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Opinião: T. Nunes precisa errar menos em escalações para seu estilo vingar

Perrone

29/02/2020 08h43

É verdade que torcida e diretoria do Corinthians precisam ter paciência e dar tempo para Tiago Nunes implantar a profunda modificação proposta no estilo de jogo do time.

Porém, quem mais precisa colaborar com o projeto é o próprio treinador. Ele deve fazer isso deixando de errar tanto nas escalações.

Nunes faz um trabalho promissor, pois já desenhou um esquema interessante de jogo. Só que quanto mais ele errar ao escalar os titulares mais tempo levará para os resultados aparecerem.

O erro mais recente foi começar a partida com o Santo André, na última quarta, com Boselli na reserva.

Um dos principais problemas corintianos neste momento é acertar as finalizações. Contraditoriamente a isso, o técnico deixou o artilheiro alvinegro no banco. 

O argentino saiu do empate com o time do ABC em um gol, após entrar na etapa final e balançar as redes, como um dos artilheiros do Paulistão com cinco gols.

Antes do início da rodada deste final de semana, Boselli também divide com Daniel Alves a terceira posição no ranking dos jogadores que mais acertam finalizações em média por jogo no Estadual, segundo o site Footstats. A marca é de 1,6 arremate certo por apresentação.

Nunes preferiu começar a partida com Vágner Love no ataque. Sua média é de apenas 0,6 finalização certa por jogo. Yony González e Pedrinho, também escolhidos como titulares, ainda não acertaram conclusões nas três partidas que cada um fez no Paulista. Luan, outro titular diante do Santo André, tem média de 0,8 finalização certa por jogo.

Como sugeriam as estatísticas, não deu outra. O técnico precisou mexer na equipe, e o gol salvador foi marcado por Boselli.

Ao explicar sua escolha, Nunes disse que optou por uma formação com mais mobilidade, o que daria maior trabalho para os marcadores do Santo André.

Yony González é outro exemplo de erro do treinador corintiano ao escalar o time. Nunes admitiu isso ao dizer que atropelou a preparação do atacante antecipando sua estreia. Ele disse que o jogador precisava de mais tempo para se preparar, e assumiu a responsabilidade pelo fraco desempenho do comandado até aqui.

Na opinião deste blogueiro, o técnico já havia cometido erros nas escolhas de seus titulares antes. Principalmente nos dois confrontos contra o Guaraní do Paraguai pela fase classificatória na Libertadores.

Uma das falhas foi começar os jogos com Sidcley, visivelmente fora de forma, no lugar de Piton, que vinha sendo claramente superior.

Outra mancada foi escalar Pedrinho no jogo de volta sendo que ele não teve descanso depois de participar do Sul-americano sub-23 com a seleção brasileira. Além disso, o meia-atacante nunca havia jogado sob o comando de Nunes. Ele acabou expulso e prejudicou o Corinthians, eliminado pelo Guaraní.

No mesmo jogo, na opinião deste blogueiro, o comandante alvinegro errou ao demorar para colocar Janderson em campo.

Nesse cenário, Nunes desponta como o principal inimigo do tempo que ele precisa para fazer o time decolar.

Falhas em escalações tendem a provocar maus resultados e eliminações, o que gera descontentamento por parte de torcedores e diretores, além de críticas disparadas pela imprensa. No cruel futebol brasileiro essa é a receita perfeita para fazer o relógio andar mais rápido e tirar o fôlego de treinadores.

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Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.


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