Blog do Perrone

Arquivo : Roberto de Andrade

Presidente admite dívida com dois, mas outros atletas cobram o Corinthians
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Roberto de Andrade afirmou nesta quinta (26) ao canal Fox Sports que o Corinthians deve luvas apenas para Jô e Gabriel entre os jogadores do elenco. Em seguida, disse que com o volante está tudo praticamente em dia. Porém, internamente, os estafes de pelo menos mais dois atletas cobram o clube: Jadson e Pedrinho.

Em ambos os casos os valores alegados são referentes a luvas. Em relação a Jadson, a cobrança feita junto à diretoria é de parte de uma parcela que deveria ter sido paga logo após o retorno dele ao time, no início do ano, e outra vencida em outubro. Com Pedrinho a conta é de três parcelas de luvas atrasadas.

Além das luvas, são contabilizadas comissões que não teriam sido pagas aos agentes dos dois jogadores.

A assessoria de imprensa do Corinthians afirmou que o clube não comentará o assunto e que se há algum problema os empresários entram em contato com a diretoria. Emerson Piovezan, diretor financeiro, e Flávio Adauto, diretor de futebol, não responderam até a publicação deste post às mensagens enviadas pelo blog.

Integrantes dos estafes de Jadson e Pedrinho também não quiseram dar entrevista sobre o tema.


Como Carille entra na disputa eleitoral no Corinthians
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A escolha de Fábio Carille como técnico do Corinthians, líder com folga do Brasileirão, entrou na pauta política da próxima eleição presidencial no clube, prevista para fevereiro de 2018. Em discussão está a “paternidade” da decisão de efetivar o ex-auxiliar como treinador.

Em recente entrevista ao programa Bandsports News, Andrés Sanchez, nome mais cotado para ser o candidato da situação, afirmou que o corintiano será o próximo técnico da seleção brasileira. Declarou ainda que, pela sua vontade, o jovem treinador estaria há mais tempo no comando do time. “Carille não me surpreende. Pelo contrário. Ele tinha que ter ficado até o final do ano (2016) quando o Cristóvão saiu. Foi opção do presidente (Roberto de Andrade contratar Oswaldo de Oliveira). Se deu errado, todo mundo critica. Ele colocou o Carille esse ano e todo mundo achou uma loucura. Hoje, ele já é o melhor técnico do Brasil”, declarou o ex-presidente corintiano para a Band.

Andrés, porém, não explicou porque indicou Cristóvão para assumir o lugar de Tite e não sugeriu a efetivação de Carille na ocasião. Quando Oswaldo caiu e o ex-auxiliar assumiu, o deputado federal e seus aliados estavam em campanha pelo afastamento do gerente de futebol Alessandro, o que poderia mudar os rumos da comissão técnica.

Nesse cenário, adversários políticos de Andrés, avaliam que, após negar interferência no futebol alvinegro, ele tenta colar sua imagem ao sucesso de Carille. O ex-presidente não fala com o blog, por isso não pôde ser ouvido.

Porém, o atual deputado federal pelo PT não é o único presidenciável visto como quem se coloca no papel de “padrinho de Carille”. Interlocutores de Paulo Garcia afirmam que ele diz no Parque São Jorge ter sugerido o nome do ex-auxiliar como treinador para Andrade. Tradicional opositor ao grupo de Andrés e Andrade, ele se aproximou do atual presidente e indicou dirigentes para a gestão.

Indagado pelo blog se indicou Carille como treinador para o presidente, Garcia respondeu, por mensagem no celular, apenas: “não quero polemizar”.

Por sua vez, Osmar Stabile, opositor que já está em campanha ironizou os dois colegas de Conselho Deliberativo. “De filho bonito todo mundo quer ser pai. Se todos querem ser pai do Carille, eu também quero ser pai, tio, mãe, tudo”, disse ele.


Direção corintiana é cobrada para explicar em conselhos impostos não pagos
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Colaborou Dassler Marques, do UOL em São Paulo

A diretoria do Corinthians deverá ser cobrada nos conselhos de Orientação (Cori) e Deliberativo (CD) para explicar por que não pagou em dia cerca de 13 milhões em tributos federais. A inadimplência fez com que a Receita Federal notificasse o clube. Para quitar o débito e evitar maiores problemas a direção vai usar receita referente às cotas de TV do Campeonato Paulista de 2018, o que gera mais polêmica interna.

O não pagamento foi identificado pelo sistema de controle da receita em relação aos times que refinanciaram suas dívidas fiscais pelo Profut. A lei exclui do parcelamento agremiações que deixarem de pagar três prestações. Isso também contribui para a pressão dos conselheiros sobre a diretoria.

Membros do Cori querem que a direção explique ao órgão os motivos para o atraso e detalhem a operação com a Federação Paulista envolvendo as receitas do Paulista de 2018. “Ainda não examinei o caso, mas claro que uma situação dessa magnitude precisa ser explicada ao Cori pela diretoria”, afirmou ao blog Osmar Basílio, presidente do Conselho de Orientação.

Em outra frente, integrantes da oposição estudam apresentar um requerimento para o Conselho Deliberativo também para que a direção detalhe o episódio. Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do órgão, é a favor de que a diretoria se explique. “Não preciso nem marcar uma reunião pra isso. No próximo dia 25, vamos fazer uma e certamente isso será questionado quando chegarmos ao item várias (que trata de assuntos gerais não citados na pauta). Pela relevância do assunto, ele merece ser explicado pela diretoria”, afirmou o dirigente.

Além do atraso no pagamento, existe a queixa do comprometimento de receita que seria recebida pela administração que vai suceder a de Roberto de Andrade no ano que vem sem consulta ao Cori e ao CD.

Porém, Emerson Piovezan, diretor financeiro alvinegro, alega que não houve antecipação de verba do próximo Estadual. Segundo ele informou à assessoria de imprensa corintiana, a FPF costuma liberar nessa época do ano quantia referente ao Estadual do ano seguinte. Por isso, ele entende que a operação não pode ser tratada como antecipação.

“Precisamos verificar se esse procedimento é mesmo padrão da federação. Temos que ver se recebemos assim em outros anos, mas não deixa de ser uma antecipação”, declarou Strenger. Balancetes de anos anteriores devem ser analisados para identificar se o pagamento foi feito da mesma forma alegada por Piovezan.


Empresa não consegue entregar auditoria da Arena Corinthians para Andrade
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A empresa Cláudio Cunha Engenharia Consultiva encontra dificuldades para entregar ao presidente corintiano o relatório da auditoria que  fez na Arena Corinthians. No último dia 12 foi feita a solicitação para o dirigente receber o documento, mas quase um mês depois os responsáveis pelo trabalho não conseguiram se encontrar com o cartola.

A demora é significativa porque o resultado da auditoria é aguardado para o clube saber se a Odebrecht cumpriu integralmente o contrato ou se ela deixou de fazer obras previstas e ainda se parte dos trabalhos terá que ser refeita.

Ou seja, enquanto o relatório não for lido pelos corintianos, o clube não pode tomar atitudes contra eventuais prejuízos.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corinthians, “o encontro ainda não aconteceu por divergência de agenda. Provavelmente acontecerá na semana que vem.”

Conselheiros que integram a comissão formada para discutir a situação da arena se queixam da demora, pois o trabalho deles também depende da auditoria.

A análise da Cláudio Cunha aponta questões de engenharia e arquitetura. Uma outra auditoria, feita pelo escritório de Advocacia Molina & Reis avalia que a construtora deixou de fazer pelo menos cerca de R$ 200 milhões em obras no estádio.

Por sua vez, a Odebrecht diz que cumpriu o contrato e que alguns itens não foram executados porque o acordo permitia a substituição deles.

A demora para o recebimento do relatório produzido pela Cláudio Cunha não é a primeira que marca a auditoria. O encerramento do trabalho aconteceu com pelo menos cerca de um ano de atraso. A empresa alegou principalmente a dificuldade em obter documentos junto a Odebreht. A construtora afirmava que parte da documentação era protegida por sigilo contratual.

 


Oposição vê decadência de Andrés e põe em dúvida candidatura
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Enquanto aliados de Andrés Sanchez dão como certa sua candidatura à presidência do Corinthians no ano que vem, como mostrou o UOL Esporte, membros da oposição acreditam na possibilidade de ele não disputar o pleito. E avaliam que se for para as urnas, o ex-presidente chegará bem enfraquecido.

Opositores que fazem reuniões políticas frequentes com associados afirmam detectar uma animadora (para eles) quantidade de eleitores que abandonou Andrés e seu grupo. Entre conselheiros, é sabido que diversos integrantes do Renovação e Transparência, desembarcaram do “partido” de Sanchez. Ex-diretores do clube até montaram outra corrente, chamada Corinthians Grande.

Para uma parcela da oposição, Andrés só registrará sua candidatura se for favorito, mas a análise é de que o desgaste político sofrido por ele e seu grupo não permitirão essa condição.

Os rivais do deputado federal avaliam ainda que será difícil para ele usar o estádio corintiano como puxador de votos, algo que aconteceu na vitória de Roberto de Andrade. Lembram que antes da eleição do atual presidente, Sanchez afirmou que a venda dos Naming Rights da arena estava praticamente fechada, mas até hoje o negócio não saiu. Assim, esse argumento não poderá fazer parte da campanha novamente.

O fato de Andrés, principal responsável pelo estádio, e Andrade não terem tomado atitude sobre especialistas apontarem que a Odebrecht deixou de fazer uma série de trabalhos na arena também é apontado como causador de enfraquecimento político de Sanchez por opositores. Parte dos ex-diretores do Renovação e Transparência pensa assim.

Os problemas pessoais do deputado também são citados pela oposição para justificar a análise de que ele chegará cambaleante à eleição. Segundo a “Folha de S.Paulo”, Andrés foi citado em delação de Marcelo Odebrecht na Lava Jato como recebedor de dinheiro para sua campanha a deputado via Caixa 2. Sanchez nega publicamente a acusação.

Como Andrés não fala com o blog, não pôde ser ouvido sobre as afirmações de seus adversários.

Enquanto aposta na decadência do ex-presidente e de seu grupo, a oposição ainda não tem um cenário definido para a próxima eleição. Por enquanto, só há um candidato declarado: Antônio Roque Citadini, derrotado no último pleito. Existe a possibilidade de outros membros do grupo tradicional de opositores se inscrever na disputa. Há ainda a chance de ex-aliados de Andrés lançarem um nome.

 


Estacionamento corintiano mantém gestora 80 dias após anúncio de troca
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Oitenta dias após o Corinthians anunciar a Indigo como nova gestora do estacionamento de sua arena, o local continua sendo administrado pela antiga parceira, a Omni.

O anúncio foi feito em 11 de fevereiro, às vésperas de reunião do Conselho Deliberativo do clube para votar o pedido de impeachment de Roberto de Andrade. A assinatura do dirigente colocada no contrato com data anterior à sua eleição como presidente era um dos argumentos que embasavam a solicitação de afastamento. Andrade acabou vencendo a disputa, mas nada mudou em relação à operação do estacionamento.

Apesar do anúncio da troca, a Omni discordou da rescisão unilateral comunicada pelo Arena Fundo de Investimento Imobiliário, responsável pelo estádio corintiano. Notificação enviada para a empresa informou que o contrato estava sendo rescindido porque ela havia se comprometido a zelar pela imagem do fundo e de seus cotistas (entre eles está o clube), mas não honrou o compromisso. O descumprimento ocorreu, segundo a notificação, porque reportagens sobre multa aplicada pela prefeitura à empresa por falta de licença de funcionamento do estacionamento chamaram a atenção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula fundos no Brasil.

A oposição corintiana suspeita que o anúncio da Indigo foi feito antes da votação do impeachment apenas para dar a impressão de que o contrato polêmico com a Omni já não tinha valor.

Agora os opositores querem informações sobre o motivo para a troca na operação do estacionamento ainda não ter sido feita. Também pretendem que a diretoria explique se a Indigo pagou pela exibição de vídeo institucional dela nos telões da Arena Corinthians, já que por enquanto ela não opera o estacionamento.

No último dia 27, o blog enviou mensagem para a assessoria de imprensa da arena perguntando se o acordo com a Indigo havia sido cancelado. Até a publicação deste post não houve resposta. A Omni também não respondeu sobre o tema.

Indagada se a Indigo não irá mais assumir o estacionamento da arena corintiana, a assessoria de imprensa da empresa afirmou que não há novidade sobre o assunto. Vale sua posição anterior de que aguarda a definição da situação entre Omni e Corinthians.


Análises notam falta de transparência em contas corintianas e regra ferida
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Relatórios do Conselho Fiscal do Corinthians e de empresa de auditoria contratada para analisar o balanço do clube referente a 2016 apontam dificuldade na obtenção de documentos essenciais para análise. Por conta dos relatos de falta de transparência, opositores estudam medidas para tentar anular a aprovação feita nesta quinta pelo Conselho Deliberativo e até um novo pedido de impeachment.

O artigo 81 do estatuto diz que o conselho deve apreciar o relatório geral do presidente da diretoria sobre as contas, que não foi apresentado ao conselho deliberativo. Além disso, o conselho fiscal do clube aponta em parecer que não recebeu o relatório da diretoria, ao contrário do que determina o estatuto. Desobediência às regras do clube é um dos motivos para pedidos de impeachment. Ela precisa ser comprovada e o afastamento aprovado pelo conselho, que já rejeitou um processo de destituição contra Andrade.

Em seu parecer, o Conselho Fiscal corintiano afirma que analisou as contas sem os relatórios de gestão de diretoria e de auditoria interna, além de não receber informações sobre operações realizadas. “Nos foi disposto um prazo curto para o balanço do exercício de 2016, para uma análise e aprovação ou não, sem elementos para um estudo minucioso e necessário”, afirma o relatório.

Mesmo assim, o conselho fiscal considerou as demonstrações contábeis aptas a serem votadas pelos conselheiros. O artigo 102 do estatuto diz que o órgão tem que examinar o balanço anexado ao relatório anual da auditoria, que não foi apresentado, segundo o parecer.

Incerteza sobre arena

O blog teve acesso também à minuta do relatório da Parker Randall Brasil, especializada em auditoria, feito sobre o balanço de 2016 (leia aqui). A minuta foi enviada aos conselheiros, sem assinatura. Num de seus trechos mais importantes, o parecer encaminhado para a diretoria a fim de ser discutido, afirma que há “incerteza significativa relacionada à continuidade operacional do investimento Arena Fundo de Investimento Imobiliário”, responsável pelo estádio corintiano. Essa é uma das três ressalvas feitas às contas apresentadas.

A incerteza existe, segundo a análise dos auditores, por conta da decisão da administradora BRL Trust de sair do fundo. “Solicitamos apresentação formal dos consultores jurídicos do clube para avaliação dos potenciais riscos contingenciais daquela decisão (saída) do gestor do fundo. Até a emissão desse relatório não havia sido apresentada a resposta…”, diz trecho da minuta.

O relatório lembra que o fundo tem como principal ativo o estádio alvinegro e que a continuidade operacional do empreendimento depende da geração de receitas para fazer face à manutenção de sua estrutura operacional, assim como para o cumprimento da liquidação dos passivos e demais fontes de investimento relacionadas à construção do empreendimento.”

Em outra ressalva, o documento afirma que os auditores não obtiveram resposta à totalidade das solicitações de confirmação direta de resposta sobre quatro assessores jurídicos. O saldo da dívida do Corinthians com eles seria de R$ 20,4 milhões.

No mesmo item está registrado que a auditoria não recebeu confirmação de depósitos e empréstimos de Caixa, Polo Fundo de Investimento, Horizonte Conteúdos e Bradesco com saldos de R$ 1,3 milhão (ativo) e R$ 30,9 milhões (passivo). Também não foram obtidas confirmações de valores a receber de Globo, Federação Paulista, Caixa, Apollo Sports Solution, Estrella de Galícia Importadora e Comércio de Bebidas, AMC assessoria em negócios, Boca Juniors e valores a pagar para fornecedores.

Em mais uma ressalva, o parecer contesta a reavaliação de bens do ativo imobilizado do clube. Afirma que ela foi feita em desacordo com práticas contábeis e que em 31 de dezembro de 2016 os saldos imobilizado e do patrimônio líquido foram apresentados a maior em R$ 407,7 milhões.

O blog enviou mensagem por celular para Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, mas ele não mandou resposta até a publicação do post, apesar de visualizar o texto. Roberto de Andrade não atendeu à ligação do blog.


Andrés justifica fala polêmica sobre Odebrecht e ouve conselho para delatar
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Pressionado por um pedido de conselheiros para que o presidente do Corinthians o desautorize a falar pelo clube diante da Odebrechet, Andrés Sanchez tem usado as redes sociais para se defender, trocando farpas com seus críticos. Na batalha, sobrou até uma sugestão para que o deputado federal faça uma delação premiada para contar o que sabe sobre a construção do estádio do clube.

O problema começou quando o ex-presidente corintiano disse ao UOL Esporte que a Odebrecht não senta com ninguém se não for com ele. O deputado federal negava um acordo para a construtora deixar o fundo que administra a arena alvinegra.

Por causa das declarações, os conselheiros Romeu Tuma Júnior e Herói Vicente entregaram requerimento ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger pedindo que fosse determinado a Roberto de Andrade que desautorize publicamente Andrés a  negociar com a Odebrecht em nome do clube. Um dos motivos alegados é o fato de Sanchez ser citado em delação de Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha via caixa 2, segundo a Folha de S. Paulo. Ele nega o recebimento.

Ao repassar a mensagem para o presidente do clube, Strenger aumentou a pressão ao escrever que Andrés não pode falar como mandatário do Corinthians.

Sanchez reagiu com vídeos publicados em redes sociais. Primeiro, afirmou que não quis dizer que a Odebrecht só fala com ele no clube.

“Eu não falei aquilo, que só negocia comigo. Eu quis dizer que eu dificilmente saberia de uma negociação se eu não ficasse sabendo, então jamais falaria aquilo e jamais tomaria uma atitude no Corinthians, há cinco anos, se não for de confidência e junto com o presidente. Quem manda no Corinthians é o presidente e sua diretoria.  Por isso não faço nada sem ser convocado ou comunicado por ele. Por isso, essas pessoas que nunca fizeram nada pelo Corinthians, nunca, você pode pegar nas histórias mais recentes, nos últimos 20 anos e citar aqueles nomes e ver se alguém fez alguma coisa pelo Corinthians. Agora eles ficam falando, fazendo e jogando com a imprensa, isso é muito triste, muito ruim pro Corinthians”, afirma Andrés em um dos vídeos.

 Em outra gravação, o deputado federal declara que o presidente do conselho e conselheiros querem o proibir de falar. “Isso é inacreditável. Eu sou conselheiro vitalício, sou ex-presidente do Corinthians, tenho o direito de falar o que eu acho e o que é melhor para o clube, dar minha opinião. Agora, não tenho o direito de assinar e tomar decisões. E não estou tomando. Eles ficam se pegando, não sei, eles devem ter um carma comigo. Agora o tempo vai mostrar quem fez alguma coisa pelo Corinthians. Errando ou acertando. E olha que vem mais aí, um abraço”, afirmou o ex-presidente na mensagem.

Tuma Júnior rebateu o ex-dirigente com uma gravação de voz distribuída para conselheiros. Nela, ele diz que quer, sim, que Andrés fale e conte tudo que sabe. Sugere até que ele faça uma delação premiada.

 “Não sei a quem ele se refere. Mas a verdade, de minha parte, eu gostaria muito que ele falasse. Falasse bastante, esclarecesse muitos fatos que estão sendo noticiados e deixasse as coisas bem claras. Não queremos que ele deixe de falar, queremos que ele fale bastante, mas fale a verdade. Esclareça os fatos, diga o que aconteceu no Itaquerão… Esclareça claramente aquelas entrevistas que ele deu lá atrás quando dizia: ‘se eu contar a verdade, o Lula vai ficar mal nessa história’. Fala, Andrés, fala bastante, fala a verdade. Não faça insinuações, não faça ameaças veladas. Isso pode lhe trazer muitos prejuízos, inclusive de ordem criminal. Inclusive, se precisar, se for necessário, até lhe aconselho, procure o procurador-geral e faça uma colaboração premiada. Isso pode te beneficiar bastante. Para o seu bem e para o bem do Corinthians”, disse Tuma Júnior.


Presidente do conselho diz a Andrade que Andrés não pode falar pelo SCCP
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Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, repassou a Roberto de Andrade pedido de conselheiros para que ele desautorize publicamente Andrés Sanchez a negociar pelo clube com a Odebrecht. O ex-presidente foi citado em delação na Lava Jato por Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha para deputado federal por meio de caixa 2. Ele nega o recebimento.

 Strenger não se limitou a encaminhar o requerimento. Ele emitiu sua opinião, aumentando a pressão para que o presidente corintiano afaste Sanchez das negociações com a Odebrecht. Entre outros assuntos a construtora propõe sua saída do fundo administrador do estádio, como mostrou o UOL Esporte.

“Aproveito a oportunidade para, igualmente, na qualidade de presidente do Conselho Deliberativo, manifestar minha preocupação em relação as declarações prestadas pelo conselheiro Andrés Sanchez, que não pode, em hipótese alguma, pronunciar-se como se fosse mandatário do SCCP”, escreveu Strenger em sua mensagem para Andrade.

Antes de declarar o que pensa, ele pediu para o presidente corintiano prestar os devidos esclarecimentos, considerado o teor das manifestações dos conselheiros Herói Vicente e Romeu Tuma Júnior. A dupla pediu que fosse determinado que Andrade desautorize publicamente Andrés a negociar com a Odebrecht. A medida foi tomada depois de o ex-presidente dizer ao UOL Esporte que a construtora só se senta com ele para negociar. O pedido foi justificado pelo fato de o ex-presidente não integrar a comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado federal pelo PT-SP à Operação Lava Jato.

Indagado sobre o fato de emitir uma opinião dura para Andrade sobre Andrés, o presidente do conselho disse, em mensagem de texto por celular, apenas que “era necessário”.

Strenger agora aguarda pela resposta do presidente corintiano.


Corinthians promete apuração na arena após pouco fazer diante de alertas
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Na última quinta, a diretoria corintiana divulgou nota em seu site afirmando o seguinte:

“O Sport Club Corinthians Paulista, tendo tomado conhecimento de trechos da delação do sr. Marcelo Odebrecht que envolvem a Arena Corinthians, vem a público reforçar que quaisquer irregularidades ou desvios de conduta, constatados por autoridades ou não, serão devidamente apurados pelo clube, que tomará todas as providências para resguardar seus direitos e buscar a punição dos responsáveis, bem como diligenciará para garantir que todos os prejuízos causados ao clube e à arena sejam devidamente ressarcidos”.

O comunicado contrasta com a maneira como a direção lidou até aqui com alertas sobre supostas irregularidades e eventuais prejuízos causados ao alvinegro por conta da obra do estádio e pedidos para que questionasse a Odebrecht na Justiça ou em corte de arbitragem.

Na maioria das vezes o clube não reagiu. São inúmeros os relatos de pessoas que fizeram alertas e se sentiram ignoradas pela diretoria.

Em setembro de 2015, Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena, enviou e-mail para Roberto de Andrade alertando o dirigente para a suposta existência de um esquema fraudulento envolvendo o estádio. Ele apontou que o fundo responsável por administrar a arena aceitou relatórios da Odebrecht que atestavam a conclusão das obras um ano antes de a própria construtora declarar os trabalhos encerrados.

O caso foi revelado pelo blog em outubro de 2016. Na ocasião, por meio de sua assessoria de imprensa, Andrade, respondeu que a direção corintiana estava “tomando providências junto aos responsáveis pela gestão da arena”. Isso cerca de um ano após a denúncia ser feita.

Também em 2015, Coutinho apresentou extenso relatório no qual descreveu cenário de caos, desrespeito e descalabro, afirmando que a Odebrecht não havia feito trabalhos previstos em contrato ou realizado outros com baixa qualidade, o que a construtora nega.

Ele ainda listou prejuízos ao Corinthians e pediu imediata apuração dos fatos. Na ocasião, procurado pela Folha de S.Paulo para comentar o relatório, Andrés Sanchez, principal responsável pelo estádio no clube, não quis se pronunciar. Deputado federal pelo PT-SP, ele é citado em planilha entregue pela Odebrecht ao Ministério Público como recebedor de R$ 32,5 milhões em caixa 2 de campanha, de acordo com a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega ter recebido dinheiro de forma irregular.

Nenhuma medida enérgica foi tomada pelo clube após a entrega do relatório feito por Coutinho.

A Odebrecht deu a obra por encerrada em setembro de 2015. Pressionada pelo relatório do arquiteto, a diretoria, então esclareceu que esperaria a conclusão de auditoria que verificaria dos pontos de vista arquitetônico e de engenharia se a construtora cumpriu o contrato. O trabalho dos auditores só começou no segundo semestre do ano seguinte e ainda não foi concluído.

No final de 2016, em novembro, Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians disse que pediria a Andrade que tomasse medidas judiciais contra a Odebrecht. Até agora, a questão não foi levada aos tribunais e nem para a arbitragem.

Em dezembro de 2016, relatório apresentado por comissão de conselheiros do clube destacou desequilíbrio na relação entre Corinthians e Odebrecht. A conclusão foi de que a construtora sempre contou com profissionais altamente especializados para discutir pontos divergentes, enquanto o clube não montou uma estrutura no mesmo nível para enfrentar a empresa quando necessário.

Outro relatório, feito pelo escritório Molina & Reis, concluiu em janeiro de 2017 que a construtora deixou de executar cerca de R$ 200 milhões em obras na arena, fato contestado pela empresa. O clube seguiu aguardando a auditoria técnica.

A diretoria só chegou a endurecer o jogo com a Odebrecht no final de 2016, após novos problemas na arena se tornarem públicos. O Corinthians trocou cartas e notas ásperas com a empresa e chegou a impedir a ação dela na reparação de um dos defeitos, mas depois autorizou o serviço.

Nesse cenário, pelo menos parte das pessoas que fizeram alertas ao presidente corintiano sobre a situação leu com indignação a nota em que ele promete apurar eventuais desvios de conduta.

Na manhã desta sexta, o blog telefonou para Andrade, mas ele não atendeu à ligação.