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Com Mustafá suspeito, Palmeiras inicia apuração sobre venda de ingressos
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Com Danilo Lavieri, do UOL, em São Paulo

O Conselho Deliberativo do Palmeiras vai instaurar nesta terça sindicância para investigar venda irregular de ingressos que supostamente pertenciam à Crefisa, passaram pelas mãos de Mustafá Contursi e chegaram a cambistas. Seraphim Del Grande, presidente do órgão, convidou um integrante de cada um dos principais grupos políticos do alviverde para formar a mesa de trabalho.

A comissão tentará ouvir todos os envolvidos, porém, para Del Grande há uma diferença entre os status de Mustafá e do casal de patrocinadores do Palmeiras no processo. Para ele, o ex-presidente do clube ostenta a condição de investigado, enquanto os conselheiros José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, donos da Crefisa e da FAM, são vítimas.

“Não vou influenciar no trabalho da comissão, dizer como eles devem agir. No meu entendimento, a Crefisa não fez nada de errado e foi prejudicada. Ela cedia os ingressos como cortesia ao Mustafá, não entregava para cambistas. A comissão precisa apurar como eles (bilhetes) chegavam nos cambistas”, disse Del Grande.

Paulo Castilho, promotor público que pediu a instauração de inquérito sobre o caso, também trabalha com a tese de que os donos das empresas patrocinadoras do alviverde foram vítimas.

A suspeita de irregularidade chegou ao conselho por meio de Paulo Serdan, presidente de honra da Mancha Alviverde e conselheiro do clube. Ele afirmou que foi procurado por uma sócia do Palmeiras chamada Elaine. Ela teria pedido ajuda por estar sendo ameaçada por um cambista após parar de vender ingressos para ele. Pelo relato, os bilhetes teriam sido dados a ela por Mustafá. Ainda conforme a denúncia, o ex-presidente recebia frequentemente da Crefisa entradas para os jogos do clube, mas de repente parou de ser agraciado.

O blog telefonou para Mustafá, mas ele não atendeu às ligações. Ao UOL Esporte, no último dia 20, o ex-presidente disse que recebia os ingressos e dava a algumas pessoas, negando envolvimento com cambistas. Para aliados do ex-presidente ele é vítima de alguém que tenta prejudicá-lo por questões políticas.

Envolvidos considerados culpados podem ser punidos com advertência, suspensão ou até expulsão. Serdan também será ouvido. Quando encerrar os trabalhos, a comissão apresentará o resultado ao Conselho Deliberativo, que tomará uma decisão por meio de votação. Por sua vez, Elaine será investigada em uma sindicância fora do conselho. Ela pediu sua exclusão do quadro de associados, mas Del Grande solicita que o desligamento não seja aceito para que ela possa ser investigada e eventualmente punida.

O presidente do Conselho afirma que se preocupou em montar uma comissão de sindicância politicamente equilibrada. O blog apurou que ele escolheu cinco nomes nesta segunda, mas precisou substituir um deles. Por isso, a oficialização dos responsáveis pelo caso só deve será feita nesta terça. As chapas políticas UVB (União Verde e Branca), Academia, Palestra e Palmeiras Forte terão um integrante cada. O quinto nome deverá ser do único conselheiro vitalício e membro do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) no grupo.


Ex-presidente do Palmeiras vai à Justiça contra quem o investigou no clube
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Investigado por uma comissão de sindicância que pediu sua suspensão no Palmeiras por um ano, Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do clube entre 2010 e 2011, foi à Justiça. Ele ajuizou um pedido de explicações contra Flávio Luiz Amadei, que comandou o grupo responsável pelas investigações. Os trabalhos também analisaram parte da gestão de Arnaldo Tirone.

Belluzzo alega na Justiça que o relatório da comissão de sindicância faz afirmações que podem configurar crime contra a sua honra. Por isso pede explicações. Dependendo do que Amadei responder, o ex-cartola entrará com uma queixa crime.

Na Justiça, o ex-presidente quer saber o nome de todos os integrantes da comissão de sindicância, as normas contábeis que ele é acusado de desrespeitar, os impostos que teriam sido recolhidos na fonte e não pagos, os elementos que levaram a comissão a recomendar o envio do caso para o Ministério Público e o que o relatório entende como gestão temerária, entre outros pedidos.

Durante as investigações, o ex-presidente se recusou a depor na comissão de sindicância, que fala até em supostas irregularidades na contratação de Valdivia, como mostra documento anexado à ação e exibido pelo blog no final do post.

Belluzzo e Amadei foram entrevistados pelo blog. Leia a seguir.

Entrevista com Luiz Gonazaga Belluzzo.

Por que decidiu questionar o presidente da comissão de sindicância na Justiça?

Porque eles resolveram fazer a sindicância sobre algo que já prescreveu. Só poderiam fazer até dois anos depois da minha gestão, fizeram quatro anos depois. Na véspera da eleição (em que Paulo Nobre foi reeleito. Beluzzo era candidato à vice na chapa da oposição). Todos os pontos que eles tocaram são ineptos, coisa típica de clube de futebol. Vamos ver se eles falam alguma coisa ou se vão insistir com isso. Se insistirem, vou entrar com um processo por calúnia e difamação. Claro que não cometi nenhuma irregularidade.

 

O senhor entende que a sindicância teve motivação apenas política?

O (Antônio Augusto) Pompeu resolveu ressuscitar essa comissão depois que o Wlademir Pescarmona me pediu para ser candidato à vice, Não tenho nenhum interesse na política do clube. Já fiz o que tinha que fazer. Não pretendo me promover à custa de nada, muito menos à custa do meu clube. E você não frequenta lá, não sabe como está. Não dá mais para frequentar o clube.

Por quê?

Porque as pessoas não se comportam de maneira civilizada. Não estou falando dos meus amigos, mas da política.

O senhor é ofendido quando vai lá?

Não me ofendem porque não sou o Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda). Com 72 anos, se falarem alguma coisa pra mim vou tomar providência. Nunca xinguei ninguém, não gosto de intrigas. E aí, quando saí candidato, ressuscitaram essa comissão de sindicância.

O relatório da comissão arranhou sua imagem? Esse foi um dos motivos para o senhor ir à Justiça?

Não acho que minha imagem foi arranhada porque ninguém leva isso a sério. Acham piada, mas se não reage, acham que você admite. Estatutariamente, não cometi nenhuma irregularidade e respondi a todas as acusações deles numa carta, com educação.

Mas por que o senhor não foi depor na comissão?

Não faz sentido ir lá. Não vou ficar me aborrecendo. Respondi que não iria porque estavam praticando difamação. Lá tem gente que falava que o estádio nunca ficaria pronto. Você acha que eu posso ir num lugar desses? Tem gente lá que fala pra mim que o estádio não é nosso. Fizemos uma concessão de uso pra quem botou o dinheiro na obra. Fiz o melhor negócio possível para o clube. Você acha que conseguimos 90 mil sócios porque o time é formidável? Não, é porque gostaram do estádio. Falo para os que falaram que o estádio não sairia do papel: ‘o que estou vendo, é uma miragem?’ Alguns ficam rangendo os dentes pra mim por causa do estádio, só posso me divertir com isso. Não dá para ir num lugar assim.

Entrevista com Luiz Flavio Amadei, presidente da comissão de sindicância.

O senhor já respondeu às perguntas feitas pelo Belluzzo na Justiça?

A ação não é contra mim, não pode ser contra mim. É contra a comissão, então quem está preparando a resposta e pode te dar detalhes é o departamento jurídico do Palmeiras.

Mas só o senhor foi citado na Justiça.

É porque é mais fácil pegar um nome qualquer do que citar o Palmeiras.

Belluzzo alega que a comissão pode ter cometido crime de difamação.

Claro que não cometeu. É uma coisa óbvia. Uma comissão de sindicância nunca vai cometer crime de difamação porque ela age de acordo com documentos. Ele tem todo direito de ir à Justiça, agora que mostre as provas que ele tem. Nós temos documentos, fizemos tudo de acordo com documentos que levantamos. Ele pode ter o entendimento que quiser, e a Justiça vai ter o entendimento dela. Foi uma comissão administrativa, interna, não tem nada a ver com falar da honestidade, da idoneidade dele. Só seguimos o que diz o estatuto do Palmeiras. Recomendamos a suspensão dele por um ano. Agora o conselho vai se reunir e analisar se segue ou não a nossa recomendação.

Para o ex-presidente, a sindicância foi aberta por razões políticas. O que o senhor acha disso?

Ele alega que a motivação foi política, mas a sindicância começou dois anos antes (do período eleitoral). Só teve comissão porque as contas dele foram rejeitas pelo Conselho Deliberativo.

Veja abaixo documentos relativos ao processo.

 

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Abaixo, o que Belluzzo pede.

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Abaixo, trecho do relatório da sindicância que cita comissão paga na compra de Valdivia.

Trecho de relatório da comissão de sindicância que cita contrato de comissão na compra de Valdivia

 

Trecho em que Belluzzo se defende de suposta irregularidade na contratação de Valdivia em carta enviada à comissão de sindicância.

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Parte do relatório da comissão de sindicância que aponta gestão temerária.

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Também em carta à comissão de sindicância, Belluzzo se defende da acusação de ter causado dano ao clube rompendo com a ex-patrocinadora Samsung.

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