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Opinião: vitória brasileira deixa pacote de preocupações para o torcedor
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Vencer sempre é bom. Ver Neymar voltar a marcar gol também. Contemplar mais uma boa atuação de Philippe Coutinho idem. Mas a vitória por 2 a 0 da seleção  brasileira sobre a Costa Rica, na última sexta, deu mais motivos para o torcedor se preocupar do que se animar na opinião deste blogueiro.

Por mais que Tite treine, seu time ainda não consegue fazer uma marcação sufocante na saída de bola. Se tivesse feito não teria demorado mais de 90 minutos para abrir o placar.

A defesa ainda tem dificuldades de posicionamento. Há buracos para o adversário explorar.

Os costarriquenhos tiveram chance de explorar os contra-ataques. Como vai ser contra rivais que marcam melhor e têm jogadores com mais qualidade para definir? Chega a dar frio na barriga só de imaginar.

Neymar evoluiu. Foi só seu quarto jogo após a cirurgia no pé. É natural que ele ainda esteja fora de forma. O que preocupa é se ele terá tempo de chegar ao auge.

Mais preocupante é saber que Tite trabalha praticamente todos os pontos falhos, mas a evolução demora a acontecer.

Os três pontos diante da Costa Rica encaminharam a classificação brasileira  porém, pelo andar da carruagem, é melhor o torcedor se preparar para sofrer mais do que sofreu no segundo jogo da Copa.


Opinião: Tite indica que não vai ‘morrer abraçado’ com atleta de confiança
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Tite tem um histórico de seguir com seus homens de confiança até o fim. Não importa o que aconteça.

Em 2013, por exemplo, foi criticado por não ter reformulado o elenco campeão da Libertadores e do mundo no ano anterior.

O time caiu de rendimento, terminou o Brasileiro em décimo lugar e o treinador “morreu abraçado” com alguns jogadores.

Na caminhada rumo à Copa do Mundo ele teve paciência com momentos de baixa de alguns de seus preferidos e os segurou até chegar em solo russo.

Porém, já no empate por um gol com a Suíça, no último domingo, ele mostrou não estar disposto a afundar abraçado com quem não tenha bom rendimento.

Aos 25 minutos do segundo tempo Paulinho e Casemiro já tinham saído para as entradas de Renato Augusto e Fernandinho.

Casemiro jogava bem, mas tinha cartão amarelo. Paulinho, um dos atletas em que Tite mais confia, jogou muito menos do que sabe. Ele é sério candidato a perder a vaga para Renato Augusto se não reagir diante da Costa Rica.

A situação de Paulinho é emblemática. Se ele não está seguro, ninguém está.

Tite acertará em cheio se mantiver a linha de não preservar ninguém. O tempo de recuperação para os atletas é curto como a competição. Não dá para esperar por ninguém. O treinador sinalizou entender isso e estar disposto a mudar seu estilo em busca do hexa.


Calma de Neymar e eficiência na saída de bola. O que cobrar da seleção
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Durante a fase europeia de preparação para a Copa da Rússia a imprensa pôde ver pouco do trabalho da seleção brasileira. Mesmo assim, é possível conhecer alguns dos pontos mais trabalhados por Tite e seus comandados. Consequentemente  dá pra fazer uma lista do que cobrar do time na estreia diante da Suíça neste domingo. Confira abaixo.

Neymar controlado

Voluntariamente, o camisa 10 se isolou de parentes e amigos na  concentração, diferentemente da maioria de seus colegas.  O discurso em seu entorno é de que ele quer se manter focado e tranquilo para o Mundial. Chegou a hora de provar que tem equilíbrio emocional para encarar marcações duras sem reagir com indisciplina.

Proteção para barrar contra-ataques

Nos trechos abertos dos treinamentos, o trabalho para bloquear contra-ataques foi um dos mais executados. Um defensor contra dois atacantes. Dois zagueiros diante de três atletas ofensivos. Essas situações foram exaustivamente trabalhadas. Vamos ver na estreia qual o resultado.

Eficiência nos passes

Em todos os trabalhos acompanhados pela imprensa, Tite deu atenção aos passes. Os jogadores treinaram com campo reduzido e marcação forte com constante cobrança para não perderem a bola.

Saída de bola

Contra a Suíça será possível ver se o treinador finalmente encontrou uma solução para a dificuldade do time em sair jogando quando é fortemente marcado na defesa. Nos treinos, ele cobrou  compactação e movimentação para que os passadores tenham mais opções.

Marcação sob pressão

Os atletas foram cobrados constantemente para pressionar os rivais e recuperarem a bola.

Bola parada

No conceito da comissão técnica, as jogadas a partir de bola parada estão entre os principais fatores de definição de um jogo. Por isso escanteios a favor e contra, além se cobranças de falta foram bem trabalhados.


Treino da seleção mostra preocupação com contra-ataques
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Em seu primeiro treino na Rússia, na última terça (12), a seleção brasileira voltou a trabalhar a defesa em situações de contra-ataque para o adversário.

Esse tipo de trabalho já tinha sido feito na fase inglesa da preparação.

Numa parte do treinamento, dois atacantes vão pra cima de um defensor. Em outra, as disputas são entre três no ataque e dois na defesa.

Antes das jogadas há uma simulação em que um zagueiro tenta afastar a bola de cabeça.

A repetição  desses lances mostra a preocupação de Tite com a possibilidade de o time falhar na troca de passes e oferecer o contra-ataque ao adversário.

Faz sentido a atenção especial. Pelo menos na primeira fase da Copa da Rússia deve ser uma tônica a pressão brasileira sobre rivais fechados na defesa e loucos por um contra-ataque.


Opinião: amistoso mostra que últimos treinos da seleção deram resultado
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A vitória por 3 a 0 sobre a Áustria neste domingo, em Viena, mostrou que pelo menos parte dos treinos da seleção brasileira deu resultado.

A julgar pelo pouco que a imprensa pôde ver, o time assimilou o que Tite queria e mostrou evolução em relação ao triunfo por 2 a 0 sobre a Croácia. A melhora na saída de bola é o principal motivo de comemoração para o treinador. Esse foi um dos pontos mais trabalhados pela comissão técnica durante a semana.

Tudo bem que a Áustria facilitou as coisas para os brasileiros. A marcação dos reservas sobre os titulares no treino da última quinta, em Londres, foi mais sufocante do que na maior parte do jogo.

Como Tite queria, o Brasil trocou passes com eficiência e rapidez para sair do campo de defesa. A movimentação de quem estava sem a bola para dar opções aos passadores também saiu como a encomenda.

Obviamente ainda há pontos a serem melhorados. Neymar precisa ser mais constante. Isso deve acontecer com sua evolução física após recuperação de cirurgia. Os dois gols marcados nas duas últimas partidas antes do Mundial mostram que ele está no caminho certo.

O cenário antes da estreia na Copa da Rússia é positivo. A equipe mostrou resposta rápida em relação aos pontos trabalhados nos treinamentos. Isso é vital numa competição curta como a que está prestes a começar.


Amistoso mostra Brasil ainda preso em marcação forte e Neymar confiante
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O amistoso com a Croácia neste domingo não poderia ter sido melhor para a seleção brasileira. A comissão técnica comandada por Tite pôde avaliar praticamente tudo o que precisava graças às dificuldades impostas pelo adversário.

De quebra, a principal dúvida brasileira se desfez com o golaço de Neymar que abriu caminho para a vitória por 2 a 0. O próprio atacante havia afirmado ter medo em relação a como retornaria após operar o pé direito. Mais importante do que o gol, foi a forma como ele saiu. Numa linda jogada individual, que mostra Neymar confiante. Melhor impossível, para ele e a seleção. A evolução agora é a tendência.

Mas o teste foi bom também para mais uma vez Tite enxergar pontos fracos. O principal deles é antigo: a dificuldade de a equipe se livrar da marcação em seu campo de defesa. Foi o que aconteceu no primeiro tempo, quando Neymar ainda estava na reserva. Claramente o Brasil sofreu com a ausência do atacante do PSG. E mudou para melhor com a sua entrada.

De maneira geral, a partida em Liverpool mostrou que Tite ainda tem muito trabalho a fazer antes da estreia no Mundial. Ao menos ele terá mais um teste, contra a Áustria, no derradeiro amistoso antes do embarque para a Rússia.


Opinião: Ao cutucar patrocinador, Tite mostra receio com individualismo
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Além de pensar em mais pessoas beneficiadas, Tite deu uma demonstração de quanto é meticuloso com a preparação da seleção brasileira ao cutucar a Mastercard, patrocinadora da CBF.

Em entrevista coletiva neste sábado (2) ,o treinador sugeriu que a cada gol de Brasil e Argentina a empresa dê alimentos para entidades assistenciais. A Mastercard prometeu doar 10 mil pratos de comida a cada gol de Messi e Neymar durante a Copa do Mundo.

Ao lembrar que futebol é coletivo e pedir o incentivo sempre que saírem gols, Tite age como o típico treinador cauteloso demais. Este blogueiro acredita que ele tem receio de que a busca por gols de Neymar atrapalhe a seleção. Seja pelo fato de o atacante querer ampliar os benefícios ao assistidos pela promoção ou por seus colegas decidirem colaborar abdicando de fazer os gols e passando a bola para o atacante.

É pouco provável que jogadores do nível de Neymar e seus companheiros percam o foco por causa de uma ação promocional. Tite certamente sabe disso. Porém, o técnico leva ao extremo seu papel de cuidar do time.


Opinião: por que Tite fecha treinos como Dunga sem causar mesma irritação?
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Nesta sexta (1º), este blogueiro começou a acompanhar a preparação da seleção brasileira em Londres para a próxima Copa do Mundo. No primeiro dia, foi impossível dar uma espiada no trabalho de Tite e seus comandados. O treino foi 100% fechado para a imprensa.

Foi impossível não lembrar da irritação de grande parte dos jornalistas em 2010, na África do Sul, quando Dunga cansou de fechar treinamentos e dar apenas alguns minutos para os profissionais credenciados trabalharem, algo que Tite também tem feito.

Diferentemente do que aconteceu em solo sul-africano, quando até patrocinadores se queixaram da pouca exposição de suas marcas com os treinos “secretos”, o método escolhido por Tite não tem gerado indignação na maioria dos jornalistas.

Em minha opinião, tanto o atual treinador como Dunga tiveram motivos para afastar a mídia de seus treinamentos. Técnicos e atletas precisam de privacidade. Mas há explicação para a atitude do atual treinador ser mais bem aceita.

Primeiro, a imprensa brasileira está mais acostumada com os treinos fechados do que estava em 2010.

Outros fatores, porém, têm mais relevância. Um deles é o histórico dos técnicos em questão. Dunga já era desafeto de parcela considerável da imprensa nos tempos de jogador. Seus atos como treinador do time nacional soavam na maioria das vezes como provocação. Talvez boa parte não fosse. Mas ficou esse clima bélico.

Para piorar, Dunga em muitos dos treinamentos deixava a imprensa assistir só o aquecimento. Depois acontecia a cena contrangedora: um exército de profissionais batendo em retirada.

Por sua vez, Tite carrega um histórico de bom relacionamento com os jornalistas desde os tempos de clubes. Já na seleção, o técnico tratou de ampliar essa sintonia com a imprensa. Dialogou explicando o quanto precisa de privacidade.

Por fim, ele costuma abrir os trabalhos no final. Assim, ninguém é retirado no meio do treinamento. Foi o que aconteceu na última quarta, depois de a imprensa mostrar uma leve insatisfação por não conseguir assistir às atividades da seleção.

Assim, o atual comandante da seleção faz o que Dunga fez (vetar jornalistas em parte dos treinos) sem angariar a mesma antipatia que seu antecessor, menos irritado com os repórteres em sua segunda passagem pela equipe do Brasil.


Opinião: Tite acerta ao priorizar versatilidade na seleção brasileira
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Não há jogador na lista de convocados de Tite para a Copa do Mundo que não mereça estar nela.

Como o treinador da seleção brasileira argumentou, existem atletas que mereciam ser chamados, mas perderam espaço para outros que, no entendimento dele podem ser mais úteis à equipe. Afinal, a seleção brasileira não é apenas uma competição entre quem é melhor no país em cada posição. E o técnico foi didático ao explicar seus critérios para formar a lista de 23 atletas. Nos casos de dúvida, ele priorizou os mais versáteis para aumentar seu leque tático. A decisão é acertada. A capacidade de mudar o esquema de jogo até sem precisar fazer substituições e contar com um atleta que possa atuar na posição de um companheiro lesionado, por exemplo, valem muito num Mundial.

Arthur, por exemplo, na minha opinião, é melhor do que Taison, escolhido por Tite. Mas o jogador do Shakhtar Donetsk pode ser mais útil taticamente do que o gremista, justamente por ser mais versátil, qualidade citada pelo treinador na entrevista seguinte ao anúncio dos convocados. Ele também usou a experiência como um dos critérios de desempate entre os concorrentes, pois mencionou o currículo internacional de Taison. Outra explicação compreensível.

Entre os outros jogadores que ficaram com as últimas vagas disponíveis, Geromel merecia estar na Rússia muito mais do que Rodrigo Caio. Faz tempo que ele é mais regular do que o são-paulino. Cássio está no mesmo nível do santista Vanderlei, mas de novo encontramos uma coerência na opção feita por Tite. Como em uma série de casos, ele escolheu um jogador com quem conviveu mais, portanto, conhece melhor. Fagner está na mesma situação. O lateral corintiano e Danilo eram as melhores opções a partir da ausência de Daniel Alves, na opinião deste blogueiro.

Nesse cenário, não vejo motivos para criticar a convocação feita por Tite. E ficou evidente o esforço do comandante para tentar evitar uma onda de críticas pela não convocação de um determinado atleta, embora não tenha deixado claro quem ele crê que pudesse causar tal sentimento. Graças ao seu didatismo ao justificar a montagem da seleção, ele deve alcançar o objetivo.

 


Opinião: ausência de Daniel Alves é mais dura para Neymar do que para Tite
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(Crédito: Christophe Ena/AP)

Na opinião deste blogueiro, será mais difícil para Neymar  do que para Tite superar a ausência de Daniel Alves, contundido, na Copa do Mundo da Rússia.

O treinador não conseguirá um substituto tão eficiente quanto o titular no ataque. Mas tem boas opções para minimizar a perda. Fagner, por exemplo, além de ser razoável no apoio lá na frente, desarma com competência e marca bem. O corintiano tem intimidade tática com o técnico graças ao tempo em que trabalharam juntos em Itaquera. Isso conta muito. Danilo, outro dos cotados, mostra um bom equilíbrio entre desempenhos ofensivo e defensivo.

Ou seja, mesmo com alguma perda, Tite tem como substituir o atleta que havia escolhido para levantar a taça em caso de título. Até para achar um substituto à altura como capitão numa eventual final, o treinador não irá se desesperar. Marcelo, por exemplo, é um nome do mesmo quilate em termos de representatividade para a seleção.

Já Neymar dificilmente achará um parceiro que possa fazer algo próximo do que Dani faria por ele. Um de seus melhores amigos, o lateral é quem sempre está disposto a brigar pelo atacante.

Além de defender Neymar, Daniel demonstra ser quem tem mais influência para controlar o temperamento explosivo do atacante. Sem ele em campo, o ex-santista perde um apoio importante. Com certeza, o mais badalado jogador brasileiro também sentirá falta do “parça” nos momentos em que for exigida clausura durante a preparação e em pleno Mundial.

Claro que eventuais problemas de Neymar também serão de Tite. Mas hoje, o potencial de estrago provocado pela contusão de Daniel é mais ameaçador para o atacante, em minha opinião.