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Arquivo : Lula

Quadros de Lula e homenagem a Emílio Odebrecht viram alvos no Corinthians
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Quadro no Parque São Jorge com caricatura de Lula e outros corintianos famosos Foto: Arquivo pessoal de Ricardo Buonomo

Reflexos da Operação Lava Jato chacoalharam reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians na última terça (11). Três requerimentos foram apresentados por conselheiros pedindo medidas em relação a personagens envolvidos na investigação.

Os pedidos são para a retirada de dois quadros do clube com caricaturas do ex-presidente Lula, cancelamento de título de sócio benemérito dado a Emilio Odebrecht, patriarca da construtora protagonista do escândalo de corrupção, e afastamento do deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) da diretoria corintiana.

A iniciativa contra os desenhos em homenagem a Lula foi do conselheiro Ricardo Buonomo. As peças estão no ginásio principal do alvinegro e numa lanchonete da sede corintiana.

“Haja visto que os mesmos (quadros) denigrem a imagem do clube, pois é fato que diversos torcedores rivais comparecem em nosso clube para assistirem a jogos no ginásio, além de outros eventos nas dependências do clube, sendo que muitos já tiraram fotos e fizeram vídeos dos aludidos quadros, postaram nas redes sociais e divulgaram em grupos de WhatsApp com os seguintes dizeres: ‘o ídolo deles é um presidiário’, ‘ganharam a arena do Lula, tem que colocar no quadro mesmo’. Esses são alguns exemplos das mais diversas piadas que acabam circulando, denegrindo a imagem do Corinthians”, escreveu Buonomo no documento.

Em outro trecho ele diz ser salutar para o alvinegro demonstrar não ter vínculos com o ex-presdidente preso em Curitiba. O conselheiro também afirmou que foi procurado por sócios pedindo o sumiço das caricaturas.

“Desta maneira, acredito no bom senso do presidente Andrés Navarro Sanchez para que providencie a imediata retirada dos quadros em questão”, diz a parte final do requerimento.

Ao blog, Buonomo afirmou que, se os quadros não forem retirados, ele vai pedir para que a medida seja votada pelos conselheiros durante nova reunião do órgão. O pedido foi endereçado a Sanchez e ao presidente do conselho alvinegro, Antônio Goulart dos Reis, colega de Andrés como deputado federal.

Homenagem contestada

O disparo na direção de Emílio Odebrecht partiu do conselheiro Romeu Tuma Júnior, ex-candidato à presidência do Corinthians. Ele alega que o empresário não preenchia requisitos previstos no artigo 29 do regimento interno do Conselho Deliberativo para poder ganhar o título de associado benemérito em 2013. O empenho dele na construção do estádio corintiano por meio da empresa de sua família foi um dos motivadores da honraria.

Ser sócio por 20 anos seguidos e conselheiro por dois mandatos são as exigências que Tuma alega não terem sido cumpridas. Além da questão técnica, o pedido se refere a fatos ligados a Lava Jato e envolvendo Emílio.

“Não é admissível manter um preso, réu confesso e delator do maior esquema de corrupção da história do Brasil como sócio intitulado benemérito”, afirma o conselheiro em parte do documento.

No entanto, Emílio não está preso. Acordo de delação premiada prevê que ele cumpra pena em regime semiaberto em caso de futura condenação.

Tuma pediu para que seu pedido fosse votado já na reunião da última terça, mas Goulart respondeu que o caso só será debatido na próxima sessão do órgão, em fevereiro.

Afastamento

Um dia antes da reunião do conselho, o blog revelou movimentação de membros do órgão para pedir o afastamento temporário de Vicente Cândido, ex-dirigente da CBF e atualmente diretor de relações institucionais e internacionais do clube.

Na sessão, o conselheiro Carlos Eduardo Garcia de Miguel apresentou requerimento pedindo que o dirigente fique afastado de seu cargo até ser concluída investigação iniciada após delações que o envolveram na Lava Jato.

Delatores ligados a Odebrecht afirmam que ele recebeu, por meio de caixa 2, R$ 50 mil da construtora para sua campanha a deputado em 2010. A empresa teria interesse na ajuda dele em questões envolvendo financiamento relativo a fundos para a construção da Arena Corinthians.

Cândido nega ter cometido irregularidades. Por meio de sua assessoria de imprensa, antes de o pedido ser protocolado no conselho, o deputado e dirigente afirmou conhecer o assunto, mas considerar o tema irrelevante.

“Ainda que ele não seja culpado, essa situação denigre a imagem do clube. É um diretor que precisa se relacionar com outras instituições. Ele mesmo poderia pedir para se afastar enquanto as investigações são feitas. Falei no conselho: ‘as empresas que têm departamento de compliance não vão querer negociar camarote, naming rights e patrocínio com quem tem um diretor nessa situação”, declarou Miguel ao blog.

O tema também não foi colocado em pauta e deve ser discutido no encontro de fevereiro. Procurado, Goulart não atendeu aos telefonemas e nem respondeu às mensagens de texto.

 


Análise: eleição marca esfriamento entre Corinthians e PT
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O primeiro turno das eleições neste domingo (7) simboliza a mudança sofrida na relação entre Corinthians e PT por meio de representantes das duas instituições.

A proximidade de Andrés Sanchez, filiado ao partido, com Lula e o projeto da Arena Corinthians criaram laços entre as duas partes, embora o clube nunca tenha admitido formalmente o relacionamento com o partido.

A atuação de Lula para fazer o projeto da casa corintiana sair do papel é admitida por Andrés e executivos da Odebrecht. Na esteira dela, as afinidades entre os dois lados aumentaram gradualmente.

Como presidente da República, o principal dirigente do PT fez discurso no Parque São Jorge para festejar o centenário alvinegro. Em 2012, como ex-presidente corintiano e diretor da CBF, Sanchez escoltou Fernando Haddad por ruas da Zona Leste pedindo votos para o colega de partido tentar se eleger prefeito. Andrés se elegeu deputado federal pela sigla.

A idolatria ao líder petista podia ser medida numa foto dele na sala da presidência corintiana. Ela foi retirada no final de 2016, durante a gestão de Roberto de Andrade, quando Lula já estava acuado pela Lava Jato. Oficialmente, o quadro saiu temporariamente junto com todos da sala por conta de uma mudança na decoração.

Com Lula fora da presidência e cada vez mais atingido por acusações, o relacionamento começou a ficar menos amistoso. O ex-presidente da República foi alvo de um procedimento no Conselho Deliberativo do clube que poderia culminar com sua exclusão do órgão por excesso de faltas não justificadas às reuniões. Em agosto de 2016, ele renunciou ao cargo de conselheiro vitalício, concedido ainda na gestão de Alberto Dualib.

Em outra frente, mesmo fora da presidência, Andrés se desgastava com Haddad, então prefeito paulistano, por conta de dificuldades envolvendo os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) usados para arrecadar recursos visando o pagamento da dívida corintiana pela construção de seu estádio.

Em novembro de 2017, conforme reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, Sanchez chamou o ex-prefeito de mentiroso e incompetente durante depoimento ao Ministério Público. As declarações foram dadas em investigação aberta após o atual candidato à presidência pelo PT dizer ter recebido denúncia de que o promotor Marcelo Milani havia pedido dinheiro para não entrar com ação contestando a legalidade dos CIDs. O cartola corintiano e o promotor negam o episódio.

Nesse cenário de animosidades, diferentemente do que fizera em 2012, Andrés não saiu em campanha ao lado de Haddad para ajudar o candidato de seu partido à presidência.

O corintiano também decidiu não tentar a reeleição como deputado federal, dinamitando, ainda que involuntariamente, mais uma ponte que ligava o alvinegro ao PT. Essa ligação hoje não só é rejeitada por influentes cartolas corintianos como notadamente causa constrangimentos por conta da prisão de Lula e das diversas acusações que assolam o Partido dos Trabalhadores.

Enquanto o vermelho do PT descolore no Parque São Jorge, outros partidos começam a pintar suas cores por lá. O PSD, que apoia Geraldo Alckmin (PSDB) para a presidência, tem o deputado federal Antonio Goulart presidindo o Conselho Deliberativo corintiano. Ele tenta a reeleição na Câmara.

Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube, faz campanha para Monica Rosenberg, sua filha, candidata a deputada federal pelo Novo, que tem João Amoêdo como candidato à presidência. Um dos vídeos da propaganda dela divulgados pelo dirigente há menção a petistas como corruptos e a esquemas que “criaram raízes”.

No entanto, ainda existem no Parque São Jorge heranças do auge do romance entre clube e PT. Uma delas é a atuação de Joana Saragoça, filha de José Dirceu, como funcionária do clube. Ela foi contratada em 2015 após indicação de Andrés, que não estava na presidência. Sempre que questionados sobre Joana, dirigentes corintianos elogiam seu trabalho.

Na diretoria de relações institucionais e internacionais o titular é Vicente Cândido, colega de Andrés como Deputado Federal pelo PT, mas que também não tentará a reeleição.

Tanto Monica como Cândido costumam ficar fora dos holofotes. Também sem visibilidade é como a maioria dos dirigentes corintianos parece querer que fique o recente passado de afinidade com o partido de Lula. A rejeição a esse histórico é deselegante.

A questão que ainda carece de resposta é: como vai ser o relacionamento de Andrés com Haddad e a relação institucional entre o clube e o governo caso o PT volte à presidência?

 

 

 

 


‘Constrangedora’, foto de Lula é retirada de gabinete de Roberto de Andrade
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Na última segunda, um grupo de conselheiros do Corinthians entrou no gabinete de Roberto de Andrade e deu de cara com uma foto do ex-presidente Lula na parede. Um deles perguntou ao cartola se ele não era constrangedor ter por perto a imagem do personagem central da operação Lava Jato. No dia seguinte, conforme relataram duas pessoas que costumam frequentar o local, o retrato já não estava lá.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do Corinthians respondeu que “todos os quadros foram retirados, pois estamos fazendo uma nova decoração no quinto andar (onde fica a presidência)”. Ou seja, a mudança, segundo o clube, não teve a ver com o questionamento de conselheiros e nem com um suposto constrangimento.

 A retirada da fotografia do ex-presidente  coincide com a queda de prestígio de Lula no clube desde que a Lava Jato começou. O petista foi um dos articuladores do projeto que culminou com a construção da arena corintiana. O retrato, que já estava no gabinete da presidência antes de Andrade assumir o cargo, simbolizava a gratidão do clube ao ex-presidente e ao mesmo o status do alvinegro com ele.

Lula já havia enfrentado uma apuração feita por comissão do Conselho Deliberativo para saber se ele e outros conselheiros tinham extrapolado o número de ausências permitidas sem justificativa em reuniões do órgão, o que pode provocar eliminação. O ex-presidente acabou renunciando ao cargo. Ele nunca compareceu aos encontros.


Sócio move ação para Corinthians provar trabalho de filho de Lula no clube
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Colaborou Pedro Lopes, do UOL, em São Paulo

O sócio do Corinthians Roberto Willian Miguel entrou na Justiça com uma ação para tentar obrigar o clube a mostrar documentos que comprovem as atividades de Luis Claudio Lula da Silva, filho de Lula, no Parque São Jorge.

Ele quer saber se Luis Claudio fez jus a mais de R$ 500 mil entre 2011 e 2013 ou se recebeu sem trabalhar.

Miguel, conhecido no clube como Libanês, já havia pedido documentos referentes ao filho de Lula para a diretoria, mas alega na ação que nem todas as suas solicitações foram atendidas. Assim, recorreu à Justiça para pedir a papelada que não foi apresentada.

Entre os documentos pedidos estão notas fiscais emitidas pela empresa de Luis Claudio, relatório dos negócios realizados e serviços prestados, relação de jogadores que ele representou ou representa no clube e comprovantes de pagamento.

Procurado, Rogério Mollica, diretor jurídico do Corinthians informou ao blog desconhecer a ação. Declarou também que o sócio já tinha pedido os documentos ao presidente Roberto de Andrade e que teve acesso a eles no departamento jurídico do clube.

O associado pede para serem dados cinco dias à diretoria para a exibição dos documentos sob pena de multa de R$ 5 mil diários, além de busca e apreensão. Agora ele aguarda manifestação da Justiça.

Suspeita

Na ação, os advogados de Libanês falam em suspeita “de desvio de dinheiro do clube através de contratos que não tiveram a respectiva contrapartida, fazendo com que o clube pagasse por serviços que não foram prestados”.

A desconfiança começou quando Luis Paulo Rosenberg, ex-dirigente que atuou no marketing corintiano, afirmou à Folha de S.Paulo não se lembrar de trabalhos realizados pelo filho de Lula no departamento.

Tanto clube como Luis Claudio negam que tenham existido pagamentos sem prestação de serviços.

Quais os documentos que o Corinthians já mostrou?

Miguel anexou na ação relatório sobre a papelada que foi exibida pelo clube a ele. De acordo com esses documentos, Luis Claudio foi admitido pelo Corinthians em agosto de 2009 com carteira assinada para ganhar R$ 15.000 por mês como auxiliar de preparação física. Sua demissão aconteceu em agosto de 2010, quando ele recebeu R$ 20.471,19 a título de rescisão contratual.

Em julho de 2011, o filho de Lula voltou ao clube por meio de contrato com sua empresa LFT Marketing Esportivo. O compromisso teria duração até setembro de 2012, mas foi prorrogado por Mário Gobbi, ex-presidente do clube, até o final de 2013.

A direção corintiana também informou ao associado que os objetos desse novo contrato eram “divulgação de projetos – formação de atletas”. A empresa recebia R$ 20 mil reais por mês.

Abaixo, veja documentos referentes à ação.

Reprodção

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Acima, a relação de documentos que o associado quer que o clube seja obrigado a mostrar

 

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Acima, trecho da ação em que o sócio relata informações que recebeu do Corinthians sobre o filho de Lula

Acima, trechos da ação em que o sócio relata informações que recebeu do Corinthians sobre o filho de Lula

 

Trecho da ação que fala das suspeitas sobre a contratação de Luis Claudio

Trecho da ação que fala da suspeita sobre a contratação de Luis Claudio


Lula corre risco de perder cargo de conselheiro do Corinthians por faltas
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O ex-presdiente da República Luiz Inácio Lula da Silva pode perder o cargo de conselheiro vitalício do Corinthians. Isso porque a Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do clube vai analisar a situação de todos os membros do órgão que faltaram mais do que o permitido e checar quem não apresentou as devidas justificativas. Desde que foi indicado por Alberto Dualib para o cargo em 2003, quando presidia o país, Lula nunca compareceu às reuniões.

O estatuto alvinegro diz que o conselheiro vitalício pode perder seu cargo por abandono caso falte a cinco reuniões consecutivas ou a dez alternadas sem justificativas.

Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo, confirmou ao blog que Lula não compareceu a nenhum encontro, mas disse que não tinha em mãos os dados para saber quantas ausências não foram justificadas. Na última sexta, Strenger enviou relatório sobre a frequência de todos os conselheiros para a Comissão de Ética decidir quem deve ser afastado por excesso de faltas. O grupo deve se reunir na próxima semana para começar a discutir o assunto. A pena de perda do cargo de conselheiro vitalício só poderá ser imposta pela comissão após instauração de processo com direito de defesa, cabendo recurso no plenário do Conselho Deliberativo.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do Instituto Lula primeiro disse ter a informação de que o ex-presidente não faz parte do conselho corintiano e de que talvez tenha havido algum cargo de honra concedido a ele. Diante da informação do blog de que o nome de Lula aparece no site oficial do clube como conselheiro vitalício a resposta foi a seguinte:

“Na nossa concepção o cargo foi concedido como uma distinção honorífica. O ex-presidente não participa das deliberações do clube, o Conselho Deliberativo é um órgão específico que inclui a possibilidade de participação dos conselheiros vitalícios do clube, um título que foi concedido ao ex-presidente sem que ele o tenha requerido. Lula é um torcedor do Corinthians, não um dirigente do clube. Entendemos que a postagem com Lula esquenta a sua história, costuma dar capa do UOL e muitos cliques, mas de fato é um mero factoide. É do jornalismo “manchetar” e da internet atrair cliques. Faz parte”.

Este blogueiro, então, respondeu discordar da opinião, já que existe um caso concreto sendo analisado pelo comitê de ética, há um estatuto que dita os deveres dos conselheiros e não é estabelecida diferença entre as obrigações de Lula e as dos demais vitalícios. Apesar de pessoalmente entender ser muito difícil o ex-presidente da República comparecer às reuniões de um clube, mais ainda durante o período em que era presidente, a avaliação é de que isso não anula a notícia.

O afastamento de Lula é um antigo pedido de pequena ala do conselho que defende a exclusão de todos os conselheiros que não comparecem às reuniões. Não se trata de uma queixa direcionada apenas ao ex-presidente.

Lula virou figura emblemática no clube desde que ajudou a convencer a Odebrecht a construir o estádio corintiano.


Veja o que quatro conselheiros do Corinthians têm a ver com a Lava Jato
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Entre os mais de 250 conselheiros do Corinthians, quatro têm alguma relação com a operação Lava Jato. A situação é reflexo da aproximação do clube com o PT, que começou ainda na administração Alberto Dualib. Claro que isso não significa suspeita de atos irregulares por parte do clube. Veja abaixo quem são os quatro conselheiros.

Lula – Alvo mais ilustre da Lava Jato, ele foi indicado para ser conselheiro vitalício quando ainda era presidente da República, em 2003. Na ocasião, o presidente do clube (Alberto Dualib) podia indicar quem ocuparia o cargo. Não havia votação como hoje. O petista foi importante para convencer a Odebrecht a construir o estádio corintiano, como ele mesmo chegou a admitir em discurso no Parque São Jorge. Mas, desde que foi nomeado, nunca compareceu a uma reunião do Conselho Deliberativo. A informação é confirmada por Guilherme Gonçalves Strenger atual presidente do órgão. Conselheiros vitalícios podem perder o cargo se faltarem a cinco sessões seguidas ou a dez alternadas sem apresentar justificativas. Strenger não soube dizer se todas as ausências de Lula foram justificadas.

Luiz Paulo Teixeira Ferreira – Deputado federal pelo PT, Paulo Teixeira acompanhou Lula como testemunha no depoimento do ex-presidente à Polícia Federal após condução coercitiva. Ele também aparece no processo como testemunha do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto. Segundo o “Blog do Josias”, Teixeira precisou explicar ao juiz Sérgio Moro como um repasse de R$ 190 mil feito pela empreiteira Enegevix parou na contabilidade de sua campanha em 2014. Ele afirmou se tratar de um engano. Teixeira também se tornou um dos principais críticos da Lava Jato. Segundo colegas de conselho, ele costuma comparecer às reuniões do órgão no Corinthians, para o qual foi indicado com vitalício.

Vicente Cândido – Também, deputado federal pelo PT, ele foi eleito para um período de três anos como conselheiro em 2014, quando Mário Gobbi venceu a eleição para presidente. O político entrou na chapa principalmente pelo bom relacionamento com Andrés Sanchez e por seu trânsito em Brasília. Na ocasião, ele era relator da lei geral da Copa. Em 2014, a “Folha de S.Paulo” publicou que o nome dele aparecia em relatório da Lava Jato por causa de uma declaração do doleiro Alberto Youssef, um dos principais personagens do escândalo de corrupção. Ele teria afirmado que, a seu pedido, um executivo esteve com Cândido em São Bernardo em busca de recursos, mas não obteve êxito. Na ocasião, o deputado disse ao jornal ter conhecido o doleiro numa viagem para Cuba, mas afirmou não se lembrar de ter encontrado com um emissário dele. No clube, Vicente costuma participar das reuniões do Conselho. No final de 2015, ele foi destaque do site oficial do Corinthians por entregar uma camisa do time ao presidente do Banco Industrial e Comercial da China, apresentado na nota como o maior banco do mundo.

André Luiz Oliveira, o André Negão – Vice-presidente do Corinthians foi alvo de uma condução coercitiva para explicar à polícia porque seus endereço e telefone apareciam numa suposta planilha de pagamentos de propina da Odebrecht, que construiu o estádio corintiano,  sob a alcunha de Timão. O valor registrado era de R$ 500 mil. Ele acabou detido por algumas horas por ter em casa duas armas irregulares. André não tem ligação umbilical com o PT, mas atuou na linha de frente da campanha de Andrés Sanchez a deputado federal e hoje trabalha no gabinete dele em São Paulo. O dirigente nega ter recebido propina. Seu sonho é ser o primeiro presidente negro do Corinthians.

 


Filho de Lula e arena fazem direção corintiana ser pressionada
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Se o time vai bem, a diretoria não é contestada. Essa máxima do futebol não serve para o Corinthans atualmente. A equipe está invicta no Campeonato Paulista e tem 100% de aproveitamento em duas rodadas da Libertadores, depois de se sagrar campeã brasileira no ano passado. Mesmo assim, os cartolas enfrentarão protestos de sócios e torcedores, além de questionamentos de conselheiros na reunião do Conselho Deliberativo do próximo dia 7.

Eles devem dar de cara na entrada do clube com uma manifestação preparada por sócios e membros de torcidas organizadas que já divulgam manifestos com críticas aos cartolas e devem distribuir panfletos com as cobranças horas antes do encontro. Entre as exigências estão pedidos de explicação sobre a atuação de Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula no Parque São Jorge. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a empresa dele recebeu R$ 500 mil do clube, entre 2011 e 2013, sem prestar os serviços para os quais foi contratada pelo departamento de marketing.

O grupo também cobra a apresentação das contas da construção da Arena Corinthians, medidas para diminuir o poder de agentes nas categorias de base, esclarecimentos sobre o contrato com a Omni, que gerencia o programa de sócio-torcedor do clube e gera altos custos, e solução para o imbróglio entre a empresa SPR e os franqueados da rede de lojas oficiais do alvinegro, entre outras reivindicações.

Depois de enfrentarem barulho do lado de fora, os dirigentes também devem ser pressionados dentro da sala de reuniões. Conselheiros querem explicações sobre os recentes problemas no estádio alvinegro, que teve em janeiro dois buracos abertos por infiltrações e, no mês passado, cerca de dez lanchonetes afetadas pelo mesmo problema, além de um pedaço do teto da entrada do setor vip ter desabado.

Na oposição, há quem prometa também indagar o ex-presidente Andrés Sanchez sobre declaração dada por ele a respeito de a construção da arena ser investigada pela lava jato.

A pauta da reunião prevê explicações da diretoria sobre a arena, porém, a convocação não dá detalhes sobre o que será abordado.

Abaixo, leia manifesto feito por sócios e torcedores para cobrar a direção alvinegra.

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O que precisa ser esclarecido na relação entre filho de Lula e Corinthians?
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A contratação de Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula para atuar no marketing do Corinthians, inundou o clube de dúvidas desde que a Folha de S. Paulo publicou que ele teria recebido R$ 500 mil entre 2011 e 2013 sem prestar serviços. Abaixo, veja os principais pontos que necessitam esclarecimento.

Quem pagou?

Conselheiros corintianos querem saber se foi o clube que efetuou os pagamentos para o filho do ex-presidente. Como a Polícia Federal investiga se a contratação de Luiz Claudio tem a ver com a construção da Arena Corinthians, membros do conselho alvinegro indagam se o dinheiro saiu do fundo que controla o estádio ou de alguma empresa ligada à obra. À Folha de S. Paulo, Andrés Sanchez disse que a contratação não tem ligação com a construção.

Qual foi o trabalho feito?

Como a reportagem da Folha de S. Paulo afirma que o filho de Lula recebeu sem trabalhar, conselheiros do clube querem provas do trabalho que foi realizado. E se realmente ele prestou serviços, como afirma Sanchez, por qual motivo pessoas que atuavam no departamento de marketing do Corinthians na ocasião disseram o contrário ao jornal?

Quanto o clube ganhou com o time de futebol americano?

A defesa de Luis Claudio lembra que o Corinthians participa desde 2011 do campeonato nacional de futebol americano organizado por uma empresa do filho do ex-presidente. Falta esclarecer, então, se incluir o time nessa competição foi o único trabalho da empresa e, se foi, quanto o Corinthians faturou com essa participação até agora? Rendeu mais do que os R$ 500 mil pagos a Luis Claudio?

Houve cotação de preços?

O estatuto do Corinthians determina que para todas contratações com valor igual ou superior a cinco salários mínimos, seja feita cotação pelo menos três orçamentos. Os documentos referentes à essa pesquisa de preços devem ficar guardados por cinco anos. Isso foi feito em relação ao contrato envolvendo a empresa do filho do ex-presidente? Se foi, ela tinha o melhor preço? Se não foi, o que justifica sua contratação e o desrespeito às regras do clube?

 


‘Só temos notícia de jornal’, diz cartola corintiano sobre filho de Lula
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Ao blog, o presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Guilherme Gonçalves Strenger, disse não ter o que fazer neste momento em relação à acusação noticiada pela Folha de S.Paulo de que empresa de Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, teria recebido cerca de R$ 500 mil do clube entre 2011 e 2013 sem prestar serviços.

O cartola afirmou que só vai agir se algum sócio ou conselheiro apresentar requerimento pedindo investigação interna, o que não havia acontecido até as 12h14 desta Quarta-Feira de Cinzas.

“Por enquanto, só temos uma notícia de jornal, não temos nenhum documento que justifique uma ação. Não posso me envolver em questões administrativas, já pensou se eu fosse verificar todas as contratações do clube?”, declarou Strenger.

Mesmo se um requerimento for apresentado, não é certeza de que uma investigação interna seja feita para saber se houve tal desperdício com o dinheiro do clube. “Se eu receber, vou examinar e decidir o que fazer, ver se é o caso de dar prosseguimento”, declarou.

Sócios do Corinthians se mobilizam para levar ao Conselho um pedido de explicações por parte de Andrés Sanchez, responsável pela contratação de Luis Claudio para atuar no marketing corintiano, e o início de uma investigação interna. À Folha, Sanchez negou irregularidades. A defesa do filho do ex-presidente também nega.

 


Diretor de futebol tem dever de cobrar apuração sobre filho de Lula
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Atual diretor de futebol do Corinthians, Eduardo Ferreira era conhecido como Edu dos Gaviões, por ser membro da organizada, quando começou a entrar na política corintiana.

Era uma das caras mais conhecidas do Movimento Fora Dualib. Infernizou conselheiros até em peladas no Parque São Jorge para cobrar deles que apurassem denúncias contra a administração Alberto Dualib e que punissem os responsáveis.

O movimento ganhou força no clube e na arquibancada. Dualib acabou deixando a presidência. Foi escorraçado do Corinthians.

De lá para cá, Edu conquistou a confiança de Andrés, foi fiel escudeiro de Roberto de Andrade na última eleição e ganhou o cargo de ajunto na diretoria de futebol (na prática é o diretor, já que oficialmente o posto principal está vago).

Estar na diretoria não impede, porém, que ele exerça seus deveres como conselheiro alvinegro. E, por seu histórico de  luta contra desvios na era Dualib, tem a obrigação de cobrar firmemente a apuração da denúncia publicada pela Folha de que Luis Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, um dos responsáveis por viabilizar o estádio corintiano, teria recebido cerca de R$ 500 mil do Corinthians sem prestar serviços entre 2011 e 2013.

Na opinião deste blogueiro, Edu tem que demonstrar que não tolera malfeitos no clube, seja qual for o sobrenome do suspeito. E, dessa vez, deve ser até mais fácil do que na era Dualib. Isso porque Andrés Sanchez, que levou o filho de Lula para o departamento de marketing do alvinegro, disse à Folha que tem documentos para mostrar a quem quer que seja.

Também não será difícil para Edu, se ele tiver interesse em esclarecer o caso, trabalhar por uma investigação no Conselho Deliberativo do Corinthians. Ele nem era conselheiro quando ajudou, e muito, o clube a investigar as suspeitas na era Dualib. Imagine agora o que pode fazer como membro do conselho e diretor.