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Arquivo : Newton do Chapéu

Opositor aponta gestão temerária no SPFC em ‘caso U2’ e pode ser punido
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Em sua conta no Facebook, Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, candidato de oposição derrotado à presidência do São Paulo, pediu que dois cartolas atuais e um ex-dirigente sejam investigados no Conselho Deliberativo por gestão temerária. Por conta de sua atitude, ele virou alvo de pedido de abertura de procedimento disciplinar interno que pode culminar com uma suspensão do quadro de sócios superior a 270 dias.

O ato temerário, segundo Newton, foi a contratação de Alan Cimerman, demitido do cargo de gerente de marketing sob a acusação de venda de ingressos e camarotes inexistentes para shows no Morumbi. Ele foi demitido por justa causa, mas nega as irregularidades, que seriam relacionadas às apresentações de U2 e Brno Mars no estádio são-paulino.

A tese é de que como a empresa de Cimerman já era acusada de não pagar fornecedores das cerimônias de abertura e encerramento da Copa de 2014, ele não deveria ter sido contratado pelo São Paulo. O ex-gerente diz que o orçamento do COL (Comitê Organizador Local) estourou por causa de mudanças de última hora no programa e afirma que também levou calote do órgão.

A representação contra o opositor foi protocolada pelo conselheiro José Francisco Manssur, vice-presidente de comunicação e marketing do clube na época em que Cimerman foi contratado.

“A ficha corrida do Alan Cimerman era uma constatação cabal de que ele nunca deveria ter sido contratado pelo SPFC. O Leco, Manssur & Pinotti devem responder por gestão temerária”, afirmou Newton em sua página do Facebook, citando também o presidente do clube e o atual diretor executivo de futebol, que na ocasião era diretor de marketing.

O opositor também afirma que o sócio Rui Branquinho divulgou ter sido Manssur o responsável pela contratação de Cimerman. O ex-vice nega ter indicado Cimerman e que Branquinho tenha feito tal afirmação.

Em sua representação contra Newton, protocolada no último dia 18, Manssur diz que foi difamado e teve sua honra atacada pelo opositor. “O único responsável pelos danos que intentou cometer teria sido, supostamente, o ex-funcionário (Cimerman), que aliás foi demitido por justa causa pela atual gestão do São Paulo”, diz trecho do documento.

Pela avaliação inicial, o clube não teve prejuízo financeiro com o suposto esquema de venda ilegal de ingressos. Porém, pessoas e empresas que teriam comprado bilhetes e espaços em camarotes foram prejudicadas em pelo menos R$ 2 milhões nas contas do clube.

Para pedir punição a Newton, Manssur alega que ele feriu o artigo 10 do regimento interno do São Paulo. A regra citada prevê em sua letra “i” punição para sócios que veicularem expressões ofensivas ou desonrosas contra o clube ou membros de seus poderes em razão de suas atividades em qualquer meio de comunicação. A punição, após apuração e defesa do acusado, pode chegar a 270 dias e ser aumentada em 1/3 no caso de o infrator fazer parte de poderes do clube. É o caso de Newton, membro do Conselho Deliberativo.

Manssur protocolou outra representação semelhante citando postagem do opositor questionando as qualidades morais e éticas do ex-vice para assumir a função de produzir estudo sobre a separação das atividades sociais e do futebol do São Paulo.

Em nota endereçada aos sócios do clube na qual afirmou ter conhecimento do pedido de Manssur, Newton confirmou que entende ter havido gestão temerária e disse que seu grupo vai pedir uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo ouvir explicações da diretoria sobre o caso envolvendo Cimerman.


Temor e benesses. Como a Independente ganhou espaço no SP nos últimos anos
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Ligação entre Independente e diretoria tem como elo o conselheiro José Edgard Galvão. Na foto, ele aparece ao centro, com Henrique Gomes, o Baby, à esquerda

José Edgard Galvão (ao centro) e o presidente da Independente, Henrique Gomes, o Baby (à esq.)

Uma relação costurada com temor, benesses, afagos e separações transformou a Independente em parte importante da rotina do São Paulo. Muitas das últimas polêmicas no Morumbi têm o nome da maior torcida organizada tricolor bordado. Um punhado de personagens reluzentes da história recente são-paulina ostenta no currículo pelo menos um episódio com a uniformizada. São os casos de Marcelo Portugal Gouvêa e Juvenal Juvêncio, ambos falecidos, Carlos Miguel Aidar e Abilio Diniz.

Cerca de 14 anos atrás, durante a gestão de Gouvêa como presidente, o relacionamento entre torcida e clube começou a ganhar cores mais fortes. Uma reunião entre o dirigente e representantes da organizada teve a presença do advogado José Edgard Galvão, que trabalhava para o clube. A partir do encontro, ele passou a ser um elo entre a uniformizada e o São Paulo.

“Quando o Juvenal assumiu, percebeu a habilidade que eu tinha para lidar com a torcida e me usou para domar essa relação. Mas nunca influenciei as decisões da Independente”, contou ao blog Galvão, que até hoje tem amizade com membros da organizada. O advogado, que trabalhava com Gouvêa no escritório do dirigente antes de atuar no departamento jurídico do clube, auxiliando também o futebol profissional, afirma que o dirigente que mais simbolizou essa história de amor e ódio foi Juvenal.

“Ele tinha muita habilidade. Por exemplo (usando números fictícios), se dava 800 ingressos por jogo, num momento importante oferecia 1.200 e virava gênio para a torcida. Mas mesmo dando as entradas e comigo trabalhando essa relação, ele enfrentou invasão no CT. Só que quando tinha um problema como esse, o Juvenal endurecia (com a Independente) e depois de um tempo voltava ao normal”, afirmou Galvão.

Juvenal, como outros presidentes, dava uma cota fixa de bilhetes para a organizada, mas, segundo duas pessoas que trabalharam com o dirigente, ele aumentava a carga em situações de risco, como quando tinha receio de um protesto no CT, por exemplo. E Galvão era usado como termômetro do humor dos membros da organizada.

Procurada, a diretoria da Independente disse que não daria entrevista, mas negou que Galvão atuasse como elo entre a entidade e o clube assim como ter direito a cotas fixas de ingressos ao longo dos anos.

Porém, no Morumbi, são muitos os conselheiros, dirigentes e ex-cartolas que apontam o advogado como interlocutor da torcida em diferentes gestões.

Com Aidar não foi diferente. Edgard aproximou a uniformizada do presidente, que chegou a ser fotografado ajeitando a gravata de um dos líderes da torcida.

A boa relação com a uniformizada era representada com uma foto do bandeirão da torcida na sala do departamento jurídico tricolor nos tempos em que Galvão trabalhava lá. Ele foi afastado do cargo com a chegada de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à presidência.

O presidente atual seguiu com a tradição do clube de dar bilhetes para a uniformizada, como admitiu em entrevista à “Folha de S.Paulo”. O blog apurou até que houve um mal-estar na torcida quando um diretor de Leco tratou de ingressos que seriam dados para a uniformizada na despedida de Rogério Ceni com um membro mais ligado à escola de samba da Independente do que à torcida.

Desde o rompimento com a uniformizada e o fim dos ingressos gratuitos a partir dos tumultos após a derrota para o Atlético Nacional (COL) pela Libertadores, em julho, pessoas ligadas à atual gestão apontam a oposição e outros críticos como vinculados à uniformizada.

Para isso, usam basicamente dois fatos. Um deles é a doação que o empresário Abílio Diniz, crítico da administração atual, fez para ajudar a escola de samba da Independente antes do último Carnaval. O empresário, que não é conselheiro do clube, confirma a contribuição pontual, mas nega vínculo com a torcida. O outro episódio usado pelos situacionistas é a visita que Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, conselheiro oposicionista, fez à escola de samba da Independente uma semana antes de a torcida participar da invasão ao CT da Barra Funda. Ele diz que esteve lá porque gosta de samba e negou ligação com o ato de vandalismo.

O tumulto no CT deixou sob os holofotes a relação de outro ilustre são-paulino com a organizada. O ator Henri Castelli, próximo da Independente, gravou mensagem convocado torcedores a irem ao protesto que acabou em confusão.

Mas a oposição também aponta o dedo para a situação quando o assunto é Independente. Recentemente, em reunião do Conselho Deliberativo, o opositor Antônio Donizetti Gonçalves, o Dedé, acusou o vice-presidente de comunicações e marketing do São Paulo, José Francisco Cimino Manssur, de passar mensagem para um dos líderes da Independente com seu endereço, após afirmar que ele é santista. Manssur nega que tenha feito isso e diz que é preciso fazer uma perícia no celular em que Dedé guarda a mensagem e a qual o blog teve acesso para saber se ela é verdadeira.

Conversas entre líderes da torcida, dirigentes de diferentes gestões e conselheiros por meio de aplicativos e por telefone não são raras, segundo cartolas tricolores. Alguns afirmam que são procurados pelos torcedores e que conversam com medo de represálias. Já a Independente nega interferir na política são-paulina e se envolver com membros do conselho ou da diretoria.


Opositor de Leco vai ao MP para tentar provar que não articulou invasão
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Em nota oficial, o São Paulo insinuou que a invasão ao seu CT por torcedores teve o dedo da oposição, mais especificamente de Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, derrotado na última eleição para a presidência do clube. Ao blog, ele confirmou que esteve no sábado retrasado na escola de Samba da Torcida Independente, mas negou que tenha articulado o protesto.

Newton afirmou que vai encaminhar autorização para o Ministério Público quebrar seus sigilos fiscal e telefônico a fim de que o órgão investigue a acusação feita pelo clube. Em seu comunicado oficial sobre o tema, o São Paulo declarou que o ato foi “infelizmente fomentado por figuras que recentemente participaram de festejo com uma das torcidas presentes”. Em entrevista coletiva, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente são-paulino, também demonstrou acreditar que o ato teve a participação da oposição.

“Pedirei ainda a quebra de sigilo telefônico e fiscal/financeiro de toda a diretoria do São Paulo, assim poderemos verificar todas as questões”.

Henrique Gomes, o Baby, presidente da Independente, principal torcida organizada do São Paulo, também negou que o movimento tenha sido articulado pela oposição e que uma das motivações seja a decisão da diretoria de parar de dar ingressos para as uniformizadas. “Mentira. Torcedor comum e organizadas estiveram presentes. Se não damos um chacoalhão agora, ano que vem é Série B”, disse o torcedor.

Abaixo, veja na íntegra nota encaminhada por Newton ao blog sobre o assunto.

“Adoro samba, inclusive sou um dos compositores, e disputei na escola de samba Dragões da Real, o samba enredo do carnaval de 2017, que perdi para um samba que considero melhor que o meu.

Estive na escola de samba Torcida Independente, no sábado passado, fui na quadra da Rosas de Ouro e, posteriormente, sugeri a criação do sócio torcedor uniformizado, proposta que encaminhei ontem ao presidente do Conselho para que a diretoria analisasse.

Enviarei uma autorização na segunda feira, para o Ministério Público Estadual, autorizando a quebra do meu sigilo telefônico, fiscal/financeiro, para que sejam investigadas as acusações feitas pelo comunicado do SPFC.

Pedirei ainda, a quebra do sigilo telefônico, fiscal/financeiro de toda a diretoria do SPFC, assim poderemos identificar todas as questões.

Outrossim, informo que em janeiro, foi divulgada declaração do Leco, onde afirmava categoricamente, na folha de São Paulo, a doação de 1.500 ingressos por jogo as organizadas”.

 


Maidana é chamado no MP para esclarecer transferência para SPFC
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O Ministério Público paulista iniciou investigação sobre o caso Iago Maidana, jogador contratado pelo São Paulo no ano passado, após registro em um clube ponte e investimento de empresários, procedimento vetado pela Fifa.

Foram notificados para prestar esclarecimentos no MP no próximo dia 24, Maidana e, na condição de testemunha, Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, ex-candidato à presidência do clube tricolor e um dos conselheiros que enviaram uma série de denúncias envolvendo a administração de Carlos Miguel Aidar para a promotoria.

A notificação foi pedida pelos promotores Arthur Pinto de Lemos Júnior, Roberto Victor Anelli Bodini, Marcelo Batlouni Mendroni e Joel Carlos Moreira Silveira, todos do  Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos). O MP pretende estender a investigação a clubes pequenos do Estado que supostamente serviriam como pontes para empresas. Por isso, também tomou providências em relação ao Brasa, clube de Mirassol.

Os promotores ainda determinaram que o departamento jurídico a CBF envie documentos referentes a todos os jogadores negociados por Monte Cristo, de 2010 a 2015, e Brasa, de 2008 a 2013. Dirigentes do Criciúma e do Monte Cristo também serão ouvidos.

Antes de desembarcar nas categorias de base do São Paulo, Maidana foi envolvido numa operação em que a empresa Itaquerão Soccer admitiu ter pago R$ 800 mil por 30% de seus direitos econômicos junto ao Criciúma. Ele ficou dois dias registrado no Monte Cristo, de Goiás, e viu 60% de seus direitos econômicos serem vendidos ao São Paulo por R$ 2,4 milhões.

 

 


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