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Luxo e empréstimos. Anfitrião inglês da seleção lembra clubes brasileiros
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CT do Tottenham usado pelo Brasil Foto: Ricardo Perrone/UOL

Instalações modernas e luxuosas, estouro orçamentário, conta enorme para pagar, empréstimos bancários, juros, falta de naming rights, propriedades e receitas dadas como garantia e renegociação de dívida. Esse cenário familiar aos clubes brasileiros que construíram estádios recentemente é também o enfrentado pelo Tottenham, anfitrião da seleção brasileira em Londres antes da Copa do Mundo da Rússia.

O clube inglês está finalizando a construção de um novo e luxuoso estádio para ser usado já na próxima temporada (2018/19). Além disso, ergueu recentemente em seu CT o hotel inaugurado pelo time de Tite.

O peso da conta e as semelhanças com casos brasileiros aparecem no balanço do exercício fiscal encerrado no fim de junho de 2017, o último disponível no site do Tottenham. Mas há uma importante diferença em relação à maioria dos brasileiros donos de novas arenas. No caso inglês, tanto torcedores como jornalistas não enxergam grande risco de a dívida não ser paga.

“O projeto (do novo estádio) é sustentável, a menos que o Tottenham seja rebaixado (na Liga da Inglaterra), o que parece altamente improvável”, disse ao blog, por e-mail, Kieran Maguire. Ele é professor de contabilidade da Universidade de Liverpool e membro do Grupo da Indústria do Futebol.

A primeira semelhança está no estouro orçamentário. Ao lançar o projeto, o grupo dono do clube avaliou o custo da nova arena em 400 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 2 bilhões). De acordo com a imprensa inglesa a conta já chegou a 800 milhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 4 bilhões).

Só em abril de 2017, o balanço do Tottenham registra empréstimos de 400 milhões de libras esterlinas com três bancos para serem pagos até 2022. Para a operação ser concluída foram dadas como garantia ações da empresa ligada ao clube e de outra vinculada ao novo estádio. Também foi feita uma hipoteca.

Em 2015 já tinham sido feitos outros dois empréstimos no valor de 200 milhões de libras esterlinas (por volta de R$ 1 bilhão) com receitas a serem geradas pela nova arena, incluindo bilheteria, dadas como garantias. Porém, segundo o balanço, essa operação já foi paga.

Outro empréstimo de 16 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 83,7 milhões) foi realizado para o dinheiro ser usado na construção do CT escolhido para receber a seleção brasileira e considerado um dos melhores e mais sofisticados da Europa.

O estouro orçamentário lembra o caso da Arena Corinthians. Inicialmente o projeto custaria R$ 400 milhões. O contrato com a Odebrecht foi fechado em R$ 820 milhões e alterado para R$ 985 milhões. Mas a dívida subiu por conta de juros bancários. O alvinegro também hipotecou o terreno em que está a sede do Parque São Jorge, além de repassar integralmente a renda dos jogos para o pagamento do débito.

Há mais de um ano, os corintianos começaram a buscar acordo com a Caixa Econômica Federal para renegociar o pagamento do empréstimo de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES por meio dela.

No caso inglês, pelo menos uma operação bancária foi renegociada. O pagamento de adiantamento de 16 milhões de libras esterlinas, feito pelo banco Investec, foi repactuado e teve seu prazo para quitação prorrogado.

Assim como os corintianos, os administradores do Tottenham carregam o peso dos juros provocados pelos empréstimos referentes à construção de sua nova casa. Os custos do clube inglês com juros bancários subiram de 3,7 milhões (R$ 19,3 milhões) de libras esterlinas em junho de 2016 para 5,1 milhões de libras (R$ 26,69 milhões) na metade de 2017 por conta da quantia emprestada para bancar a obra da nova arena.

Campo pequeno de golf no CT do Tottenham Foto: Ricardo Perrone/UOL

No Brasil, dar terreno em garantia de empréstimos e sofrer com juros não são exclusividades do Corinthians. Para ter o novo Beira Rio, o Internacional precisou dar como garantia parte do terreno. O Grêmio também deu área pertencente a ele para garantir operação financeira relacionada à sua arena e não tem vida fácil para pagar o débito.

Reforços

Assim como a trinca brasileira, logo depois de apresentar seu projeto de um novo lar, o Tottenham e sua torcida passaram a discutir se seria possível investir em alto nível no futebol durante o pagamento da dívida. De cara, a empresa dona do time inglês assegurou que a equipe não se enfraqueceria. E explicou que, a partir da inauguração da nova arena, com capacidade para 62 mil pessoas, o clube terá mais receitas e poderá contratar melhor. O estádio antigo podia receber cerca de 36 mil torcedores.

Entre junho de 2016 e o meio de 2017, as despesas do Totthenham com negociações de atletas subiram de 31,8 milhões de libras esterlinas (R$ 166,4 milhões) para 48,4 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 253,3 milhões). Porém, as receitas justificam os gastos. O clube fechou o período com lucro de cerca de 40 milhões de libras esterlinas (R$ 209,39 milhões). A arrecadação com a venda de ingressos na temporada foi recorde: 306,3 milhões de libras esterlinas (R$ 1,6 bilhão).

“A dívida é administrável, mas o débito relativo aos juros vai reduzir o dinheiro disponível para o ‘manager’ (do  time) contratar, comentou o professor Maguire sobre a situação do Tottenham.

O desafio de pagar as dívidas feitas pela construção das arenas sem enfraquecer suas equipes também aflige Corinthians, Internacional e Grêmio.

E para desatar esse nó o Totthenham esbarra em outra situação conhecida pelos três clubes brasileiros: a necessidade de vender os naming rights de seu estádio. Diferentemente deles, o Palmeiras, por meio da WTorre, negociou a nomenclatura de sua arena com a seguradora Allianz.

“A falta de naming rights (se ela persistir) vai impactar no dinheiro disponível para o ‘manager’ investir em jogadores mais do que no pagamento do débito. O clube terá que se concentrar mais em fazer os pagamentos enquanto a dívida estiver vencendo e isso vai ser prioridade em relação aos assuntos do campo até o débito ser reduzido. Assim sendo, os naming rights são importantes para que o clube dispute vagas na Champions League em todas as temporadas”, analisou Maguire sobre o Tottenham.

Outro assunto que veio à tona no anfitrião da seleção em Londres também passou a ser discutido no Brasil desde a inauguração das novas arenas para a Copa de 2014. A questão é o aumento dos preços dos ingressos e o risco de cada vez mais o acesso da população com menos poder aquisitivo aos jogos ser difícil. Torcedores do Totthenham protestaram com a diretoria do clube por causa dos tíquetes inflacionados, assim com os fãs do Corinthians fizeram recentemente.

Para o especialista inglês ouvido pelo blog, o Totthenham poderia facilmente ter mantido o preço das entradas num patamar mais baixo, mas como há mais gente querendo assistir aos jogos do clube do que assentos disponíveis o aumento foi natural.

Por fim, diferentemente do que acontece com as torcidas de Corinthians, Inter e Grêmio, o professor não vê motivos para os fãs do Tottenham se preocuparem com a dívida relacionada à construção da nova casa. “O aumento da receita com direitos de transmissão juntamente com a capacidade extra de ingressos do novo estádio vão permitir que o clube pague os empréstimos”, disse Maguire.

Colaborou Caio Carrieri, colaboração para o UOL, na Inglaterra


Bordeaux deve lucrar 3 milhões de euros em operação com Corinthians
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Em cerca de 4 meses, o Bordeaux (FRA) pode lucrar 3 milhões de euros (cerca de R$ 11,7 milhões) graças a uma operação feita com o Corinthians.

Como mostrou o UOL Esporte na ocasião, em setembro do ano passado, o alvinegro vendeu os 15% que ainda tinha dos direitos econômicos de Malcolm para os franceses por 4,5 milhões de euros (R$ 17,58 milhões em valores atuais). Até o final de janeiro, o estafe do jogador acredita que ele será negociado por cerca de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 195,3 milhões). Ou seja, se a negociação for confirmada por essa quantia, 15% do total corresponderá a 7,5 milhões de euros (R$ 29,3 milhões), representando lucro de 3 milhões de euros para os franceses em relação à transação com os brasileiros.

O Arsenal é um dos favoritos para ficar com o jogador. Porém, outro inglês, o Tottenham também conversa com representantes do atleta. Outros clubes como Manchester United e PSG demonstraram ter Malcolm no radar.

Quando o Corinthians se desfez dos 15% dos direitos do atacante, já era de conhecimento público que ele poderia ser alvo de uma transferência com valores significativos em breve. Ciente de que poderia receber mais dinheiro se mantivesse sua porcentagem, o clube do Parque São Jorge preferiu fazer a venda porque precisava alimentar seu cofre imediatamente. Entre outras contas, precisava acertar premiações e direitos de imagem de parte do elenco.

Com a compra da fatia do Corinthians, o Bordeaux passou a ter uma fatia de 65% com o restante dividido entre os empresários Fernando Garcia e Nilson Moura.

O alvinegro ainda terá direito a uma porcentagem como clube formador do atleta numa eventual venda.


Presidente do Inter se encontra com Kia Joorabchian para negociar Oscar
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Giovanni Luigi, presidente do Internacional, se encontrou com Kia Joorabchian na última sexta-feira para ouvir proposta por Oscar. O iraniano age na operação como intermediário do Tottenham, time inglês interessado há tempos no jogador.

Giuliano Bertolucci, agente de Oscar, também esteve presente ao encontro, que aconteceu no hotel Emiliano, em São Paulo. Segundo a imprensa inglesa, o Tottenham está disposto a pagar cerca de R$ 60 milhões pelo atleta.

Vale lembrar que o São Paulo recebeu um quarto desse valor para liberar Oscar ao Inter, sócio de investidores nos direitos do jogador.


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