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Arquivo : Luís Paulo Rosenberg

Suspeita em eleição coloca em xeque plano de Andrés para imagem corintiana
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Durante sua campanha para voltar à presidência do Corinthians, Andrés Sanchez colocou como importante meta resgatar a credibilidade do clube, abalada na opinião dele. A estratégia é gerar notícias positivas que ajudem a atrair patrocinadores a fim de aumentar as receitas do clube. Porém, logo na primeira semana de trabalho da nova diretoria, esse plano foi colocado em xeque com ação proposta na Justiça pelo opositor Paulo Garcia. Segundo candidato mais votado, ele acionou criminalmente a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelas urnas eletrônicas usadas no pleito, alegando irregularidades que podem ter alterado o resultado.

Assim, diferentemente do que Andrés planejava, o Corinthians voltou a ficar exposto no noticiário de forma desconfortável. Há na diretoria quem entenda que a suspeita na eleição possa afastar potenciais patrocinadores.

“Toda ruptura da ordem desagradará a classe empresarial. Mas você provando que é mera dor de cotovelo (de quem perdeu a eleição), a situação reverte e bola pra frente”, disse Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano ao blog. Ele respondia se o fato de a eleição ter sido colocada sob suspeita atrapalha seu trabalho no clube.

Um dos maiores desafios do dirigente é negociar os naming rights da Arena Corinthians. A avaliação de dirigentes é de que notícias sobre supostas falhas na construção e obras que não teriam sido realizadas pela Odebrecht prejudicaram a comercialização até aqui. As informações sobre o clube ter dificuldade para quitar o financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES para bancar parte da construção também entram no pacote. A construtora alega ter cumprido o contrato na íntegra.

Nos próximos dias, mais barulho deve ser feito por conta da suspeita na eleição corintiana. Antonio Roque Citadini, terceiro colocado na votação, espera a conclusão de um laudo feito por sua equipe sobre o pleito para decidir se também aciona a Telemeeting judicialmente. A empresa nega irregularidades e possibilidade de manipulação do resultado.

 


Em reunião estafe da Caixa relata pressão para cobrar Corinthians por arena
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Em reunião com a direção do Corinthians na última segunda (5), representantes da Caixa Econômica contaram sofrerem cobrança interna e externa para serem mais duros na exigência de que o contrato de financiamento da arena do clube seja cumprido rigorosamente, sem atrasos.

Conforme apurou o blog, o discurso foi de que a pressão existe porque o banco não adotou as medidas previstas contratualmente nos momentos em que o acordo foi descumprido. O fundo responsável pelo estádio chegou a ficar aproximadamente um ano e meio sem pagar as prestações enquanto discutia mudanças no financiamento. A Caixa concordou com o não pagamento evitando sanções previstas. A principal delas é executar garantias de pagamento dadas no acordo por Odebrecht e Corinthians. No caso do clube, há o terreno do Parque São Jorge comprometido.

Na última segunda, a “Folha de S. Paulo” e “O Globo” noticiaram que a Caixa ameaçou executar as garantias, o que o clube nega ter ocorrido. A medida drástica seria justificada por esse cenário de pressão relatado na reunião da qual participou Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano.

Também segundo apuração do blog, parte da pressão externa vem do Banco Central, que supervisiona as atividades das instituições financeiras do país.

O blog tentou falar com os representantes do banco que participaram do encontro, mas assessoria de imprensa da Caixa respondeu que por lei não pode comentar assuntos que envolvam o contrato.

Independentemente do estádio corintiano, a Caixa vive momento delicado por causa de acusações de corrupção contra dirigentes do banco feitas pelo Ministério Público Federal.

Vale lembrar que quando o banco aceitou ser intermediário do financiamento de R$ 400 milhões liberados pelo BNDES para a construção da casa corintiana, o Governo Federal era comandado pelo PT. Sanchez já era filiado ao partido do qual hoje é deputado federal. A saída do Partido dos Trabalhadores do governo, porém, não é apontada pela direção corintiana como fator complicador na relação com a Caixa.

Fechar um novo acordo com o banco é uma das prioridades de Andrés, que voltou a presidência do clube no último sábado.

 

 


Nova administração planeja uso diário para Arena Corinthians render mais
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Um dos idealizadores do projeto de marketing da Arena Corinthians, ao lado de Luis Paulo Rosenberg, Caio Campos volta ao clube tendo entre suas missões ajudar o estádio a se tornar mais rentável. Ele atuará como funcionário do departamento de marketing, tanto na arena como no clube em geral, incluindo o futebol.

Ao blog, Campos afirmou que, junto com Rosenberg, de volta ao posto de diretor de marketing do alvinegro, pretende dar um uso diário à casa corintiana para melhorar sua arrecadação. A dificuldade em gerar receitas para pagar a dívida pela construção do local é um dos principais problemas do estádio.

“O corintiano tem que se sentir em casa na arena. Isso no sentido de que ele precisa ir mais vezes lá, não só no dia do jogo. Mas pra isso, ele precisa ter o que fazer na arena”, afirmou Caio. Entre as possibilidades está a abertura de lojas em espaços atualmente ociosos. Outra meta é colocar em funcionamento o restaurante projetado, mas nunca ocupado.

Campos deixou o Corinthians e, consequentemente a arena, em 2014, após atuar nas gestões de Andrés Sanchez e Mário Gobbi. Por causa do tempo afastado, disse que não pode falar sobre os motivos que fizeram o marketing do estádio não decolar. “Entreguei o projeto e saí. Primeiro precisamos saber o que foi feito na arena, qual a estrutura, como ele funciona para depois podermos analisar”, contou Campos.

Antes de aceitar o convite de Andrés e Rosenberg para voltar ao clube, ele atuava como diretor da Kappa. A empresa italiana de material esportivo é representada no Brasil pela SPR, que controla a franquia de lojas oficiais do Corinthians. O contrato com a agremiação é criticado por conselheiros que o consideram lesivo ao clube.

O escudeiro de Rosenberg também deve atuar com ele na tentativa de formalizar um acordo com a Caixa Econômica. O novo diretor passou a tarde da última segunda reunido com representantes do banco discutindo uma solução para as dificuldades do clube em pagar o financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES por intermédio da Caixa, que pode executar garantidas de pagamento dadas na operação. O cartola saiu do encontro otimista, vendo avanço nas tratativas.

 


Por que Rosenberg topa voltar ao Corinthians com grupo com o qual rompeu?
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Roberto de Andrade já deixou claro que nāo aceitará a sugestão de Andrés Sanchez para recolocar na diretoria do Corinthians o ex-vice-presidente Luis Paulo Rosenberg.

Porém, uma pergunta ficou no ar: por que o economista que rompeu com o grupo Renovação e Transparência a ponto de se desligar do Conselho Deliberativo e do quadro de sócios, além de apoiar a oposição na última eleição, aceitaria voltar a trabalhar com o mesmo “partido” político?

A resposta está na proposta feita cerca de 15 dias atrás por Sanchez (os dois nunca deixaram de se falar apesar das divergências).

Rosenberg voltaria a comandar o marketing corintiano e a arena do clube. Os principais atrativos para o ex-dirigente foram a chance de fazer vingar o projeto que ele idealizou para o estádio, ter a oportunidade de peitar a Odebrecht e devolver ao clube a estratégia de marketing que vende o Corinthians como gigante mundial. A internacionalizaçāo e as grandes contratações voltariam.

“O projeto que o Andrés apresentou é lindo. Uma uniāo de grandes corintianos para devolver ao clube a grandeza dele. Se eu fosse chamado pelo Roberto, nāo teria problemas em trabalhar com um presidente que disse que eu nāo pisaria no Parque Sāo Jorge enquanto ele estiver no cargo. Seria um chamado do presidente, nāo pessoal. Sem golpe, ele estaria reconhecendo a necessidade de mudar. Mas se o presidente nāo quer, paciência”, afirmou Rosenberg.

Apesar do rompimento com o grupo de Andrés, Rosenberg vinha sendo consultado sobre a arena por conhecer detalhes do projeto. Sempre se incomodou com a passividade que enxergava no clube em relação à Odebrecht, acusada de não fazer todas as obras previstas no contrato. A construtora nega a irregularidade.

“O Aníbal (Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena) está há muito tempo avisando sobre o que tem de errado lá e não é ouvido. Não pode ter medo de brigar com a Odebrecht. Eu não tenho”, afirmou Rosenberg.

O arquiteto e o ex-vice sāo amigos de longa data. Se retornasse à diretoria, Rosenberg poderia dar atenção aos alertas dele por causa de uma mudança importante prevista por Andrés. Os trabalhos do clube na arena seriam comandados pela diretoria de marketing, nāo por uma equipe independente.

Assim, de māos dadas com Coutinho, Rosenberg teria a chance de provar que o projeto idealizado por ele para a arrecadação de receitas no estádio é viável, ao contrário do que dizem seus crïticos no clube.

“Se a gente soubesse que o país enfrentaria três anos de crise, algumas coisas seriam diferentes. Mesmo assim, a arena é muito viável, mas precisa ser tocada com o profissionalismo de um shopping center, por exemplo”, argumenta Rosenberg.

Na outra ponta do plano apresentado por Andrés ao ex-dirigente está o futebol. O blog apurou que a ideia é contar com a parceria de empresários que se dāo bem com o deputado federal, como Juliano Bertolucci e Kia Joorabchian, para montar um time competitivo em 2017, apesar da crise financeira enfrentada pelo clube.

Idealizador do projeto que permitiu a vinda de Ronaldo, Rosenberg se animou com a ousadia do novo plano.

“O Corinthians se afastou da globalização, da China, do que deu certo em 2008. Só faz sentido a minha volta se houver uma mudança geral com a vontade do presidente”, afirmou Rosenberg.

Porém, a estratégia bolada pelo ex-presidente recebe críticas de parte considerável da oposição. O argumento é que se trata de uma tentativa de salvar o grupo de Andrés na eleição de 2018, nāo de salvar o Corinthians.

Depois de se desvincular do clube durante a gestāo de Mário Gobbi, Rosenberg teria que comprar um novo tîtulo de sócio para ser ser diretor.

 


Fracassa tentativa de Andrés de recolocar Rosenberg na rotina de arena
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.Em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians, na última quinta, Andrés Sanchez falou da criação de uma comissão para acompanhar a rotina diária da arena do clube e anunciou seis nomes já como membros do grupo. Entre eles, estava o de Luis Paulo Rosenberg, um dos mentores do projeto da casa própria corintiana, mas que se desligou do conselho após ficar descontente com os rumos que tomaram a arena alvinegra.

Pelo estatuto corintiano, porém, Sanchez não tem poder para instalar comissões. Só o presidente do Conselho Deliberativo e o da diretoria estão aptos a isso. Assim, o gesto do deputado federal que promoveria a volta de Rosenberg como esperança de resolver os problemas financeiros do estádio foi considerado nulo.

“A atitude dele causou surpresa porque o Andrés não tem legitimidade para criar comissão. Eu ignoro isso, não existe comissão”, afirmou ao blog Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do conselho corintiano.

Sem seu aval, a única chance de a comissão anunciada por Andrés existir oficialmente é a criação por parte de Roberto de Andrade. Até a publicação deste post, a assessoria do presidente não havia respondido se ele pretende criar o grupo.

Andrés não fala com o blog.

Além de Rosenberg, o ex-presidente anunciou também o nome de Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro, como membro da comissão. Ouvidos pelo blog os dois disseram não terem recebido convite de Andrés para participar do grupo. Nem sabiam da intenção dele de criar a comissão.

Sem legitimar a iniciativa do deputado federal, Strenger afirmou que criará um grupo com conselheiros que tenham afinidade profissional com o tema para discutir a situação da arena, caso a auditoria contratada pelo clube para checar se a Odebrecht cumpriu o contrato não seja encerrada até o final janeiro ou se seu resultado for insatisfatório.


Após bilionário projeto corintiano, Rosenberg busca R$ 500 mil para Lusa
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Em 2010, Luis Paulo Rosenberg se debruçava num projeto para viabilizar R$ 350 milhões a fim de realizar o sonho da casa própria corintiana. A conta aumentou, hoje chegou a R$ 1,2 bilhão (contando juros de empréstimos), mas o dirigente montou um plano de operações que, segundo ele, torna a Arena Corinthians viável.

Cerca de cinco anos depois dos primeiros estudos sobre o estádio corintiano, a nova diretoria de marketing do clube quebra a cabeça para fazer a arena render o máximo possível. Enquanto as contas de seus sucessores ultrapassam um bilhão, o ex-vice-presidente corintiano tem metas bem menos ousadas. “Precisamos conseguir R$ 400 mil ou R$ 500 mil por mês para pagar a folha salarial do time na Série C do Brasileiro. Nossa meta é subir para a Série B”, disse ao blog Rosenberg, agora consultor da Portuguesa.

Se nos tempos de Corinthians ele apostou em Ronaldo para alavancar o marketing alvinegro, em seu novo clube ele aposta que “os velhos portugueses vão abrir as burras (para investir na Lusa)”.

Se outrora queria superar gigantes europeus como Real Madrid e Barcelona, agora sonha em levar palmeirenses, corintianos, são-paulinos e santistas para assistirem aos jogos da Portuguesa.

Se no Parque São Jorge ele lançou a camiseta “Eu nunca vou te abandonar”, para embalar a volta à Série A do Brasileirão, no Canindé planeja vender uma com a estampa “Somos todos Lusa” ou “Todos pela Lusa”.

Se no alvinegro teve como um de seus presidentes o popular Andrés Sanchez, na Portuguesa atuará sob a batuta de um dirigente praticamente desconhecido no cenário nacional, Jorge Manuel Gonçalves.

 “Esse presidente é um acidente da natureza, foi caindo a velha guarda e, de repente, sobrou ele, economista, formado na USP. Cara de uma cabeça boa e de caráter. Cara que tem a dureza necessária pra fazer a missão cumprida e doçura pra motivar as pessoas. O diretor de marketing é empresário, jovem, tem empresa de eventos muito respeitada, o jurídico é de primeira linha. O Corinthians não tem uma diretoria como essa”, comentou.

Mas quem vai investir num time com torcida pequena, sem exposição na televisão e que disputa a Série C nacional?

“Via mercado, pode trazer um prêmio Nobel de economia que ele não vai conseguir. A empresa não vai investir na Portuguesa por causa da medição de exposição do nome dela na mídia. Vai ser pela gratidão de participar de um processo que vai fazer renascer o time de seus antepassados portugueses”, respondeu o cartola.

E o que motivou quem já foi taxado de megalomaníaco a vestir a camisa de um time que luta por sua sobrevivência?

“O que me mexe com a alma no futebol é ver a torcida feliz, sinto quando tem uma torcida maltratada, incompreendida e enxovalhada. Essa é a torcida da Portuguesa. Quero ajudar essa torcida voltar a ser feliz”, disse Rosenberg

Mas a Lusa não tem dinheiro para nada. Então, como vai conseguir pagar o famoso ex-dirigente do Corinthians?

“Vou receber 5% do que conseguir além do necessário. Mas deve ir tudo para a pessoa que ficará pra mim diariamente no Canindé”, afirmou.

Ele não tem tempo de comparecer todos os dias ao seu novo clube. Ao antigo, deixou de ir. Só aparece nos jogos no estádio com o qual sonhou. Vai como torcedor e tem evitado voltar a falar sobre a arena corintiana. Não quer novas polêmicas. Mas é sabido que está decepcionado. Acha que o estádio não está ficando como o projetado. Está menos sofisticado. E a Portuguesa ajuda a aplacar essa decepção. O trabalho na Lusa virou uma terapia para ele tentar esquecer o Corinthians.


Vice do Corinthians decide apoiar opositor Citadini em eleição
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Acaba de ser dado um lance importante no jogo eleitoral do Corinthians. Luis Paulo Rosenberg, primeiro vice-presidente do clube, saiu do muro e passou a incentivar o opositor Antonio Roque Citadini a ser candidato à presidência, em fevereiro.

Citadini se desentendeu com seu grupo, que já lançou oficialmente o opositor Paulo Garcia. Nos últimos dias, Roque, como o conselheiro é mais chamado no Parque São Jorge, vem tentando ganhar musculatura para viabilizar sua candidatura.

A decisão de Rosenberg esfarela ainda mais o grupo situacionista, que tem como candidato Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol. Ilmar Schiavenato já havia deixado seu cargo de diretor social para se lançar candidato.

Em conversa com este blogueiro, Rosenberg explicou a decisão de entrar na canoa de Citadini dizendo que “o segmento esclarecido do clube merece um candidato que queira servir ao Corinthians, não se servir dele”.

O movimento de Rosenberg é um golpe para Andrés Sanchez. O atual vice foi um dos principais cartolas da gestão do ex-presidente e idealizador do projeto do estádio corintiano, hoje controlado por Sanchez, mentor da candidatura de Andrade.


Vice do Corinthians diz que aceitar abertura da Copa foi erro
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Em entrevista ao blog, Luís Paulo Rosenberg, vice-presidente do Corinthians e um dos principais idealizadores da arena corintiana, afirmou ter sido um erro aceitar fazer a abertura da Copa no futuro estádio do clube. Diz que o alvinegro só ficou com uma conta maior para pagar e não leva vantagem com o evento. Ele reclama de ter que bancar estruturas complementares e nega que  Lula tenha ajudado no projeto da casa própria alvinegra.

Além de explicar suas contas sobre pagamento e operação do estádio, ele faz elogios à nova arena palmeirense e prevê que o Morumbi não irá conseguir fazer grandes shows por causa da concorrência.

Confira abaixo a entrevista, concedida na tarde da última segunda, por telefone, antes de Michel Platini, membro do Comitê Executivo da Fifa e presidente da Uefa, admitir que o estádio corintiano é a principal preocupação para a Copa do Mundo no momento.

Pelas suas contas, quantos anos o clube levará para pagar o estádio e quanto vai pagar anualmente? Andrés Sanchez diz que paga em até seis anos, segundo o Blog do Juca Kfouri. Você concorda?

Qual o cabimento dessa pergunta?  Eu vou pagar o estádio em 12 anos, não tenho que pagar em seis. Então cria um falso debate. Tenho um financiamento para pagar em 12 anos e cabe dentro do orçamento. O que o Andrés quis mostrar é que se o estádio custa R$ 800 milhões e tem uma geração de R$ 120 milhões, R$ 130 milhões por ano, em seis anos ele paga. Não é isso que vai acontecer. Nós vamos pagar nos mesmos 12 anos. Naquela conta [feita por Andrés e apresentada no Blog do Juca Kfouri]  não tem custo financeiro, não está completa com o valor de Cids [Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento]. Mas a tese que o Andrés quer provar é valida, é que quem falar que o Corinthians não tem condições de pagar o estádio é um demente. O estádio é extremamente viável e o endividamento é tolerável.

Mas para esclarecer o torcedor, qual o cálculo que você faz sobre o pagamento do estádio?

Não estou tão a par quanto estava enquanto eu pilotava esse projeto. Pelo que escuto, a gente deve ter uns R$ 110 milhões a mais de custo e uns R$ 60 milhões dessa despesa que a prefeitura iria fazer e está querendo repassar para o Corinthians [instalação das estruturas complementares]. Isso encareceria mais uns R$ 200 milhões. Esse estádio está sendo construído há quase três anos. Fazendo uma conta burra, digo simplista, supondo que esse desembolso foi sendo feito progressivamente, ele teria a gastar R$ 400 milhões. Tenho que pagar juros de três anos sobre esse montante.  Se eu tenho 10% de custo financeiro, três anos de juros de 10% sobre R$ 400 milhões, R$ 500 milhões, dá alguma coisa perto de R$ 150 milhões. Vamos trabalhar com um total de cerca de R$ 1,2 bilhão [valor total], contando já os R$ 60 milhões [das estruturas complementares]. A conta é muito fácil. Você tem que pagar R$ 100 milhões de amortização de R$ 1,2 bilhão, todo ano. No primeiro ano, devo R$ 1,2 bilhão. 10% de juros são 120 milhões, mais juros desse outro período que ficou remanescendo dá mais uns R$ 15 milhões por ano pelo período em que não paguei juros, os três anos.  Nos primeiros anos você vai pagando  alguma coisa perto de R$ 200 milhões de juros. No último ano você vai estar pagando R$ 100 milhões. Não é um número absurdo.  Nos cinco primeiros anos você já vai ter gastado perto de R$ 1 bilhão. Então, nos primeiros anos, o Andrés deve estar fazendo conta de receita de R$ 150 milhões por ano. Mas o cálculo dele é só bilheteria, sem naming rigths, comida, bebida, estacionamento, aluguel de espaço. Então você vai vendo que nos primeiros anos você está apertado e depois vai relaxando. Hoje nós temos uma receita de bilheteria que é por volta de 25 milhões, R$ 30 milhões. O que era uma premissa básica é que durante todo o período de pagamento do estádio, ele não pode entrar na receita de bilheteria que a gente teria no Pacaembu. Esse é o limiar entre um bom e um mau negócio. E se o Corinthians conseguir pagar o seu estádio sem jamais usar o dinheiro da bilheteria que ele teria jogando no Pacaembu, ele vai pagar o estádio simplesmente com a receita adicional que esse estádio vai gerar. Nesse sentido, acho sacanagem qualquer crítica no sentido de que o Corinthians não vai conseguir pagar o estádio ou vai ter que entregar o estádio. Como vai entregar o estádio se ele é feito para o Corinthians jogar lá? Agora, a respeito de receitas de shows, a gente entra numa área muito especulativa. Isso vai ter a ver com o desenvolvimento que a Zona Leste vai ter. Talvez, ele possa ser um grande polo de shows, de música sertaneja com ingresso mais barato e o Palmeiras fica com as Madonnas da vida. O que sei é que pro Tricolor vai ser difícil sobrar alguma coisa.

O São Paulo está fazendo uma arena nova para shows lá, está tentando fazer.

E por que não viabiliza? O cara que pega aquilo para estudar fala: “como que eu concorro com o Parque Antarctica”? É duro. O estádio do Palmeiras é muito privilegiado, acessibilidade fantástica, não tem que atravessar a ponte.

Mas o Andrés dizia que o estádio do Corinthians não teria shows.

Nosso projeto é esse mesmo. Acontece o seguinte, pra concluir pela viabilidade de Itaquera  nunca se colocou um tostão de previsão de receita com show. O Corinthians deve ser um dos únicos clubes do Brasil que consegue pagar uma arena dessas com receita de jogo. Não quer dizer que no futuro a gente não venha fazer. Se aquilo se revelar um polo atraente para shows, a gente pode fazer. Hoje existe tecnologia que permite fazer o show, não perder o jogo e ainda proteger o gramado. Mas por enquanto não é preocupação nossa.

Andrés vai aumentar o número de ingressos populares em relação ao projeto inicial. Isso pode prejudicar os planos do clube?

Isso mudou já. Não é que o prédio leste vai ter o mesmo preço de atrás dos gols. Ele criou dois blocos [no prédio leste], um a R$ 150 e a outra metade ele cobra acho que R$ 70. Isso pode ser administrável. Não é mais aquele cálculo de 16 mil lugares vendidos a R$ 30. Ele já está com preço médio perto de R$ 130, que já é mais do que no Pacaembu. Estou supondo que ele trabalha com preços efetivos, depois de descontos oferecidos para o sócio-torcedor.

[Nota do blog: em cálculo publicado pelo Blog do Juca Kfouri, levando em conta apenas a metade da capacidade de ocupação do estádio , mas com as arquibancadas provisórias, Andrés disse que venderá 10 mil ingressos por jogo a R$ 30 e 4.500 bilhetes a R$ 40]

Enquanto estiver pagando o estádio, o clube vai sofrer para fazer grandes contratações?

Enquanto se pensava em vender 16 mil ingressos populares era grave, agora não. Nesse cálculo aí a premissa está preservada. Considerando que o futebol sobreviveu 100 anos sem estádio. Se o Corinthians vai manter o crescimento de receitas que ele teria no Pacaembu, qualquer coisa a mais vai ser lucro e o time vai ser melhor do que era. O estádio, mesmo com esses custos, vai deixar um saldo bem bacana para o Corinthians. Tem outra coisa que o Andrés diz que vai explicar mais pra frente: é que além de ter o custo físico da obra, que é a conta que ele está fazendo, e você ter o custo financeiro do empréstimo, tem outras coisas que são as garantias. Quando você financia um estádio,  o banco  não aceita estádio como garantia. Então, você constrói uma garantia financeira. De cada real que pinga no caixa do clube você coloca uns centavos num fundo de liquidez. É um fundo que é 100% do Corinthians, mas fica retido para o caso de o Corinthians não conseguir pagar duas ou três prestações, pra ter de onde tirar o dinheiro.  Você constitui esse fundo, nuns três anos, ele fica rendendo juros pro Corinthians e se pagar tudo certinho ele volta pro Corinthians. Provavelmente vai dar pra comprar o filho do Kaká, mas no dia a dia é algo que também sai da disponibilidade do Corinthians.

Isso não estava no projeto inicial?

Não estava. Entramos nessa discussão para conseguir o financiamento do BNDES, que até hoje não saiu. É um fator da diminuição da disponibilidade que a gente teria do estádio. Não é empobrecimento do clube, porque o dinheiro é do clube, mas você não tem acesso ao dinheiro para comprar um jogador.

No plano inicial você já teria vendido os naming rights?

Sempre pensamos em coisa de R$ 400 milhões por 20 anos. O mercado tá muito ruim por causa da Copa. Essa é a principal razão para os naming rights não terem saído ainda. Entre o crescimento mais lento do Brasil e a Copa está havendo um deslocamento da disponibilidade de recursos para promoção muito grande. Mas isso passa, não acho que está muito longe desse valor, o que nós vamos conseguir no final da obra.

Mas não está demorando demais?

Tá dois anos atrasado.

Não é motivo para o torcedor se preocupar?

Não, porque de qualquer jeito estaríamos falando de R$ 30 milhões por ano. Falando de receita total prevista pra lá de R$ 230 milhões, de R$ 250 milhões. Então, é uma insuficiência de10%, 15%. É ruim? É ruim.  Não para estrutura do estádio mas por causa da dinheirama que a gente teria para comprar jogador.

Qual o cálculo mais atual de gasto com manutenção?

R$ 30 milhões anuais. De manutenção e operação.

Mesmo com esses R$ 30 milhões a situação é confortável?

Sim. O Andrés mostra R$ 150 milhões de receita, vamos pegar as outras todas [receitas], dá no total R$ 250 milhões. Tira R$ 30 milhões do custo de construção do estádio, dá R$ 220 milhões. No primeiro ano, se os juros forem altos, vamos gastar uns R$ 200 milhões. Já equilibrou com o Pacaembu. O pior ano vai ser o primeiro. Daí pra frente melhora. Então, até agora não está ameaçado.  Mas se a prefeitura não libera os Cids… Aí estamos falando de dinheiro grosso. Muito mais sério do que naming rights. Porque, apesar de os Cids serem de R$ 420 milhões e naming rights R$ 400 milhões, os Cids são cash. O combinado é entregou o estádio pra Fifa a prefeitura tem que colocar o dinheiro à nossa disposição. Isso abate um monte de juros que teriam que ser pagos, enquanto os naming rights se espalham por 20 anos. Começo a ver a prefeitura passar o custo da [estrutura de] hospitalidade para o Corinthians,  não vai querer fazer gracinha de querer passar também os [valores referentes aos]  Cids.

Mas o clube assinou documento se comprometendo a bancar as estruturas de hospitalidade.

Assinou esse ano, ano passado, não sei por qual motivo assinou. Não gosto dessa história.

Quanto isso atrapalha?

 Se eu tivesse que pagar R$ 60 milhões cash, o Corinthians não tem nem R$ 6 milhões pra pagar cash. Como é diluído em 12 anos, nada é suficientemente dramático para reverter a viabilidade do estádio. Agora, não é pra ficar todo mundo querendo entubar a gente. Se você lembrar bem, o primeiro sonho do Corinthians, que não deixaram realizar, era o Pacaembu. Se tivesse Pacaembu era muito menos despesa e melhor localização. Ok, não seria um estádio maravilhoso como esse. Nosso segundo plano era o nosso estadiozinho para 45 mil lugares, não passava em cima dos tubulões [dutos da Petrobras].  Esse estadiozinho tinha direito a 60% de Cids, sem precisar mexer na lei, sem ter que perguntar pra ninguém. Ele custava R$ 400 milhões. O Corinthians iria fazer um estádio de R$ 400 milhões, menos R$ 120 milhões [dos Cids]. O que tenho hoje é uma dívida de mais de R$ 1 bilhão, eu me meti com uma tal de Copa que não tenho nada a ver com ela… E ainda ficam me passando despesa de Copa.

As obras do Itaquerão

As obras do Itaquerão

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Foi um erro entrar na Copa?

Sim, acho que não precisava disso aí, não. O Corinthians não tem vantagem nenhuma com Copa.

Mas tem direito a uma série de isenções graças à Copa.

Ele se qualificava como estádio de Copa, porque não serviria pra abertura, mas poderia fazer jogos menores. Então teria acesso ao financiamento [especial] do BNDES do mesmo jeito.

Então o erro foi aceitar a abertura, não a Copa?

Foi um erro aceitar a abertura. Continuo achando que abertura deveria ser no Morumbi. O Governador deveria ter dito: “aqui não é a casa da mãe Joana que a Fifa vem dizer que um estádio desse tamanho, com R$ 250 milhões de reforma que o São Paulo queria fazer, não serve para a abertura da Copa. Acho absurdo.

Por quê?

Porque já estava lá. Quem disse que o Brasil tem que fazer a abertura no estádio mais moderno do mundo? Não precisa. Por que não pode ser no Morumbi? Como economista digo que a solução mais racional seria a abertura no Morumbi, e o Pacaembu ficar por 30 anos com o Corinthians, que bancaria a modernização, faria a restauração do patrimônio histórico dele. Eu só me ferro, se pudesse receber o estádio hoje, prontinho, gerando receita, seriam cinco meses a mais de receita que eu teria. Não tem vantagem nenhuma pro clube ser estádio de abertura de Copa. É só pentelhação e aumento de gasto.

Você se incomoda mais com essa história porque o clube não bateu o pé para não assinar o documento se comprometendo a pagar as estruturas complementares?

Foi imposição da Fifa, e o clube teve que aceitar porque já estava no jogo. Mas é um absurdo o Corinthians pagar pela festa dos patrocinadores da Fifa [áreas de hospitalidade].  No começo de tudo falei, vamos fazer isso como contribuição para São Paulo, mas não quero que o Corinthians seja penalizado por causa disso. Vou fazer meu estádio de R$ 400 milhões faço financiamento, pago juros, não tem problema. Agora o que for adicional eu não pago. O que eu ganho com isso? O que eu ganho em fazer área administrativa, aumentar tamanho de corredor, invadir área dos tubulões da Petrobras? Só perco com isso. Coisa de índio lutar pra ser abertura da Copa, pra ser Copa. Mas passa tudo isso e fica o estádio mas inacreditável do mundo.

A demora para o início das vendas dos camarotes preocupa?

Não. Isso vai vender como pão de queijo e são só cem. Gostaria de já estar vendendo ingresso para ter mais noção dessa previsão de receitas com bilheteria. A grande mudança que a gente precisa fazer é vender o ingresso pra temporada toda. Não precisa ser a vista, mas eu comprometi o cara com a compra e não dependo tanto [do resultado] do futebol, da chuva.

A fama de que o Lula apadrinhou o estádio, mais ajudou ou atrapalhou?

Nem atrapalhou nem ajudou. O que ele fez pelo estádio? Nada. Pergunta pro Andrés. Ele torceu pra ficar pronto. Legal.

Não foi ele que convenceu a Odebrecht a entrar no projeto?

Você acha que precisa convencer o vampiro a tomar sangue? Por que precisa convencer a Odebrecht? Qual o dinheiro que ela está investindo? Qual o favor que ela me fez? Lula é um corintiano fanático, e uma das figuras de mais destaque do país, só isso.

Mas ele sentou para conversar com a Odebrecht.

 Sentou com os caras pra falar o que? O que precisa falar pra ela construir um estádio de um bilhão? Gostaria mais que tivessem dado o estádio para o Corinthians, mas estou com uma conta, se os Cids saírem inteiros,  de pelo menos R$  500 milhões pra pagar. O que me deram? Eu que troquei um estádio certinho, do tamanho que eu precisava pra manter… Deixa eu não me queixar muito, acho que é obrigação do maior time do Brasil fazer isso.  Sou contra tomar a decisão sobre a Copa, mas tomou.  O São Paulo não consegue viabilizar o estádio dele [na Copa], o Corinthians está começando a fazer o seu. Mexe e acomoda o interesse da nação, é a República Popular do Corinthians. Eu te mostrei que o Corinthians botou R$ 120 milhões no estádio da abertura. Os Cids não foram para o Corinthians, são para ampliar a obra para a abertura. E o que os outros colocaram? No Corinthians é tudo assim, com sangue suor e lágrimas.


CBF quer Rosenberg para cuidar de licenciamentos sem cutucar homem de confiança de Ricardo Teixeira
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Perrone

A CBF nega que sua intenção ao convidar Luiz Paulo Rosenberg para trabalhar na entidade seja provocar Andrés Sanchez. A avaliação dos cartolas é de que a confederação explora mal o licenciamento de produtos, apesar da marca forte da seleção. Rosenberg chegaria justamente para cuidar dessa seara.

No Corinthians, o ex-vice-presidente alavancou a venda de produtos licenciados. Parceiros do clube passaram a vender praticamente de tudo após. Ele também criou o hábito de explorar camisas comemorativas.

Deixando Rosenberg cuidar de licenciamentos, a CBF não relará em Carlos Salim, diretor de marketing e homem de confiança de Ricardo Teixeira. Afastar o atual diretor seria desagradar a Teixeira.

A ideia é que José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Salim, este apenas formalmente, cuidem dos patrocínios, mina de ouro da CBF.  Rosenberg, que ainda não respondeu se aceita o convite da entidade, ficaria um degrau abaixo do diretor de marketing.


CBF é criticada por supostamente usar seleção para se aproximar do Corinthians e minar Andrés
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Perrone

Praticamente ao mesmo tempo, a CBF executou duas manobras que atingem diretamente Andrés Sanchez, opositor da atual gestão e possível rival na eleição do ano que vem. Mas a movimentação política em época de preparação para Copa das Confederações e Mundial já causa desconforto nos bastidores.

A confederação convidou Luís Paulo Rosenberg para integrar seu departamento de marketing, ameaçando a estabilidade política de Andrés no Corinthians. Rosenberg foi o principal dirigente corintiano abaixo de Sanchez. Se aceitar o cargo oferecido por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, Rosenberg terá de receber ordens dos desafetos de seu amigo. Difícil não encarar como uma mudança de lado.

Rosenberg criticava a federação de Del Nero, que pode ser seu chefe

Além disso, a CBF conversa com a Federação Boliviana para jogar de graça contra a seleção de lá como forma de tentar confortar os bolivianos após a morte do torcedor Kevin Douglas Beltran.

A proposta soa como um agrado a Mário Gobbi, outro aliado histórico de Andrés e que está enrascado na Conmebol por causa da morte do fã do San Jose em jogo com o Corinthians.

A CBF não admite cunho político em suas ações, mas elas já geram críticas. O primeiro a disparar publicamente foi Marco Antônio Teixeira, ex-secretário-geral da confederação e tio de Ricardo Teixeira.

“Amistoso com a Bolívia, provavelmente com jogadores que atuam no Brasil terá qual valor técnico para o Felipão? Só vai atrapalhar os nossos clubes em favor da politicagem. Essa atitude contradiz o que Marin disse no programa “Bem Amigos” (Sportv). Ele falou que não deixaria a eleição de 2014 interferir na seleção. Mas está usando o time pra fazer politicagem”, disse Marco Antônio, desafeto de Del Nero.

Para a Del Nero, provável candidato, é importante minar Andrés e ter o apoio do Corinthians na eleição.

A assessoria de imprensa da CBF não respondeu ao blog sobre a crítica de Marco Antônio.