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Neymar vai à Fifa contra Barcelona por R$ 96,3 milhões bloqueados
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Perrone

Com João Henrique Marques, do UOL, em Barcelona

Segundo o estafe de Neymar, o jogador notificou a Fifa para a entidade analisar o bloqueio de bônus de 26 milhões de euros (aproximadamente R$ 96,3 milhões) que deveria ter sido pago ao jogador pelo Barcelona. O pedido é para que a federação internacional determine que o Barça desbloqueie a quantia.

De acordo com a equipe do atleta, a Fifa é o foro eleito no contrato para decidir  sobre divergências como essa.

Nesta quinta, representante do atacante se reuniu com o departamento jurídico do clube e entregou uma contranofiticação questionando o bloqueio. Não houve acordo.

Os catalães depositaram a verba em juízo alegando a iminência de o jogador se transferir para o PSG e o fato de ele não se manifestar sobre o assunto desde que os rumores começaram a surgir. A saída oficial do Barça e a ida ao time francês foi anunciada nesta quinta pela equipe de Paris após o estafe do jogador ir ao Camp Nou e entregar o cheque com o valor da multa rescisória ao clube catalão.

O dinheiro havia sido prometido na última renovação contratual de Neymar em duas parcelas iguais. O bloqueio foi feito na segunda prestação.

No entendimento do clube, a quantia era devida pelo cumprimento do contrato inteiro, de cinco anos. Diante do risco de o jogador se transferir antes desse período decidiu fazer o depósito em juízo. Segundo o clube, o dinheiro ficaria lá até a situação do atleta ser resolvida, o que de fato aconteceu.

Por sua vez, o estafe do atacante entende que o montante faz parte do salário dele e alega que o contrato não condicionava o pagamento ao cumprimento do compromisso até o final.

Há também a queixa de que o Barcelona teria feito o depósito em juízo com um dia de atraso, em 31 de julho.

Outra alegação do estafe de Neymar é a de que o jogador não quis mais atuar pelo Barcelona por causa do dinheiro bloqueado.

 

 

 


Santos aposta em opinião de juiz espanhol contra Neymar na Fifa
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Para tentar convencer a Fifa a suspender Neymar por seis meses, o Santos aposta na análise do juiz espanhol José de la Mata Amaya. Ele entende que o jogador e o Barcelona, também acionado pelo clube brasileiro, descumpriram o estatuto da entidade internacional em 2011, quando negociaram a transferência do atacante.

No último dia 4, na abertura do julgamento oral referente à ação movida pela DIS na Espanha contra Neymar, seus pais, a empresa da família, Santos e Barcelona, por entender que foi prejudicada na transferência do atleta, Amaya reafirmou sua posição sobre o desrespeito às regras da Fifa. Isso apesar de ressaltar que tal situação não é objeto do julgamento espanhol.

Parecer semelhante do juiz emitido em primeira instância no processo havia sido enviado pelo Santos à Câmara de Resoluções e Disputas da Fifa, na qual o clube brasileiro pede punição para Neymar e Barça. Os advogados santistas acreditam que a confirmação da convicção de Amaya tem peso para ajudar a convencer a entidade, diferentemente do que pensa a defesa do atacante.

Para o magistrado, o estatuto da federação internacional foi ferido quando o Barcelona assinou dois contratos com a empresa dos pais de Neymar (o segundo chamado de “empréstimo”), assegurando pagamento inicial de 10 milhões de euros à família do jogador e garantindo que ele se mudaria para o Barça em 2014, quando ficasse livre do compromisso com o Santos, por mais 30 milhões de euros.

Mundial de Clubes da Fifa

Amaya escreveu parecer óbvio que Barcelona, Neymar e a empresa de sua família descumpriram as obrigações impostas pelo estatuto da Fifa em relação a contratações de jogadores. Na opinião dele, não respeitaram o contrato que o atleta tinha com o Santos, negociaram fora do período permitido (seis meses antes do término do compromisso vigente) e “chegaram a fazer (Barcelona) e a receber (Neymar) pagamentos milionários só oito dias antes de uma partida transcendental para a história do Santos (final do Mundial de Clubes da Fifa)”.

Em outro trecho ele detalha o episódio dizendo que foram realizados ou houve comprometimento de pagamentos multimilionários por parte do Barcelona a Neymar apenas uns dias antes de o jogador recebedor das quantias enfrentar o clube pagador na final do Mundial. “No dia nove de dezembro de 2011 foi feita transferência para a N&N (empresa dos pais do atacante) de 10 milhões de euros, e no dia 17 de dezembro de 2011, foi jogada a final do Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos, com derrota da equipe brasileira por 4 a 0”, escreveu o juiz.

Amaya ressalta que, sem prejuízo à avaliação ética que os torcedores das duas equipes façam do episódio, o Barcelona tinha uma carta pela qual o santos autorizava Neymar a negociar com outras equipes. O documento foi dado pela direção santista na ocasião. O juiz afirma, porém, que faltou uma autorização expressa pedida pelo Barça para que a transação não ferisse as regras da Fifa.

Essa carta é um dos pontos fundamentais da defesa de Neymar para alegar que não houve desobediência ao estatuto da Fifa.

O sentimento dos advogados do jogador é de que a opinião de um juiz que cuida do caso em outra esfera é irrelevante para a federação internacional, assim, não terá peso na decisão.

Outro argumento é o de que o Santos aceitou vender o jogador, tanto que assinou todos os documentos para isso acontecer. Por isso não tem do que reclamar com Barcelona e Neymar.

A arbitragem da Fifa já decidiu que não pode julgar os pais do atacante e a empresa deles por não estarem sujeitos às regas da entidade.

A expectativa dos envolvidos é de que a federação internacional anuncie sua decisão em junho. Quem se sentir prejudicado poderá recorrer ao CAS (Corte Arbitral do Esporte).

Além da suspensão, o Santos pede que sejam confiscados os valores recebidos pelo atacante pela transferência, solicita punição financeira ao Barça e recebimento de indenização.

Na Justiça espanhola, Neymar, seus pais e sua família foram isentos por Amaya da acusação de fraude por simular contratos, mas serão julgados por corrupção.


Neymar, Gabigol e agora Giva: por que a briga Barcelona x Santos não para
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Uma transferência complexa, envolvendo vários contratos, incluindo amistoso, prioridade em jogadores das categorias de base, acordo antes da final do Mundial de Clubes de 2011 e 40 milhões de euros repassados a empresa comandada pelo pai de Neymar é a origem da guerra sem fim vivida por Barcelona e Santos.

Já são pelo menos três ações na Fifa, uma movida pelo clube brasileiro contra o espanhol e Neymar e duas dos catalães em face do Santos.

Desde que Modesto Roma Júnior, presidente santista, foi à Fifa para questionar os valores da venda de Neymar, o Barcelona passou a examinar as cláusulas da negociação com lupa e a tomar medidas consideradas pelo Santos como retaliação. Além de Neymar, o imbróglio já envolveu Gabigol e Giva. A disputa ainda tem reflexos na política santista. A seguir, entenda melhor esse embate milionário e envolto em rancor.

Declaração de guerra

Em maio de 2015 o Santos interpôs uma demanda arbitral na Fifa contra Barcelona e Neymar para pedir indenização equivalente a diferença entre os 17 milhões de euros que cobrou para vender o jogador e 80 milhões de euros, que seria a quantia verdadeiramente desembolsada pelo Barcelona. No entender do clube brasileiro, o time espanhol e o pai do jogador montaram uma operação para beneficiar a família do jogador financeiramente em detrimento ao alvinegro. Barcelona e Neymar pai negam esse procedimento.

Contra-ataque

Sete meses após ser questionado na Fifa, o Barça deu o troco respondendo ao Santos que não pagaria bônus de 2 milhões de euros previsto em contrato pelo fato de Neymar ter sido finalista do prêmio de melhor do mundo dado pela federação internacional. Os espanhóis alegaram que se os santistas contestam o contrato de transferência, não podem exigir o cumprimento de cláusulas dele.

Gabigol

Em setembro deste ano, foi a vez de o Barcelona reclamar na Fifa de o Santos não ter dado o prazo de três dias, previsto em contrato, para os catalães responderem se exerceriam o seu direito de preferência e cobririam a oferta da Inter de Milão por Gabigol. A prioridade havia sido dada na venda de Neymar. Em carta endereçada ao Barcelona, o Santos deu um dia para o clube se posicionar, alegando que havia recebido a proposta dos italianos na véspera e que se esperasse três dias a janela de transferências se encerraria. Só que Gabriel já tinha feito exames médicos na Inter e se despedido na Vila Belmiro antes de a correspondência ser enviada.

Giva

O episódio mais recente é a queixa do Barcelona na Fifa pelo fato de o Santos, ao vender Neymar, ter dado preferência ao Barça na compra de Giva sem ser o dono majoritário dos direitos dele. O Santos detinha apenas 20% direitos econômicos do jogador, que acabou saindo do clube de graça. Agora, os espanhóis pedem na federação internacional que os brasileiros devolvam a quantia paga pela prioridade em Giva, Gabigol e Victor Andrade.

Rixa política

Para dirigentes do Barcelona e membros do estafe de Neymar o imbróglio todo começou por rixa política no Santos. Entendem que os últimos presidentes do clube se acostumaram a contestar decisões de seus antecessores. Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, ao assumir a presidência, rompeu com a DIS, parceira do clube na gestão de Marcelo Teixeira, que apadrinha o atual presidente. Modesto brigou com a Doyen, considerando, com o apoio do Conselho Deliberativo, que a gestão anterior negociou jogadores com a empresa de maneira irregular. Em seguida, o cartola atacou Neymar e Barcelona depois de a DIS questionar os valores da transação.

Jogo duro

Após ser denunciado na Fifa, o Barcelona entendeu que não poderia facilitar a vida do Santos. Foi assim na venda de Gabigol. Se a relação entre os clubes fosse boa, como não tinha interesse em contratar o atacante, o clube poderia ter respondido no prazo exigido pelo Santos que não exerceria seu direito, sem fazer questão do período de três dias. Exigir o cumprimento de cada linha dos contratos passou a ser prioridade para os catalães.

Retaliação

A diretoria do Santos não fala abertamente, mas nos bastidores os cartolas dizem que o time espanhol está esperneando por causa da ação na Fifa sobre a venda de Neymar e passou a retaliar o clube brasileiro com ações como o não pagamento de bônus e as queixas referentes a Neymar e Gabigol.

Problema interno

A guerra com o Barcelona pode ter ao menos uma consequência interna para o Santos. Influentes membros do Conselho Deliberativo avaliam que o Barça está certo em sua queixa sobre o prazo para responder a respeito de Gabigol não ter sido respeitado. Só que se o Conselho Deliberativo punir Modesto por poder causar prejuízo financeiro ao Santos, o órgão dará munição ao Barça para receber indenização. Não há consenso sobre o que deve ser feito.


Filho de Sarney está pronto para assumir CBF no lugar de Del Nero
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De acordo com o jornal “O Estado de S.Paulo”, a Fifa investiga e pode suspender Marco Polo Del Nero, que teria que deixar a presidência da CBF durante a suspensão. Se isso acontecer, o dirigente não será pego de calças curtas. Não correrá o risco de ter que entregar a cadeira para alguém que não tem sua confiança. Isso porque Fernando José Macieira Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, está preparado para assumir o cargo.

Se Marco Polo pedir licença, de acordo com o estatuto da confederação, ele  pode escolher um de seus quatro vices para ficar no cargo. Se ele renunciar, o mais velho assume o poder. Essa condição é ocupada por Delfim de Pádua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense e opositor de Del Nero. Porém, presidentes de federações entendem que o estatuto é claro ao dizer que em caso de impedimento o vice com mais idade deve assumir. E que a suspensão, apesar de ser provisória, é um impedimento.

Segundo o “Blog do Rodrigo Mattos“, existe a possibilidade de Del Nero pedir licença antes de uma eventual suspensão, indicando um substituto. Se isso ocorrer, o caso pode parar na justiça. 

Desde maio deste ano, quando começaram as prisões de dirigentes acusados de atos de corrupção por ordem da Justiça americana, o presidente da CBF teve tempo para moldar um substituto interino, embora ele negue ter cometido irregularidades ou ter o desejo de se ausentar do cargo.

Nesse período, além de emprestar seu sobre nome para a articulação da defesa de Del Nero na CPI, Fernando, vice da entidade, ganhou espaço na CBF. Comandou reunião com dirigentes de federações e até tentou intermediar a paz entre Delfim e o presidente, sem sucesso. Saber se relacionar com os dirigentes estaduais é fundamental para quem ocupar o cargo máximo na confederação.

Outro ponto importante é transitar bem na Conmebol. E o representante do clã Sarney na cartolagem também já participou de reunião na entidade sul-americana e ganhou afinidade com os temas debatidos por ela.

O mesmo vale para a Fifa. Nesta semana, Fernando pela primeira vez participa de reunião da entidade desde que foi indicado por Del Nero para integrar o comitê executivo da federação internacional. A indicação incomodou dirigentes que não foram consultados, como Gustavo Dantas Feijó, também vice da entidade.

Além desses requisitos, Sarney preenche o mais importante para o caso de Del Nero ter que se ausentar. Ele é o único dos vices que tem integralmente a confiança do presidente. Com Fernando no cargo, se for preciso, Marco Polo provavelmente não terá surpresas. Poderá ver suas vontades serem realizadas, continuará com o controle da situação, mesmo sem a caneta.

“Desde que vi o Fernando assumir uma reunião depois de o Del Nero ter que sair, falo que ele vai assumir se o presidente se licenciar”, disse Peixoto ao blog, antes da notícia do risco de a Fifa suspender o principal cartola do país.


A frase é de Del Nero: “só renuncia quem tem alguma coisa errada na vida”
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Perdão pelo surrado bordão: recordar é viver. Recordando, em oito de junho deste ano Marco Polo Del Nero disse em depoimento à Câmara dos Deputados:

“Só renuncia quem tem alguma coisa errada na vida”.

Na ocasião, ele dizia que não renunciaria ao cargo de presidente da CBF por não ter nada a ver com o escândalo de corrupção na Fifa e na entidade que ele dirige, que levou à prisão de seu antecessor, José Maria Marin.

Nesta quinta, porém, Del Nero alegou excesso de suas atividades na CBF e na Conmebol para renunciar ao seu posto no Comitê Executivo da Fifa. Ponto final.

 


Opinião: Seleção, clubes, Globo e até Zico perdem com reclusão de Del Nero
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Desde que José Maria Marin foi preso na Suíça, juntamente com cartolas da Fifa, Marco Polo Del Nero passou a evitar sair do Brasil. Assim, começou a se ausentar de reuniões da federação internacional e da Conmebol. O afastamento enfraqueceu o principal dirigente do país no cenário mundial. Mas, na prática, que prejuízos a fragilidade de Del Nero pode provocar? Quem pode ser prejudicado? Na opinião deste blogueiro, são pelo menos cinco problemas. Confira abaixo.

1 – Arbitragem nas eliminatórias da Copa de 2018

Desde sempre, as eliminatórias sul-americanas são disputadas em clima de guerra. Cada cartola trata de defender seu país nos bastidores. Com o isolamento de Del Nero, em tese, fica mais difícil para ele brigar pelos melhores árbitros nos jogos da seleção brasileira. Ou para evitar, por exemplo, juízes que tenham histórico desastroso em partidas do Brasil.

2 – Arbitragem na Copa Sul-Americana e na próxima Libertadores

Lembra que em 2013 antes de o Atlético-MG ganhar a Libertadores Alexandre Kalil viajou no avião da CBF, ao lado de José Maria Marin e Del Nero, a fim de discutir arbitragem das oitavas de final com a Conmebol no Paraguai? O episódio mostra a importância que os cartolas dão a esse trabalho nos bastidores. Porém, enquanto durar o isolamento do presidente da CBF, fato como esse não irá se repetir.

3 – Zico

O ex-craque perambulou na última semana pela sede da Fifa na Suíça em busca de apoio para lançar sua candidatura à presidência da entidade. Ele precisa do suporte de ao menos cinco das 209 federações filiadas para poder ser candidato. Conseguiu nada. Pudera, nenhum cartola brasileiro de peso estava ao seu lado para abrir as portas para ele. Se Del Nero estivesse por lá e quisesse ajudar, talvez Zico tivesse sido mais bem recebido.

4 – Arbitragem eletrônica

Pressionado por cartolas dos clubes brasileiros, Del Nero enviou para a International Board, que discute as regras do futebol, um pedido para que o país possa usar imagens de câmeras em lances duvidosos. Não rolou. Conseguir algum avanço com os homens que comandam a arbitragem no futebol mundial é sempre difícil. Imagine então sem um lobby bem feito, sem o presidente da federação interessada por perto para defender sua ideia. Pelo menos o órgão disse que vai continuar discutindo inovações tecnológicas e que testes podem acontecer no Brasil.

5- Horário ruim para a Globo

Será que se Del Nero não estivesse tão enfraquecido o Brasil faria a sua estreia nas eliminatórias no horário do Jornal Nacional, para desespero da Globo (próximo dia 8, 20h30 de Brasília, contra o Chile, fora de casa)? Não creio.


Opinião: ‘Sim’ da CBF para Zico tem jeito de ‘não’
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“Zico tem o nosso apoio para viabilizar a candidatura. Se ele conseguir as outras quatro assinaturas, a CBF vai endossar o seu pleito”. Ao ouvir essa afirmação de Marco Polo Del Nero, nesta quinta, Zico entendeu que ganhou o apoio da Confederação Brasileira para sua candidatura. Mas será que o dirigente foi tão claro assim?

Na opinião deste blogueiro, o ex-jogador nrecebeu um ‘sim’ que na verdade parece um ‘não’.

Del Nero não teria sido muito mais incisivo se dissesse: “A CBF apoia Zico e vai ser a primeira a assinar a lista de associações que respaldam a candidatura dele?” Ou: “Estamos lançando Zico como candidato. Agora vamos buscar o apoio de mais quatro federações para ele”.

Zico não bateria à porta das outras federações com muito mais força se tivesse no bolso um papel com a assinatura do presidente da CBF apoiando seu nome para a eleição de fevereiro?

Porém, se colocasse sua assinatura num documento a favor do Galinho agora, Del Nero já se apresentaria como opositor do nome a ser escolhido por Joseph Blatter para a sucessão presidencial na Fifa. O brasileiro é aliado do suíço. Não cairia bem e, como Zico seria azarão, a escolha poderia significar enfraquecimento político após a eleição em caso de outro postulante vencer.

Mas, simplesmente dizer ao candidato nacional que ele rode o mundo em busca de apoio e depois volte para casa para pegar a última firma, parece uma estratégia mais segura. Não é fácil conseguir quatro “avalistas” para uma campanha desse porte. Assim, caso Zico fracasse, Del Nero ficará bem com um ídolo brasileiro, com a opinião pública e não enfrentará desgaste político com Blatter, já que não chegou a colocar um opositor na parada.

É verdade que na hipótese de Zico conseguir os quatro apoios, em tese, Del Nero não teria como recuar.

Pelo artigo 13 do código eleitoral da Fifa, o candidato à presidência da entidade precisa ter seu nome proposto por uma das associadas à Federação Internacional, que passa automaticamente a ser uma das cinco que apoiam o postulante. O mesmo regulamento não fala nada sobre a proposta de candidatura ser necessariamente do mesmo país do candidato. Ainda assim, Zico disse que só começaria a buscar apoio depois de receber um sinal positivo da CBF.

O ex-jogador da seleção brasileira afirmou que ficou feliz com que ouviu do cartola. Felicidade Del Nero também tem motivos para sentir. Ganhou destaque na mídia, desta vez positivamente, quebrando a sequência de notícias sobre o escândalo de corrupção no futebol mundial, envolvendo cartolas brasileiros. Reportagens sobre, por exemplo, a decisão do presidente da CBF de não sair do país para participar de eventos da Fifa desde que seu antecessor, José Maria Marin, foi preso na Suíça, deram uma trégua. Aliás, se a candidatura de Zico vingar, será que Del Nero pisará em território suíço em fevereiro do ano que vem para votar nele?


CPI que ‘impede’ Del Nero de viajar só volta a atuar em agosto
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Marco Polo Del Nero disse à Folha de S.Paulo que não vai à reunião da Fifa na próxima segunda porque precisa “acompanhar o desfecho” da MP que refinancia dívidas fiscais dos clubes, tomando medidas contra a sanção dela, se for o caso. Declarou também que a instalação da CPI do Futebol é outro motivo que não o deixa ir para a Europa.

Difícil entender esses argumentos. A CPI, por exemplo, depois de ser instalada, só voltará a se reunir em agosto, de acordo com a assessoria de imprensa do senador Romário (PSB-RJ). Tanto que o presidente da comissão, Romário, diferentemente de Del Nero, está no exterior.

“Certo, a CPI só vai funcionar em agosto, mas tem muita coisa a ser estudada, é preciso se preparar para ela”, disse ao blog Walter Feldman, secretário-geral da CBF, ao comentar a decisão de Del Nero.

Em relação à Medida Provisória, ela já passou pela Câmara e pelo Senado, só falta a sanção da presidente Dilma Rousseff. O tema tem sido debatido desde o ano passado, Del Nero provavelmente já sabe o que precisa fazer, será que é mesmo necessário ele estar aqui para acionar advogados contra a MP?

Será que o presidente da CBF está por fora da conectividade de hoje em dia? Não conhece internet, videoconferência, teleconferência, WhatsApp? Com tantas ferramentas fica difícil não poder fazer uma reunião de trabalho à distância.

Fácil é ficar na dúvida se a ausência do principal cartola brasileiro e membro do Comitê Executivo da Fifa na reunião que decidirá o futuro da entidade tem algo a ver com essa nova moda no FBI de prender cartolas em solo suíço.

Se o Brasil vai perder algo não participando da reunião não dá para saber agora. O que dá para ter certeza é de quem ganha com a ausência dele: o programa “Bem Amigos”, do Sportv, exibido todas as segundas. Vai ganhar audiência. Foi lá que Galvão Bueno disse que se o Brasil não fosse representado na reunião da Fifa, se não fosse ninguém para lá por medo de pisar na Suíça, seria hora de começar de novo.

Então, anunciada a ausência de Del Nero, só dá para dizer o seguinte: “fala, Galvão”


Investigações instalam intrigas e insegurança entre cartolas brasileiros
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Se o relatório da Justiça americana com acusações de corrupção no futebol mundial parece roteiro de filme sobre mafiosos, no Brasil ele incorporou mais ingredientes cinematográficos. Intrigas, ameaças e conflitos se instalaram entre personagens do cenário boleiro nacional.

Um dos protagonistas, curiosamente, está fora de cena. Mesmo preso na Suíça, acusado de receber propinas, e sem falar com ninguém do meio, José Maria Marin é responsável por boa parte dessa trama. A começar por um fato ocorrido antes de ficar atrás das grades. Quando se preparava para viajar, ele telefonou para Delfim Peixoto e disse que na volta queria se reunir com o colega catarinense, vice-presidente da CBF, porque tinha muito para falar. “Ele não deu detalhes sobre o que falaria”, contou Delfim ao blog.

A informação despeja uma pitada de intriga no reino da cartolagem brasileira, já que a interpretação de dirigentes de federações estaduais é de que Marin estava descontente com o tratamento dado a ele por Marco Polo Del Nero desde o amigo assumir seu posto na presidência da CBF. Ora, se Marin acha que o presidente atual virou as costas para ele, não vai se preocupar, se for o caso, em proteger o ex-aliado nos interrogatórios, argumentam os cartolas das entidades estaduais.

Some a isso o fato de a família de Marin, que diz a amigos confiar na inocência dele, desejar que ele conte tudo que sabe. O resultado é uma pressão considerável sobre Del Nero, que nega envolvimento com o esquema de suborno, mas virou alvo de desconfianças porque um dos suspeitos pertence aos primeiros escalões de Fifa, CBF e Conmebol, como ele.

Oficialmente, o presidente da confederação nacional ganhou apoio dos seus colegas de entidades estaduais. Mas, longe de Del Nero, representantes de quatro federações disseram ao blog que se o nome dele aparecer nas investigações exigirão sua saída. Soa como ameaça.

Acuado, Del Nero tenta dissipar conflitos, evita sair do país, mesmo com a seleção brasileira jogando no Chile, e adota uma agenda proativa. Mas, de seu quartel general também partem alguns disparos ou cutucões. Como quando Walter Feldman, secretário-geral da CBF, disse ao blog logo após a prisão de dirigentes na Suíça que o presidente, como ninguém, não pode colocar a mão no fogo por outra pessoa, ao falar sobre Marin. Ou ao afirmar que “precisamos saber melhor o que está acontecendo, o J. Hawilla tem interesses comerciais, perdeu contrato”. A segunda declaração supõe que o dono da Traffic Sports tenha carregado em seus depoimentos para os americanos como forma de se vingar de derrotas comerciais.

Hawilla é quem mais construiu esse enredo graças à sua confissão de culpa e à cooperação com a Justiça americana. Entregou nomes e valores de subornos. Espalhou insegurança principalmente por ter aceito usar um grampo do FBI, igualzinho aos do cinema, para conversar com colegas. Ninguém sabe quem caiu na armadilha.

Tudo indica que sua atuação provocou uma ação da Polícia Federal do Brasil, a pedido dos americanos, na sede da Klefer, empresa concorrente da sua Traffic Sports na compra e venda de direitos de transmissão de campeonatos, campo fértil para o suborno no futebol.

Colocado no roteiro provavelmente por Hawilla, Kléber Leite, dono da Klefer, entrou atirando.

“Soube que neste período, J.Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável! Que fim de vida”, escreveu Kléber num comunicado publicado na internet.

Todos são inocentes até que se prove o contrário, mais impossível não lembrar novamente dos filmes de Hollywood em que acusados começam a se atacar para o deleite do FBI. Nesse caso, os tiras reais devem estar esfregando as mãos com tanta discórdia plantada.


Família de Marin quer que ele fale tudo que sabe
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A família de José Maria Marin parte do princípio de que o ex-presidente da CBF é inocente, apesar de desconhecer os detalhes das atividades do dirigente. O desejo dos familiares é de que o cartola fale tudo o que sabe aos responsáveis pelas investigações do imenso esquema de corrupção no futebol mundial.

Para os parentes de Marin não há motivo para ele proteger colegas, ainda mais porque o sentimento é de que ele foi abandonado desde que foi preso na Suíça sob a acusação de participar de esquema de corrupção na Fifa e na entidade nacional. Segundo a Justiça americana, Marin recebeu propina em negociações de direitos de transmissão de TV. O dinheiro do suborno teria sido dividido com outros dirigentes brasileiros, que não tiveram seus nomes divulgados.

A indignação maior é com Marco Polo Del Nero. O atual presidente da confederação não defendeu o sucessor com unhas e dentes nem nas reuniões com representantes das federações estaduais. Logo depois que a Fifa anunciou o banimento provisório de Marin, Del Nero suspendeu o amigo na CBF e tirou da fachada do prédio da CBF o nome dele. As medidas foram interpretadas por parentes e amigos de Marin como uma tentativa do presidente de descolar sua imagem do antecessor num gesto de traição. Por sua vez, a CBF alega que só refletiu a decisão da Fifa, que suspendeu Marin internacionalmente e nacionalmente.

Nem assistência jurídica foi providenciada pela confederação para seu ex-presidente. Quem contratou advogado para ele imediatamente foi a Conmebol.

O próprio Marin já andava chateado com Del Nero por se sentir escanteado desde que virou vice da CBF.