Blog do Perrone

Arquivo : Gustavo Vieira de Oliveira

SPFC luta contra queda em meio a fim de plano que reduz força de técnico
Comentários Comente

Perrone

No final de maio do ano passado, com o time nas semifinais da Libertadores, Gustavo Vieira de Oliveira, então diretor executivo do São Paulo, celebrava o início de um projeto a longo prazo para o clube. O plano previa o fortalecimento da comissão técnica fixa tricolor, a efetivação de um modo de jogar que seria aplicado também nas categorias de base e a diminuição do poder do treinador. Entre outros benefícios para a agremiação, ele previa que as trocas de treinadores seriam menos traumáticas. Sairia o comandante, ficaria a maioria da comissão, e o novo trabalho não começaria do zero.

Hoje, pouco mais de um ano depois, vítima da combinação entre política conturbada e maus resultados em campo, o sistema idealizado pelo filho do ex-jogador Sócrates está aniquilado.

Em meio a uma de suas maiores crises técnicas e da luta contra o rebaixamento no Brasileiro, o São Paulo enfrenta praticamente tudo que o plano do ex-dirigente queria evitar: instabilidade técnica e tática, mudanças radicais na comissão técnica e  treinadores com amplos poderes.

Em setembro do ano passado, golpeado pela eliminação na Libertadores e por uma forte pressão política contra seu mentor, o projeto de Gustavo começou a virar pó com a saída dele. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que havia abençoado o planejamento do executivo, não resistiu às cobranças de conselheiros e diretores, trocando o ex-dirigente por Marco Aurélio Cunha.

Seguidas mudanças na direção de futebol e no comando técnico também ocorreram. Depois da saída (contra a vontade da diretoria) de Edgardo Bauza, que simbolizava o projeto de diminuição do poder de treinadores no Morumbi, passaram pelo comando técnico Ricardo Gomes e Rogério Ceni antes da chegada do atual treinador, Dorival Júnior, sem contar os interinos.

Foram diversas as transformações de filosofia de jogo enfrentadas pela equipe, ao contrário do que previa o projeto de Gustavo.

Com a chegada de Rogério para a temporada de 2017, foi abandonada a ideia do treinador com poderes limitados. Ele trouxe dois auxiliares estrangeiros e filosofias próprias para implantar no clube.

Ceni não aguentou aos seguidos fracassos do time. Viu um de seus assistentes pedir as contas dias antes dele ser demitido.

Em seguida, veio o golpe fatal no sistema de estabilidade idealizado anteriormente. A comissão técnica fixa, antes vista como fundamental, foi parcialmente destruída. Acabaram demitidos o preparador físico José Mário Campeiz e o treinador de goleiros Haroldo Lamounier, alvos de pressão de conselheiros.

O auxiliar técnico permanente, Pintado, também não resistiu e foi convidado para atuar na integração entre as categorias de base e o time principal. Ele era fundamental no antigo projeto para diminuir o poder dos treinadores. Cabia a ele dialogar com os técnicos e trabalhar pela filosofia do clube.

Dorival chegou com um auxiliar, um analista de desempenho, um preparador físico e ainda indicou um preparador de goleiros. Ou seja, a ideia de as trocas no comando provocarem menos traumas no clube e não representarem o recomeço do zero também foi sepultada.

A atual diretoria, comandada pelo mesmo presidente que avalizou as ideias de Gustavo e com Vinícius Pinotti como executivo, nega interferência política nas trocas realizadas. Internamente, são feitas críticas à decisões do passado, da época em que o filho de Sócrates estava no comando e que estariam sendo corrigidas agora.


Desejado pelo São Paulo, Marco Aurélio diz que Del Nero decide seu futuro
Comentários Comente

Perrone

Desejado pela diretoria do São Paulo para a vaga de Gustavo Vieira de Oliveira, Marco Aurélio Cunha disse ao blog que por enquanto não foi convidado. Porém, afirmou que ouviu de pessoas do clube que o convite para ser executivo de futebol será feito.

Coordenador de futebol feminino da CBF, ele disse que o presidente da confederação é quem vai decidir sobre seu futuro, caso o chamado aconteça.

“Difícil pra mim largar as coisas que estou fazendo nesse momento. O problema todo é o meu compromisso com a CBF. E meu patrão é o Marco Polo Del Nero, que me prestigia muito. Então, se isso acontecer, ele é quem vai falar por mim e determinar o meu futuro”, declarou Cunha, que também é conselheiro são-paulino e teve passagens marcantes pelo futebol tricolor.

Gustavo deixou o posto após forte pressão de membros da diretoria e da oposição que o consideravam o principal responsável pela má fase do time e pelo enfraquecimento da equipe no segundo semestre, já que ele centralizava as decisões do departamento de futebol.


Cinco argumentos de cartolas que pedem Jardine como técnico do São Paulo
Comentários Comente

Perrone

É forte o lobby de parte da diretoria do São Paulo e de conselheiros pela efetivação do interino André Jardine como substituto do técnico Edgardo Bauza.

Esses cartolas esperam convencer o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira de que essa é a melhor opção. Por enquanto, a dupla segue tendo como prioridade trazer alguém mais experiente. Os dois dirigentes gostam do trabalho do interino e o enxergam como futuro treinador da equipe, mas acreditam que sua efetivação imediata eliminaria etapas e poderia ser prejudicial para Jardine.

Abaixo, veja seis argumentos dos que defendem o interino.

1 – Resultado

Jardine foi elogiado pela maneira como armou o time na vitória sobre o Santa Cruz, fora de casa, na última rodada do Brasileirão, por 2 a 1. A vitória motivou seus defensores a pedirem pelo menos mais uma chance para ele antes de a diretoria tentar contratar alguém. A oportunidade será dada contra o Botafogo, domingo, em São Paulo.

2 – Treinos

O interino tem sido elogiado por implantar seus próprios métodos de treinamento e por promover mudanças no jeito de jogar do time. Quem quer a efetivação dele diz que Jardine poderia ter se contentado em dar continuidade ao trabalho de Edgardo Bauza, mas mostrou personalidade e preparo ao fazer suas escolhas.

3- Rejeição a Ricardo Gomes

A avaliação de parte da diretoria é de que foi grande a rejeição da torcida nas redes sociais à ideia de trazer Ricardo Gomes, nome que ganhou força no Morumbi pouco depois da saída de Bauza. Nesse cenário, o argumento é de que Jardine teria mais apoio dos torcedores do que Gomes.

4 – Falta de opções

Com poucos nomes atraentes no mercado, os fãs do interino avaliam que é melhor a diretoria esperar antes de agir rápido e contratar alguém que possa provocar arrependimento mais tarde. Eles sustentam que já que não está fácil encontrar um treinador, dar um tempo para Jardine tentar se firmar é uma boa saída.

5 – Adaptação

Outra tese dos defensores do técnico provisório é que mesmo se o São Paulo contratar um treinador brasileiro, o novo funcionário terá que se adaptar ao clube e conhecer os jogadores, enquanto Jardine é de casa e tem bom conhecimento dos atletas.


‘Policial’ bom e mau e técnico anti-moleza. Como o São Paulo virou o jogo
Comentários Comente

Perrone

Com Guilherme Palenzuela, do UOL em Manhattan Beach (Estados Unidos)

O cenário era desolador em dezembro do ano passado quando a diretoria do São Paulo se reuniu para traçar os planos para a temporada seguinte. Ao olharem à sua volta os cartolas viram um time sem líderes e ídolos, após as saídas de Rogério Ceni, Pato e Luis Fabiano, sem técnico, com remunerações atrasadas, e distante da torcida, que estava revoltada com a derrota por 6 a 1 para o Corinthians. Não bastasse essa situação agonizante, a política também estava em chamas após a renúncia de Carlos Miguel Aidar.

Menos de seis meses depois desse pesadelo, o clube festeja a volta por cima com uma vaga nas semifinais da Libertadores. A recuperação veio com muita tensão, discussões internas e estratégias que evidenciam um novo formato escolhido pelo São Paulo. Um sistema no qual o técnico não cuida de tudo, ficando concentrado em treinar o time. A seguir, conheça essa história em detalhes.

Técnico

Um dos primeiros passos para a reconstrução são-paulina era trazer um treinador. Mas faltava dinheiro, o que fez com que a direção demorasse mais do que esperava para encontrar um comandante.

O perfil desejado era o de alguém que não fosse um paizão para os jogadores. Na avaliação do diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira os atletas estavam acostumados com técnicos bonzinhos. Ele queria um pouco de tensão no relacionamento. Alguém que cobrasse constantemente os atletas.

Outro desejo era o de ter um comandante que colocasse o time para jogar de maneira simples, arrumando a defesa, se arriscando pouco e caprichando nas jogadas ensaiadas. Era a fórmula mais segura para quem tinha pouco dinheiro para contratar e tempo escasso até ir para o campo de batalha na Libertadores. Diego Aguirre foi procurado, mas a diretoria avaliou que ele não tinha a firmeza desejada.

Então, em cerca de 48 horas de análise os cartolas se convenceram de que Edgardo Bauza deveria ser contratado. Além dos outros pedidos, ele também aceitou trabalhar num regime em que o treinador não centraliza poderes.

Bauza veio para ser parte de uma sistema montado para gerir o time. Sua função não é tomar decisões fora do campo e ele respeita uma hierarquia baseada numa comissão técnica fixa. Gustavo está no topo da pirâmide. Abaixo dele está o coordenador Rene Webber, chefe de Bauza e das comissões técnicas do clube. O ex-jogador Pintado é auxiliar do treinador, mas como membro da comissão fixa é funcionário diretamente ligado à diretoria. O diretor executivo aciona os dois sem precisar passar pelo técnico, elogiado por se encaixar bem no sistema.

Reforços

A prioridade era aproximar o time da torcida, por isso, trazer Lugano foi uma das principais metas estabelecidas. Outra estratégia era trocar o talento individual pelo jogo coletivo. Até 2015, a equipe dependia na maioria das vezes de lances individuais para ganhar jogos. Como nas cobranças de faltas e pênaltis de Rogério, finalizações de Luis Fabiano (nos bons tempos) e jogadas de Ganso. Então, a preferência passou a ser por quem melhorasse o desempenho coletivo. Outro objetivo era transformar uma equipe apática em vibrante. Com essa missão na bagagem desembarcaram no Morumbi Calleri, Mena e Maicon, além de Lugano.

Vida dura

O começo de Bauza fez alguns jogadores torcerem o nariz para o treinador. Eles estranharam o fato de o time treinar até em domingo e de ter que comparecer ao CT de manhã para fazer trabalhos de recuperação um dia depois de jogos no final de semana. Começava a existir a tensão que Gustavo queria. Nada de conforto.

Depressão após protesto

Mas a tensão fugiu do controle quando os jogadores decidiram não dar entrevistas como uma maneira de protestar contra as remunerações atrasadas. Gustavo disse a eles que a diretoria não esconderia a verdade sobre o silêncio do time. E que tal situação poderia trazer consequências ruins para os jogadores.

Os atletas preferiram seguir a diante. E a derrota para o The Strongest em casa na Libertadores murchou a manifestação. Lugano foi incisivo contra o protesto, enquanto Michel Bastos defendia a greve de entrevistas. Entre os que apoiavam o movimento havia quem dizia que o uruguaio era contra porque acabara de chegar e não tinha sofrido meses com pagamentos atrasados. Lugano respondia que os colegas não conheciam o São Paulo como ele.

O vestiário rachou, e a diretoria detectou ainda uma depressão em parte do elenco pelo fato de o movimento ter fracassado. O discurso dos cartolas, então, passou a ser de que o protesto tinha vingado, já que o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, foi até o CT prometer que os atrasos acabariam. O objetivo era recuperar a autoestima dos atletas afetados.

Junto com o discurso positivo, veio o dinheiro do novo acordo com a Globo e a regularização dos pagamentos.

‘Policial’ bom e mau

Outro momento importante na reconstrução tricolor aconteceu com a chegada de Pintado como auxiliar-técnico. Um roteiro manjado em filmes policiais foi traçado pela diretoria, com Webber sendo o policial mau e Pintado o bom. O primeiro cobra os jogadores, e o segundo entra em ação em seguida para motivar quem levou a dura. Enquanto isso, Bauza se preocupa em treinar o time, sem se desgastar com os atletas.

Fritura de Bauza evitada

Um dos auges da crise são-paulina aconteceu na derrota para o São Bernardo pelo Campeonato Paulista. A diretoria entendeu que parte dos jogadores via Bauza fragilizado. O temor era de que que os atletas não se esforçassem mais, preferindo esperar a chegada de um novo chefe.

Assim, a direção passou a fortalecer o técnico publicamente. Ao mesmo tempo, Gustavo teve reuniões individuais duras com pelo menos dez jogadores. Cobrou caráter, menos individualismo e mais ajuda aos companheiros.

Os atletas que compraram a ideia da diretoria passaram a ser escalados para dar entrevistas e repetir o discurso do dirigente.

Discussões no vestiário

O time obteve vitórias mesmo jogando mal, e os jogadores começaram a se cobrar, como a diretoria queria. No intervalo da vitória por 2 a 1 sobre o Oeste dois atletas quase se pegaram no vestiário. No empate em 1 a 1 com Trujillanos, pela Libertadores, também houve cobrança interna.

Outra discussão ríspida aconteceu na derrota para o Audax, por 4 a 1, na eliminação do São Paulo no Paulista.

Os jogadores começavam a mostrar o espírito desejado pela diretoria, de não aceitar passivamente resultados ruins.

Resgaste de Michel Bastos

Para diretoria e comissão comissão técnica, recuperar Michel Bastos era considerada uma missão fundamental para reerguer o time. Além de várias conversas com o jogador para mostrar sua importância, a diretoria falou publicamente que iria acionar na Fifa clubes que o assediassem. Assim, pretendia motivar o atleta. Com o mesmo objetivo, companheiros dele foram orientados a dar entrevistas elogiando Michel.

Tempo para trabalhar e torcida

A eliminação no Paulista foi considerada fundamental para a melhora do time, pois Bauza teve mais tempo para trabalhar. O time mudou de cara na Libertadores e trouxe a torcida para seu lado. Os torcedores inflamaram a equipe, acabando de moldar o espírito guerreiro que os cartolas queriam.

Futuro

Animada com o avanço na Libertadores, a direção são-paulina espera conseguir colocar em prática seu projeto de, a partir da comissão técnica fixa, criar um padrão de jogo que permaneça independentemente do técnico, aplicado também nas categorias de base. O plano é que as mudanças de treinadores sejam menos traumáticas, já que a ideia é deixar uma estrutura pronta.


Após Abilio doar dinheiro, Independente repete cobranças dele a Leco
Comentários Comente

Perrone

Com Pedro Lopes, do UOL, em São Paulo

Antes do Carnaval de 2016, Abílio Diniz doou dinheiro para a Independente, principal torcida organizada do clube e escola de samba. A doação foi confirmada por assessor do empresário ao ser indagado pelo blog sobre o assunto.

“A assessoria de imprensa de Abilio Diniz informa que o empresário fez pequena contribuição à Independente após solicitação de ajuda da torcida para seu galpão de Carnaval”, diz o comunicado enviado por-email. O valor e a data exata não foram revelados. Porém, membro da Independente que pediu para não ser identificado afirmou que a contribuição aconteceu no início deste ano.

Em contato telefônico com o blog, Henrique Gomes, o Baby, presidente da Independente, primeiro negou que tenha existido a doação. Ao ser informado que Abilio confirmara a contribuição, disse que houve uma ajuda à torcida, mas não relacionada ao Carnaval. Só que rapidamente voltou a negar com veemência que a Independente tenha recebido dinheiro de Abilio tanto para a escola de samba como para a torcida, que possuem CNPJs diferentes.

“Não envolva a Independente nisso porque não é verdade. Não recebemos nenhuma doação do Abilio. Estão brigando dentro do São Paulo e ficam usando o nosso nome, mas a torcida não é marionete de ninguém. Não queremos saber de Leco (presidente do clube), de Abilio e nem de (Carlos Miguel) Aidar (ex-presidente)”, disse Baby.

Diniz é consultor do Conselho Consultivo do São Paulo, trabalhou pela saída de Aidar, que renunciou, e apoiou a candidatura de Leco. Logo depois da eleição passou a divergir do presidente e virou o opositor. A demora do cartola em tirar Ataide Gil Guerreiro da vice-presidência de futebol, a manutenção de Gustavo Vieira de Oliveira como dirigente remunerado e o afastamento de Milton Cruz do cargo de auxiliar técnico para atuar com análise de desempenho até ser demitido estão entre os motivos que fizeram Abilio entrar em rota de colisão com Leco.

Algumas das bandeiras do empresário também foram levantadas pela Independente, que gritou o nome de Milton Cruz, além de criticar Ataíde e Gustavo, dupla que para Diniz entende pouco de futebol e nada de gestão, como ele escreveu em seu blog no UOL.

“O que fizemos não tem nada a ver com o Abilio. O Milton Cruz, por exemplo, nós entendemos que, quando o (Edgardo) Bauza chegou, ele era a única pessoa que poderia orientar o técnico. Por isso, queríamos a presença dele, mas não estava nem aí se ele seria demitido. A Independente não se envolve na política do São Paulo”, disse Baby.

Em 17 de fevereiro, quando a doação de Abilio já tinha sido feita, a torcida protestou após a derrota por 1 a 0 para o The Strongest no Pacaembu pedindo, entre outras reivindicações, a volta de Cruz, amigo do empresário e defendido ferrenhamente por ele, ao cargo antigo. Quatro dias depois, a Independente fez uma manifestação no Pacaembu, antes do jogo contra o Rio Claro, na qual foi exibida faixa com os dizeres: “o único salário que não atrasa é o seu, Gustavo, R$ 120 mil”. A torcida também voltou a pedir a saída de Ataíde, algo que já tinha feito em novembro do ano passado, além de criticar jogadores.

No dia 28 de fevereiro, a Independente escreveu em sua conta no twitter: “Abilio Diniz, presidente moral do São Paulo”. O empresário não é conselheiro e não pode se candidatar à presidência. Ele afirma não ter esse desejo.

 A assessoria de Abilio não comentou o fato de a torcida apoiar ideias semelhantes às do empresário, após receber a doação.

Vale lembrar que recentemente Leco disse à “Folha de S.Paulo”, colaborar com a Independente.


Crises de Palmeiras e SPFC têm em comum situações de cartolas remunerados
Comentários Comente

Perrone

As crises enfrentadas por Palmeiras e São Paulo têm ao menos um ponto em comum: as situações dos executivos de futebol dos rivais.

Tanto o palmeirense Alexandre Mattos quanto o são-paulino Gustavo Vieira de Oliveira têm suas demissões cobradas por conselheiros da oposição e da situação. No caso do funcionário tricolor, até parte dos diretores pede a saída.

Uma das queixas contra eles é igual: ambos são considerados por seus críticos profissionais que têm dificuldade de comunicação com os jogadores. Por isso, não conseguem fazer uma rápida e correta leitura do vestiário, dificultando a identificação de problemas, de acordo com as reclamações.

Porém, com a mesma intensidade das cobranças, Mattos e Gustavo são defendidos por seus presidentes, noutro ponto em comum nessa história.

O alviverde Paulo Nobre e o tricolor Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, dão seguidas demonstrações de confiança em seus executivos, sem sinais de pretenderem demitir os profissionais.

No Palmeiras, desde o ano passado, o presidente banca Mattos contra os críticos. Demitiu o treinador Marcelo Oliveira, mas manteve o dirigente remunerado.

No São Paulo, Leco e Luiz Cunha, novo diretor de futebol, traçaram planos para a recuperação do time. Definiram a demissão de Milton Cruz, que trabalhava havia 22 anos no clube. Em suas conversas, nem tocaram na possibilidade de demitir Gutavo, filho de Sócrates e sobrinho de Raí. Vale lembrar que até o ex-vice de futebol do clube, Ataíde Gil Guerreiro, não resistiu aos maus resultados e às críticas ao seu trabalho, sendo remanejado para a diretoria de relações institucionais.


Mudanças incompletas na diretoria aumentam pressão sobre Leco
Comentários Comente

Perrone

Mudar a diretoria de futebol do São Paulo deveria ser um bálsamo para Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, mas a receita teve efeitos colaterais e provocou novas dores de cabeça para o presidente são-paulino.

O resultado é que ele está ainda mais pressionado e o time segue vulnerável à troca de tiros entre cartolas. Um dos motivos para isso é a permanência de Gustavo Vieira de Oliveira como executivo do departamento de futebol. Sua cabeça é pedida por membros da diretoria, conselheiros e pelo empresário Abilio Dniz, integrante do Conselho Consultivo. Assim, ainda há um alvo por perto do vestiário tricolor.

Mas existem outras sequelas. Conselheiros que cobravam o afastamento do vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, se queixam de ele ser transferido para a diretoria de relações institucionais. Avaliam que o cartola ainda terá influência na diretoria.

Por outro lado, há descontentamento de membros dos grupos políticos de Ataíde e Rubens Moreno, diretor de futebol, também afastado, por não terem sido consultados sobre as mudanças.

“Não existe diálogo (por parte da diretoria) com ninguém. Por isso disse que nosso grupo hoje não é situação e nem oposição. Vamos só acompanhar o que a direção está fazendo”, afirmou Harry Massis Júnior, conselheiro do partido Vanguarda, ao qual pertence o diretor de futebol afastado e que formou a base aliada de Leco.

“Não tenho nada contra o Gustavo e o Ataíde, mas a limpeza deveria ser geral. Se saiu o diretor (estatutário), o executivo tinha que sair também. E o Ataíde não deveria ter aceitado outro cargo. Como o Moreno, que recebeu o convite para assumir outro posto e não aceitou. Tem que deixar o presidente dar uma arejada”, completou Massis.

“Ataíde vai continuar com um lugar para poder articular o que quiser no clube, e o Gustavo ficou. Então, não mudou nada”, disse Itagiba Alfredo Francez, influente conselheiro da oposição.

Ele é um dos mais indignados com a situação. “Sou do tempo em que o São Paulo era respeitado, hoje virou uma zona. Tem crise, administrativa, financeira, moral e no futebol”, declarou Francez.

“Como a gestão não é profissional, é amadora, ele (Leco) não demite, só arruma outro cargo”, criticou Newton Ferreira, o Newton do Chapéu, oposicionista e que foi candidato à presidência em disputa com Leco.

O aumento das insatisfações provocado justamente pela tentativa do presidente de conseguir uma trégua, cria um ambiente propício para fortalecer a oposição, o que em tese é sinal de mais chumbo grosso pela frente.

“Resolvi fazer união das oposições. Já tinha decidido isso antes dessas mudanças. Devemos fazer uma reunião na terça-feira. Agora vai ser sem grupinho, não vai ter grupo disso, grupo daquilo, vai acabar tudo. A oposição precisa ser uma só. Fazemos convenções com todas as alas e no final temos um só candidato. É o único jeito”, afirmou Francez. A próxima eleição para presidente do clube será em abril do ano que vem.

 


Cúpula do São Paulo vê atletas insatisfeitos e busca negociações
Comentários Comente

Perrone

A cúpula do São Paulo poupa Edgardo Bauza ao analisar os maus resultados obtidos pela equipe. Os cartolas estão convencidos de que o problema não é tático. Enxergam evolução no trabalho do treinador e acreditam que ele precisa de um pouco mais de tempo.

Na radiografia feita pelo comando tricolor erros individuais e dois ou três jogadores insatisfeitos são os responsáveis pelos tropeços.

O técnico Edgardo Bauza durante jogo contra o Palmeiras (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

O técnico Edgardo Bauza durante jogo contra o Palmeiras (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

A falha de Carlinhos, que resultou na jogada do primeiro gol na derrota por 2 a 0 para o Palmeiras é usada como exemplo de erros que minam o time.

Em relação aos jogadores identificados como insatisfeitos, a cúpula tricolor prefere não falar publicamente quem são. Isso porque a estratégia é conseguir colocar esses atletas em outros clubes. Assim, não pretende botar ninguém na geladeira. A medida desvalorizaria os afastados. Os cartolas trabalham para conseguir trocas com outros clubes envolvendo quem é visto como problema hoje.

O blog apurou que uma das metas é negociar Michel Bastos, identificado como um dos insatisfeitos. Ele está entre os mais criticados pela torcida e recentemente discordou de Lugano, que foi contra a decisão do elenco de não dar entrevistas como forma de protesto em relação aos atrasos nos direitos de imagem, já pagos segundo a diretoria. Publicamente, o jogador admitiu a discordância com o uruguaio, mas negou que tenha discutido com ele, assim como nega insatisfação por estar no Morumbi.

Outro ponto analisado é o desempenho de Gustavo Vieira de Oliveira, que tem seu afastamento pedido até por membros da diretoria por supostamente não falar a língua dos jogadores, o que dificulta a leitura do vestiário, e ganhar, na opinião de seus detratores, mais do que merece. No caso do executivo, a avaliação é de que o trabalho tem sido bem feito. Em tese, não há motivos para mudança.

Porém, vale para o comando tricolor a máxima de que no futebol qualquer um pode perder o emprego se os resultados não aparecerem.

 

VEJA TAMBÉM:

“Final” é chance para Kardec reverter pior início de ano desde 2009

Kieza pede para não jogar clássico, irrita SP e é liberado para o Vitória


Após queixa de Abilio, empresa recebe lote de documentos do futebol do SPFC
Comentários Comente

Perrone

Na última sexta, Abilio Diniz escreveu em seu blog no UOL Esporte que a diretoria de futebol do São Paulo não colaborava com as consultorias pagas por ele para auditar o clube. Horas depois da publicação, a direção do tricolor procurou a empresa McKinsey e prometeu entregar um lote de documentos na última terça. A promessa foi cumprida e marcou mais um capítulo no atrito entre o empresário e o presidente são-paulino, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Para aliados de Diniz, a documentação só foi entregue por causa do barulho feito pelo empresário, que também é consultor do Conselho Consultivo do clube. Já a direção acredita que ele usou politicamente o fato por saber que na última sexta terminava o prazo para a entrega de papéis. A diretoria de futebol, porém, nega que tenha se mexido apenas após a cobrança de Abilio.

Ao blog, a assessoria de imprensa do São Paulo afirmou que o departamento de futebol já vinha colaborando com a McKinsey. Tanto que a empresa havia entrevistado uma série de pessoas do departamento para levantar os métodos de trabalho. Mas que na semana que antecedeu o carnaval, após o fim das entrevistas, foi estipulado que até a última sexta uma série de documentos deveria ser entregue. Então, de acordo com a assessoria, a direção explicou para a empresa que teria dificuldades para cumprir o prazo por causa da grande quantidade de papéis pedidos. E por problemas como responsáveis pelas categorias de base estarem de férias. Assim, o departamento de futebol negociou com a consultoria a entrega na terça.

Enquanto Abilio vê má vontade de Gustavo Vieira de Oliveira, dirigente remunerado, e Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol, em colaborar com a consultoria, a assessoria de imprensa do São Paulo afirma que nunca houve problema entre o departamento de futebol e a empresa. Alega também que o trabalho de auditoria foi uma bandeira da campanha de Leco.


Opinião: diretoria do SPFC precisa controlar ansiedade para provar mudança
Comentários Comente

Perrone

Ao anunciar a contratação do técnico Edgardo Bauza, Gustavo Vieira de Oliveira, executivo são-paulino, afirmou que o clube escolheu um projeto para depois definir o treinador. Ou seja, a diretoria foi criteriosa e aposta num trabalho duradouro, apesar de ter assinado contrato só até o fim de 2016. A filosofia defendida é ótima, principalmente após a bagunça administrativa vivida pelo São Paulo nos últimos meses.

Só que o discurso não basta. A diretoria terá que colocar em prática o que alardeou. Para isso terá de controlar a ansiedade e ter paciência com Bauza.

Por ser estrangeiro, ele deve levar, em tese, mais tempo para se adaptar ao clube. Além disso, a montagem da equipe está atrasada. A soma dos dois fatores torna natural um começo de ano irregular. Ainda mais com um torneio difícil como a Libertadores, que Bauza já venceu duas vezes, logo de cara.

Por tudo isso, um eventual mau resultado na competição continental não pode ser encarado como fim do mundo no Morumbi. Se isso acontecer, caberá à diretoria blindar o treinador e assegurar sua permanência para que o belo discurso de Gustavo não se transforme em palavras jogadas ao vento.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>