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Arquivo : Marco Polo Del Nero

Como briga política pressiona ainda mais árbitro de Corinthians x Palmeiras
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A briga entre o grupo político de Marco Polo Del Nero, situacionista na CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, aumenta a pressão sobre o árbitro do clássico entre Corinthians e Palmeiras neste domingo.

Anderson Daronco já entraria pressionado pelo imbróglio no final do Campeonato Paulista e pelas críticas do Dérbi que apitou em novembro de 2017. Porém, pelo fato de a revolta do alviverde com a FPF ter reflexos na crise política entre Bastos e a cúpula da CBF, a situação do árbitro fica mais delicada.

Um eventual erro grave do juiz a favor do Corinthians deverá dobrar a ira palmeirense. A entidade paulista deixaria de ser o único foco de revolta do clube comandado por Maurício Galiotte. Como o jogo é pelo Brasileirão, a confederação entraria na mira.

Caso uma falha gritante aconteça a favor do Palmeiras, será a vez de o Corinthians disparar contra a CBF. Vale lembrar que Andrés Sanchez é aliado histórico de Bastos. O presidente corintiano não votou em Rogério Caboclo, eleito para assumir a confederação a partir de abril do ano que vem com indicação de Del Nero. Há um histórico de rusgas entre o deputado federal petista e o cartola banido do futebol pela Fifa (ele vai recorrer).

Mais do que isso, o mandatário da FPF pretendia se candidatar à presidência da confederação, mas não conseguiu devido à manobra que fez Caboclo, ungido por Del Nero, ser candidato único.

Nesta semana, como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, o cartola paulista foi retirado de seu cargo na Conmebol pelo atual presidente da CBF, Coronel Nunes. Ele também não vai cuidar mais das Séries B e C do Brasileiro. Os dois postos davam ao dirigente proximidade com cartolas de clubes. O substituto de Bastos na confederação sul-americana será Nunes. É comum presidentes das entidades nacionais ocuparem cargos na Conmebol. O dirigente paulista assumira o posto porque Del Nero não viajava para as reuniões no Paraguai com receio de ser preso por causa de acusações de corrupção que sofre nos Estados Unidos. Ele nega ter cometido crimes.

Nesse cenário bélico, uma atuação impecável de Daronco no clássico é fundamental para a CBF deixar a bomba só nas mãos da FPF. A solução rápida de uma dúvida do juiz consultando seus auxiliares, por exemplo, seria uma “aula” para a entidade chefiada por Bastos. A crise com o Palmeiras começou porque no segundo jogo da final estadual a arbitragem demorou para cancelar um pênalti que havia sido marcado para o alviverde contra o alvinegro. A demora deu início às suspeitas palmeirenses de que houve irregular interferência externa na decisão.

Para esquentar mais o caldeirão do clássico, há um histórico recente de desentendimento entre os jogadores dos times. Os últimos duelos também demonstraram disposição dos atletas em apitar os jogos, pressionando o juiz sempre que possível. Isso aconteceu justamente com Daronco no Dérbi do segundo turno do Brasileirão do ano passado, com muita reclamação palmeirense.

Essa explosiva combinação de fatores fará com que o gramado da Arena Corinthians se transforme num campo minado para a equipe de arbitragem.

 


Justiça cita Copa do Mundo e nega liminar para afastar direção da CBF
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A Justiça do Rio indeferiu nesta quarta (2) pedido de liminar do Ministério Público para afastar a diretoria da CBF enquanto decide sobre o afastamento definitivo.

O promotor Rodrigo Terra pediu a destituição da direção alegando que a reunião que alterou o estatuto da entidade e deu peso maior ao voto das federações foi irregular já que representantes dos times não foram convocados para a assembleia. Ele também via a liminar como necessária para impedir que Marco Polo Del Nero, agora banido definitivamente pela Fifa, em primeira instância, escolhesse seu sucessor mantendo, em tese, influência na entidade. No entanto, a decisão só saiu depois de Rogério Caboclo, escolhido por Del Nero, ser eleito para assumir o posto em abril do ano que vem.

Para o Ministério Público, a eleição de Caboclo não tem valor por ter se concretizado com regras contestadas na Justiça. Por isso, pediu, sem sucesso até aqui, a anulação dos efeitos da assembleia que alterou o estatuto.

O juiz Bruno Monteiro Rulière alegou que não há risco ao resultado do processo para deferir a liminar. Ele afirma que como a nova diretoria só vai tomar posse em 2019, não existe urgência. Outro argumento é o de que o afastamento da direção agora poderia atrapalhar a seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia.

“A manutenção da situação das coisas se afigura recomendável para evitar qualquer instabilidade institucional às vésperas da maior competição futebolística do mundo (a Copa do Mundo), o que poderia, em tese, gerar eventuais prejuízos ao futebol nacional”, escreveu o juiz.

O Ministério Público vai contestar a decisão com um agravo.

Entre as considerações feitas ao se defender, a CBF alega que a reunião foi sem a presença das agremiações por ser administrativa e que não houve irregularidade. Diz também que a pretensão do Ministério Público fere a autonomia das entidades de organização desportiva. Os advogados da confederação ainda alegam, entre outras justificativas, que o MP não tem legitimidade para tratar de questões internas da entidade. Eles lembram que nenhum dos filiados acionou a Justiça. A defesa pediu a extinção da ação sem julgamento do mérito, o que foi negado. Assim, o processo segue.

O juiz entendeu que o Ministério Público tem legitimidade para propor a ação e que o fato de filiados não contestarem judicialmente a assembleia nada muda.

Apesar de negar o afastamento provisório da direção da confederação, Rulière escreveu que “verifica-se aparente ilegalidade” na assembleia que alterou o estatuto. O magistrado sustenta que a Lei Pelé dá o direito de todos os clubes das Séries A e B do Brasileiro de votarem nas assembleias da CBF, independentemente da natureza delas.


Briga de Del Nero contra banimento deve durar pelo menos 18 meses
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A batalha jurídica de Marco Polo Del Nero contra seu banimento do futebol imposto pela Fifa deve durar pelo menos 18 meses, de acordo com a expectativa da defesa do cartola, conforme apurou o blog. Isso se todas as instâncias possíveis forem usadas.

São três as esferas nas quais os dirigente pode contestar a punição aplicada por suposto envolvimento em casos de corrupção negados por ele.

A primeira etapa será recorrer ao Comitê de Apelação da Fifa. Caso a decisão seja mantida, os advogados de Del Nero devem acionar o CAS (Corte Arbitral do Esporte), com sede na Suíça. Se necessária, a última tentativa seria na Corte Federal da Suíça, país em que fica a sede da federação internacional de futebol.

Em linhas gerais, a tese da defesa do brasileiro será de que o Comitê de Ética da Fifa não produziu provas de que ele tenha praticado atos de corrupção. Também serão alegadas imperfeições processuais que teriam prejudicado o direito do acusado de se defender. Marco Polo é defendido nos tribunais esportivos pelo escritório Bichara e Motta Advogados.

A entidade decidiu julgar Del Nero depois de acusações terem sido feitas contra ele na Justiça americana. Primeiro, a Fifa suspendeu preventivamente o então presidente da CBF até decidir pelo banimento.

 


Conselho do Palmeiras quer saber da Fifa se precisa expulsar Del Nero
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Seraphim Del Grande, presidente do conselho deliberativo do Palmeiras, quer saber da Fifa se o clube precisa expulsar Marco Polo Del Nero do órgão e do quadro de sócios do clube depois de o cartola ser banido do futebol pela entidade.

“Já encaminhei para o presidente (Maurício Galiotte) um pedido para ele solicitar à CBF que esclareça isso com a Fifa. Temos urgência porque o Palmeiras pode até ser punido pela Fifa se não cumprir uma determinação dela. Só que não sabemos se fazer parte do conselho é considerado atuar no futebol”, afirmou o dirigente.

Em relação a ser sócio do clube, ele diz que a dúvida existe porque os associados votam para escolher o presidente, que tem atuação no futebol.

“Qualquer que seja a resposta da Fifa, vamos marcar uma reunião extraordinária do conselho para discutir o caso. O estatuto diz que só o conselho pode decidir sobre a expulsão de um conselheiro ou de um sócio”, declarou Del Grande.

Marco Polo nega ter cometido atos de corrupção que motivaram sua punição e vai recorrer contra a decisão.


Opinião: banir Del Nero na prática imediatamente é impossível
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Não será fácil para a Fifa fazer valer na prática sua decisão de banir definitivamente Marco Polo Del Nero por supostos atos de corrupção negados por ele.

A história recente do futebol brasileiro mostra que ex-presidente de entidade não costuma perder imediatamente sua influência. Foi assim com Ricardo Teixeira, que por bom tempo continuou com uma dose de poder após renunciar e passar o bastão para a dupla José Maria Marin e Del Nero, que vai recorrer contra a punição.

No caso atual há um fato prático. Mesmo nas cordas, Marco Polo teve força para fazer de Rogério Caboclo seu sucessor. O novo presidente eleito é seu homem de confiança. Além disso, antes de levar o tiro de misericórdia da Fifa, Del Nero conseguiu conquistar para o seu lado os antigos opositores Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação Baiana, e Francisco Novelletto. Ambos compraram o projeto de Marco Polo para sua sucessão, mesmo sabendo que ele agonizava, e se elegeram vice-presidentes. Irão assumir junto com Caboclo. A posse, incialmente, está prevista para maio do ano que vem.

A partir do momento em que a Fifa considera um presidente de federação nacional culpado, é natural imaginar que a entidade atingida tem interesse em investigar se a mesma foi prejudicada pelos atos do cartola. Mas como esperar que isso aconteça na CBF se o acusado escolheu seus sucessores? Como impedir que os novos dirigentes façam consultas informais com o ex-presidente se preservam boa relação com ele? Del Nero já deixou o seu legado, e não há decisão da Fifa que possa destruí-lo imediatamente. Só o passar dos anos deve enfraquecer Marco Polo.

 


MP pregunta à Fifa se Del Nero violou suspensão em eleição na CBF
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O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou no final de março inquérito para investigar a suposta influência de Marco Polo Del Nero no processo eleitoral na CBF com o objetivo de colocar no poder Rogério Caboclo, seu homem de confiança. As primeiras medidas foram enviar para a Fifa cópias de reportagens sobre suposta manobra do presidente suspenso temporariamente e indagar à Federação Internacional se ele violou a suspensão ao articular a escolha de seu sucessor.

Del Nero está suspenso provisoriamente enquanto a Fifa o julga por acusações de atos de corrupção negados por ele. Mesmo afastado, ele teria articulado com federações estaduais um apoio em massa a Caboclo, eleito presidente nesta semana. Com o suporte das entidades estaduais, não sobraram outras oito instituições para apoiar uma candidatura alternativa. Também era necessário o aval de cinco clubes para um opositor disputar o pleito. Essa suposta articulação é vista como possível manipulação pelo MP.

O blog não conseguiu falar com Del Nero sobre o assunto. A interlocutores, Caboclo assegurou que o presidente suspenso não participou das reuniões que ele fez com dirigentes das federações em busca de votos. O atual CEO da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem.

O promotor Pedro Rubim Borges Fortes também pede que a Fifa compartilhe em até 60 dias com o MP cópia integral dos processos instaurados no Comitê de Ética da entidade relacionados a Del Nero.

No documento que determina a abertura de inquérito, o Ministério Público cita que há “notícia de abuso de poder político e econômico caracterizado pelo pagamento de uma contribuição mensal às federações”. O texto também faz referência à “importância da observância do princípio democrático da imparcialidade e do exercício equilibrado do poder para o direito dos torcedores” em relação à qualidade das competições esportivas.

Outra medida do promotor foi requerer o auxílio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor criado pela Procuradoria-Geral de Justiça.

 


Eleição para presidência da CBF será em 17 de abril
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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, no Rio de Janeiro

A CBF decidiu fazer sua próxima eleição presidencial no dia 17 de abril. Após manobra de Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo, atual CEO da confederação, deve ser candidato único. Depois de 20 federações se comprometerem com o escolhido pelo presidente suspenso pela Fifa, não sobraram oito entidades estaduais para aprovar outra chapa.

É necessário também o aval de cinco clubes das Séries A e B. Caboclo tem o apoio da maioria.

A chapa terá ainda os quatro vice-presidentes atuais da confederação: coronel Nunes, hoje presidente em exercício, Fernando Sarney, Gustavo Feijó e o deputado federal Marcus Antônio Vicente (PP-ES). Como o novo estatuto ampliou para oito o número de vice-presidentes, também estão na chapa de Caboclo os mandatários das federações mineira, Castellar Guimarães Neto, acreana, Antônio Aquino Lopes, gaúcha, Francisco Noveletto, e baiana, Ednaldo Rodrigues, como mostrou o Blog do Marcel Rizzo.

A eleição acontecerá enquanto Del Nero aguarda se ele será punido definitivamente pela Fifa por conta das acusações de suposta prática de corrupção negada por ele, que inicialmente planejava se candidatar. Com Caboclo o cartola assegura que terá um aliado como sucessor. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, queria disputar o cargo, mas ficou sem ação após a estratégia adotada pelo presidente suspenso.

No pleito, o voto das federações terá peso três. Cata indicação de time da Série A terá peso dois, e os votos dos clubes da Série B valerão apenas um. Com candidato único, o valor diferente não importa. Porém, o sistema é contestado pelo Ministério Público na Justiça do Rio. O MP  pede a nulidade da reunião em que a alteração foi feita sob a alegação de que os clubes não participaram da decisão. Também é pedido o afastamento da atual diretoria primeiro em caráter liminar e depois em definitivo.

No mesmo dia da votação, deve acontecer a assembleia para analisar as contas da confederação. A posse do novo presidente está prevista apenas para abril de 2019.


Diretor da CBF que é colega de Andrés no PT ganha espaço no Corinthians
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Numa tacada só, Andrés Sanchez aumentou a representatividade do Corinthians na CBF e na Câmara dos Deputados. Pelo menos em tese. Isso por conta da nomeação do deputado federal Vicente Cândido, petista como o presidente alvinegro, para o cargo de diretor de relações institucionais e internacionais do clube.

O parlamentar ocupa diretoria semelhante na Confederação Brasileira. Ele é diretor de assuntos internacionais.

Cândido chegou à CBF por sua proximidade com Marco Polo Del Nero, presidente suspenso preventivamente pela Fifa por suspeita de envolvimento em casos de corrupção negados por ele. O deputado criou um escritório de advocacia com Del Nero nos tempos em que o cartola atuava na Federação Paulista de Futebol.

Em Brasília, o petista costuma representar os interesses de clubes e federações. Junto com Andrés e outros deputados, ele apresentou projeto de lei que pede o fim da obrigatoriedade de CND (Certidão Negativa de Débitos) para que as agremiações possam participar de competições nacionais. Também é pedida a revogação da necessidade de certificado de regularidade de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e comprovante de que a remuneração dos atletas está em dia.

Sanchez e Cândido são amigos de longa data e possuem boa relação na Câmara como membros do mesmo partido. Vale lembrar que Andrés ainda não cumpriu a promessa de se licenciar do cargo em Brasília feita durante sua campanha para voltar à presidência do clube.

 


Zico pede intervenção na CBF e critica clubes
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Zico em frente ao Pacaembu                      Foto: Ricardo Perrone/UOL

 

No banco traseiro de um carro, durante os 34 minutos do trajeto entre o estádio do Pacaembu e o Aeroporto de Congonhas, o blog entrevistou Zico na última terça (13). O ex-jogador pediu intervenção na CBF, criticou cartolas de clubes por não se rebelarem contra a entidade e defendeu Neymar na polêmica do pênalti com Cavani.

A conversa aconteceu depois de ele participar da série “10×10”, que reúne entrevistas com vários astros que vestiram a camisa 10. A produção vai ao ar em maio pelo Esporte Interativo, canal no qual o Galinho é comentarista.

Abaixo, leia a entrevista em que Zico falou de seleção brasileira, do comportamento suspeito de cartolas da Fifa em sua tentativa de disputar eleição na entidade e da segurança no Rio de janeiro, entre outros temas.

Blog – A convocação do Tite para os últimos amistosos antes da Copa te surpreendeu muito?

Zico – Já tirei essa palavra surpresa do meu dicionário do futebol. O treinador tem todo direito de convocar quem ele acha que deve ser convocado porque é sempre a cabeça dele que está a prêmio. E a gente tem que respeitar isso. Ele é um cara que realmente vai aos estádios, vê os jogos. Então, por tudo aquilo que ele tem feito na seleção, acho que a gente tem que dar uma certa credibilidade a ele no sentido de dar um voto de confiança quando há um nome que as pessoas não esperam.

Blog – O preparador físico da seleção, Fábio Mahseredjian, disse que na lesão do Neymar há um lado positivo: o fato de ele chegar menos desgastado na Copa…

Zico – Isso aconteceu com Ronaldo e Rivaldo em 2002. Eles tiveram tempo suficiente para se recuperar de lesões e se preparar para a Copa do Mundo. Acho que o importante é isso, você conseguir a tempo se recuperar da parte clínica porque a parte física um jovem como o Neymar consegue rapidinho. O problema maior é a confiança na recuperação na parte clínica.

Blog – Tem se discutido muito a questão disciplinar do Neymar e também sobre individualismo. O que você pensa sobre essas duas questões?

Zico – Cara, eu não sou favorável a essa coisa, não. Vejo o Neymar jogando muito bem na seleção. É uma característica dele, das jogadas individuais, é por isso que hoje é o jogador de maior número de assistências no clube dele. E o time sentiu muito a ausência dele no segundo jogo contra o Real Madrid (pela Champions League), por essa falta de assistências, de jogadas individuais que ele cria e que desarma os adversários. Então, lógico, o jogador que tem uma boa condição individual, alguma vezes, é normal que exagere um pouco. Mas é tudo na tentativa de criar condições pro time dele. Se você pegar as médias dele, de assistências, de tudo,  ele tem sido muito mais decisivo do que individualista.

Blog – E a questão disciplinar?

Zico – Isso aí é do ser humano. O que vejo é que o Neymar  tem que ter preocupação quando o time tá perdendo. Aí ele se enerva um pouco mais. Aí ele comete alguns erros disciplinares. Isso que ele tem que entender. Quando você tá perdendo a calma tem que estar acima disso tudo. Não pode se desesperar porque é desarmado. O Neymar é um jogador que a bola pra ele é um grande brinquedo. Então, ele quer ficar com a bola o tempo inteiro. Se o cara tira a bola dele, ele fica revoltado com o cara. E aí ele esquece que é um profissional. Então isso é normal de um garoto que gosta de jogar futebol. É um jogador que não sabe marcar, como eu era. Então ele tem que ter essa tranquilidade. Perdeu a bola, é mais cercar do que ir em cima do adversário pra tirar a bola porque às vezes ele se desespera, faz faltas desnecesárias e corre o risco de sair de um jogo. E ele tem que entender que é importante, não pode deixar um time, uma seleção na mão por causa de um ato impensado.

Zico não vê motivo para Cavani reclamar de Neymar       Foto: AFP PHOTO/CHRISTOPHE SIMON

Blog – Você cita o exemplo de um pênalti que deixou de bater na Copa de 1986 pro Careca cobrar porque ele disputava a artilharia. Neymar teve uma situação semelhante em relação ao Cavani e fez questão de bater. Acha que ele deveria ter tido uma atitude como a sua?

Zico – Isso aí é de cada um. É aquele momento que você vive o clima ali na hora. Não acho que tenha sido errado. Acho que é questão de você saber o que pode ser melhor no momento. Acho que o Cavani não tem que reclamar nada dele porque o Neymar deixa o Cavani toda hora na cara do gol pra fazer gol. Eu, no lugar do Cavani, fico na minha esperando a hora porque uma hora a bola vem no meu pé, às vezes até sem goleiro. Acho que isso é um erro muito grave. Por isso que o Real Madrid é grande, o Barcelona é grande, o Bayern é grande, o Milan já foi grande. Porque essas picuinhas não saem com facilidade (na imprensa). Eles detonam isso logo de cara. E o PSG ainda tá imaturo nessa questão. São muitas coisas que saem e parece que não há uma estrutura adequada pra fazer com que essas coisas não saiam e não perturbem o ambiente.

Blog – Agora sobre Vinícius Júnior. Você acha melhor ele se transferir no meio deste ano para o Real Madrid ou só sair do Flamengo em 2019?

Zico – O melhor é ele continuar jogando. Não tenho dúvida que, chegando lá, se o Real achar que ele ainda não tá preparado, vai fazer alguma coisa com ele (emprestar para alguém). Hoje, eu vejo ele totalmente preparado para jogar de início no time do Flamengo. Se for pra jogar em outro time (emprestado pelo Real), acho melhor ele jogar aqui. Ele já tá consolidado aqui. Lá ele vai ter que ter performance muito boa porque sempre vão estar comparando o valor da transação (45 milhões de euros). Ele sempre vai carregar esse peso. Os caras que custam isso aí, não tem como não fazer esse tipo de comparação hoje no futebol.

Blog – E eu não tenho como não comparar. Se os caras valem tudo isso que valem hoje, quanto você acha que valeria se jogasse nessa época?

Zico – Ah, cara. É difícil porque você tem que colocar em termos de números. Hoje, a valorização de um jogador acontece pelos números dele. De gols, de participação, assistência. Hoje fazem uma matemática nesse sentido. Então, hoje eu seria um jogador muito valorizado por isso, né? Porque eu tinha resultado nessas avaliações.

Quanto valeria Zico hoje?                         Foto: Homero Sérgio -15.out.1988/Folhapress

Blog – Você lembra por quanto foi vendido do Flamengo para a Udinese?

Zico – Lembro. Por quatro milhões de dólares.

Blog – Hoje você não compra ninguém por esse valor.

Zico – É, acho que hoje é difícil (risos).

Blog – Sobre CBF. Marco Polo Del Nero (presidente suspenso preventivamente por acusações de corrupção negadas por ele) fez uma manobra e praticamente assegurou que seu sucessor será Rogério Caboclo (CEO da confederação), que é seu homem de confiança… (Zico interrompe).

Zico – Mas essa manobra não foi feita agora, os clubes silenciaram, aceitaram. Desde o momento em que ele (Del Nero) criou aquele critério dos pesos dos votos (dando peso maior para as entidades estaduais do que para os clubes), tava na cara. Qualquer manobra é pouco perto do que ele fez. Se ele tem as federações nas mãos, desde o momento em que os clubes aceitaram aquilo, aceitam qualquer coisa. Se eles não se rebelaram, é porque eles estão satisfeitos com o que está acontecendo hoje na CBF.

Blog – Parece que os clubes não querem ser ajudados.

Zico – Exatamente. Hoje eu só trabalho pra quem tem uma causa.

Blog – Talvez por isso que você tentou ser candidato à presidência da Fifa, mas não teve vontade de se candidatar à CBF agora?

Zico – Porque a CBF passou, cara. Você chega a um ponto que passa. Ou é naquele momento ou não é. Então, hoje, quando entra o presidente atual da CBF, ele vai ficar 12 anos. Ele (Del Nero) fez um trabalho para ficar 12 anos, só não deu por causa dessa questão da suspensão dele (imposta preventivamente pela Fifa até seu caso ser julgado). Mas tava na cara que isso iria acontecer. Então, hoje, ninguém consegue entrar. Pra se candidatar você precisa de oito federações e cinco clubes. Ele pegou vinte cartas (federações), só sobraram sete. Não tem mais carta para os outros.

Blog – A primeira coisa que deveria mudar é essa exigência de apoios pra se candidatar?

Zico – Claro, a primeira coisa que você tem que mudar é o tipo de eleição. Tem que aumentar o colégio eleitoral. Não sei porque os clubes da Série C e da Série D não têm direito a voto. Por que os atletas não votam? Podia se criar um modelo, atletas que foram campeões mundias, que têm tantos títulos têm direito a voto. Aí você não teria essa possibilidade de ter só um grupo e se eleger. Por isso, hoje ninguém vai conseguir entrar.

Blog – Por isso não te motivou?

Zico – Não me motiva. De maneira nenhuma. Aquele momento da Fifa era importante e aconteceu a mesma coisa. Você tinha que ter cinco cartas (apoios de federações nacionais) pra poder se candidatar, o que é difícil porque esse sistema tá viciado. E um sistema viciado te leva a ter que oferecer alguma coisa. Você fala o teu projeto, aí você para de falar e o cara fica: “e aí?”. Ele quer aquele extra que o pessoal tá acostumado a dar. E não tem esse extra. Daí o cara vai te dar carta? Nunca. Ele não vai ganhar nada com isso. É a troca que eles fazem.

Blog – Chegaram a te propor essa troca na Fifa?

Zico – Eu não falava. Eles não vão propor, né? Porque me conhecendo, eles não vão se meter a falar alguma coisa.

Blog – Mas chegaram a insinuar que queriam algo em troca para te apoiar?

Zico – Basicamente, o cara ficava esperando você falar alguma coisa. Como eu não falava… Eu vi isso no congresso da Fifa. Teria uma eleição após o congresso. Antes de encerrar, o (Joseph) Blatter (ex-presidente da Fifa afastado por acusações de corrupção) falou: “a gente teve um saldo positivo e vai destinar uma quantia tal para todas as federações”. Todo mundo sorriu. Daí ele continuou: “vocês acham que eu devo ser eleito? Quem for a favor levanta o braço.” Todo mundo levantou o braço. Mas dois minutos antes o cara deu uma verba pra cada federação. Isso é vergonhoso. Não é à toa, onde tá o cara? Um dia pegam, né?

Blog – E é difícil imaginar que isso não se reflita aqui.

Zico – Sem dúvida, se você tem um preso (José Maria Marin), outro (Del Nero) não pode sair do país, suspenso, e outro também acusado (Ricardo Teixeira), é sinal de que a conivência é total. (nota do blog: os três cartolas negam terem cometido irregularidades).

Blog – Onde o futebol brasileiro vai parar desse jeito, com cartolas se perpetuando no poder?

Zico – Eu não sei. Se não houver uma intervenção, acho que fica difícil. Acho até que a CBF, na parte de baixo tem trabalhos bons, que às vezes ficam escondidos por causa de quem tá em cima. (Nota do blog: o Ministério Público do Rio tenta obter uma liminar para o afastamento da atual diretoria da confederação com a consequente nomeação de um interventor. Também é pedido o afastamento definitivo por suposta irregularidade na reunião que mudou o peso dos votos já que os clubes não participaram).

Blog – Por falar em intervenção na CBF, o que você pensa da intervenção militar na segurança do Rio?

Zico – Acho que o importante é se fazer qualquer coisa em termos de segurança da população porque isso não pode ser uma coisa pontual, passageira. Tem que ser um projeto que possa trazer benefício pra segurança do Rio de Janeiro. É uma cidade maravilhosa, porta de entrada do Brasil, então, os caras que estão lá vendo acham que a necessidade é essa, temos que dar um voto de confiança. Do jeito que estava, é complicado.

Blog – Como chegamos ao aeroporto, a última: como você vê o estágio atual do futebol carioca, com públicos baixíssimos nos jogos.

Zico – Nota 1. Uma tristeza. O campeonato sendo disputado fora do Estado. Daí você abre o Maracanã pra 5 mil pessoas, 300 pessoas. Não dá. Lamento porque isso já foi motivo de grandes competições, grandes públicos, grandes rivalidades. Você não pode ter um campeonato em que você jogue 11 jogos sendo oito deficitários. É lamentável.

Blog – Por que chegou nessa situação?

Zico – Pela falta de infraestrutura e de valorização da competição.

 

 


CBF decide fazer eleição em abril, e Justiça fica mais pressionada
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Rogério Caboclo, atual diretor-executivo da CBF, deve ser eleito presidente da entidade já em abril. A confederação decidiu fazer a eleição no mesmo dia em que fará uma assembleia para aprovar as suas contas. Assim, já aproveitará a presença dos dirigentes, evitando novo deslocamento. A data do pleito, no entanto, ainda não foi definida oficialmente.

Pelo estatuto da CBF, a eleição poderia acontecer até abril do ano que vem, quando o novo mandatário tomará posse. Porém, foi escolhido o mesmo mês em que a Fifa definirá se pune definitivamente Marco Polo Del Nerto, suspenso preventivamente por atos de corrupção negados por ele.

A decisão de definir o próximo presidente em abril aumenta a pressão para a Justiça do Rio de Janeiro resolver em primeira instância se concede liminar para anular as últimas mudanças estatutárias na entidade e afastar toda a diretoria atual até o caso ser julgado definitivamente.

Como mostrou o blog, o promotor Rodrigo Terra, autor da ação, e o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), responsável por acionar o Ministério do Público, cobram celeridade do juiz Bruno Monteiro Ruliere, que é quem cuida do processo agora. A ação foi distribuída em julho de 2017, mas ainda não houve resolução sobre a liminar.

Promotor e parlamentar alegam que se a decisão não for tomada antes da próxima eleição, o pleito acontecerá com regras contestadas na Justiça.

Terra entrou com a ação porque a CBF mudou seu estatuto numa reunião sem a presença dos clubes. As agremiações nem foram avisadas sobre a assembleia que aumentou o peso do voto das federações. O representante do MP alega que, como as agremiações não foram convocadas para discutir a mudança, houve falta de transparência e descumprimento do Estatuto do Torcedor.

Pelas normas antigas, votavam as 27 federações e os 20 clubes da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. Agora, o de cada federação tem peso 3. Os dos clubes da Série A valem 2. Já a indicação de time da Segunda Divisão possuem valor unitário.

No novo formato, mesmo estando em menor número, as federações continuam ganhando se votarem em conjunto. É o que deve acontecer em abril. Após articulação de Del Nero, a maioria das entidades estaduais se comprometeu a votar em Caboclo, seu homem de confiança. Não sobraram oito federações para apoiar outro candidato, como exigem as regras. Também é necessário o aval de cinco clubes. Desta forma, Caboclo deverá ser candidato único.