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Drama do Vasco expõe necessidade de extinção de conselhos deliberativos
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A caótica eleição no Vasco esculpe de forma exemplar a necessidade de que os clubes brasileiros implodam o modelo arcaico de administração sustentado por seus conselhos deliberativos. Não se trata apenas de fazer com que os sócios elejam diretamente o presidente, o que já acontece em muitas associações. O sofrimento vascaíno reforça que o melhor é a extinção dos conselhos deliberativos.

O associado não precisa 200, 300 intermediários entre ele e a direção. Na prática, os conselhos só servem para alimentar a cultura do amadorismo nas agremiações. Para se acomodar no trono, o presidente distribui cargos para conselheiros, que atuam muitas vezes em áreas nas quais não tem conhecimento ou perícia.

Enterrados os conselhos deliberativos, acabariam os cargos estatutários, que obrigam o presidente a escolher conselheiros (aliados políticos) para exercer determinadas funções. Ficaria aberto o caminho para o profissionalismo.

Em tese, com profissionais sujeitos ao cumprimento de metas, a conveniência política e os interesses pessoais tendem a ter menos espaço na administração.

Como prova a agonia do Vasco, o atual sistema faz com que os desejos individuais goleiem os interesses da instituição.

Se não é isso, como explicar que Alexandre Campello  “esqueceu” o que combateu na campanha entre os sócios e recebeu o apoio de Eurico Miranda para ser eleito presidente no conselho derrotando Julio Brant, de quem seria vice-presidente geral? Não falou mais alto a ambição individual do que as convicções coletivas?

Após eleito, Campello negou a existência de acordo com Eurico, que teve seu nome gritado por boa parte dos conselheiros depois do pleito num coro que pode ser o hino do individualismo nos clubes.

Até o traído Brant usou a receita que prioriza o interesse pessoal ao anunciar o ex-presidente Antônio Soares Calçada, de 94 anos, como seu vice-presidente geral em caso de vitória. A escolha parece ter sido muito mais para angariar votos no conselho do que por confiança no que o veterano poderia fazer na administração.

O fato de o Vasco ter estreado no campeonato carioca com portões fechados porque graças à indefinição sobre o poder na agremiação não foi possível tomar providências básicas também mostra como o bem do clube ficou em segundo plano.

Do outro lado de tudo isso, impotente, fica o torcedor. Virar sócio e brigar pelo fim dos conselhos deliberativos e pela criação de órgãos mais enxutos e menos sensíveis a indicações políticas parece ser o único (longo) caminho para quem torce para seu time e não para ser dono dele.

 


Fase eleitoral no Corinthians tem nova suspeita que aproxima clube do Vasco
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O processo eleitoral no Corinthians ganhou nova denúncia neste fim de semana. A acusação é de que candidatos à presidência e ao Conselho Deliberativo pagam para sócios regularizarem suas situações e poderem votar em 3 de fevereiro. Os denunciantes trabalham com a informação de que os beneficiários nem vão ao clube efetuar o pagamento. Segundo eles, listas com grande quantidade de associados são enviadas para a secretaria do clube para o registro dos eleitores. Para os acusadores, isso gera a dúvida sobre se o dinheiro realmente entra nos cofres corintianos.

“Milhares de sócios regularizaram suas situações sem pisar no clube. A eleição está maculada. Na segunda, vou apresentar um requerimento na Comissão Eleitoral para saber quem pagou para quem. E se o dinheiro realmente entrou no clube”, disse Romeu Tuma Júnior, um dos opositores candidatos à presidência.

O caso, em tese, aproxima o time paulista do imbróglio vivido pelo Vasco em seu último pleito. Por causa da denúncia de que sócios que nunca pagaram suas mensalidades estavam aptos a votar, a Justiça determinou que os votos deles fossem depositados em uma só urna para que não contaminassem o resultado definitivamente enquanto dura o processo. Eurico Miranda só bate o opositor Júlio Brant com os votos suspeitos. A disputa segue nos tribunais.

“No Vasco houve uma suspeita. No Corinthians foi feito a céu aberto. Todos viram que saíam rolos de recibos (referentes as quitações dos sócios inadimplentes) sem que essas pessoas estivessem na secretaria. Vamos agir para que o Corinthians não se torne um Vasco”, declarou Tuma Júnior. Ele não disse quem seriam os autores dos pagamentos.

“Sim, apresentaram listas com nomes (de sócios regularizados) e alguém pagou pra todo mundo”, disse ao blog Felipe Ezabella, confirmando a denúncia. Ex-integrante do grupo situacionista Renovação e Transparência, ele também é candidato à presidência.

A confusão começou na última sexta, quando a diretoria anunciou desconto de 50% para sócios que reativarem seus títulos até o próximo dia 10. Pelas regras eleitorais, que estiver regularizado até o dia 3 pode votar. Só que o estatuto alvinegro proíbe todo tipo de anistia financeira aos sócios a partir de 12 meses antes da eleição.

Tuma Júnior e Ezabella estão entre os que entendem que o desconto configura anistia parcial. Para a direção, como defende o 1º vice-presidente André Luiz Oliveira, o desconto não pode ser considerado anistia. Ela só se concretizaria com o perdão total da dívida. Assim, não haveria irregularidade.

Sobre candidatos pagarem para sócios (eleitores) regularizarem suas situações, o estatuto é omisso.

Ao blog, Tuma Júnior afirmou que protocolou pedido na comissão eleitoral para que sejam excluídos da lista de votantes os que desfrutaram do desconto.

Na última sexta, o blog enviou perguntas para a assessoria de imprensa do Corinthians sobre a promoção polêmica. Porém, não obteve resposta.

Completam a lista de candidatos à presidência o situacionista Andrés Sanchez e o opositor Antônio Roque Citadini.


Dirigentes temem que uso de árbitro de vídeo às pressas seja fracasso
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A CBF é criticada por dirigentes de clubes que consideram sem planejamento a decisão de implantar rapidamente o árbitro de vídeo no Brasileirão. Os que pensam assim acreditam que a correria possa fazer com que a novidade se transforme em fracasso.

Uma das principais cobranças é para que o novo sistema só seja implementado se puder ser usado em todos os jogos de cada rodada do Campeonato Brasileiro. Em entrevista, Marcos Marinho, presidente da comissão de arbitragem da confederação, admitiu que algumas partidas podem ficar sem o recurso por falta de estrutura dos estádios. Esse é um dos pontos criticados.

Porém, cartola ouvido pelo blog afirmou que Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, assegurou a dirigentes de clubes que a ajuda das imagens de TV só começará a valer quando todos os jogos puderem contar com esse método. A afirmação, de acordo com o mesmo dirigente, foi feita em reunião na sede da confederação, nesta terça, para tratar da venda de direitos de transmissão do Brasileirão para o exterior. Indagado pelo blog por volta das 20h  se Del Nero de fato fez tal promessa, o departamento de comunicação da entidade informou que não conseguiria checar a informação à noite.

Na avaliação de parte dos dirigentes de times da Série A, CBF teve tempo para implantar o árbitro de vídeo desde o início do Brasileirão. Porém, não conseguiu viabilizar o projeto. E agora, mesmo sem ter tudo pronto, decidiu lançar a novidade por causa do barulho feito pelo erro de arbitragem que culminou com o gol de braço de Jô na vitória corintiana por 1 a 0 sobre o Vasco no último domingo.

“Sinto que é necessário. Mas não deveria ser decidido em cima de uma jogada que originou o gol do Jô. Fica a impressão de que estavam esperando uma polêmica e que não é uma posição estudada, pensada. Por que não iniciar no Brasileiro do ano que vem?”, afirmou ao blog Flávio Adauto, diretor de futebol do  Corinthians.

Depois do erro no jogo em Itaquera, Del Nero pediu para que o departamento de arbitragem tentasse estrear nas próximas rodadas o sistema que ainda estava em estudo. Não há definição de quando isso será possível.

“Defendemos o uso do árbitro de vídeo, mas de um jeito benfeito, em todos os jogos”, disse Modesto Roma Júnior, presidente do Santos.

Outra preocupação é se os responsáveis por operar o sistema já estão aptos a atuar de maneira eficiente. “Sou a favor caso possamos implantar com segurança e caso todos os envolvidos estejam treinados para que o instrumento não caia em descrédito”, declarou Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo. Ele não vê problemas em o recurso ser usado no segundo jogo da final da Copa do Brasil entre seu clube e o Cruzeiro e também em relação ao novo sistema começar a valer no Brasileirão depois que muitos clubes foram prejudicados sem poder recorrer às imagens de TV.

“O Flamengo foi prejudicado contra Santos e Palmeiras e beneficiado contra o Corinthians. Sempre é hora de começar qualquer coisa, desde que seja para melhorar”, analisou o flamenguista.

Raciocínio semelhante tem o presidente do Santos. “Não é porque você começou errando que precisa errar até o final”, disse Modesto.

Vinícius Pinotti, diretor executivo de futebol do São Paulo defende a implantação do sistema e também não vê problemas no fato de os vídeos começarem a ser usados durante o campeonato.  Mas é contra a tecnologia não ser utilizada em algumas das partidas de cada rodada. “Importante termos em todos os jogos, sem dúvida nenhuma”, comentou o são-paulino.

 

 


Cinco casos em que o São Paulo repete grandes rebaixados
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1 – Ídolo no comando

Em julho de 2016, o Internacional apostou em Falcão, um dos maiores ídolos de sua história, como treinador. Menos de um mês depois, ele foi demitido por causa dos maus resultados. No fim do ano, os gaúchos foram rebaixados para a Série B. Em 2017, o São Paulo montou seu planejamento com Rogério Ceni estreando na função de técnico. No início de julho, ele foi despedido por conta do risco de rebaixamento. Porém, com Dorival Júnior, a equipe segue ameaçada e ocupa a penúltima posição do Brasileiro.

2 – Crise política e caso policial

A queda do Corinthians para a Série B em 2007 foi precedida por um dos períodos mais turbulentos nos bastidores do clube. Acuado por denúncias, como a acusação de uso de notas fiscais frias em sua gestão, Alberto Dualib renunciou ao cargo em setembro. O rebaixamento aconteceria em dezembro. O São Paulo enfrentou a renuncia de um presidente (Carlos Miguel Aidar) em 2015, após denúncias de irregularidades. A saída do dirigente não significou calmaria. No mês passado, por exemplo, a pedido da diretoria, o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) abriu inquérito para apurar a suposta comercialização irregular de ingressos e camarotes para shows do U2 e de Bruno Mars no Morumbi. As suspeitas culminaram com a demissão por justa causa do gerente de marketing Alan Cimerman, que nega as acusações.

3 – Estrangeiros na berlinda

Esperança da torcida do Palmeiras, Valdivia foi um dos jogadores mais cornetados na campanha do rebaixamento para a Série B em 2012. Lesões, seu comportamento fora de campo e a acusação de falta de comprometimento compuseram o cenário que fez o chileno ser detonado nas arquibancadas e por cartolas. Hoje, a crise são-paulina tem o peruano Cueva como um dos personagens. Ele também é acusado por dirigentes e parte dos companheiros de não estar comprometido como deveria com a equipe e tem seu preparo físico questionado.

4 – Desentendimentos entre atletas

Enquanto tentava evitar o rebaixamento em 2012, o palmeiras sofria internamente com o confronto entre Marcos Assunção e Valdivia. Em 2015, durante entrevista ao “Diário de S.Paulo”, assunção disse que chegou a dar um soco no chileno após uma discussão, além de fazer uma série de críticas ao ex-companheiro, rebatendo afirmações dele dadas ao “Estado de S.Paulo”. Nos último dias, o São Paulo viveu turbulência por conta de troca de farpas entre Rodrigo Caio e Cueva, que nesta segunda pediu publicamente desculpas ao zagueiro.

5 – Time grande não cai

“O Inter não vai cair”, disse Fernando Carvalho, então vice de futebol do colorado em setembro de 2016. No final do ano, seu clube caiu para a segunda divisão nacional. “Venho afirmar mais uma vez e garantir: não tem hipótese de rebaixamento do Vasco”, declarou Eurico Miranda em julho de 2015. A temporada terminou com a agremiação presidida por ele de volta à Série B. Na última segunda, foi a vez de Cueva decretar: “o São Paulo é grande, não vai cair.”

 

 


Opinião: Vasco precisa proteger seus torcedores pacíficos da ala violenta
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Eurico Miranda está certo quando aponta o dedo para Polícia Militar ao falar das bombas atiradas em São Januário neste sábado (8), após a derrota do Vasco para o Flamengo por 1 a 0.

Mas de nada adianta o presidente acusar a PM, cruzar os braços e fechar os olhos. Os policiais falharam na revista, mas eles não são os principais culpados por mais um distúrbio no local.

A maior parcela de culpa, na opinião deste blogueiro, é de uma minoria de torcedores vascaí­nos que sabe se lá por qual motivo teima em prejudicar a equipe. Os caras são reincidentes. Para ficar num exemplo recente, em junho saíram na porrada dentro de São Januário ainda antes de terminar a partida em que o time da casa perdeu por 5 a 2 para o Corinthians, pelo Brasileiro.

Assim, o Vasco precisa se proteger contra esses vândalos. Não pode continuar sendo prejudicado por eles. E se não quiser se defender, tem a obrigação de proteger seus torcedores pacíficos. Deixar tudo na mão da PM não é uma demonstração de respeito aos fãs do time. Pelo contrário, soa como um “tô nem a픝.

No lugar de falar na existência de uma política para prejudicar o futebol, Eurico deveria se esforçar para que o clube ajude a polícia a identificar os baderneiros e a evitar a entrada deles no estádio. Poderia, por exemplo, instalar mais câmeras de segurança e tomar a iniciativa de entregar as imagens para as autoridades quando necessário.

O clube deve também estudar medidas mais drásticas, como não mandar jogos de alto risco em São Januário. Atuar em casa é um direito sagrado de todos os clubes. Mas, a segurança dos torcedores está em primeiro lugar.

O lar vascaíno tem problemas estruturais, por mais que isso corroa o orgulho de Eurico. Seu entorno é estreito e dificulta a atuação da poli­cia. Do lado de dentro, há pouco espaço para o escoamento da massa em caso de emergência. E num estádio maior, talvez, torcedores não tentassem invadir o campo, como aconteceu neste sábado.

Jogar fora de casa uma ou outra vez no Brasileiro por questões de segurança seria menos prejudicial ao clube do que ter sua imagem arranhada por fatos como os que aconteceram na partida contra o Flamengo e que certamente afastam parte da torcida. Mais do que isso, o risco à integridade física do torcedor que só quer torcer seria menor em um local mais seguro em partidas críticas. É o que deveria importar para o Vasco.


Polêmica sobre rebolada causa briga entre torcidas de Palmeiras e Vasco
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Uma das mais tradicionais alianças entre torcidas organizadas sofreu forte abalo. E por motivo inusitado: polêmica sobre rebolada.

O problema entre a palmeirense Mancha Alviverde e a vascaína Força Jovem aconteceu na festa de aniversário da uniformizada paulista no último sábado. Convidados pelos os anfitriões, os cariocas começaram a fazer trenzinhos comuns em baile funk no Rio. Depois de alguns empurrões, houve briga entre parte dos membros das duas torcidas.

Após o assunto bombar entre integrantes das duas organizadas nas redes sociais, a Mancha publicou em seu perfil no Facebook uma nota sobre a pancadaria.

A direção da torcida palmeirense diz que as brigas começaram depois de se espalhar o boato de que o presidente da Mancha, pedindo o fim dos trenzinhos na festa, teria falado no microfone que os vascaínos estavam rebolando. Rebolar é gesto corriqueiro em baile funk, mas costuma ser ato inadmissível no preconceituoso ambiente das torcidas organizadas.

Leia abaixo, trechos da nota publicada pela Mancha:

“Esclarecimento sobre o ocorrido com a Força Jovem do Vasco.

A nossa quadra estava lotada, e no Rio eles têm o hábito de fazer o tal trenzinho e saíram arrastando e pulando, como é de costume para eles. Nessas voltas houve duas ou três confusões (empurrando as pessoas, chutando garrafas e cervejas que estavam no chão). Na nossa casa, pregamos o respeito por todos, e, percebendo que estavam passando do limite, a diretoria da Mancha chamou a diretoria da Força e explicou a situação. Houve entendimento e consenso. Os dois presidentes subiram no palco e pediram para segurar a onda, para evitar tumultos… No calor da situação, começaram conversas paralelas entre os bondes e mencionaram um fato que não ocorreu, que o presidente da Mancha disse no microfone, para toda a quadra, que os caras da Força estavam rebolando. Essas conversas erradas foram a deixa para discussão entre um e outro… Houve, sim, agressão de ambos os lados”.

A nota, assinada pela diretoria da Mancha, diz ainda que haverá cobrança sobre seus integrantes que continuaram brigando após a direção pedir que parassem. O comunicado afirma também que os membros da organizada palmeirense continuam autorizados a usar vestimentas da Força e que a torcida vascaína não está entre suas inimigas no Rio.


Dez desejos do blog para 2016
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Em 2016, este blogueiro deseja que…

… a CPI do Futebol não termine em pizza.

… o Vasco passe por uma reconstrução que o permita voltar e ficar na Série A do Brasileirão.

… Neymar jogue pela seleção o mesmo que joga no Barcelona. Pelo menos de vez em quando.

… Ganso volte a jogar o que jogou em seus melhores dias no Santos e reforce a seleção brasileira.

… os árbitros nacionais errem bem menos do que em 2015.

… os clubes brasileiros não gastem mais do que arrecadam.

… os chineses parem de fazer estragos nas equipes brasileiras.

… mais torcedores violentos sejam presos e que os clubes passem a adotar medidas radicais contras seus fãs brigões.

… clubes que fazem negociações com apenas um restrito grupo de empresários abandonem essa dependência, além de serem mais transparentes.

… sejam marcados menos jogos para as 22h.

 

 


Aventura corintiana no Rio tem até relato de rajada de metralhadora
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“Nosso ônibus estava sendo escoltado pela polícia. Quando chegamos na linha vermelha, dois motoqueiros se aproximaram e atiraram na nossa direção. Os tiros pegaram na lataria, e ninguém se feriu”. O relato é de um dos membros das torcidas organizadas do Corinthians que foram a São Januário ver seu time ser campeão nesta quinta.

Esse não foi o único depoimento sobre problemas no caminho para o estádio. Outro torcedor contava que o ônibus em que estava foi alvejado por tiros de metralhadora disparado por um homem com camisa de uma organizada do Vasco, também sem ferir ninguém.

Apesar das duas histórias, o clima na entrada dos visitantes era tranquilo, já que a barreira policial funcionou. Do lado de dentro do estádio, a venda de cerveja, permitida no Rio, provocou excitação. A bebida é proibida nas arenas paulistas.

Mas logo a euforia se transformou em confusão quando corintianos foram acusados de tentar saquear o bar. A polícia soltou uma bomba de gás para controlar a situação e a venda ficou proibida por alguns minutos. Sorte de um vendedor que trazia cerveja do setor vascaíno para vender com ágio aos corintianos.

Cano estourado no banheiro de São Januário para refrescar corintianos

Cano estourado no banheiro de São Januário para refrescar corintianos

Quando o jogo começou, uma cena chamava atenção por destoar tanto do clima de terror na semana que antecedeu ao jogo. Uma corintiana amamentava uma criança com a naturalidade de quem está na pracinha do bairro. Como de costume nas partidas em São Januário, as organizadas do time paulista tinham vetado a presença de mulheres e crianças. Mas algumas foram.

Mesmo com o jogo difícil no Rio, a maioria dos corintianos não comemorou como se fossem do seu time os gols do rival São Paulo, em cima do Atlético-MG, que ajudavam o alvinegro.

A explosão de alegria veio com o gol de Vágner Love, que fez ecoar nas arquibancadas durante as homenagens aos jogadores um grito improvável na maior parte do campeonato: “O Love vem aí, e o bicho vai pegar”.

Enquanto a maioria dos torcedores permanecia na arquibancada reverenciando o time, mais gente do que o banheiro dos visitantes pode suportar se acotovelava principalmente em busca de água para beber e se banhar. Um cano foi arrancado permitindo a improvisação de um chuveiro.

Refrescados, os corintianos saíram com tranquilidade do território hostil, da mesma forma como entraram. A repercussão das ameaças feitas durante a semana pelos donos da casa transformaram a passagem pelo estádio numa das mais tranquilas da história corintiana na casa do Vasco. E mais felizes também, graças ao hexacampeonato.

 


União de times para reduzir diferença para Corinthians e Fla na TV fracassa
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O movimento de clubes da Série A que pregava a união dos times para negociar a prorrogação do atual contrato de transmissão do Brasileirão fracassou. As negociações estão sendo feitas individualmente, e os que não concordam com a proposta da emissora estão ficando isolados.

Negociar em conjunto era uma forma de tentar diminuir a diferença entre a cota que os demais times recebem para o que ganham Corinthians e Flamengo.

Santos e Grêmio pregam a união e agora estão entre os poucos que avisaram a Globo que não vão prorrogar o acordo nos moldes oferecidos inicialmente. Na outra ponta, o Corinthians foi um dos primeiros a acertar a renovação. Flamengo e Vasco estão entre os que gostaram do que ouviram da Globo, que precisa da assinatura de todos os integrantes da primeira divisão.

O contrato terminaria em 2018 e está sendo prorrogado até 2020. Inicialmente, a Globo ofereceu menos do que paga atualmente aos times. Em compensação, propôs uma antecipação que varia de acordo com o time. Um dos valores oferecidos é de R$ 30 milhões.

“Não sei o que os outros clubes vão fazer, mas nós decidimos não aceitar a renovação. Vamos deixar para conversar em 2018 quando termina o contrato”, declarou o presidente do tricolor gaúcho, Romildo Bolzan Junior. “O Santos não vai assinar a prorrogação, não nesses moldes. Só se fizerem uma proposta que nos agrade”, disse Modesto Roma Júnior, presidente santista.

Outro clube que defendia a união, o Atlético-MG, também não assinou, mas está indeciso.

Para quebrar a resistência dos cartolas, pelo menos em alguns casos, a Globo mudou a proposta inicial, aumentando o valor a ser pago.

Leia também:
Globo ajuda Corinthians a resolver pendência de R$ 30 milhões no fim de ano


Detido em Natal tinha sido vetado em jogos fora, mas juiz aliviou ‘castigo’
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No dia 17 de março, o juiz Paulo de Abreu Lorenzino decidiu que Carlos Roberto de Brito Júnior, o “Neguinho”, entre outros membros da Gaviões da Fiel, estava proibido de frequentar estádios de futebol do Brasil em dias de jogos do Corinthians. Medida tomada, segundo ele, a fim de evitar novos episódios de violência.

Em 11 de maio, no entanto, o juiz modificou sua decisão. Determinou então, que Neguinho e os demais réus só fossem proibidos de ir aos jogos do Corinthians como mandante no Estado de São Paulo, devendo se apresentar a um batalhão da PM duas horas antes das partidas.

Pouco mais de dois meses após a decisão que o permitiu acompanhar o Corinthians pelo Brasil, Neguinho se envolveu em confusão. Ele é um dos corintianos que foram presos acusados de brigar e roubar o celular de um vascaíno em Natal, onde os dois times jogaram nesta quarta contra adversários diferentes.

A nova confusão, em tese, dá força ao recurso da promotora Claudia Mac Dowell, que tenta novamente estender a proibição para todos os jogos do Corinthians, em qualquer cidade do Brasil, como mandante ou visitante. Ela fez o pedido em março ao ser aceita sua denúncia contra 14 corintianos e 11 palmeirenses por, segundo ela, envolvimento na briga entre Mancha Alviverde e Gaviões da Fiel que matou dois palmeirenses em 2012, na avenida Inajar de Souza, em São Paulo. A proibição de ir a todos os estádios do país enquanto correr o processo também foi pedida para os palmeirenses em jogos do alviverde.

“Prescindível que haja a segregação dos réus quando da ocorrência de jogos em outro Estado, que não o de São Paulo, bem como quando o jogo não for de mando do respectivo time”, escreveu o juiz ao mudar sua decisão.

A alteração foi feita após pedido dos defensores do palmeirense Tiago Lezo, membro da Mancha, para que ele fosse dispensado de se apresentar no batalhão da PM nos dias de jogos do time. Alegaram que a medida prejudicaria suas aulas na faculdade de engenharia.

Lorenzino, então, acatou a solicitação e dispensou o torcedor dessa obrigação. Em troca, ele tem que apresentar relatórios de sua frequência nas aulas a cada dois meses. Tiago é irmão de André, um dos mortos na briga na Inajar, que também provocou a morte de outro integrante da Mancha Alviverde, Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira.

A promotora disse ser impossível identificar os autores dos golpes que mataram o palmeirense.

Neguinho e outros torcedores foram acusados por ela de homicídio qualificado e formação de quadrilha ou bando.

Abaixo veja como era a decisão original do juiz. O nome de Neguinho aparece com erro.

 

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Agora veja como ficou a decisão após a mudança.

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