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Torcida brasileira aplaude até Argentina, mas não perdoa Dilma

Perrone

13/07/2014 20h30

Após trocar provocações com os argentinos durante a final da Copa do Mundo, a torcida brasileira aplaudiu a rival sul-americana quando o time de Messi foi chamado para receber as medalhas de vice-campeão. O Camisa 10 já tinha sido ovacionado pelo Maracanã ao ser anunciado como melhor jogador do torneio.

Mas a cordialidade dos torcedores com os argentinos não foi oferecida para Dilma Rousseff. Ela foi vaiada três vezes na cerimônia de premiação.

O primeiro apupo aconteceu logo que o locutor do estádio anunciou que os prêmios seriam entregues e a imagem da presidente, ao lado de Joseph Blatter, mandatário da Fifa, apareceu nos telões.

Depois de Neuer levar o prêmio de melhor goleiro e Messi receber o troféu de melhor jogador, começou a entrega de medalhas para a Argentina. De repente, a câmera parou em Dilma, que levou nova vaia estrondosa. Pela terceira vez, a presidente foi hostilizada quando os alemães recebiam suas medalhas.

Mas o que a equipe presidencial mais temia aconteceu quando Dilma entregou a taça de campeão do mundo para Lahm. Nesse momento, parte da torcida gritou: "ei, Dilma, vai tomar no c…". O coro foi mais forte do que quando entoado no primeiro tempo da decisão por pequena parcela dos torcedores.

É o mesmo xingamento que a presidente ouviu na abertura do Mundial. Desde então, a presidente sumiu dos estádios, não foi nem aos jogos do Brasil em Brasília. Preferiu se manifestar por meio de sua conta no Twitter e enviando cartas de apoio à combalida seleção brasileira e ao lesionado Neymar.

Dilma só reapareceu num estádio neste domingo, na decisão. Mesmo sabendo que as vaias seriam inevitáveis, o compromisso de entregar a taça ao campeão foi mantido. Até porque seria deselegante com os chefes de Estado que assistiram ao jogo, como a chanceler alemã Angela Merkel, sentada ao lado de Dilma, que tinha Blatter à sua direita. Os três foram discretos durante a partida.

Dilma deixou a tribuna em meio a festa alemã. Ao mesmo tempo em que uma funcionária do COL (Comitê Organizador Local), gritou, antes de abraçar um colega: "Fizemos [ a Copa], p…". Alívio semelhante deve ter sentido a presidente. O Mundial teve falhas, porém, menores do que poderiam sugerir os atrasos em obras de estádios e aeroportos. No final, a Copa decolou e não produziu nova munição letal para a oposição usar contra Dilma na eleição presidencial.

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Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.


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