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Arquivo : Internacional

Opinião: após ‘caso do replay’, Globo deve explicar seu papel no Nacional
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Na opinião deste blogueiro, em parte, a diretoria do Internacional tem razão ao reclamar da Globo no episódio do gol de sua equipe anulado contra o Santos na última segunda (22). Isso porque não cabe à emissora tomar medidas relativas ao trabalho dos árbitros.

Os colorados afirmam que, se a Globo decidiu não mostrar o replay do lance até o juiz se posicionar, deveria ter feito isso nos outros duelos da rodada, em especial na partida entre Palmeiras e Ceará. Por sua vez, a TV aponta que no jogo do alviverde não houve repetição de lance polêmico antes de o juiz se decidir.

Obviamente, o justo é o procedimento começar a valer para todos ao mesmo tempo. De preferência com um comunicado oficial antes das partidas para o torcedor saber o que se passa.

Ao tomar a decisão de segurar a repetição do lance em Porto Alegre (e em qualquer transmissão) para não influenciar a arbitragem, o Grupo Globo ultrapassou a fronteira do jornalismo e invadiu a área técnica e de gestão da competição.

Arbitragem é assunto para quem organiza o campeonato, no caso a CBF, e não para quem o transmite. É a confederação a responsável por coibir a interferência externa nas decisões dos árbitros.

Caso saibam da existência da prática das equipes de arbitragem de esperarem o replay para se posicionar, o Sportv e a Globo deveriam ter investido numa reportagem sobre o tema. Seria um golaço, um serviço para o futebol brasileiro. Do jeito que foi feito ficou parecendo pegadinha.

Outra questão é a situação do assinante que pagou para assistir ao jogo contando com uma série de confortos e ficou sem esse (o replay quase imediato). No lugar da informação instantânea, o cliente ficou com a dúvida até o juiz Ricardo Marques Ribeiro tomar uma decisão e a emissora liberar a imagem. O produto não foi entregue como vendido.

Em nota oficial, a Globo disse que “a transmissão da TV optou por não exibir o replay antes da decisão como é o protocolo da Fifa quando tem a produção de imagens com árbitro de vídeo”. O Brasileirão não tem o uso do VAR.

O comunicado diz ainda que o procedimento de segurar o replay foi adotado na final da Copa do Brasil (com VAR), entre Corinthians e Cruzeiro. E que valerá a partir de agora para todas as partidas transmitidas pelo Grupo Globo, mesmo sem árbitro de vídeo. Leia a nota completa clicando aqui.

Diante do posicionamento da rede de televisão, para este blogueiro é necessário que a Globo explique melhor para o público o papel que espera exercer nos campeonatos que transmite. Elá se considera parceira da CBF e de outras entidades na gestão das competições? O esclarecimento é necessário para sabermos com que olhos devemos assistir aos jogos pela TV. E o que o consumidor pode esperar e cobrar da emissora.

 

 


Raí sofre novas críticas da Independente, mas sua posição não é abalada
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“Qual a prioridade agora, Raí, Diego Lugano e Ricardo Rocha?Ídolos dentro de campo. Fracasso fora dele. Diego Aguirre está na  conta de quem? Jogamos como nunca e perdemos como sempre. Perderam a mão do SPFC. Jogadores acordando de ressaca (em) véspera de jogos. Muita festa e pouco futebol.”

O texto acima foi postado pela Independente, maior torcida uniformizada do São Paulo, horas depois da derrota para o Internacional, por 3 a 1, no último domingo (14).

Foi o segundo ataque recente da uniformizada a Raí, Lugano e Ricardo Rocha. Críticas em tom semelhante já tinham sido feitas após a derrota no clássico para o Palmeiras.

Os ataques, no entanto, pelo menos até agora, não abalaram o prestígio de Raí como diretor executivo de futebol junto a cúpula são-paulina.

A avaliação interna é de que a torcida age com rancor por três vezes não ter conseguido um treino aberto para manifestar apoio ao time.

Outra análise é de que a atual sequência negativa não pode anular o período maior em que o time ficou na liderança do Brasileirão. Hoje é o quarto colocado.

Também é ponderado internamente que o trabalho de Raí é mais amplo, envolvendo a implementação de práticas profissionais no CT da Barra Funda. Ou seja, internamente, o sentimento é de que seria injusto avaliar seu desempenho de acordo apenas com os resultados imediatos obtidos pelo time.

 


Primeiros do Brasileiro capricham no desarme, mas abusam nos erros de passe
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O jogador do seu time desarma o adversário, mas na sequência a equipe erra o passe e entrega a bola para o rival. A situação, irritante para o torcedor, é comum aos três primeiros colocados do Brasileirão.

Estatísticas do site “Footstats” mostram que Palmeiras, Internacional e São Paulo são eficientes no desarmes, mas erram muitos passes. Como semelhança, o trio também tem o capricho nos dribles e o alto número de cartões recebidos, entre outros fatores.

Terceiro colocado, o São Paulo é o time que tem o percentual mais alto de passes errados no campeonato: 12,9%. O Inter, vice-líder, erra 10%, pouco menos que o Palmeiras (10,1%). Nove equipes têm marcas melhores do que colorados e palmeirenses. Décimo primeiro colocado do Brasileirão, o Atlético-PR é o clube que menos falha nos passes com índice de erro de 7,6%.

Ao mesmo tempo em que os números sugerem um certo desleixo da trinca na hora de passar a bola, mostram eficiência no desarme. Ao lado do Flamengo, o Palmeiras ostenta a melhor média de desarmes certos: 18,9 por jogo. O São Paulo aparece em seguida (18,4) e o Colorado na sequência (17,3).

Os dados também indicam pouca preocupação do trio em evitar cartões amarelos. O time do Allianz Parque é o segundo mais advertido da competição com 80. Só Vitória levou mais amarelos. Foram 85 até aqui. O São Paulo é o terceiro nesse quesito com 77 advertências. O Inter está na quinta colocação (74).

Alviverdes e tricolores receberam ainda quatro vermelhos. Os colorados tiveram três expulsões até agora. O Flamengo está no topo da lista vermelha com 8.

A eficiência nos desarmes e o excesso de cartões não significa que os três primeiros do Brasileirão abdicam da fantasia. Pelo contrário. O ranking dos times que mais acertam dribles no campeonato reflete a posição dos três na classificação. O Palmeiras lidera com 122, seguido por Inter (117) e São Paulo (112).


Opinião: em Chapecó, Inter ‘esqueceu’ que briga pelo título
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Sem mostrar um futebol compatível com quem briga pelo título brasileiro, o Internacional perdeu de virada por 2 a 1 para a Chapecoense nesta segunda em Santa Catarina.

A pressão adversária e o conformismo colorado foram tantos que parece até que os gaúchos se esqueceram de que com uma vitória abririam dois pontos de vantagem sobre o São Paulo. Com o fracasso, estão em segundo lugar com um ponto a menos do que os paulistanos.

O Inter deu espaços para o adversário, não se esforçou para marcar a saída de bola da Chape e ainda falhou na marcação no gol de empate dos donos da casa. Tanto ao não impedir o cruzamento de Eduardo como ao não bloquear o cabeceio de Leandro Pereira.

A postura que se esperava do vice-líder do campeonato foi exbida pela equipe que luta para evitar o rebaixamento. Coube ao time de Chapecó marcar o adversário em seu campo de defesa e jogar praticamente o tempo todo em busca da vitória. O prêmio veio com o segundo com de Leandro Pereira, desta vez de pênalti, na etapa final.

Foram 18 finalizações dos catarinenses (6 certas), contra 12 dos gaúchos (5 corretas), de acordo com o site “Footstats”.

Faltou aos comandados de Odair Hellmann entenderem que por mais eficiente que tenha sido jogar nos contra-ataques na competição até aqui, na reta final, quem quiser ficar com o caneco precisa mostrar mais do que isso.

Apenas no final da partida, com um jogador a menos após a expulsão de Cuesta, o Internacional atuou com a volúpia de quem almeja a taça. Porém, Jandrei defendeu pênalti cobrado por Leandro Damião.

Chegou a hora de os postulantes ao título jogarem com gana de vencer e intensidade também como visitante. Quem perceber isso mais cedo vai aumentar suas chances.

O Colorado parece não ter compreendido a necessidade de um futebol mais agressivo em Chapecó e deixou de somar três pontos que podem ser motivo de choro no final da competição.


Luxo e empréstimos. Anfitrião inglês da seleção lembra clubes brasileiros
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CT do Tottenham usado pelo Brasil Foto: Ricardo Perrone/UOL

Instalações modernas e luxuosas, estouro orçamentário, conta enorme para pagar, empréstimos bancários, juros, falta de naming rights, propriedades e receitas dadas como garantia e renegociação de dívida. Esse cenário familiar aos clubes brasileiros que construíram estádios recentemente é também o enfrentado pelo Tottenham, anfitrião da seleção brasileira em Londres antes da Copa do Mundo da Rússia.

O clube inglês está finalizando a construção de um novo e luxuoso estádio para ser usado já na próxima temporada (2018/19). Além disso, ergueu recentemente em seu CT o hotel inaugurado pelo time de Tite.

O peso da conta e as semelhanças com casos brasileiros aparecem no balanço do exercício fiscal encerrado no fim de junho de 2017, o último disponível no site do Tottenham. Mas há uma importante diferença em relação à maioria dos brasileiros donos de novas arenas. No caso inglês, tanto torcedores como jornalistas não enxergam grande risco de a dívida não ser paga.

“O projeto (do novo estádio) é sustentável, a menos que o Tottenham seja rebaixado (na Liga da Inglaterra), o que parece altamente improvável”, disse ao blog, por e-mail, Kieran Maguire. Ele é professor de contabilidade da Universidade de Liverpool e membro do Grupo da Indústria do Futebol.

A primeira semelhança está no estouro orçamentário. Ao lançar o projeto, o grupo dono do clube avaliou o custo da nova arena em 400 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 2 bilhões). De acordo com a imprensa inglesa a conta já chegou a 800 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 4 bilhões).

Só em abril de 2017, o balanço do Tottenham registra empréstimos de 400 milhões de libras esterlinas com três bancos para serem pagos até 2022. Para a operação ser concluída foram dadas como garantia ações da empresa ligada ao clube e de outra vinculada ao novo estádio. Também foi feita uma hipoteca.

Em 2015 já tinham sido feitos outros dois empréstimos no valor de 200 milhões de libras esterlinas (por volta de R$ 1 bilhão) com receitas a serem geradas pela nova arena, incluindo bilheteria, dadas como garantias. Porém, segundo o balanço, essa operação já foi paga.

Outro empréstimo de 16 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 83,7 milhões) foi realizado para o dinheiro ser usado na construção do CT escolhido para receber a seleção brasileira e considerado um dos melhores e mais sofisticados da Europa.

O estouro orçamentário lembra o caso da Arena Corinthians. Inicialmente o projeto custaria R$ 400 milhões. O contrato com a Odebrecht foi fechado em R$ 820 milhões e alterado para R$ 985 milhões. Mas a dívida subiu por conta de juros bancários. O alvinegro também hipotecou o terreno em que está a sede do Parque São Jorge, além de repassar integralmente a renda dos jogos para o pagamento do débito.

Há mais de um ano, os corintianos começaram a buscar acordo com a Caixa Econômica Federal para renegociar o pagamento do empréstimo de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES por meio dela.

No caso inglês, pelo menos uma operação bancária foi renegociada. O pagamento de adiantamento de 16 milhões de libras esterlinas, feito pelo banco Investec, foi repactuado e teve seu prazo para quitação prorrogado.

Assim como os corintianos, os administradores do Tottenham carregam o peso dos juros provocados pelos empréstimos referentes à construção de sua nova casa. Os custos do clube inglês com juros bancários subiram de 3,7 milhões (R$ 19,3 milhões) de libras esterlinas em junho de 2016 para 5,1 milhões de libras (R$ 26,69 milhões) na metade de 2017 por conta da quantia emprestada para bancar a obra da nova arena.

Campo pequeno de golf no CT do Tottenham Foto: Ricardo Perrone/UOL

No Brasil, dar terreno em garantia de empréstimos e sofrer com juros não são exclusividades do Corinthians. Para ter o novo Beira Rio, o Internacional precisou dar como garantia parte do terreno. O Grêmio também deu área pertencente a ele para garantir operação financeira relacionada à sua arena e não tem vida fácil para pagar o débito.

Reforços

Assim como a trinca brasileira, logo depois de apresentar seu projeto de um novo lar, o Tottenham e sua torcida passaram a discutir se seria possível investir em alto nível no futebol durante o pagamento da dívida. De cara, a empresa dona do time inglês assegurou que a equipe não se enfraqueceria. E explicou que, a partir da inauguração da nova arena, com capacidade para 62 mil pessoas, o clube terá mais receitas e poderá contratar melhor. O estádio antigo podia receber cerca de 36 mil torcedores.

Entre junho de 2016 e o meio de 2017, as despesas do Totthenham com negociações de atletas subiram de 31,8 milhões de libras esterlinas (R$ 166,4 milhões) para 48,4 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 253,3 milhões). Porém, as receitas justificam os gastos. O clube fechou o período com lucro de cerca de 40 milhões de libras esterlinas (R$ 209,39 milhões). A arrecadação com a venda de ingressos na temporada foi recorde: 306,3 milhões de libras esterlinas (R$ 1,6 bilhão).

“A dívida é administrável, mas o débito relativo aos juros vai reduzir o dinheiro disponível para o ‘manager’ (do  time) contratar, comentou o professor Maguire sobre a situação do Tottenham.

O desafio de pagar as dívidas feitas pela construção das arenas sem enfraquecer suas equipes também aflige Corinthians, Internacional e Grêmio.

E para desatar esse nó o Totthenham esbarra em outra situação conhecida pelos três clubes brasileiros: a necessidade de vender os naming rights de seu estádio. Diferentemente deles, o Palmeiras, por meio da WTorre, negociou a nomenclatura de sua arena com a seguradora Allianz.

“A falta de naming rights (se ela persistir) vai impactar no dinheiro disponível para o ‘manager’ investir em jogadores mais do que no pagamento do débito. O clube terá que se concentrar mais em fazer os pagamentos enquanto a dívida estiver vencendo e isso vai ser prioridade em relação aos assuntos do campo até o débito ser reduzido. Assim sendo, os naming rights são importantes para que o clube dispute vagas na Champions League em todas as temporadas”, analisou Maguire sobre o Tottenham.

Outro assunto que veio à tona no anfitrião da seleção em Londres também passou a ser discutido no Brasil desde a inauguração das novas arenas para a Copa de 2014. A questão é o aumento dos preços dos ingressos e o risco de cada vez mais o acesso da população com menos poder aquisitivo aos jogos ser difícil. Torcedores do Totthenham protestaram com a diretoria do clube por causa dos tíquetes inflacionados, assim com os fãs do Corinthians fizeram recentemente.

Para o especialista inglês ouvido pelo blog, o Totthenham poderia facilmente ter mantido o preço das entradas num patamar mais baixo, mas como há mais gente querendo assistir aos jogos do clube do que assentos disponíveis o aumento foi natural.

Por fim, diferentemente do que acontece com as torcidas de Corinthians, Inter e Grêmio, o professor não vê motivos para os fãs do Tottenham se preocuparem com a dívida relacionada à construção da nova casa. “O aumento da receita com direitos de transmissão juntamente com a capacidade extra de ingressos do novo estádio vão permitir que o clube pague os empréstimos”, disse Maguire.

Colaborou Caio Carrieri, colaboração para o UOL, na Inglaterra


‘Bom mas desgastado’, Guedes é ‘problema a ser resolvido’ pelo Palmeiras
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Muito bom jogador mas que não serve para o Palmeiras neste momento. Assim é definido Róger Guedes pela direção do clube.

A avaliação é de que o meia está desgastado com parte do elenco, torcida e direção. Nesse cenário, a situação do atacante é tratada como um problema a ser resolvido. A solução preferencial é a venda do jogador, mas o negócio mais viável até agora é a troca por empréstimo de um ano com Marcos Rocha, do Atlético-MG.

Apesar de não ter espaço no elenco, Róger é avaliado pelos palmeirenses como um dos atletas mais cobiçados do time no mercado brasileiro. Além do Galo, o Internacional também se interessa por ele. O Fluminense chegou a aceitar Guedes numa negociação que colocaria Gustavo Scarpa no Palmeiras, mas o atleta não quis ir para as Laranjeiras.

O desgaste que torna inviável o aproveitamento do atacante se deu principalmente pela suposta falta de aplicação dele em treinos. Durante o Brasileirão, ele foi cobrado por jogadores e direção por conta dessa análise. Chegou a ser afastado da equipe para passar por uma reciclagem.

A intenção dos palmeirenses é definir o futuro de Róger nesta semana.

 


Cinco casos em que o São Paulo repete grandes rebaixados
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1 – Ídolo no comando

Em julho de 2016, o Internacional apostou em Falcão, um dos maiores ídolos de sua história, como treinador. Menos de um mês depois, ele foi demitido por causa dos maus resultados. No fim do ano, os gaúchos foram rebaixados para a Série B. Em 2017, o São Paulo montou seu planejamento com Rogério Ceni estreando na função de técnico. No início de julho, ele foi despedido por conta do risco de rebaixamento. Porém, com Dorival Júnior, a equipe segue ameaçada e ocupa a penúltima posição do Brasileiro.

2 – Crise política e caso policial

A queda do Corinthians para a Série B em 2007 foi precedida por um dos períodos mais turbulentos nos bastidores do clube. Acuado por denúncias, como a acusação de uso de notas fiscais frias em sua gestão, Alberto Dualib renunciou ao cargo em setembro. O rebaixamento aconteceria em dezembro. O São Paulo enfrentou a renuncia de um presidente (Carlos Miguel Aidar) em 2015, após denúncias de irregularidades. A saída do dirigente não significou calmaria. No mês passado, por exemplo, a pedido da diretoria, o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) abriu inquérito para apurar a suposta comercialização irregular de ingressos e camarotes para shows do U2 e de Bruno Mars no Morumbi. As suspeitas culminaram com a demissão por justa causa do gerente de marketing Alan Cimerman, que nega as acusações.

3 – Estrangeiros na berlinda

Esperança da torcida do Palmeiras, Valdivia foi um dos jogadores mais cornetados na campanha do rebaixamento para a Série B em 2012. Lesões, seu comportamento fora de campo e a acusação de falta de comprometimento compuseram o cenário que fez o chileno ser detonado nas arquibancadas e por cartolas. Hoje, a crise são-paulina tem o peruano Cueva como um dos personagens. Ele também é acusado por dirigentes e parte dos companheiros de não estar comprometido como deveria com a equipe e tem seu preparo físico questionado.

4 – Desentendimentos entre atletas

Enquanto tentava evitar o rebaixamento em 2012, o palmeiras sofria internamente com o confronto entre Marcos Assunção e Valdivia. Em 2015, durante entrevista ao “Diário de S.Paulo”, assunção disse que chegou a dar um soco no chileno após uma discussão, além de fazer uma série de críticas ao ex-companheiro, rebatendo afirmações dele dadas ao “Estado de S.Paulo”. Nos último dias, o São Paulo viveu turbulência por conta de troca de farpas entre Rodrigo Caio e Cueva, que nesta segunda pediu publicamente desculpas ao zagueiro.

5 – Time grande não cai

“O Inter não vai cair”, disse Fernando Carvalho, então vice de futebol do colorado em setembro de 2016. No final do ano, seu clube caiu para a segunda divisão nacional. “Venho afirmar mais uma vez e garantir: não tem hipótese de rebaixamento do Vasco”, declarou Eurico Miranda em julho de 2015. A temporada terminou com a agremiação presidida por ele de volta à Série B. Na última segunda, foi a vez de Cueva decretar: “o São Paulo é grande, não vai cair.”

 

 


Opinião: torcida do Inter é a que mais tem motivos para se preocupar
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O risco do São Paulo de ser rebaixado, o milionário elenco palmeirense que não decola, a irregularidade do também caríssimo time do Flamengo. Todos esses clubes dão dores de cabeça aos seus torcedores, mas nenhum tanto quanto o Internacional. Entre as maiores torcidas do país, a colorada é a que tem o principal motivo de preocupação neste momento na opinião deste blogueiro.

Não só pelo sexto lugar na Série B, fora da zona de acesso à elite, mas pela falta evolução do time e ainda mais por não existir hoje perspectiva de um futuro decente.

Conquistar o título da Segunda Divisão é obrigação por conta a diferença de orçamento entre o Inter e seus adversários. Subir em quarto lugar, por exemplo, pode ser considerado um pequeno vexame. Não voltar ao Brasileirão em 2018 seria um fiasco maior ainda do que a queda.

Porém, mesmo que o Colorado suba, o cenário não é dos mais animadores para o próximo ano. Não se vê no Internacional um planejamento que possa ter continuidade na elite. Guto Ferreira pena para permanecer no cargo hoje e, mesmo que consiga se firmar e reconduzir o time à Série A, parece improvável que a diretoria aposte nele para a próxima temporada. Ou seja, a tendência é que o Inter tem comece do zero no ano que vem, o que representa a expectativa de mais sofrimento. E isso no melhor cenário possível, o de retorno à principal divisão do país.

Faltou aos dirigentes do Inter ousadia. Principalmente no que diz respeito ao comando técnico. Antônio Carlos Zago e Guto Ferreira dificilmente seriam escolhidos para treinar o time se o clube estive na Série A. Um treinador de ponta provavelmente teria feito a diferença.

Em termos comparativos, o Corinthians contratou Mano Menezes, que poderia comandado um clube de ponta na Série A, para jogar a Segundona de 2008. Foi campeão da Série B sem sustos e vice-campeão da Copa do Brasil. No ano seguinte,  ganhou a principal competição nacional disputada no sistema de mata-mata. O alvinegro pensou não só em subir, mas em retomar a trajetória condizente com sua tradição.

Por sua vez, o Inter parece ter se preparado para fazer o mínimo. E até aqui nem isso tem feito. O clube ficou estagnado. Não basta subir. É preciso voltar com força para disputar títulos de expressão na volta à elite. A falta dessa perspectiva de rápida retomada de crescimento é o que mais deve preocupar os colorados hoje.


Sem Valdívia, Andrade soma 3 ‘desastres’ em 4 meses e sofre mais críticas
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O desfecho da tentativa do Corinthians de trocar Giovanni Augusto por Valdívia se somou às operações frustradas envolvendo Drogba e Pottker e aumentou as críticas de conselheiros da oposição ao presidente do clube, Roberto de Andrade. São três negociações consideradas desastrosas pelos críticos do dirigente em quatro meses.

Oficialmente, a direção corintiana não descarta ainda trazer o atacante colorado, porém, a chance é pequena. Sem uma troca, as partes teriam que chegar a um acordo para pagamento pelo empréstimo.

Na transação relacionada a Valdívia as queixas são de que o presidente expôs Corinthians, Internacional e os dois jogadores.

Uma das principais reclamações de oposicionistas é de que ao telefonar para o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, para saber se o concorrente queria Valdívia, o corintiano assumiu o risco de a conversa vazar e seu clube ser ridicularizado nas redes sociais por rivais, o que acabou acontecendo.

Para os descontentes, o cartola deveria ter ido até Porto Alegre e se empenhado para fechar o negócio sem se preocupar em falar com o palmeirense.

Outro motivo de insatisfação é a nota oficial divulgada pelo Corinthians para explicar que o negócio não deu certo. Nela, o clube paulista diz que foi procurado pelos gaúchos que ofereceram Valdívia e que após conversa entre Giovanni Augusto e a diretoria corintiana ficou acertado que ele não seria transferido. Os problemas apontados são que o alvinegro, com autorização de seu presidente, foi deselegante com o Inter, podendo ter criado um constrangimento entre o Colorado e seu atleta. E que também deixou Valdívia vulnerável ao descontentamento dos torcedores do Inter, pois ficou entendido que ele queria trocar de equipe. Ao mesmo tempo, apesar de afirmar que a decisão foi conjunta, ficou para a Fiel a certeza de que Giovanni não quis se mudar. Então, ele passou a enfrentar a ira da torcida corintiana. Em grande parte, ela desejava a negociação.

No resumo dos críticos, o Corinthians conseguiu perder Valdívia e Giovanni ao mesmo tempo, já que o jogador do alvinegro  deu sinais de não ter ficado contente com a movimentação e agora tem um clima péssimo com os torcedores para continuar no clube.

A atuação do presidente foi comparada com a participação dele na tentativa de trazer Drogba. Na ocasião, virou motivo de chacota entre torcedores adversários o fato de ele ter assinado nota no site do clube com o título “Valeu, Drogba”, agradecendo ao marfinense, que recusou a proposta corintiana. Além disso, no início das conversas, o clube tratou com um intermediário que não era o representante principal do atleta e houve ataques do próprio diretor de futebol, Flávio Adauto, à negociação, que não era comandada por ele.

Andrade não participou diretamente do fracasso nas tratativas com a Ponte Preta para ter Pottker, mas o fato foi lembrado agora porque a negociação também estava avançada e fracassou. Na oportunidade, o problema foi que todos os detalhes da contratação foram acertados para que o jogador fosse para o Corinthians após o Campeonato Paulista. Mas, pouco antes da estreia dele na Copa do Brasil pelo time de Campinas, a equipe da capital exigiu que o atacante não jogasse para poder defender o futuro clube na competição. A exigência não foi aceita e o trato acabou desmanchado.

O blog não conseguiu falar com Andrade.

 


Opinião: rebaixado, Inter precisa apagar imagem antipática e gastar melhor
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Voltar a jogar a Série A em 2018 está longe de ser a tarefa mais difícil do Internacional na próxima temporada. Pela diferença de receitas que têm em relação aos seus futuros rivais, é impensável que o Colorado não consiga uma das quatro vagas na elite.

Bem mais complicado é racionalizar os gastos do clube e reconstruir sua imagem, abalada por escorregadas de dirigentes.

A comparação com o maior rival, mostra como o Internacional não soube gerir seu dinheiro neste ano. De acordo com dados publicados pelos dois clubes em seus sites, até 30 de setembro, o Inter arrecadou R$ 92,8 milhões a menos do que o campeão da Copa do Brasil e gastou R$ 24,4 milhões a mais.

Em média, o Internacional registrou até setembro, com salários e direitos de imagem de jogadores, comissão técnica e outros funcionários, contando encargos trabalhistas, gastos de R$ 9,5 milhões mensais, o que está longe de ser uma marca digna de time rebaixado.

Gastar menos na montagem do time para a Série B também não será problema, porém o trabalho dos cartolas é preparar um esqueleto de elenco com melhor custo-benefício para o retorno à elite.

Também será necessário um plano para tirar do Inter o carimbo de equipe antipática que ganhou graças ao discurso desesperado de seus cartolas e jogadores. Eles deixaram a impressão de que estavam dispostos a aproveitar a tragédia com a Chapecoense para melar o campeonato e evitar a queda.

A falta de habilidade dos dirigentes transformou o time que a todo instante se diz vítima de armação em 2005 em vilão, odiado por grande parte das torcidas. Isso pode afastar patrocinadores e tem potencial para tornar mais difíceis os jogos como visitante.

Outro trabalho colorado será não demitir treinador porque a torcida pegou bronca dele. Na Série B, essa missão não é tão complicada, pois os resultados tendem a ser favoráveis desde o início, mas a lição do que a troca de técnicos ao gosto dos torcedores fez com o time precisará ser lembrada no retorno à elite.