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Arquivo : Lava Jato

Wladimir anuncia candidatura ao conselho do Corinthians pela ‘Lava Jato’
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Wladimir com membros do grupo Lava Jato                                        Foto: Divulgação

 

O ex-lateral Wladimir, ídolo corintiano que atuou entre as décadas de 1970 e 1980, definiu hoje que será candidato ao Conselho Deliberativo do clube na eleição do próximo ano. Ele integrará a chapa do grupo de oposição batizado como Lava Jato, ferrenho crítico da ala comandada pelo ex-presidente Andrés Sanchez.

A decisão foi tomada na noite desta sexta-feira após jantar com integrantes do grupo, entre eles Roberto William Miguel, líder da Lava Jato e conhecido no Parque São Jorge como Libanês.

“Espero que, a partir da eleição, o clube retome uma trajetória incomum, com coisas mais condizentes com nosso ideal. Escolhi a Lava Jato porque é formada por pessoas que têm compromisso de administrar  com transparência e honestidade, que é a palavra que falta hoje ao Corinthians”, disse o ex-jogador ao blog por telefone.

De acordo com Wladimir, ele é sócio do Corinthians desde quando jogava, por isso reúne condições de disputar uma cadeira no Conselho Deliberativo. “Na época da Democracia Corintiana, era um desejo do Sócrates que a gente fosse conselheiro. E nós dois fomos naquela ocasião. Depois saímos e não voltamos mais. Agora resolvi retomar essa postura porque acredito que posso dar minha contribuição, principalmente tendo compromisso com a gestão”, afirmou.

Jogador que mais vezes atuou pelo Corinthians, Wladimir lembrou do ex-presidente Vicente Matheus ao falar sobre sua visão em relação ao clube hoje. “Nós que estamos de fora, ficamos indignados porque as pessoas pensam só nelas mesmas. São do venha a nós, não do vosso reino. Sou dos tempos do Matheus, de pessoas que não tiravam nada do clube. Pelo contrário, botavam dinheiro do bolso.”


Por que é arriscado para o Corinthians um acordo com a Odebrecht agora?
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Como mostrou o UOL Esporte, a Odebrecht pretende chegar a um acordo com o Corinthians para deixar o fundo responsável pela arena do clube. Porém, uma série de fatores torna essa saída arriscada para o alvinegro.

O principal deles é o fato de ainda não ter sido entregue o relatório da auditoria feita pelo escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva. Ela analisa se a Odebrecht cumpriu o contrato na íntegra dos pontos de vista de engenharia e arquitetura.

Pelo esboço do acordo apresentado verbalmente pela construtora a dirigentes alvinegros, a Odebrecht perdoaria parte da dívida do Corinthians e sairia com um prejuízo de R$ 200 milhões, pelas contas dela. Esse é o valor aproximado que outro relatório, produzido pelo escritório de advocacia Molina & Reis, aponta como equivalente ao que a Odebrecht teria deixado de fazer ou que precisa ser refeito no estádio. Só que o documento foi produzido sem os dados do trabalho comandado por Cláudio Cunha, que não ficou pronto a tempo.

Ou seja, com os dois relatórios o resultado pode ser de um valor superior aos R$ 200 milhões. Assim, se aceitar o acordo antes de a conclusão da segunda auditoria ser entregue, o Corinthians corre o risco de não poder cobrar a construtora por montantes superiores aos R$ 200 milhões. A Odebrecht afirma ter cumprido o contrato na íntegra.

Se forem comprovadas as centenas de milhões de reais equivalentes a trabalhos não feitos ou insatisfatórios, a construtora estaria perdoando uma dívida que de fato não existe.

Outra questão é a Lava Jato. Antes do fim das investigações, o clube não pode medir o tamanho de eventuais prejuízos que teve com supostas operações ilegais envolvendo sua arena e seus dirigentes, se elas forem comprovadas. Planilhas do setor de propinas da construtora ligam o estádio a pagamentos irregulares para pessoas ainda não identificadas. Além disso, em sua deleção, Marcelo Odebrecht citou doação por meio de caixa 2 para a campanha a deputado de Andrés Sanchez, segundo a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega o recebimento de dinheiro ilegal.

Assim, conselheiros do clube defendem que nenhum acordo seja assinado com a Odebrecht antes do fim das investigações da Lava Jato.

Outro ponto que gera incertezas para o clube é o fato de a Odebrecht, pela proposta inicial, deixar de ser a garantidora do empréstimo feito pela Caixa junto ao BNDES para financiar a construção. Nesse caso, ela retiraria as garantias que deu ao banco e o clube teria que encontrar outra forma de garantir o pagamento. Só que a Caixa e outros bancos não enxergam com bons olhos garantias dadas por clubes, tanto que a Odebrecht precisou dar as suas.

Por fim, conselheiros corintianos também se incomodam com a possibilidade de a Odebrecht sair do negócio como boa moça, supostamente perdoando parte do débito corintiano, apesar da suspeitas do clube de que ela não cumpriu em 100% o combinado.

 


Presidente do conselho diz a Andrade que Andrés não pode falar pelo SCCP
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Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, repassou a Roberto de Andrade pedido de conselheiros para que ele desautorize publicamente Andrés Sanchez a negociar pelo clube com a Odebrecht. O ex-presidente foi citado em delação na Lava Jato por Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha para deputado federal por meio de caixa 2. Ele nega o recebimento.

 Strenger não se limitou a encaminhar o requerimento. Ele emitiu sua opinião, aumentando a pressão para que o presidente corintiano afaste Sanchez das negociações com a Odebrecht. Entre outros assuntos a construtora propõe sua saída do fundo administrador do estádio, como mostrou o UOL Esporte.

“Aproveito a oportunidade para, igualmente, na qualidade de presidente do Conselho Deliberativo, manifestar minha preocupação em relação as declarações prestadas pelo conselheiro Andrés Sanchez, que não pode, em hipótese alguma, pronunciar-se como se fosse mandatário do SCCP”, escreveu Strenger em sua mensagem para Andrade.

Antes de declarar o que pensa, ele pediu para o presidente corintiano prestar os devidos esclarecimentos, considerado o teor das manifestações dos conselheiros Herói Vicente e Romeu Tuma Júnior. A dupla pediu que fosse determinado que Andrade desautorize publicamente Andrés a negociar com a Odebrecht. A medida foi tomada depois de o ex-presidente dizer ao UOL Esporte que a construtora só se senta com ele para negociar. O pedido foi justificado pelo fato de o ex-presidente não integrar a comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado federal pelo PT-SP à Operação Lava Jato.

Indagado sobre o fato de emitir uma opinião dura para Andrade sobre Andrés, o presidente do conselho disse, em mensagem de texto por celular, apenas que “era necessário”.

Strenger agora aguarda pela resposta do presidente corintiano.


Andrade é cobrado para afastar Andrés de conversas com Odebrecht por arena
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Roberto de Andrade está sendo pressionado a afastar Andrés Sanchez das conversas com a Odebrecht sobre a Arena Corinthians. Um grupo de conselheiros enviou nesta quinta requerimento para o presidente do conselho deliberativo do clube, Guilherme Gonçalves Strenger, para ser encaminhada ao principal cartola alvinegro a determinação de afastamento.

A medida foi tomada após o ex-presidente declarar ao UOL Esporte que a Odebrecht não senta com ninguém do clube para negociar a não ser com ele. Na ocasião, Sanchez sustentava que ainda não há proposta feita pela construtora para se afastar do fundo que administra a Arena Corinthians. Como revelou o UOL Esporte, a empresa quer fazer um acordo para deixar o fundo.  Oficialmente, ela nega tal interesse. A declaração irritou conselheiros de diferentes alas, incluindo gente da situação próxima ao presidente alvinegro.

O requerimento pede que, em virtude da declaração, seja encaminhado ofício para Roberto de Andrade determinando que ele desautorize publicamente Andrés a negociar em nome do Corinthians.

O pedido é justificado pelo fato de o ex-presidente não fazer parte da comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado à Operação Lava Jato.

Segundo a Folha de S.Paulo, Andrés foi citado em delação de Marcelo Odebrecht como recebedor de doação para sua campanha a deputado federal via Caixa 2.

Entre as explicações para o pedido está exposto que, apesar de ter o direito de se aconselhar com quem quiser, Andrade deve se pautar pela moralidade e pela legalidade em suas ações.

No caso de o presidente do conselho entender que a solicitação não faz sentido, é solicitado que ele informe se o deputado federal está autorizado por Andrade a negociar com a Odebrecht pelo clube.

Também é lembrado no documento que ficou estabelecido que tudo referente à Arena Corinhtians seja submetido à comissão criada no conselho. Ela não foi informada sobre o assunto.

Há ainda o temor de que autoridades interpretem a fala de Andrés como coação a Marcelo Odebrecht.

Indignação

O blog não teve acesso à relação de conselheiros que assinaram o pedido, mas conversou com membros do conselho que ficaram indignados com a afirmação do ex-presidente.

“Foi uma declaração de prepotência e arrogância imensuráveis. O deputado não é dono do clube (para falar dessa forma). Salvo engano, ficou a impressão de que ele usou a imprensa para mandar recado para quem o está delatando. O presidente precisa se posicionar publicamente afastando as pessoas que não estão autorizadas a falar pelo clube. Já é notório o prejuízo financeiro e de imagem para o Corinthians mostrados pela Lava Jato”, disse ao ser indagado sobre o assunto Romeu Tuma Júnior, conselheiro oposicionista.

A afirmação de Andrés sobre ser o único com quem a Odebrecht senta para conversar também não caiu bem na comissão do conselho especializada no estádio. Além de pelo menos parte dos membros achar que por causa da Lava Jato Andrés deveria manter distância da Odebrecht, há também o argumento de que a afirmação não representa a verdade. Isso porque integrantes da comissão afirmam que recentemente conversaram com representantes das áreas financeira e de engenharia da construtora.

Entre aliados do presidente corintiano, há a critica de que a declaração desrespeitou Roberto de Andrade, já que Sanchez teria se mostrado superior em relação ao presidente no trato com a Odebrecht.

Andrés não pôde ser ouvido porque não fala com o blog. Andrade não atendeu às ligações.


Corinthians promete apuração na arena após pouco fazer diante de alertas
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Na última quinta, a diretoria corintiana divulgou nota em seu site afirmando o seguinte:

“O Sport Club Corinthians Paulista, tendo tomado conhecimento de trechos da delação do sr. Marcelo Odebrecht que envolvem a Arena Corinthians, vem a público reforçar que quaisquer irregularidades ou desvios de conduta, constatados por autoridades ou não, serão devidamente apurados pelo clube, que tomará todas as providências para resguardar seus direitos e buscar a punição dos responsáveis, bem como diligenciará para garantir que todos os prejuízos causados ao clube e à arena sejam devidamente ressarcidos”.

O comunicado contrasta com a maneira como a direção lidou até aqui com alertas sobre supostas irregularidades e eventuais prejuízos causados ao alvinegro por conta da obra do estádio e pedidos para que questionasse a Odebrecht na Justiça ou em corte de arbitragem.

Na maioria das vezes o clube não reagiu. São inúmeros os relatos de pessoas que fizeram alertas e se sentiram ignoradas pela diretoria.

Em setembro de 2015, Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena, enviou e-mail para Roberto de Andrade alertando o dirigente para a suposta existência de um esquema fraudulento envolvendo o estádio. Ele apontou que o fundo responsável por administrar a arena aceitou relatórios da Odebrecht que atestavam a conclusão das obras um ano antes de a própria construtora declarar os trabalhos encerrados.

O caso foi revelado pelo blog em outubro de 2016. Na ocasião, por meio de sua assessoria de imprensa, Andrade, respondeu que a direção corintiana estava “tomando providências junto aos responsáveis pela gestão da arena”. Isso cerca de um ano após a denúncia ser feita.

Também em 2015, Coutinho apresentou extenso relatório no qual descreveu cenário de caos, desrespeito e descalabro, afirmando que a Odebrecht não havia feito trabalhos previstos em contrato ou realizado outros com baixa qualidade, o que a construtora nega.

Ele ainda listou prejuízos ao Corinthians e pediu imediata apuração dos fatos. Na ocasião, procurado pela Folha de S.Paulo para comentar o relatório, Andrés Sanchez, principal responsável pelo estádio no clube, não quis se pronunciar. Deputado federal pelo PT-SP, ele é citado em planilha entregue pela Odebrecht ao Ministério Público como recebedor de R$ 32,5 milhões em caixa 2 de campanha, de acordo com a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega ter recebido dinheiro de forma irregular.

Nenhuma medida enérgica foi tomada pelo clube após a entrega do relatório feito por Coutinho.

A Odebrecht deu a obra por encerrada em setembro de 2015. Pressionada pelo relatório do arquiteto, a diretoria, então esclareceu que esperaria a conclusão de auditoria que verificaria dos pontos de vista arquitetônico e de engenharia se a construtora cumpriu o contrato. O trabalho dos auditores só começou no segundo semestre do ano seguinte e ainda não foi concluído.

No final de 2016, em novembro, Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians disse que pediria a Andrade que tomasse medidas judiciais contra a Odebrecht. Até agora, a questão não foi levada aos tribunais e nem para a arbitragem.

Em dezembro de 2016, relatório apresentado por comissão de conselheiros do clube destacou desequilíbrio na relação entre Corinthians e Odebrecht. A conclusão foi de que a construtora sempre contou com profissionais altamente especializados para discutir pontos divergentes, enquanto o clube não montou uma estrutura no mesmo nível para enfrentar a empresa quando necessário.

Outro relatório, feito pelo escritório Molina & Reis, concluiu em janeiro de 2017 que a construtora deixou de executar cerca de R$ 200 milhões em obras na arena, fato contestado pela empresa. O clube seguiu aguardando a auditoria técnica.

A diretoria só chegou a endurecer o jogo com a Odebrecht no final de 2016, após novos problemas na arena se tornarem públicos. O Corinthians trocou cartas e notas ásperas com a empresa e chegou a impedir a ação dela na reparação de um dos defeitos, mas depois autorizou o serviço.

Nesse cenário, pelo menos parte das pessoas que fizeram alertas ao presidente corintiano sobre a situação leu com indignação a nota em que ele promete apurar eventuais desvios de conduta.

Na manhã desta sexta, o blog telefonou para Andrade, mas ele não atendeu à ligação.


Lava Jato está entre obstáculos para Andrés controlar futebol corintiano
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O grupo Renovação e Transparência apoiou Roberto de Andrade contra o processo de impeachment sofrido pelo presidente, mas em troca quer voltar a ter participação nas decisões do futebol corintiano e em outras áreas. O argumento é o de que Andrade precisa deixar de ser centralizador e contar com a colaboração de conselheiros experientes.

 O caminho para isso seria a nomeação de dirigente escolhido por Andrés Sanchez, líder dessa ala, ou do próprio deputado federal para atuar na diretoria de futebol. O plano porém enfrenta obstáculos. O principal deles é o fato de Andrés ter sido citado em delação na Lava Jato como recebedor de dinheiro da Odebrecht para caixa dois de sua campanha a deputado federal, o que ele nega.

Colocá-lo na diretoria de futebol já seria difícil por causa de suas atribuições como membro da Câmara. Mas agora seria atrair para o clube um problema pessoal dele já que a delação não envolve a Arena Corinthians no suposto pagamento. Ou seja, numa entrevista para falar sobre o time, ele poderia ser questionado sobre a delação.

Se empossar Andrés ou alguém indicado por ele, Andrade dará munição para a oposição que entende ser prudente deixar o ex-presidente neutralizado até que se defina sua situação na Lava Jato.

Outra questão que dificulta a retomada de poder é o fato de que Andrés e seu grupo discordam da forma como o futebol é administrado. De cara, o gerente de futebol Alessandro seria afastado, pois é criticado internamente por Sanchez e alguns de seus principais colaboradores. Também seria incompatível a convivência com Flávio Adauto, outro alvo de críticas. Por sua vez o atual diretor de futebol dificilmente aceitaria ser “rainha da Inglaterra” para Andrés. Andrade acabaria forçado a afastar Adauto também, mas o presidente é avesso a mudanças radicais.

A queda do diretor de futebol geraria constrangimento com Paulo Garcia, próximo a Adauto e considerado no clube o mentor de sua indicação. O influente conselheiro ainda indicou para a secretaria geral Antônio Jorge Rachid Júnior, que foi um dos principais articuladores da vitória de Andrade contra o Impeachment. Assim, a saída de Flávio poderia soar como traição a quem colaborou com o presidente no momento mais difícil de sua gestão.

Por tudo isso, o caminho menos turbulento seria Roberto permitir que o grupo de Andrés colabore informalmente, sem ocupar cargo no departamento de futebol. Mesmo assim, teria que administrar divergências.


Como o Corinthians se defende em polêmica envolvendo patrocínio e Lava-Jato
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Depois de o UOL Esporte mostrar que as empesas Apollo Sports Solutions e Apollo Sports Capital, que alugaram espaço nas costas da camisa do Corinthians, têm ligação com o português Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira, denunciado na Lava-Jato, o departamento de marketing corintiano foi alvo de uma avalanche de críticas de conselheiros e torcedores. Preocupado não só com a reação negativa, mas com o fato de a polêmica poder afastar novos patrocinadores, os responsáveis pelo departamento elaboraram uma série de argumentos para se defender. Veja abaixo os principais.

1 – Legalidade

Em sua defesa, o departamento de marketing corintiano alega que fez um intenso estudo sobre o novo patrocinador e verificou que ele funciona regularmente, atendendo todas as exigências das leis brasileiras.

2 – Alvo da Lava-Jato

Um dos argumentos é o de que o clube não precisa e não tem como conhecer todos os acionistas das empresas que o patrocinam. É assim com a Nike, por exemplo. Além disso, Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira não participou das negociações, segundo os corintianos. Ainda assim, o marketing alvinegro lembra que a denúncia contra ele na Lava-Jato por lavagem de dinheiro foi rejeitada pelo juiz Sergio Moro.

3 – Grana

O patrocínio vai render cerca de R$ 10 milhões por ano ao clube até 2019. O valor é considerado pelos cartolas do Corinthians muito bom em tempos de crise e num momento em que a maioria dos clubes sofre para conseguir patrocínio.

4 – Alternativa

Quem critica o clube por não conseguir colocar nas costas da camisa a marca de uma grande e famosa empresa, ouve que os tempos mudaram. A tese é de que o cenário de crise, o escândalo de corrupção no qual a CBF se envolveu e que culminou com a prisão de José Maria Marin e episódios de truculência e violência envolvendo torcedores fizeram as principais empresas do país se afastarem do patrocínio esportivo. Nesse momento delicado, segundo quem trabalha no marketing corintiano, os fundos de investimento passaram a ser uma boa e segura alternativa para parcerias. A Apollo Solutions é um fundo de investimento que promove um rodízio de seus parceiros nas costas da camisa corintiana.


Lava-Jato e problemas da arena fazem cartolas temerem por imagem corintiana
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A queda do Corinthians na tabela do Brasileirão e a indefinição sobre o técnico para a próxima temporada já seriam motivos suficientes para preocupação no Parque São Jorge. Porém, a situação do time foi ofuscada nos últimos dias por questões que envolvem o estádio alvinegro e a operação Lava-Jato da Polícia Federal. Conselheiros e membros da diretoria temem que a imagem do clube fique manchada com fatos negativos, além de se instalarem crises política e administrativa. Um dos temores é de que a sequência de notícias ruins para a agremiação faça que em breve o clube tenha dificuldade para encontrar novos patrocinadores, o que agravaria sua situação financeira.

O envolvimento de um dos parceiros do clube na Lava-Jato, a dúvida sobre até que ponto o estádio corintiano pode estar envolvido na operação, as dificuldades para pagar a arena e o processo movido pelo escritório de arquitetura Coutinho, Diegues e Cordeiro, responsável pelo projeto do estádio, para receber R$ 11,1 milhões referentes a empréstimo ao Corinthians e os obstáculos para que uma auditoria verifique se a Odebrecht entregou o estádio como deveria,  estão entre os fatos que fazem os cartolas temerem pela imagem do clube.

“Que negócio da China foi esse a construção do estádio, que enlameou o clube? Falaram que eram amigos do presidente (Lula), que isso e aquilo, mas estamos com o nome enlameado e devendo R$ 1,6 bilhão (da construção da arena). Precisamos promover o resgate ético, moral e financeiro do clube”, disse o conselheiro Romeu Tuma Júnior.

Na diretoria há também quem tem o receio de que diretores atuais tenham sua imagem afetada sem terem participado da construção da arena. Por isso, afirmam ter o interesse em uma investigação rigorosa para que, se existirem irregularidades, sempre negadas pelos envolvidos no projeto, os responsáveis sejam conhecidos e reparem eventuais danos à instituição.

O fato de a Odebrecht, responsável pela construção da arena, ser uma das principais atingidas na Lava-Jato, deixou conselheiros corintianos preocupados desde o início das investigações. Porém, o temor de que exista algo irregular aumentou depois de André Luiz Oliveira, o André Negão, vice-presidente do clube, ter sido alvo de uma condução coercitiva sob suspeita de ter recebido propina de R$ 500 mil da construtora. Ele negou o recebimento e também que sua ida à delegacia tenha algo a ver com o Corinthians.

A tensão aumentou após o UOL Esporte mostrar nesta segunda que as empresas Apolo Sports Solutions e Apolo Sports Capital, que fizeram proposta pelos naming rights da arena e compraram espaço nas costas da camisa do clube têm ligação com o português Antônio Manuel de Carvalho Baptista Vieira, réu na Lava-Jato.

Esse tema e os outros problemas ligados à arena roubaram as atenções em reunião de conselheiros nesta segunda no Parque São Jorge para debater mudanças no estatuto alvinegro.

Opositores estudam formas de cobrar os envolvidos nos negócios problemáticos, mas parte dos opositores entende que faltam líderes para organizar a tropa. Assim, temem ver de forma impotente o clube se afogar no mar de fatos negativos.


Sócio cobra ação do Corinthians contra Odebrecht por obras da arena
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O sócio do Corinthians Roberto Willian Miguel, conhecido como Libanês, protocolou requerimento nas presidências do clube e do Conselho Deliberativo pedindo que a diretoria tome medidas judiciais contra a Odebrecht por causa da não conclusão da arena alvinegra até hoje.

O documento, assinado pelo advogado Edmilson Norberto Barbato, também pede que o os presidentes Roberto de Andrade e Guilherme Gonçalves Strenger solicitem, em nome do Corinthians, ao juiz Sérgio Moro cópias de eventuais inquéritos e processos envolvendo a arena Corinthians, o vice-presidente do clube André Luiz Oliveira, o André Negão, alvo de uma condução coercitiva na operação Lava Jato, e o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez. Oliveira trabalha no gabinete político da Andrés, deputado federal pelo PT, em São Paulo.

O sócio também requer informações detalhadas sobre o custo da arena e a posição atual da dívida corintiana em relação ao estádio.

Trecho do requerimento diz que “se verifica omissão da diretoria que até o presente momento não propôs (ou não deu notícias de ter proposto) nem sequer uma medida cautelar de produção de provas” ou uma ação para “compelir a construtora a finalizar o que é de sua alçada, sob pena de multa diária por atraso”.

Depois dessas explicações, é solicitado que “sejam promovidas sem maiores delongas todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar os interesses” do clube contra a Odebrecht ou o fundo que administra a arena ou ainda terceira pessoa jurídica que possa ser considerada responsável.

Como mostrou o blog em setembro do ano passado, a construtora deu a obra por encerrada e entregou o estádio de maneira bem diferente em relação ao projeto inicial. Recentemente, o clube contratou uma empresa para fazer a auditoria que vai determinar se a Odebrecht deixou de realizar obras pelas quais o clube tem que pagar. Só depois da conclusão desse trabalho a diretoria vai conversar com a construtora sobre o que fazer. A ideia é descontar do preço final o que não tenha sido feito.

Essa não é a primeira cobrança feita por Miguel no clube. Ele já pediu informações sobre as remunerações pagas a Luis Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Insatisfeito com as respostas, entrou com uma ação de exibição de documentos na Justiça.

O blog telefonou para Strenger, mas o celular do presidente do conselho estava desligado.


Veja o que quatro conselheiros do Corinthians têm a ver com a Lava Jato
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Entre os mais de 250 conselheiros do Corinthians, quatro têm alguma relação com a operação Lava Jato. A situação é reflexo da aproximação do clube com o PT, que começou ainda na administração Alberto Dualib. Claro que isso não significa suspeita de atos irregulares por parte do clube. Veja abaixo quem são os quatro conselheiros.

Lula – Alvo mais ilustre da Lava Jato, ele foi indicado para ser conselheiro vitalício quando ainda era presidente da República, em 2003. Na ocasião, o presidente do clube (Alberto Dualib) podia indicar quem ocuparia o cargo. Não havia votação como hoje. O petista foi importante para convencer a Odebrecht a construir o estádio corintiano, como ele mesmo chegou a admitir em discurso no Parque São Jorge. Mas, desde que foi nomeado, nunca compareceu a uma reunião do Conselho Deliberativo. A informação é confirmada por Guilherme Gonçalves Strenger atual presidente do órgão. Conselheiros vitalícios podem perder o cargo se faltarem a cinco sessões seguidas ou a dez alternadas sem apresentar justificativas. Strenger não soube dizer se todas as ausências de Lula foram justificadas.

Luiz Paulo Teixeira Ferreira – Deputado federal pelo PT, Paulo Teixeira acompanhou Lula como testemunha no depoimento do ex-presidente à Polícia Federal após condução coercitiva. Ele também aparece no processo como testemunha do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto. Segundo o “Blog do Josias”, Teixeira precisou explicar ao juiz Sérgio Moro como um repasse de R$ 190 mil feito pela empreiteira Enegevix parou na contabilidade de sua campanha em 2014. Ele afirmou se tratar de um engano. Teixeira também se tornou um dos principais críticos da Lava Jato. Segundo colegas de conselho, ele costuma comparecer às reuniões do órgão no Corinthians, para o qual foi indicado com vitalício.

Vicente Cândido – Também, deputado federal pelo PT, ele foi eleito para um período de três anos como conselheiro em 2014, quando Mário Gobbi venceu a eleição para presidente. O político entrou na chapa principalmente pelo bom relacionamento com Andrés Sanchez e por seu trânsito em Brasília. Na ocasião, ele era relator da lei geral da Copa. Em 2014, a “Folha de S.Paulo” publicou que o nome dele aparecia em relatório da Lava Jato por causa de uma declaração do doleiro Alberto Youssef, um dos principais personagens do escândalo de corrupção. Ele teria afirmado que, a seu pedido, um executivo esteve com Cândido em São Bernardo em busca de recursos, mas não obteve êxito. Na ocasião, o deputado disse ao jornal ter conhecido o doleiro numa viagem para Cuba, mas afirmou não se lembrar de ter encontrado com um emissário dele. No clube, Vicente costuma participar das reuniões do Conselho. No final de 2015, ele foi destaque do site oficial do Corinthians por entregar uma camisa do time ao presidente do Banco Industrial e Comercial da China, apresentado na nota como o maior banco do mundo.

André Luiz Oliveira, o André Negão – Vice-presidente do Corinthians foi alvo de uma condução coercitiva para explicar à polícia porque seus endereço e telefone apareciam numa suposta planilha de pagamentos de propina da Odebrecht, que construiu o estádio corintiano,  sob a alcunha de Timão. O valor registrado era de R$ 500 mil. Ele acabou detido por algumas horas por ter em casa duas armas irregulares. André não tem ligação umbilical com o PT, mas atuou na linha de frente da campanha de Andrés Sanchez a deputado federal e hoje trabalha no gabinete dele em São Paulo. O dirigente nega ter recebido propina. Seu sonho é ser o primeiro presidente negro do Corinthians.