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Juiz dá prazo para CBF exibir ata, e MP não deve conseguir evitar pleito
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A Justiça do Rio de Janeiro se manifestou nesta quarta sobre processo no qual o Ministério Público pede o afastamento da atual diretoria da CBF. O juiz Bruno Monteiro Ruliere, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, deu cinco dias para a confederação apresentar ata de assembleia que é contestada pelo MP.

A decisão não foi bem recebida pelo Ministério Público, pois dificulta que o órgão consiga evitar a eleição para presidente da confederação marcada para o próximo dia 17. O prazo dado pelo juiz deve contar apenas dias úteis. Além disso, o magistrado ainda precisará de tempo para analisar a ata e tomar sua decisão.

O promotor Rodrigo Terra entrou com a ação no final de julho do ano passado por entender que a assembleia responsável por mudar regras eleitorais da entidade, em 23 de março de 2017,  foi irregular. Isso porque os clubes não foram convocados para ela. A reunião deu peso maior de voto para as federações, praticamente impedindo os times de lançarem um candidato com chances de vitória.

Alegando descumprimento do Estatuto do Torcedor, por haver no entendimento dele transgressão ao princípio da transparência, Terra pediu liminar para afastar a diretoria da CBF até a decisão definitiva da Justiça. Também solicitou a anulação da assembleia, porém nenhuma dessas decisões foi tomada. O juiz alegou que a ata da assembleia contestada não consta dos autos, assim, estipulou prazo para a confederação apresentar o documento.

Depois de a CBF marcar a próxima eleição para 17 de abril, o promotor fez novo pedido para a Justiça. Solicitou que  ao menos fossem suspensas as mudanças estatutárias para que a eleição não acontecesse com regras contestadas. Dessa forma, o prazo dado para a confederação mostrar a ata da assembleia desagradou ao promotor.

“Com essa decisão, a Justiça não vai ter sido capaz de evitar um dano ainda maior, que é a realização de uma eleição com base em um estatuto alterado de maneira irregular. Isso depois de o processo ficar mais de um mês para a conclusão”, declarou Terra ao blog.

A CBF nega ter havido irregularidade na assembleia e afirma que os clubes não foram chamados por se tratar de uma reunião administrativa.

Na semana passada, o blog tentou entrevistar o juiz Ruliere. No entanto, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que ele não poderia falar porque o processo estava concluso para análise do pedido de liminar. “Segundo o juiz, a decisão será proferida o mais breve possível, observando, contudo, que a complexidade da matéria e a sensibilidade do tema exigem um tempo maior de análise da questão”, informou a assessoria na ocasião.

O novo presidente da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem, quando começará seu mandato. O estatuto da entidade permite que a eleição ocorra com um ano de antecedência.

Diante do risco de levar uma longa suspensão da Fifa por causa de acusações de envolvimento em atos de corrupção, Marco Polo Del Nero desistiu de se candidatar. Ele está suspenso temporariamente pela Fifa enquanto aguarda a decisão da federação internacional sobre seu futuro. O cartola nega ter praticado crimes.

Del Nero fez uma costura política que assegurou a seu homem de confiança, Rogério Caboclo, atual CEO da CBF, ser candidato único do pleito. Não sobraram oito federações, número mínimo de apoios exigido, para o lançamento de uma chapa concorrente. Também é preciso o aval de cinco clubes.

Pelo caminho, ficou Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista e que sonhava em ocupar o posto máximo da confederação.

 

 


Torcedor acusado de revenda ilegal de ingresso aciona Corinthians e perde
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Em primeira instância, a Justiça julgou improcedente pedido de indenização feito por um torcedor contra Corinthians e Omnigroup, empresa que cuida do sistema de venda de ingressos de partidas do time. O caso é curioso porque o autor do processo é acusado de revender bilhetes para as partidas do alvinegro. Mesmo assim, alega ter direito a ser indenizado em R$ 5 mil pelas duas partes.

Carlos Henrique Antonialle Moreira acionou a 1ª Vara Cível de Casa Branca (SP) para pedir a indenização. Ele alega que organizou uma excursão para assistir ao jogo entre Corinthians e Vitória em 19 de agosto do ano passado. No processo, Moreira afirma que comprou cinco ingressos e cedeu quatro para amigos, mas que ao chegar à Arena Corinthians não conseguiu retirar os bilhetes por suposta falha de segurança no site. Então, comprou entradas de cambistas.

Passado o dia do jogo, ele declara que em telefonema para resolver o problema foi informado de que sua conta e seus ingressos tinham sido bloqueados porque ele teria atuado como cambista, oferecendo seus tíquetes a outros torcedores pelo Facebook. O corintiano nega a acusação, sustentando que só repassou os ingressos para amigos com o intuito de diminuir as despesas da viagem.

Além dos R$ 5 mil, o torcedor pediu a restituição de R$ 78,56 referentes à locação de uma van e às despesas com pedágio. Esse pedido também foi negado pelo juiz José Alfredo de Andrade Filho.

Em sua defesa, o Corinthians alegou que Moreira frequentemente oferece em redes sociais transporte para os jogos do time e ingressos em valores “oficialmente comercializados pelo clube”. Os advogados alvinegros também informam que a revenda pelo mesmo preço ou por quantia superior sem autorização é vedada pelas regras de comercialização dos bilhetes e que tal prática configura “cambismo”. Sustentam que a agremiação não cometeu ato ilícito, assim não existem danos materiais e morais. O clube informa que um dia antes do jogo os bilhetes já estavam cancelados e com previsão de estorno do dinheiro.

Por sua vez, os advogados do Omnigroup declararam que Moreira constantemente monta caravanas e revende ingressos para os jogos por valores superiores em relação aos cobrados pelo clube.

Em sua decisão, o juiz concordou com a tese de que o Corinthians e a empresa “não praticaram qualquer ato ilícito capaz de gerar o dever de indenizar”. Ele também concluiu que o cancelamento dos ingressos não foi arbitrário porque a revenda sem autorização do clube é proibida pelas regras de comercialização dos tíquetes. Moreira pode recorrer.

 


CBF decide fazer eleição em abril, e Justiça fica mais pressionada
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Rogério Caboclo, atual diretor-executivo da CBF, deve ser eleito presidente da entidade já em abril. A confederação decidiu fazer a eleição no mesmo dia em que fará uma assembleia para aprovar as suas contas. Assim, já aproveitará a presença dos dirigentes, evitando novo deslocamento. A data do pleito, no entanto, ainda não foi definida oficialmente.

Pelo estatuto da CBF, a eleição poderia acontecer até abril do ano que vem, quando o novo mandatário tomará posse. Porém, foi escolhido o mesmo mês em que a Fifa definirá se pune definitivamente Marco Polo Del Nerto, suspenso preventivamente por atos de corrupção negados por ele.

A decisão de definir o próximo presidente em abril aumenta a pressão para a Justiça do Rio de Janeiro resolver em primeira instância se concede liminar para anular as últimas mudanças estatutárias na entidade e afastar toda a diretoria atual até o caso ser julgado definitivamente.

Como mostrou o blog, o promotor Rodrigo Terra, autor da ação, e o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), responsável por acionar o Ministério do Público, cobram celeridade do juiz Bruno Monteiro Ruliere, que é quem cuida do processo agora. A ação foi distribuída em julho de 2017, mas ainda não houve resolução sobre a liminar.

Promotor e parlamentar alegam que se a decisão não for tomada antes da próxima eleição, o pleito acontecerá com regras contestadas na Justiça.

Terra entrou com a ação porque a CBF mudou seu estatuto numa reunião sem a presença dos clubes. As agremiações nem foram avisadas sobre a assembleia que aumentou o peso do voto das federações. O representante do MP alega que, como as agremiações não foram convocadas para discutir a mudança, houve falta de transparência e descumprimento do Estatuto do Torcedor.

Pelas normas antigas, votavam as 27 federações e os 20 clubes da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. Agora, o de cada federação tem peso 3. Os dos clubes da Série A valem 2. Já a indicação de time da Segunda Divisão possuem valor unitário.

No novo formato, mesmo estando em menor número, as federações continuam ganhando se votarem em conjunto. É o que deve acontecer em abril. Após articulação de Del Nero, a maioria das entidades estaduais se comprometeu a votar em Caboclo, seu homem de confiança. Não sobraram oito federações para apoiar outro candidato, como exigem as regras. Também é necessário o aval de cinco clubes. Desta forma, Caboclo deverá ser candidato único.

 

 


Manobra de Del Nero vira argumento a favor de ação contra CBF
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A última manobra de Marco Polo Del Nero dá mais força para ação na Justiça contra a CBF. Isso no processo em que  é requerida a anulação da mudança estatutária responsável por dar peso maior aos votos das federações nas eleições da entidade. Também é pedido o afastamento da atual diretoria. Essa é a avaliação do promotor Rodrigo Terra e do deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ).

O parlamentar fez no ano passado uma representação ao Ministério Público e, em seguida, o promotor entrou com a ação.

Na última quinta, Del Nero, suspenso preventivamente pela Fifa por suspeitas de corrupção, articulou o apoio da maioria das federações a seu preferido para sua sucessão, o diretor executivo Rogério Caboclo. Não sobraram federações disponíveis para que outro candidato consiga disputar o pleito. São necessários os apoios de oito instituições estaduais e cinco clubes. Os representantes dos times nem foram chamados para as reuniões.

Promotor e parlamentar entendem que a jogada de Del Nero reforça os argumentos de que a diretoria precisa ser afastada e a mudança estatutária anulada.

“Na ação já mostrávamos que isso podia acontecer. Agora esse episódio prova que o estatuto da CBF se transformou num chancelador da vontade de quem está no poder. Por isso, é ainda mais importante que a Justiça tome uma posição rapidamente”, declarou Terra ao blog.

“Essa escolha do sucessor do Del Nero é a prova da prepotência da CBF. Eles não esperaram nem a Justiça decidir (sobre as novas regras para a eleição)”, afirmou Leite.

A ação com pedido de liminar para o afastamento imediato dos cartolas e a suspensão dos efeitos da alteração no estatuto foi distribuída em 25 de julho de 2017, mas até agora não houve decisão.

Tempo é algo que o juiz Bruno Monteiro Ruliere não tem, caso queira evitar que a situação se complique mais ainda. Isso porque, conforme apurou o blog, a CBF pretende marcar a eleição presidencial para o próximo mês com as regras que são contestadas na Justiça. O estatuto permite que o novo presidente seja eleito agora e só tome posse no ano que vem, quando começa o novo mandato.

“Pedimos a liminar porque sabíamos que algo assim poderia acontecer. Por isso é importantíssimo que uma decisão seja tomada rapidamente”, afirmou o promotor.

Marco Polo agiu num momento em que a Fifa está prestes a decidir seu futuro. Até o próximo dia 15 a entidade deve anunciar o resultado de seu julgamento. Se o cartola for banido definitivamente ou levar um longo gancho, terá a tranquilidade de saber que um dirigente obediente a ele assumirá o comando da CBF. Del Nero nega ter cometido atos de corrupção.

Caso a Justiça determine a suspensão da mudança estatutária antes da próxima eleição, os clubes passariam a ter maior poder. Antes da alteração, votavam as 27 federações e os 20 times da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. A alteração colocou os 20 clubes da Série B também no colégio eleitoral. Porém, para manter as entidades estaduais com mais poder, a CBF ampliou o peso delas para 3. Os votos dos times da Série A tem peso 2. Os da Segunda Divisão possuem valor unitário. Ou seja, se todas as federações votarem em conjunto, jamais serão derrotadas.

Caso opte pela suspensão da alteração, porém, a Justiça não mudará o fato de que o acordo costurado por Del Nero coloca Caboclo como candidato único. O estatuto antigo previa o mesmo número mínimo de apoios necessários para o lançamento de chapas.

A mudança estatutária aconteceu em assembleia sem a presença dos representantes dos clubes. Alegação foi de que se tratava de uma reunião administrativa, o que dispensaria a exigência de convocação das agremiações. Terra, no entanto, entende que houve falta de transparência e consequente desrespeito ao Estatuto do Torcedor, por isso entrou com a ação. Já a CBF diz que não houve ilegalidade.

 


Como Corinthians e Odebrecht tentam reverter decisão sobre dívida por arena
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No último dia 22, Corinthians e Odebrecht deram o primeiro passo para se defenderem da sentença na qual a Justiça Federal do Rio Grande do Sul determinou o pagamento imediato da dívida com a Caixa Econômica referente  ao financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES

As duas partes apresentaram embargos declaratórios (instrumento jurídico que pede esclarecimentos sobre determinado ponto da senteça). A alegação é de que juíza Maria Isabel Pezzi Klein não teria levado em consideração na sua decisão um laudo de avaliação atualizado dos terrenos da sede corintiana dados como garantia de pagamento do empréstimo.

O documento citado por Corinthians e Odebrecht  mostraria que os dois terrenos em que ficam a sede do clube e o estádio do Parque São Jorge são suficientes para cobrir o valor da dívida. Há também outras garantias dadas pela Odebrecht.

A intenção é fazer com que a juíza leve em consideração o laudo citado nos embargos e que com base nele altere sua decisão desistindo de pedir o pagamento antecipado. Caso a decisão seja mantida, clube e Odebrecht irão recorrer em segunda instância.

Em trecho da sentença, Maria Isabel argumenta que imóveis sofrem depreciações com o tempo, enquanto os juros do financiamento aumentam constantemente o valor do débito. Assim, ela conclui que as duas propriedades corintianas valiam suficientemente para cobrir o financiamento de R$ 400 milhões em 2013. Mas que a hipoteca delas não deve bastar para quitar o débito atual.

No processo, a juíza faz referência a um laudo de avaliação dos imóveis apresentado pela Caixa em junho de 2017 mas com data base de 24 de maio de 2013.  O documento avalia a área em que está o estádio Parque São Jorge em R$ 193 milhões. Já o terreno da sede social do Corinthians aparece com valor de R$ 222 milhões. Os dois juntos, então, atingiam na ocasião R$ 415 milhões. No processo, a dívida é calculada em cerca de R$ 475 milhões, apesar dos pagamentos já efetuados. O aumento se deve a juros e a um período de inadimplência.

Durante a ação, o Ministério Público Federal chegou a pedir a reabertura do prazo para a apresentação de provas a fim de que uma nova avaliação dos imóveis fosse feita. O pedido foi negado pela juíza.


Perícia particular descarta indícios de fraude em eleição corintiana
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Laudo particular preparado por cinco peritos atesta que não existem sinais de manipulação de resultado na eleição corintiana, que terminou com Andrés Sanchez eleito para um novo mandato. Paulo Garcia, segundo colocado na votação, acionou na Justiça a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelo sistema eletrônico usado no pleito, por suspeitar de irregularidades.

“Não há indícios de fraude ou alteração por meio técnico do sistema de urna”, diz o documento elaborado pelos especialistas Leandro Morales Baier Stefano, Marcelo Nagy, Leonardo Nery, Jayme Paiola e Joaquim Gomes Vidal. A equipe trabalhou na fiscalização da eleição como representante de Antonio Roque Citadini, terceiro colocado e que encomendou o laudo.

Garcia entrou na Justiça principalmente porque um código existente para assegurar que não houve violação apareceu diferente no final do pleito em relação ao registrado antes da votação. Mas o parecer obtido pelo blog relata que a perícia aponta que não houve alteração de “hash’, como é chamado o código, uma espécie de impressão digital do arquivo.

“O confronto de ‘hash’ diferentes identificado foi um erro operacional do técnico da empresa Telemeeting, que no momento final da apuração de votos não pôde ser corrigido devido à confusão generalizada (tentativa de agressão a Andrés) ocorrida no local do pleito”, dizem os peritos no relatório.

Os especialistas questionaram a empresa sobre a diferença de códigos. Em resposta anexada ao laudo, ela informou que houve uma falha técnica que fez ser apresentado aos fiscais um código diferente. A perícia feita pelos especialistas por meio de uma técnica chamada engenharia reversa confirmou a versão da Telemeeting e afastou suspeita de manipulação.

“Só não podemos dizer se votou só quem deveria votar. Não fizemos controle de associados porque nosso trabalho foi técnico, apenas na parte de informática”, afirmou ao blog o perito Stefano.

Com o resultado da perícia, Citadini não deve ir à Justiça contra a Telemeeting ou para contestar de alguma forma o resultado do pleito.

Apesar de não encontrarem indícios de fraude, os peritos registraram no parecer críticas ao sistema usado. Entre elas está o uso de internet por rede sem fio, que segundo o relatório é inseguro. “É possível atacantes tentarem o acesso ao servidor de banco de dados”, afirma parte do documento.

Outra fragilidade apontada foi a falta de criptografia completa dos dados para dificultar o acesso de pessoas estranhas ao processo, o que reduziria o risco de fraudes.

Os peritos também entenderam que a equipe de técnicos da empresa e seus computadores deveriam ter ficado em um local mais seguro durante a votação.

Procurado, Andrea Mosiic, diretor da Telemeeting, disse que não poderia se pronunciar conforme orientação de seu advogado.

Vale lembrar que esta perícia não tem nada a ver com o processo na Justiça.

Abaixo veja parte da conclusão dos peritos.

 

 

 

 


Juíza vê indício de fraude e pede mais investigação sobre Arena Corinthians
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Para a juíza federal Maria Isabel Pezzi Klein há indícios de fraude na operação de repasse de R$ 400 milhões do BNDES via Caixa Econômica para a construção da Arena Corinthians que precisam ser investigados por outros órgãos. Ela também pede que os financiamentos feitos às demais arenas da Copa-14 sejam alvos de investigações.

A afirmação faz parte da decisão judicial que determina que Corinthians, Odebrecht, a SPE Arena Itaquera S/A e Jorge Fontes Hereda, ex-presidente da Caixa, quitem dívida referente a R$ 400 milhões financiados para o estádio corintiano. O valor do débito deve ser acrescido de juros. A magistrada do Rio Grande do Sul determina que a Caixa tome todas as providências para ser ressarcida. Vale lembrar que uma série de garantias foi dada para o pagamento. Entre elas, estão dois terrenos em que fica o Parque São Jorge, sede do Corinthians. O contrato prevê que a área pode ser hipotecada pela Caixa em caso de inadimplência.

As partes envolvidas negam irregularidades e vão recorrer (leia as notas de Odebrecht e Corinthians no final do post).

Em trecho da decisão, a juíza diz que detectou na operação “a existência de fortes indícios de práticas fraudulentas feitas sob a aparência de uma contratação formalizada. Tais evidências e indícios, no entanto, deverão – e assim espero – ser devidamente investigados pelas autoridades competentes para o combate à macrocriminalidade.  As autoridades competentes (MPF, TCU, Polícia Federal), por certo, não se restringirão às irregularidades relativas a esta contratação (referente à Arena Corinthians), mas de todo o programa governamental denominado BNDES Pró Copa Arenas 2014”.

Ela explica que outras instituições devem fazer as novas investigações, pois elas extrapolariam o objeto da ação popular em questão.

Uma das falhas apontadas por Maria Isabel no caso do estádio alvinegro é a falta de concorrência para definir a construtora que faria a obra. A juíza argumenta que a Odebrecht já tinha construído boa parte da arena quando o financiamento foi liberado. Por meio de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) a verba de origem de um banco público acabou beneficiando a Odebrecht, que recuperou parte dos seus gastos com a obra e criou a empresa com o Corinthians.

“Nessa linha, se acaso fosse possível imaginar uma política pública que justificasse financiamentos para construções ou reformas de estádios de futebol pertencentes às empresas privadas, o mínimo que deveria ter sido respeitado seria um amplo certame que identificasse quais seriam as construtoras e empreiteiras que se habilitariam com as melhores propostas”, afirma trecho da decisão judicial. A magistrada também argumenta que o que ocorreu na preparação para a Copa foi um direcionamento  para determinadas construtoras. No caso da arena corintiana, para a Odebrecht.

Ela ainda sustenta que a empresa criada não é de fato uma SPE. Ou seja, teria havido apenas uma simulação para conseguir o financiamento sem garantias concretas de que a Caixa receberia o dinheiro. Maria  Isabel usa úmeros para defender que o modelo de negócio não era viável. De acordo com informação constante no processo, em 8 de maio de 2017, tinham sido pagos cerca de R$ 59,2 milhões dos R$ 400 milhões. Dessa verba, R$ 14,69 milhões foram usados na dívida principal e o restante para quitar juros.

O período de inadimplência de Corinthians e Odebrecht em relação ao financiamento também faz parte da argumentação.

Abaixo, veja as notas enviadas ao blog por Corinthians e Odebrecht sobre a decisão.

“O Sport Club Corinthians Paulista reafirma a lisura e a regularidade jurídica do processo de financiamento efetuado para a construção da Arena Corinthians. Entre as diversas provas presentes nos autos, destaca-se que o próprio banco repassador, Caixa Econômica Federal, e o Tribunal de Contas da União se manifestaram pela regularidade do repasse, apresentando pareceres consistentes e inequívocos. Sendo assim, o Corinthians informa que fará uso dos recursos judiciais cabíveis para reverter a decisão de primeira instância”.

 

“A Construtora Norberto Odebrecht S/A lamenta a informação, pois ficou demonstrado nos autos do processo a plena legalidade do processo de financiamento para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, por meio do programa Pró Copa Arenas. A Odebrecht, que é parte na ação popular, apresentará os devidos recursos nas instâncias superiores após a intimação formal e ciência da íntegra da decisão.”

 

 


Opinião: eleição mostra que Corinthians é maior adversário dele mesmo
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Os problemas envolvendo a eleição presidencial corintiana ilustram de maneira exemplar como muitas vezes em sua história o Corinthians teve ele mesmo como seu principal adversário. Interesses pessoais ou de grupos políticos são colocados acima do que é melhor para o clube, que sangra.

As lambanças na eleição geraram pelo menos seis ações na Justiça, além de uma representação no Ministério Público e outra na receita federal. O alvinegro sai do processo eleitoral com a imagem abalada e até sem saber se o resultado anunciado na votação corresponde à realidade. O clima de desconfiança em nada ajuda uma instituição que busca patrocinadores e tem uma dívida superior a R$ 1 bilhão pela construção de seu estádio para pagar.

Os problemas começaram com a injustificável decisão da diretoria de dar desconto de 50% para os associados inadimplentes regularizarem suas situações. A promoção foi cancelada pela comissão eleitoral com o argumento de que o estatuto veta qualquer tipo de anistia a partir de 12 meses antes da eleição. A correria de candidatos para colocar associados em dia foi vista pela comissão como tentativa de compra de votos. Mais um tiro na imagem corintiana.

O mau cheiro aumentou com o envolvimento do empresário Carlos Leite no episódio. Como revelou o blog, recibo de devolução de dinheiro indica que ele enviou R$ 200 mil para o clube quitar taxas de sócios inadimplentes. A comissão eleitoral enviou a papelada da operação para Ministério Público e Receita Federal.

O golpe de misericórdia veio com as suspeitas de que irregularidades no sistema de votação podem ter adulterado o resultado do pleito. Paulo Garcia acionou na Justiça a Telemeeting Brasil, responsável pelas urnas eletrônicas alegando irregularidades. A empresa nega a possibilidade de ter havido manipulação do resultado.

Segundo colocado na eleição, Garcia não deve ser condenado pelo corintiano por ter recolocado o clube num noticiário indesejado. Ele está certo em buscar a Justiça se acredita ter sido prejudicado. Errados estão todos os que contribuíram para o lamaçal que cobriu a eleição. O dono da Kalunga tem sua parcela de culpa por ter financiado o pagamento de taxas para sócios inadimplentes.

O conjunto da obra eleitoral mostra que ninguém prejudica mais o Corinthians do que diretores, conselheiros e sócios que contribuem para fazer o clube passar vergonha. Nem o mais maldoso dos palmeirenses seria tão eficiente na missão de fazer mal ao alvinegro.


Suspeita em eleição coloca em xeque plano de Andrés para imagem corintiana
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Durante sua campanha para voltar à presidência do Corinthians, Andrés Sanchez colocou como importante meta resgatar a credibilidade do clube, abalada na opinião dele. A estratégia é gerar notícias positivas que ajudem a atrair patrocinadores a fim de aumentar as receitas do clube. Porém, logo na primeira semana de trabalho da nova diretoria, esse plano foi colocado em xeque com ação proposta na Justiça pelo opositor Paulo Garcia. Segundo candidato mais votado, ele acionou criminalmente a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelas urnas eletrônicas usadas no pleito, alegando irregularidades que podem ter alterado o resultado.

Assim, diferentemente do que Andrés planejava, o Corinthians voltou a ficar exposto no noticiário de forma desconfortável. Há na diretoria quem entenda que a suspeita na eleição possa afastar potenciais patrocinadores.

“Toda ruptura da ordem desagradará a classe empresarial. Mas você provando que é mera dor de cotovelo (de quem perdeu a eleição), a situação reverte e bola pra frente”, disse Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano ao blog. Ele respondia se o fato de a eleição ter sido colocada sob suspeita atrapalha seu trabalho no clube.

Um dos maiores desafios do dirigente é negociar os naming rights da Arena Corinthians. A avaliação de dirigentes é de que notícias sobre supostas falhas na construção e obras que não teriam sido realizadas pela Odebrecht prejudicaram a comercialização até aqui. As informações sobre o clube ter dificuldade para quitar o financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES para bancar parte da construção também entram no pacote. A construtora alega ter cumprido o contrato na íntegra.

Nos próximos dias, mais barulho deve ser feito por conta da suspeita na eleição corintiana. Antonio Roque Citadini, terceiro colocado na votação, espera a conclusão de um laudo feito por sua equipe sobre o pleito para decidir se também aciona a Telemeeting judicialmente. A empresa nega irregularidades e possibilidade de manipulação do resultado.

 


Pai de Carlinhos bloqueia cerca de R$ 372 mil do Corinthians por dívida
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Com Pedro Lopes, do UOL em São Paulo

O pai do atacante Carlinhos, juntamente com duas empresas e mais uma pessoa, conseguiu por meio da Justiça bloquear R$ 372.024,15 das contas do Corinthians para pagamento de uma dívida.

A cobrança se refere a oito parcelas de R$ 50 mil cada (com correções) que não foram quitadas e são relativas a 50% dos direitos econômicos do jogador, vindo do Novorizontino. No processo, os credores alegaram que ficou ajustado o pagamento de R$ 500 mil para eles por parte do alvinegro. Porém, só uma parcela de R$ 100 mil foi quitada.

No último dia, 16 a Justiça registriou o bloqueio da quantia e deu cinco dias para a agremiação apresentar impugnação à ordem de penhora. “O Corinthians não vai se manifestar no processo porque o valor cobrado está correto. Assim, essa demanda se encerra”, afirmou ao blog Diógenes Mello Pimentel, um dos advogados do clube.

Além do pai do jogador, estão na ação como autoras as empresas Júnior Souza Esporte e Marketing, I-9 Sports, Gestão, Consultoria e Intermediações de Negócios e o técnico de futebol José Antonio Domingos.