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Corte de ajuda enquanto Palmeiras apoia base gera revolta no Corinthians

Perrone

06/05/2020 10h00

Com Diego Salgado, do UOL em São Paulo

O corte de ajuda de custo para garotos das categorias de base do futebol do Corinthians associado à postura oposta do rival Palmeiras gera revolta entre pais dos meninos alvinegros. A insatisfação atinge também membros do departamento de futebol amador que pretendem conversar com o presidente Andrés Sanchez para tentar reverter a medida.

Em geral, o problema se concentra entre as categorias que vão do  sub-11 ao sub-14. Como não estão ocorrendo treinos por conta das medidas de distanciamento social para combater o avanço do novo coronavírus, a direção corintiana cortou a ajuda de custo dos atletas que ainda não podem assinar contrato profissional. A principal justificativa é a queda de receitas sofrida pelo clube com a suspensão dos jogos profissionais.

Familiares dos meninos, porém, reclamam que o corte veio justamente no momento em que eles mais precisam de suporte. O argumento é de que alguns já dependiam da ajuda de custo para auxiliar as famílias e que pelo menos algumas delas ficaram mais vulneráveis durante a pandemia com perdas de receita.

Os valores pagos variam entre R$ 300 e R$ 500, segundo fontes ouvidas pelo blog.

A situação ficou mais incômoda quando os meninos e seus familiares descobriram que o Palmeiras teve gesto diferente com seus atletas da base.

Apesar da suspensão dos treinamentos, o alviverde manteve a ajuda de custo para os atletas das categorias de base e, quando necessário, reforça a assistência com medidas como entrega de cestas básicas ou até mesmo ajuda extra em dinheiro.

Desde que os jogadores entram nos times de base, o Palmeiras monitora suas condições sociais, o que facilita o acompanhamento durante a pandemia.

O clube já detectou atletas que precisaram de mais apoio porque seus pais tiveram queda de receita por causa dos reflexos da pandemia. Já houve caso em que o alviverde aumentou a ajuda de custo para a família pagar conta de luz que não conseguiu quitar, por exemplo.

No Corinthians, os cortes desagradaram integrantes das categorias de base em todos os níveis.

Alguns dos responsáveis pelo departamento definem o corte  nas ajudas de custo nesse instante como um gesto insensível e um erro de gestão.

Eles relatam ter conhecimento de  que parte dos garotos sente significativamente a perda de receita. Por isso se mobilizam para tentar reverter a situação junto a Sanchez.

De acordo com um dos integrantes do departamento de futebol amador, o corte começa a valer para a ajuda referente a abril, paga agora no começo de maio.

Corinthians nega insensibilidade

O blog procurou a assessoria de imprensa do Corinthians para ouvir a diretoria sobre o tema. Abaixo, leia a nota enviada como resposta.

"A decisão está baseada simplesmente na redução de receitas que impossibilita o pagamento nesse momento. Não quer dizer que não pagaremos no futuro, quando a situação de caixa se estabilizar. A situação será avaliada caso a caso, e é importante destacar que o clube é sensível à situação desses garotos e suas famílias".

O blog ainda indagou se os jogadores podem ser ressarcidos no futuro pelas ajudas de custo eventualmente não pagas. A resposta da assessoria de imprensa foi: "a princípio, (a ajuda de custo) pode ser retomada e não ressarcida, mas isso será avaliado oportunamente".

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Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.


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