Felipão

Opinião: desejos atendidos e título recente deixam Felipão mais pressionado
Comentários Comente

Perrone

Uma combinação de fatores faz com que Felipão comece a atual temporada mais pressionado do que quando voltou ao Palmeiras em 2018.

O principal motivo é o fato de a diretoria entender que atendeu a todos os pedidos do treinador para reforçar a equipe em 2019. A direção faz questão de deixar isso claro quando é indagada sobre a possibilidade de novas contratações. “Mas analiso que tudo o que a comissão pediu a gente já deu, especialmente a velocidade nas extremas”, disse o diretor executivo de futebol Alexandre Mattos em recente entrevista ao responder sobre as chances de contratar Ricardo Goulart.

Em 2018, a diretoria entendida que já tinha um elenco forte. Agora está segura de que o qualificou ao gosto do treinador. Chegaram Arthur Cabral, Zé Rafael, Matheus Fernandes, Carlos Eduardo e Felipe Pires.

Além de ter o que pediu, Scolari enfrentará outro nível de exigência. Quando voltou ao Palmeiras a principal missão era fazer decolar um time caro. Ele falhou na tarefa de conquistar a Libertadores, mas fechou o ano em alta com o incontestável título do Brasileirão.

Com duas taças nacionais conquistadas recentemente (2018 e 2016), em tese, o torcedor palmeirense está mais obcecado ainda pela Libertadores e pelo Mundial de Clubes da Fifa. O que a equipe de Felipão fizer no torneio continental deve ter peso maior.

Dessa forma, Scolari começa o ano vivendo situações antagônicas. Desfruta do conforto de ter o melhor elenco do Brasil (na opinião deste blogueiro) e sofre uma gigantesca pressão pelos triunfos internacionais.


Por que é difícil para o Palmeiras contratar Ricardo Goulart?
Comentários Comente

Perrone

O discurso na diretoria do Palmeiras é de que não há negociação encaminhada pelo atacante Ricardo Goulart. Pelo contrário, a contratação é vista neste momento como muito difícil.

Existe uma série de complicadores. Um dos principais é o fato de o alviverde considerar inviável pagar ao Guanghzou Evergrande pelos direitos relativos ao brasileiro. Além disso, a direção palmeirense não acredita na disposição dos chineses de emprestar o jogador. O empréstimo é visto como única opção.

Ainda que a transferência temporária aconteça, será necessário Goulart aceitar receber do clube brasileiro bem menos do que ganha na China. A informação no Palmeiras é de que ele embolsa cerca de R$ 3 milhões mensais.

Por fim, se toda essas barreiras forem superadas seria preciso vencer a concorrência com outros clubes brasileiros. Essa é a parte menos complicada já que o time paulista tem uma das melhores situações financeiras entre os clubes do Brasil. Outro ponto é a amizade de Goulart com Felipão e Alexandre Mattos, diretor de futebol.

Em um cenário hipotético, para a negociação vingar, Goulart teria que se esforçar para convencer seus atuais patrões a aceitarem uma saída por empréstimo. E ainda encontrar uma fórmula para que o Palmeiras não tenha que desembolsar integralmente o montante referente ao seu salário.


Opinião: as piores frases do futebol brasileiro em 2018
Comentários Comente

Perrone

1 – “É difícil ser Neymar”.

Edu Gaspar, depois da eliminação da seleção brasileira diante da Bélgica na Copa da Rússia.

2 – “A festa que fiz foi com a sua mãe”. 

Neymar pai ao responder para a repórter da “Folha de S.Paulo”, Camila Mattoso, se teria feito festa no hotel da seleção em Sochi.

3 – “Vocês vão lá domingo. Esperem sentadinhos”.

Felipão provocando jogadores do Cruzeiro após eliminação palmeirense na Copa do Brasil.

4 – “Coloquei em Neymar o apoio e a responsabilidade. Ele conseguiu ler os dois. O apoio como jogador e a responsabilidade pela capitania.”

Tite, elogiando Neymar mesmo depois de ele receber cartão amarelo por simulação em jogo contra Ele Salvador.

5 – “Pelo menos o Corinthians tem taça de Mundial, duas, para penhorar, né?

Andrés Sanchez, ironizando o Palmeiras ao falar sobre decisão da Justiça que havia penhorado a taça de Campeão Mundial do Corinthians conquistada em 2012.

6 – “A Vila Belmiro é um estádio puxadinho”.

José Carlos Peres, presidente do Santos, sobre a casa do clube.


Opinião: Felipão fala de Deyverson, mas também parece ter ‘chavezinha’ ruim
Comentários Comente

Perrone

O Palmeiras obteve uma vitória de campeão ao bater o Santos, no sábado (3), por 3 a 2, pavimentando ainda mais seu caminho rumo ao título brasileiro. Porém, Felipão conseguiu emplacar o time negativamente nas manchetes ao dar piti impedindo Deyverson de conceder entrevistas depois do jogo.

Numa tacada só o treinador censurou o atacante e a imprensa, ameaçou cercear a liberdade de expressão de outros atletas, deixou o jogador exposto ao dizer que ele tem uma “chavezinha” que não funciona e indicou uma certa insatisfação com o comportamento de seu comandado.

É um pacote negativo muito grande numa noite em que a atuação palmeirense deveria ser o destaque.

Impressiona a falta de habilidade do veterano treinador para lidar com a situação.

Se a ideia era a de que Deyverson não falasse, a comissão técnica falhou ao não o convencer disso depois de ele irritar jogadores do Santos simplesmente por comemorar a vitória.

Outro erro foi Scolari explodir na frente de jornalistas. Chega a ser cômico. Ele diz que o atacante tem uma chavezinha que não funciona, mas parece sofrer do mesmo problema.

A diferença é que o “defeito” de Felipão é muito mais antigo. Vem dos tempos em que agrediu o jornalista Gilvan Ribeiro em sua primeira passagem pelo Palmeiras e um jogador sérvio enquanto comandava brilhantemente a seleção portuguesa.

A tal chavezinha já tinha mostrado ainda não ter sido reparada quando ele falou em tom ameaçador aos jogadores do Cruzeiro que teriam de jogar na casa alviverde depois de desentendimento no Mineirão, pela Copa do Brasil.

Felipão é um dos treinadores mais experientes e vitoriosos do futebol brasileiro. Passou da hora de aprender a se controlar e deixar de tumultuar seu próprio ambiente de trabalho.

Scolari deveria entender que reações pré-históricas como a que teve agora ajudam um treinador a ser definido como ultrapassado. Causa perplexidade que com tanto tempo de estrada ele ainda não tenha percebido isso. E se percebeu e não liga, o caso beira a sabotagem a ele mesmo.


Clássico confronta Palmeiras ‘mordedor’ com Santos ‘dono’ da bola
Comentários Comente

Perrone

O clássico deste sábado (3), às 19h, no Allianz Parque, opõe o “mordedor” Palmeiras ao Santos, que gosta de ficar mais com a bola. É o que mostram as estatísticas dos times no Brasileirão. Os números são do site “Footstats”.

A pegada forte do time de Felipão é responsável por colocar o alviverde no topo do ranking das equipes que mais desarmam, cometem faltas e levam cartões amarelos.

O alviverde é o líder em desarmes certos com média de 18,7 por jogo. Seu adversário é o quinto colocado com 16,2 a cada partida.

Ninguém levou mais amarelos do que os palmeirenses. Foram 96 até aqui. Já os santistas receberam 68 cartões. Com essa marca, o alvinegro é apenas a 15ª equipe mais indisciplinada na competição.

O Palmeiras também tem a média mais alta de faltas cometidas por jogo: 17,6. A marca santista é de 13,9 (mesmo número exibido pelo Corinthians) por apresentação. Só o Fluminense, com 13,8 de média, bate menos na Série A.

Já os santistas ficam mais com a bola do que o rival. Ostentam média de 54,1% de posse (a quarta melhor) diante de 50,9% do Palmeiras, oitav0 colocado nessa lista.

Os jogadores de Cuca também costumam trabalhar mais as jogadas. Trocam, em média, 399,3 passes certos por jogo. É a sexta marca mais alta da competição.

Por partida, os palmeirenses registram média de 335,2 passes corretos, ocupando o 12º lugar nesse ranking. Por aqui passa uma das receitas do líder do Brasileirão. O alviverde aproveita seu alto poder de destruição sendo objetivo quando tem a posse de bola.

Tanto que é quem mais faz lançamentos certos em média por partida: 19,2. O Santos só utiliza esse recurso 11,8 vezes em cada duelo, na média.

A objetividade e a precisão palmeirenses também são traduzidas pelo número de finalizações certas da equipe na competição: 161. É a quarta melhor marca do campeonato. Embora fique mais tempo com a bola, o Santos finalizou menos de maneira correta até agora. Foram 130 arremates com endereço certo. Onze times registram marca melhor.

Os palmeirenses também marcaram dez gols a mais do que os santistas (48 contra 38). O alviverde divide com o Atlético-MG o posto de segundo melhor ataque do Nacional. A liderança pertence ao Flamengo com um tento a mais. Na oitava posição nesse quesito aparece o Santos.

A agressividade do Palmeiras na marcação também contribui para o time ter a defesa menos vazada (20 gols). Os santistas levaram 28 gols. É a sexta melhor marca, dividida com o Cruzeiro.


Opinião: onze episódios mostram decadência do futebol brasileiro
Comentários Comente

Perrone

Abaixo confira 11 fatos que mostram o futebol brasileiro em profunda decadência.

1- Jogadores empurrando ambulância em campo até pegar no tranco.

2 – Gramado do Maracanã, palco de duas finais de Copa do Mundo, em péssimas condições.

3 – Um clube do tamanho do Santos sendo eliminado na Libertadores após tomar 3 a O nos tribunais por escalar jogador suspenso diante do Independiente.

4  – Cenas de vandalismo protagonizadas por torcedores do Santos no Pacaembu para protestar contra a punição na Libertadores.

5 – Guerra pública entre presidente e vice do Santos, acusações de ameaça de morte e barracos na Vila Belmiro.

6 – Times grandes assumidamente jogando como pequenos.

7 – Jogador (Deyverson, do Palmeiras), comemorando falta recebida.

8 – Felipão tentando e não conseguindo fazer substituição no último minuto dos acréscimos para ganhar tempo.

9 – O técnico do Palmeiras sendo questionado em entrevista coletiva se escondeu Bruno Henrique e Borja na chegada ao Allianz Parque para confundir o Cruzeiro em jogo vencido pelo rival. Ele nega.

10 – Dirigentes pressionando a arbitragem sem constrangimento.

11 – A CBF calada diante de todas as queixas contra ela.

 


Opinião: ruindade da Libertadores contamina. Palmeiras é exemplo
Comentários Comente

Perrone

A rodada decisiva das oitavas de final da Libertadores foi repleta de bizarrices que mostram porque, na opinião deste blogueiro, os clubes brasileiros deveriam se recusar a disputar o torneio.

Não há motivo para seguir disputando uma competição que tem julgamento em dia de jogo, como aconteceu com o Santos, invasão de campo (também envolvendo santistas), cadeiras e outras “armas” voando nas arquibancadas, árbitros coniventes com a cera de quem está em vantagem, estádios inseguros e violência descabida nos gramados.

Enquanto a Conmebol não se mexer para acabar com essas mazelas, as equipes nacionais deveriam ficar fora desta barca furada.

Mas o movimento é no sentido contrário. Os times brasileiros não só ficam na competição como se contaminam com a ruindade dela.

Seguir disputando a Libertadores é assumir o risco de regredir. O melhor exemplo disso é o Palmeiras.

Clube com elenco mais caro do país, o alviverde desceu dez andares e fez um jogo quase que só de catimba com o Cerro Porteño na última quarta.

Felipe Melo mais uma vez foi expulso, mas seu caso não entra na conta. Ele apronta dessas em qualquer campeonato.

No geral, o Allianz Parque parece ter sido tomado pelo espírito medieval que predomina na Libertadoes. Gandulas retardando o reinício da partida, brigando e sendo expulsos. Deyverson passando vergonha ao simular levar uma bolada depois de chegar ao absurdo de comemorar ter recebido uma falta. O ambiente estava tão contaminado pelo instinto primitivo que Deyverson saiu de campo expulso com pose de herói.

É constrangedor ver um clube com um investimento tão alto como o Palmeiras assegurar a vaga investindo em faltas, catimbas e com derrota por 1 a 0 em casa para uma equipe que custa muito menos.

O cenário natural seria o alviverde brilhar com lances técnicos de Dudu e Lucas Lima, entre outros. Porém, com a participação decisiva de Felipão, o que se viu foi a troca da técnica pelo futebol pobre da maioria dos participantes da Libertadores.

Claro que não precisa ser assim. Prova disso é o Grêmio, atual campeão e que segue forte na disputa jogando bola. Mas também a equipe gaúcha deveria repensar se vale se expor numa competição de nível subterrâneo.


Palmeiras é o time que mais bate e dribla no Brasileirão
Comentários Comente

Perrone

Números do site “Footstats” mostram o Palmeiras como um time que joga duro sem abolir o futebol bonito e ofensivo no Brasileirão.

Resumindo: o time de Felipão (e antes de Roger Machado) é o que mais faz faltas no campeonato e, ao mesmo tempo, o que mais dribla.

Quarto colocado na classificação, o alviverde comete em média 18,5 faltas por jogo. O Vitória, 14º colocado, é o segundo mais faltoso, com média de 18 infrações por partida.

Na contramão desse indicativo de futebol feio, o Palmeiras, de jogadores habilidosos, lidera o ranking de dribles do campeonato nacional. São 4,2 fintas certas em média por jogo. Willian é o principal driblador palmeirense com 13 dribles certos em 17 apresentações.

O estilo pragmático de Felipão também pode ser notado pelo número de desarmes. O alviverde é a segunda equipe que mais desarma no Brasileirão. Sua média é de 18,8 por jogo. Só o Flamengo (19,6) tem número superior.

Outro dado que reforça a imagem de time mordedor é o número de cartões amarelos. Os palmeirenses levaram 63 advertências no Brasileirão até agora. Só o líder São Paulo e o Vitória receberam mais amarelos. Foram 64 cada.

As quantidades de faltas e desarmes podem sugerir que o Palmeiras é o tipo de time que fica pouco com a bola e joga por uma chance para matar a partida.

Isso não é verdade. Os comandados de Scolari costumam ficar mais com a bola do que seus adversários. A média é de 53% de posse de bola por jogo. É a sexta melhor marca do campeonato. O Grêmio lidera esse ranking com 55,7%.

Quarto melhor ataque do Brasileiro com 31 gols, o Palmeiras é o segundo time que mais acertou finalizações até aqui ao lado do Flamengo. São 119 arremates certos para cada. Só o Atlético-MG tem marca melhor: 127 finalizações certas.

Assim, o pacote estatístico retrata o Palmeiras como um time que busca equilíbrio entre defesa e ataque, algo que tem conseguido.


Leila, Mattos, Dudu e Felipe Melo. Os desafios de Felipão
Comentários Comente

Perrone

Conhecer a política do clube é uma das principais habilidades de Felipão que o levaram a ser contratado pelo Palmeiras. Porém, ele encontrará um cenário explosivamente novo em seu retorno.

Como em suas duas passagens anteriores, Scolari vai encontrar bastidores agitados. Mas os personagens não são apenas os conselheiros velhos conhecidos do treinador. O principal fator novo para o técnico no caldeirão político é Leila Pereira, patrocinadora, conselheira e que trava intenso conflito com o grupo do ex-presidente Mustafá Contursi.

Além de blindar o vestiário de eventuais balas perdidas nessa guerra, Felipão provavelmente verá a dona da Crefisa e da FAM cruzar seu caminho, já que o clube muitas vezes recorre ao dinheiro dela e de seu marido, José Roberto Lamachia, para fazer contratações.

Leila tem histórico de declarações fortes e de deixar clara suas opiniões em relação ao futebol alviverde.

Scolari terá ainda como fator novo a convivência com Alexandre Mattos, poderoso executivo do futebol palmeirense.

Felipão é conhecido no futebol por respeitar a hierarquia dos clubes por onde passa. Mas também por seu estilo “sargentão” controlador e pelo gênio forte.

Desagradar ao técnico pode causar reações inesperadas. Em março de 2011, por exemplo, Scolari se irritou com a decisão da diretoria do Palmeiras de não levar para a concentração a nutricionista Alessandra Favano. O objetivo do clube era economizar dinheiro. Como revelou o blog na ocasião, o técnico ameaçou não se concentrar com o time se a profissional não fosse integrada à delegação. De fato, o Palmeiras iniciou o período concentrado sem o treinador.

Atualmente, a equipe costuma levar nutricionista até para as viagens.

Na outra ponta da nova relação, Mattos está acostumado a trabalhar com autonomia no Palmeiras. Ela é tanta que incomoda conselheiros.

Quem convive com Scolari afirma que, apesar da fama de durão, ele tem jogo de cintura para lidar com Leila e Mattos.

Do lado da direção, o discurso é de que Mattos age como aliado dos treinadores trabalhando para atender seus pedidos e blindá-los de pressões.

No vestiário, outros dois nomes representam desafio de peso para o treinador: Felipe Melo e Dudu. Ambos têm pavio curto.

O volante chegou a ser afastado por Cuca na última passagem do treinador pelo clube. Apesar da viralização de áudio no qual ele detonava o técnico, acabou sendo reintegrado numa ação de Mattos. Foi uma demonstração de força do atleta. Neste momento, ele está em baixa na parte técnica.

Em relação a Dudu, o desafio do treinador é motivar o jogador. Recentemente, ele deu a entender numa rede social estar insatisfeito por não ter sido vendido o futebol chinês.

O enigma relacionado a como Scolari vai se virar no novo ambiente começará a ser decifrado nesta sexta (3), dia marcado para o início de seu trabalho.

 


Carta para a dona Lucia. Aquela que escreveu para Felipão após o 7 a 1
Comentários Comente

Perrone

 

Olá, Dona Lucia. Hoje faz um ano que o Brasil levou de 7 a 1 da Alemanha, e lembrei daquela carta que a senhora mandou pro Felipão depois da derrota. Como a CBF disse que a senhora não queria aparecer, não tenho seu e-mail. Então, escrevi pra senhora aqui no blog, talvez chegue ao seu conhecimento.

Fiquei na dúvida se continuou acompanhando a seleção brasileira, por isso escrevo para atualizar a senhora sobre como estão as coisas depois do 7 a 1. Sabe o que mudou? Quase nada.

Lembro que na sua carta, na verdade e-mail lido resumidamente pelo Carlos Alberto Parreira, a senhora disse: “mais uma vez vi diante da câmera um homem íntegro e corajoso”. Falava do Felipão depois do massacre alemão, né?

Sabe o que eu vi depois de outra derrota do Brasil, dessa vez na Copa América, para a Colômbia? Vi diante da câmera um técnico gaúcho reclamando da arbitragem, como na Copa do Mundo. Não, Felipão não continuou na seleção. Mas a CBF chamou pro lugar dele outro gaúcho (nada contra os treinadores do Rio Grande do Sul), Dunga, que nos momentos ruins reclama do juiz como Luiz Felipe Scolari. E que surpreende a imprensa em discurso sobre eliminação como Felipão. Mas, em vez de falar de apagão, Dunga surpreendeu depois da eliminação diante do Paraguai falando de uma virose que atingiu os jogadores antes da partida. Só que ninguém tinha ouvido falar disso antes do jogo. Ou seja, o fracasso no Mundial não serviu nem para o novo treinador perceber que é melhor assumir totalmente as falhas da equipe.

Pois é, dona Lucia, a CBF perdeu a chance de inovar após o 7 a 1 trazendo um treinador estrangeiro ou dando oportunidade a quem é experiente e nunca esteve lá, mas os cartolas mostraram que pouco aprenderam com a humilhação em Belo Horizonte.

Por falar em dirigente, lembra do José Maria Marin, que era presidente da CBF e desfilava escoltado pela Polícia Federal na Copa? Ele foi levado de um hotel por policiais federais dos Estados Unidos, do famoso FBI,  e por tiras suíços, mas dessa vez parou no xilindró. Está faz mais de um mês em cana na Suíça.

Essa foi uma das poucas mudanças no futebol brasileiro desde os 7 a 1, a prisão de um cartola graúdo, mas só aconteceu porque a cavalaria americana chegou. Os gringos juram que mais dois brasileiros estão no rolo. Estavam no alto escalão da Fifa, da CBF e da Conmebol quando teriam recebido propina.

A senhora, que diz que as mulheres entendem de seres humanos, tem ideia de quem possam ser? Eu não sei. Quem pode saber é o Marco Polo Del Nero, que está faz tanto tempo no futebol e conhece todo mundo nesse meio. Lembra dele? Vivia grudado no Marin. Disse que não sabe quem são os suspeitos.

Del Nero agora é presidente da CBF, e eu seria injusto se dissesse que ele não está fazendo nada para mudar o futebol brasileiro depois do 7 a 1. Ele criou um conselho pra discutir mudanças no nosso futebol. Isso quase um ano depois dos 7 a 1. Acredita? A senhora acha que vai dar em alguma coisa? Acho que não. Precisamos de mais ação e menos conversa.

Enquanto eles conversam, grandes clubes brasileiros atrasam salários, trocam treinador como quem muda de gravata (foram nove em oito rodadas do Brasileirão) e desmancham o time no meio do campeonato em busca de grana. Tudo como antes do fiasco histórico.

Pra não dizer que nada mudou desde que a senhora apareceu e sumiu, virou moda os treinadores brasileiros desempregados viajarem para Europa. Vão se reciclar, dizem. Acho é efeito das críticas que o Felipão sofreu. Aquele papo de que ele estaria defasado.

E que boca a senhora tem. Na carta pro Scolari a senhora disse que tudo passaria e ficaria bem. Pra ele ficou. Depois de uma passagem nada empolgante pelo  Grêmio, ele foi trabalhar na China. Belo de um contrato. O time dele até ganhou de sete outro dia.

Mas não ficou bem pra seleção brasileira. Pelo que vi na Copa América, acho que o Brasil nunca correu tanto risco de ficar fora de um Mundial como do próximo.

Bom, como não tenho um Parreira pra fazer um resumo da minha carta, fico por aqui. Veja se dá um sinal de vida, dona Lucia. Um abraço.