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Rotina de troca de técnicos no Palmeiras ajudou Cruzeiro a manter Mano
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O histórico palmeirense de trocas de treinadores na mesma temporada nos últimos anos pesou a favor da decisão de Mano Menezes de renovar contrato com o Cruzeiro, conforme apurou o blog.

Desde 2013, com Gilson Kleina, o alviverde não completa uma temporada sem mudar de treinador. Em 2017, o interino Alberto Valentim é o terceiro a comandar a equipe, que contou antes com Eduardo Baptista e Cuca.

Tal rodízio no comando não combina com os planos de Mano, defensor da tese de que os treinadores precisam de tempo para atingir os resultados esperados. Nesse ponto, o Cruzeiro falou a mesma língua que ele ao oferecer contrato até dezembro de 2019.

O atual campeão da Copa do Brasil avaliou que seria mais interessante dar continuidade a seu trabalho do que começar do zero em outro clube. Ainda que esse clube fosse o Palmeiras, que com a ajuda das parceiras Crefisa e FAM é um dos clubes do país com mais poder de fogo para contratar.

Mano ouviu da diretoria cruzeirense que seus pedidos por reforços serão atendidos e que o time na próxima temporada será competitivo. Além disso, recebeu considerável valorização financeira.

Nesse cenário, o técnico avaliou que não seria hora de mudar de ares.


Empresa criada pela WTorre para arena do Palmeiras sofre pedido de falência
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A Real Arenas, empresa criada pela WTorre para implementar o projeto da arena palmeirense, teve a decretação de sua falência pedida na Justiça no último dia 9. A ação é de autoria da Beltgroup do Brasil, credora do braço da construtora para o Allianz Parque.

A origem da dívida é a compra de divisores de fluxo (pedestais usados para organizar filas) e displays informativos no montante de R$ 95 mil. Esse é o valor sem atualização. A conta deveria ter sido paga parceladamente em abril e maio de 2015, mas a companhia vendedora alega que nada recebeu.

Em nota enviada ao blog, a Real Arenas disse que há discordâncias com a credora mas que não comenta processos judiciais em andamento (leia o posicionamento completo no final do post). Já o departamento jurídico do Palmeiras preferiu não se manifestar.

Acusada de não pagamento, a empresa foi constituída pela WTorre para receber o direito de uso do terreno (cessão do direito de superfície) em que está a casa alviverde para a construção e exploração do estádio. Ela é a responsável pelo contrato com o clube.

A partir do recebimento da notificação, a  Real Arenas tem dez dias para contestar a ação ou depositar a quantia cobrada, corrigida e acrescida de juros de 1% ao mês desde o vencimento até a citação, além de honorários advocatícios. O pedido é para que, em caso de não pagamento, a falência seja decretada com ou sem contestação.

A empresa ligada à WTorre já enfrentou ação semelhante e quitou a dívida, evitando ser considerada falida pela Justiça.

Se falência for determinada, um administrador será nomeado judicialmente. Cabe a ele criar um comitê de credores e levantar os bens da empresa falida para que eles sejam revertidos para os cobradores. No caso ligado ao Allianz Parque, seriam analisados todos os contratos assinados pela Real Arenas. As receitas geradas por eles para a empresa seriam controladas pelo administrador para o pagamento dos credores. Em tese, não há risco de o estádio ser fechado numa eventual falência da empresa, pois isso só dificultaria o pagamento de débitos.

De acordo com dados disponíveis na Junta Comercial de São Paulo, a Real Arenas tem entre seus sócios Walter Torre Júnior, que empresta seu sobrenome à responsável pela construção do estádio do Palmeiras.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada pela empresa.

“A Real Arenas não comenta processos judiciais em andamento. Informamos apenas que existem discordâncias que estão sendo discutidas na Justiça. Contudo, a empresa destaca, em respeito ao torcedor palmeirense, que a operação da arena é absolutamente rentável e, em apenas três anos de operação, já registra lucro. Afirmamos ainda que esses bons resultados fazem com que a unidade de negócio responsável pela administração do estádio estime o retorno do investimento entre oito e dez anos e não mais em quinze, como era esperado no início do projeto”.

 


Ofuscado por Mano, Alberto Valentim tem lobby no Palmeiras
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Com Danilo Lavieri e José Edgar de Matos, do UOL, em São Paulo

Assim que o Palmeiras oficializou a saída de Cuca, Alberto Valentim ganhou um lobby no clube para ser efetivado como treinador visando a próxima temporada. O apoio vem de conselheiros de diferentes correntes, mas não abala o favoritismo do cruzeirense Mano Menezes para ocupar o cargo.

O técnico interino é definido por seus defensores como estudioso, moderno, conhecedor do clube e bem relacionado com os jogadores. Ele também é visto como uma opção barata, o que, em tese, agradaria a Mustafá Contursi. O ex-presidente é um dos conselheiros mais influentes e prega permanentemente a austeridade financeira, apesar de atualmente as finanças alviverdes irem bem.

Recentes experiências bem-sucedidas com ex-assistentes também escoram os pedidos por uma chance para Valentim. São lembrados por conselheiros os nomes de Jair Ventura (Botafogo), Zé Ricardo (ex-Flamengo e hoje no Vasco) e do corintiano Fábio Carille.

Apesar de o ex-auxiliar agradar profissionalmente ao presidente do clube, Maurício Galiotte, a diretoria palmeirense avalia que não pode correr o risco em 2018 de mais uma vez precisar trocar de técnico durante a temporada. Isso dá força à escolha de alguém mais experiente, como Mano.

Ao falar sobre a saída de Cuca na semana passada, em entrevista coletiva, Galiotte elogiou o ex-auxiliar.  “Ele ainda está em evolução, tem características modernas e hoje é o técnico do Palmeiras. Enquanto a gente não tiver nenhuma outra notícia, ele é o técnico do Palmeiras”, declarou o dirigente.

Após deixar o clube em dezembro do ano passado, Valentim retornou em junho a pedido de Cuca. Fora do Palmeiras, ele teve a oportunidade de trabalhar como treinador do Red Bull.

A chance de o interino ser efetivado é remota e passa por um eventual fracasso na tentativa do alviverde de contratar Mano. O Cruzeiro tenta manter seu comandante.


Seis desafios para o técnico do Palmeiras em 2018
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1 – Resgatar a tradição do clube de jogar de maneira ofensiva e vistosa. A exigência da torcida é ainda maior por conta do caro elenco atual.

2  – Conviver em harmonia com o diretor remunerado Alexandre Mattos, que tem carta branca dada pelo presidente Maurício Gagliotte e trabalha fortemente por suas ideias. Foi assim quando se empenhou para reintegrar Felipe Melo.

3 – Fazer deslanchar jogadores contratados com aporte financeiro da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas). Borja é o caso mais emblemático. Há constante temor no Palmeiras de que Leila Pereira se irrite com o fato de ver jogadores nos quais investiu pesado serem subaproveitados.

4 – Domar Felipe Melo. Cuca fracassou nessa missão com ares de impossível.

5 – Ter um ambiente harmônico no vestiário, apesar da acirrada disputa por posições.

6 – Avaliar os investimentos a serem feitos para 2018. Os altos gastos com alguns jogadores aumentaram a pressão sobre o elenco e Eduardo Baptista e depois Cuca. O trabalho é alertar Mattos e Leila sobre o real valor dos atletas a serem contratados.


Opinião: planejamento falho, sombra de 2016 e Corinthians complicaram Cuca
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O trabalho de Cuca em seu retorno ao Palmeiras foi prejudicado por falhas de planejamento, por contratações de peso, pela sombra do desempenho da equipe comandada por ele no ano passado e pela liderança folgada do Corinthians no Brasileirão.

A montagem da equipe foi feita para agradar Eduardo Baptista, o que resultou num elenco com jogadores que não satisfizeram Cuca em sua volta. Casos simbolizados por Borja e Felipe Melo. Ambos chegaram como estrelas e o fato de não estarem entre os preferidos do treinador gerou turbulência no vestiário. Basta lembrar o episódio que culminou com o afastamento de Felipe Melo.

Como foi Cuca que decidiu deixar o alviverde no final de 2016 por assuntos particulares, ele também tem uma ponta de participação no planejamento falho do clube. Sua permanência representaria uma reciclagem mais natural do elenco.

Apesar dos problemas enfrentados, o rendimento atual do Palmeiras não justifica troca de técnico quase no final do ano. Ser eliminado da Libertadores pelo Barcelona de Guayaquil nas oitavas de final, nos pênaltis, não chega a ser um vexame. Afinal, o time equatoriano está nas semifinais do torneio.

Ocupar a quinta posição no Brasileirão também está longe de ser motivo para troca de treinador. Mas pesa o fato de o principal rival palmeirense ser o líder com 14 pontos de vantagem sobre o time comandado por Cuca. Essa diferença abissal conquistada pelo Corinthians faz a campanha do Palmeiras parecer pior do que é. E a cobrança sobre o técnico aumenta quando se coloca na análise os gastos com reforços de peso, como Borja.

O quadro desfavorável para Cuca se fecha com a permanente comparação entre o trabalho dele na conquista do Brasileirão de 2016, com um time menos badalado que o atual.

Apesar da pressão gerada pela soma desses elementos, na opinião deste blogueiro, o melhor teria sido segurar Cuca. O cara que era considerado o melhor técnico treinando clubes brasileiros na última temporada não piorou tanto assim para explicar a sua saída. O clube diz que o rompimento foi em comum acordo entre as partes. Então, tanto a diretoria quanto o treinador deveriam insistir mais na parceria. A continuidade representaria para o Palmeiras não começar do zero em 2018 e ter um técnico competente, que conhece bem o elenco, assim como os bastidores da agremiação.


Estafe de Lucas Lima vê exterior como destino provável do meia
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Lucas Lima vai trocar o Santos pelo Palmeiras na próxima temporada? O estafe do meia diz não acreditar nessa possibilidade. O cenário descrito como mais provável pelos profissionais que cuidam da carreira do jogador é uma transferência para o exterior.

O argumento é de que um clube médio da Europa ou uma equipe de mercado secundário, mas bilionário, como o chinês, pode oferecer muito mais dinheiro do que o alviverde ou outra agremiação brasileira.

Nos inícios de 2016 e 2017, Lucas recusou ofertas do futebol chinês. Porém, o entendimento hoje é de que, caso não apareça oferta da Europa e os chineses voltem a apresentar proposta, dessa vez o meia aceite negociar. Depois de Renato Augusto e Paulinho, hoje no Barcelona, ganharem espaço na seleção brasileira mesmo jogando na China, a avaliação é de que uma eventual mudança para o país asiático não teria influência decisiva nas chances de o meia jogar a Copa da Rússia no próximo ano.

Mas a Europa continua sendo o destino preferido do atleta. E seu estafe também acredita que é viável aparecer um clube interessado. Nesse momento, no entanto, o discurso é de que não houve oferta oficial de times estrangeiros ou brasileiros (nem do alviverde), apesar de o meia já estar livre para assinar pré-contrato, uma vez que seu compromisso com o Santos termina em dezembro.

A permanência na Vila Belmiro é vista como desinteressante. Apesar de a oferta salarial feita para a renovação ser considerada muito boa pela equipe que assessora o jogador, a aposta é de que ela será facilmente superada por um clube do exterior no final do ano.

Para o estafe do atleta, aos 27 anos, ele precisa fazer agora o grande contrato de sua carreira em termos financeiros. Ainda mais no momento que estará livre de vínculo, o que diminui os custos para os interessados e, em tese, aumenta o valor que ele pode receber de luvas pela transferência. A situação é vista como única na carreira.


Cinco casos em que o São Paulo repete grandes rebaixados
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1 – Ídolo no comando

Em julho de 2016, o Internacional apostou em Falcão, um dos maiores ídolos de sua história, como treinador. Menos de um mês depois, ele foi demitido por causa dos maus resultados. No fim do ano, os gaúchos foram rebaixados para a Série B. Em 2017, o São Paulo montou seu planejamento com Rogério Ceni estreando na função de técnico. No início de julho, ele foi despedido por conta do risco de rebaixamento. Porém, com Dorival Júnior, a equipe segue ameaçada e ocupa a penúltima posição do Brasileiro.

2 – Crise política e caso policial

A queda do Corinthians para a Série B em 2007 foi precedida por um dos períodos mais turbulentos nos bastidores do clube. Acuado por denúncias, como a acusação de uso de notas fiscais frias em sua gestão, Alberto Dualib renunciou ao cargo em setembro. O rebaixamento aconteceria em dezembro. O São Paulo enfrentou a renuncia de um presidente (Carlos Miguel Aidar) em 2015, após denúncias de irregularidades. A saída do dirigente não significou calmaria. No mês passado, por exemplo, a pedido da diretoria, o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) abriu inquérito para apurar a suposta comercialização irregular de ingressos e camarotes para shows do U2 e de Bruno Mars no Morumbi. As suspeitas culminaram com a demissão por justa causa do gerente de marketing Alan Cimerman, que nega as acusações.

3 – Estrangeiros na berlinda

Esperança da torcida do Palmeiras, Valdivia foi um dos jogadores mais cornetados na campanha do rebaixamento para a Série B em 2012. Lesões, seu comportamento fora de campo e a acusação de falta de comprometimento compuseram o cenário que fez o chileno ser detonado nas arquibancadas e por cartolas. Hoje, a crise são-paulina tem o peruano Cueva como um dos personagens. Ele também é acusado por dirigentes e parte dos companheiros de não estar comprometido como deveria com a equipe e tem seu preparo físico questionado.

4 – Desentendimentos entre atletas

Enquanto tentava evitar o rebaixamento em 2012, o palmeiras sofria internamente com o confronto entre Marcos Assunção e Valdivia. Em 2015, durante entrevista ao “Diário de S.Paulo”, assunção disse que chegou a dar um soco no chileno após uma discussão, além de fazer uma série de críticas ao ex-companheiro, rebatendo afirmações dele dadas ao “Estado de S.Paulo”. Nos último dias, o São Paulo viveu turbulência por conta de troca de farpas entre Rodrigo Caio e Cueva, que nesta segunda pediu publicamente desculpas ao zagueiro.

5 – Time grande não cai

“O Inter não vai cair”, disse Fernando Carvalho, então vice de futebol do colorado em setembro de 2016. No final do ano, seu clube caiu para a segunda divisão nacional. “Venho afirmar mais uma vez e garantir: não tem hipótese de rebaixamento do Vasco”, declarou Eurico Miranda em julho de 2015. A temporada terminou com a agremiação presidida por ele de volta à Série B. Na última segunda, foi a vez de Cueva decretar: “o São Paulo é grande, não vai cair.”

 

 


Volta de Felipe Melo gera incertezas na comissão técnica do Palmeiras
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A reintegração de Felipe Melo gera incertezas na comissão técnica do Palmeiras. Pelo menos parte dela tem dúvidas em relação a como o volante vai se comportar diante da rotina de não ser escalado.

O temor é de que no início ele seja comportado, mas que se revolte com o não aproveitamento e a partir daí repita, ainda que internamente, os ataques que fez a Cuca em áudio, impedido um ambiente sadio no vestiário palmeirense.

Nesse cenário, as palavras de arrependimento do jogador, que afirmou em entrevista coletiva que o áudio no qual chamou o técnico de mau caráter não representa seu pensamento verdadeiro, são vistas como voláteis, podendo ser apagadas dependendo do que acontecer com o atleta nos próximos meses.

E há a certeza de que as chances de ele ser aproveitado são remotas. Se Melo já era visto como um jogador que não se encaixava nas exigências táticas de Cuca, a situação piorou para o meia agora que o técnico definiu uma nova forma de jogar. A conclusão do treinador é de que para furar esquemas rígidos de marcação ele precisa de quatro meio-campistas que tenham facilidade para manter a posse de bola e que se movimentem muito a fim de encontrar espaços. A análise é de que falta essa mobilidade para o jogador reintegrado.

O sentimento de ao menos parte da comissão técnica é de que Felipe volta justamente no momento em que Cuca encontrou o caminho das pedras para uma campanha mais regular no Brasileiro e depois de superada uma das fases mais delicadas desde o seu retorno. Havia a desconfiança na comissão de que o grupo de trabalho comandado pelo técnico seria demitido em caso de derrota para o São Paulo, mas o Palmeiras venceu o clássico.

Apesar das ressalvas, toda a comissão técnica decidiu não contestar a decisão da diretoria, que reintegrou Felipe Melo principalmente para evitar uma disputa na Justiça. O jogador poderia entrar com uma ação exigindo a rescisão contratual e o pagamento de seus salários até o fim do contrato alegando descumprimento do compromisso por parte do empregador e assédio moral.


Cobranças de parentes de vítimas mudam opinião sobre Chape, diz cartola
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Entrevista com Rui Costa, diretor executivo de futebol da Chapecoense.

Como você analisa a reconstrução da Chape até aqui?

Cumprimos com as etapas estipuladas até aqui. Reconstruímos o departamento de futebol. A meta foi alcançada no Campeonato Catarinense com o bicampeonato. Tivemos uma participação mais do que digna na Libertadores. O time estava classificado e foi eliminado por uma manobra. A Chapecoense estava classificada e começou a virar um grande inconveniente, porque ninguém esperava, mas essa é uma outra história. A Copa Sul-Americana está aberta. Tínhamos um compromisso moral (jogar na Espanha em meio ao Brasileiro) com o Barcelona, único clube que nos deu apoio financeiro, associou sua marca à nossa e isso deu um retorno incrível. Só ficamos no Z4 quando estávamos com um jogo a menos. Agora, se ganharmos do Corinthians (nesta quarta), o que já se provou que não é impossível, o resultado vai nos remeter ao que queremos (se afastar da zona de rebaixamento). Permanecer na Série A é nossa meta. Num ano difícil para o clube a meta é terminar o Brasileiro de maneira digna. Se vencermos o Corinthians, vamos nos encaminhar bem para terminar o campeonato de maneira digna.

Então, o jogo com o Corinthians é chave para o planejamento de vocês?

Não. O momento chave era contra o Palmeiras porque estávamos voltando de uma viagem desgastante (para Europa e Japão) e logo enfrentando o adversário que talvez tenha o melhor elenco da América Latina. Uma derrota poderia consolidar nossa posição no Z4, seria a segunda derrota seguida na competição  e sofreríamos muita pressão externa. Mas ganhamos (por 2 a 0). Agora, o jogo do Corinthians é a chance de confirmação do que podemos fazer. Já empatamos com eles fora de casa. Então podemos confirmar que somos capazes de conseguir um bom resultado no nosso estádio. Já ganhamos do São Paulo, ganhamos do Palmeiras duas vezes. Vamos ter uma chance contra o Corinthians de confirmar essa capacidade. Se ganharmos vamos nos distanciar do grupo de baixo e mandar um recado pra muita gente, mas o momento chave foi contra o Palmeiras.

Bons resultados contra times paulistas é só coincidência?

Vejo isso como uma forma de ilustrar que nosso trabalho tem consistência. Jogamos bem contra adversários do Estado que talvez tenha o melhor futebol do Brasil. Todos têm uma grande estrutura. Se ganhamos do Palmeiras fora, podemos buscar o melhor contra o Corinthians. Esse é o grande recado para os atletas.

O fato de o Corinthians ter perdido seu último jogo para o Vitória, que também luta contra o rebaixamento, pode de alguma forma ajudar a Chape?

Não. O Corinthians é um time que tem muito a cara do seu treinador, respeita seus adversários e até as limitações que têm. É líder mas tem limitações. O que mais chama atenção é que os atletas são abnegados, têm comprometimento tático. Eles jogam assim contra todos adversários e não vão desconsiderar o jogo (em Chapecó).

Esportivamente, foi ruim para a Chapecoense ir jogar com o Barcelona, por causa do desgaste?

Foi cansativo, mas foi muito importante para os jogadores, para o clube e para mim mesmo, pelo conhecimento que adquirimos. Ninguém foi lá a passeio. Desportivamente foi impressionante. Você olhava para o lado e o Messi estava a metros de um jogador meu da base.

Qual episódio com o Messi que mais marcou?

A gentileza e a generosidade dele. Foi ao contrário daquela imagem de que ele é quase alheio às coisas. A maneira como ele foi extremamente generoso com todos do nosso time foi o ponto alto. O lado humano pesou muito.

Ter São Paulo e Vasco lutando também contra o rebaixamento preocupa?

Sim. Eles não são da turma de baixo. Vão fazer todos os esforços para sair de lá e isso nos pressiona.

Existe na Chapecoense alguém arrependido por não ter aceitado aquela tese de alguns clubes que defendiam que o time não fosse rebaixado mesmo se ficasse entre os quatro últimos para poder se recuperar melhor da tragédia?

Mesmo nos momentos mais difíceis ninguém mencionou que seria melhor ter essa blindagem. O povo de Chapecó tem a luta em seu DNA. Não lutar (para evitar a queda) seria se apequenar. Hoje (em Chapecó), a gente é cobrado, criticado, como qualquer time. Não queremos que o clube seja coitadinho, queremos que seja o clube reconstruído.

O fato de familiares das vítimas reclamarem do tratamento que recebem do clube, cobrarem indenizações e fazerem outras críticas tem feito a Chapecoense ser hostilizada por onde passa?

Ainda não. Pode ser que aconteça. Há uma reversão de imagem. Era o clube mais querido, o que tinha mais sofrido. A partir do momento e quem versões foram colocadas, elas começaram a ganhar força. A gente lá no vestiário percebe que há uma imagem um pouco diferente da Chapecoense hoje. Se isso vai aumentar, eu não sei. Sempre que temos alguma conquista aprecem matérias das famílias (fazendo cobrança), como se estivéssemos usurpando alguma coisa, fazendo desaforo para as famílias. Não falo como dirigente, representando o clube, mas a minha opinião pessoal é que as coisas vão melhorar se os dois lados estiverem juntos.

O deputado federal Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, disse que ‘todo mundo sabe por que  Vágner Mancini saiu da Chapecoense, as coisas que ele fez,  e tudo que rola por trás disso’. Existe algo nebuloso na demissão do Mancini (hoje treinador do Vitória)?

Não teve nada nebuloso. Não sei o que o Sanchez quis dizer, mas não teve nenhuma situação excepcional, nada não revelável, nada de quebra de confiança. Ele saiu da Chapecoense pela porta da frente. Não posso fazer nenhum comentário que não seja para ressaltar a importância do trabalho dele para o clube, não tenho nenhum reparo na questão pessoal para fazer. Ele saiu porque o ciclo se encerrou, o que é normal no futebol.


‘Fico’ de Cuca mantém impasse na situação de Felipe Melo
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A declaração de Cuca sobre ficar no Palmeiras “até o fim”, dada após a derrota para a Chapecoense, no último domingo (20), mantém o impasse na situação do volante Felipe Melo. Membro do estafe do jogador afirma ter recebido sinalização na semana passada de que o treinador poderia deixar o clube e o jogador ser reintegrado imediatamente. Oficialmente, no entanto, a diretoria palmeirense nunca admitiu a possibilidade de saída do técnico.

Havia entre conselheiros do clube a expectativa de que o técnico pedisse demissão em caso de novo resultado negativo, o que Cuca contrariou após a partida no Allianz Parque.

O estafe de Melo, afastado pelo técnico, deixou claro para o Palmeiras não ter interesse em atrelar a situação do jogador ao futuro do treinador, buscando uma solução independente. Mas, como não houve solução para o imbróglio, a eventual saída do comandante provavelmente culminaria com a reintegração do volante.

Com Cuca mostrando interesse em ficar e nenhum sinal público da diretoria alviverde em demitir o técnico, a semana começa para Melo na mesma. Ele segue separado dos demais e sem acordo fechado para sua saída.

O desejo do jogador é receber pelo menos parte do dinheiro a que teria direito até o final de seu contrato, em 2019, para rescindir o compromisso amigavelmente. Caso isso não aconteça, ele pode entrar na Justiça do trabalho para pedir a rescisão e o pagamento de tudo o que tem a receber. Alegaria que o clube descumpriu o contrato e o assediou moralmente ao não deixar o volante treinar com os companheiros. A alegação é a de que ele não tem recebido as mesmas condições para trabalhar que os colegas.

Por sua vez, o Palmeiras nega ter cometido irregularidades.

Quanto mais tempo o jogador treina separadamente dos colegas, em tese, ele tem mais argumentos para alegar o assédio moral. Isso porque a Justiça leva em repetição da conduta por parte do empregador.