Blog do Perrone

Arquivo : julho 2011

Parentesco faz Joana Havelange desrespeitar regra em evento da Copa
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Perrone

A cena chamou atenção no restaurante montado na Marina da Glória, no Rio, durante a semana do sorteio das eliminatórias da Copa de 2014.

Joana Havelange, diretora executiva do COL, o comitê organizador do Mundial, pede um refrigerante para acompanhar a refeição e leva a latinha.

Depois dela, um jornalista também quer ir para a mesa com a lata, mas ouve que é proibido. Precisa passar a bebida para um copo e deixar a latinha. Sabendo de quem se trata, aponta para a moça e diz que ela levou a lata. “Você sabe quem é ela? Ela é neta do João Havelange, filha do Ricardo Teixeira”, argumenta o atendente.

“Mas eu também tenho avô e pai”, rebate o jornalista, que acaba levando o refrigerante no copo. Não quero fazer tempestade em copo d´água, mas uma das principais figuras da organização da Copa deveria respeitar até as regras mais banais e dar o exemplo. Parentesco e sobrenome não podem servir como palavra mágica.


Discurso de Dilma oficializa divórcio entre governo e Fifa
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Dilma Rousseff mostrou em seu discurso no sorteio das eliminatórias da Copa que está aposentado o “futebolês” de Lula. Em vez de rasgar elogios a craques do passado, preferiu festejar os feitos do Governo Federal e marcar território.

A presidente fez Pelé, desafeto do Comitê Organizador Local, invadir a festa da Fifa e arrancar aplausos dos convidados de Ricardo Teixeira. Uma plateia diferenciada e que ovacionou mais João Havelange do que o Rei do Futebol.

Dilma não deu bola para Havelange. Foi fria com Teixeira e Blatter, deixando claro que a partir de agora será cada um por si. Acabou a camaradagem dos tempos de Lula com a Fifa e a CBF. A boleiragem no caso de Dilma irá se limitar a Pelé, escolhido a dedo para cutucar Teixeira e ser a cara da metade governamental da Copa.


Dilma racha de vez com Teixeira e dificulta vinganças de cartola
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Dilma Rousseff está disposta a evitar que a imagem do Governo Federal seja vinculada ao COL (Comitê Organizador Local) e à Fifa. A ideia é deixar claro que as duas partes são parceiras na Copa, mas não são iguais.

Uma das diferenças a ser mostrada, segundo a equipe de Dilma, é que a Fifa, entidade privada, pode escolher seus parceiros (e inimigos). Já o Governo Federal, por questões legais, não pode beneficiar (e nem prejudicar) deliberadamente esse ou aquele.

De maneira sutil, o governo mandou o seu recado para a Fifa ao marcar a entrevista de Pelé, embaixador da Copa de 2014, no Museu de Arte Moderna do Rio. Na véspera do sorteio das eliminatórias, o rei do futebol recebeu a imprensa longe da Marina da Glória, local do evento. E fora dos domínios da Fifa, Ricardo Teixeira não pode escolher quem recebe credencial. Ficou impotente para retaliar seus inimigos, o que ameçou fazer na famosa entrevista dada para a revista Piauí.

Vai ser assim daqui para frente. Eventos do governo relativos à Copa serão longe das regras da Fifa, dificultando as vinganças de Teixeira.


Lula confirma presença em sorteio da Copa; Dilma terá companhia
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O ex-presidente Lula confirmou presença no sorteio das eliminatórias da Copa, neste sábado, no Rio. Estará acompanhado da ex-primeira dama Marisa Letícia.

A presença de Lula é uma boa notícia para a presidente Dilma Rousseff, que também irá ao evento. Pelo menos um amigo ela terá no sorteio, já que é distante dos dirigentes da Fifa. A presidente estará acompanhada das ministras Ana de Hollanda (Cultura) e Helena Chagas (Comunicação Social), além do ministro Orlando Silva Júnior (Esporte).


“Ele detesta jornalista. Só poderia dar nisso”, diz segurança de Teixeira
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“O presidente detesta jornalista. Deixaram chegar perto demais, e ele acabou discutindo com uns gringos. Só poderia dar nisso. E amanhã vai ser pior, vai ter mais imprensa em volta”. Minutos depois do bate-boca entre Ricardo Teixeira e jornalistas ingleses, ouvi esse relato de um dos homens que fazem a segurança do presidente da CBF e do COL.

Ele havia acabado de chegar num hotel em Copacabana com o dirigente, após a confusão na Marina da Glória, local do sorteio das eliminatórias da Copa. Estressado, o guarda-costas teme mais encrenca no sábado, dia do evento, por causa do assédio da imprensa. O mesmo temor é sentido por colegas do cartola no COL e na Fifa.

A cúpula da federação internacional, o Governo Federal e até seus funcionários não gostam da maneira estúpida como Teixeira tem se comportado. Temem um vexame internacional ainda maior.

Depois da grosseria para inglês ver, ele estava ainda mais nervoso. Constatei isso ao encontrá-lo no saguão do hotel. “Presidente, o que houve com os ingleses?”, perguntei para o cartola, que fechou a cara e se calou. Repeti a pergunta e nada além do semblante nervoso.

Apesar do descontentamento dos que o cercam, Teixeira segue agindo com a autonomia de um personagem que não deve satisfações a ninguém. Mas agora demonstra a irritação de uma figura acuada. Está fora de controle para desespero da Fifa e do Governo Federal.


Real quer desconto de 3 milhões de euros para deixar Neymar no Santos até dezembro
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Para deixar Neymar no Santos até dezembro, o Real Madrid quer um desconto de 3 milhões de euros no valor da multa rescisória. Ela passaria a ser de 42 milhões de euros. Na prática, seria como o clube espanhol bancar o pagamento e depois receber os 3 milhões para emprestar o astro até o fim de 2011.

O Santos não gosta da ideia, pois a diretoria garantiu que só libera o jogador mediante o valor integral da multa. Nesse caso, porém, o Real não aceita fazer a gentileza de autorizar Neymar a disputar o Mundial de Clubes.

Esse pedido de redução talvez explique a afirmação de Pedro Nunes Conceição. O diretor santista disse, segundo a imprensa espanhola, não entender como o Real tem 30 milhões de euros para comprar um zagueiro e não tem 45 milhões para levar Neymar. Até então, imaginava-se que o time espanhol já tinha aceitado pagar o valor cheio.

O desconto também não seria um bom negócio para a Teisa, empresa de conselheiros do clube, e para o Grupo Sonda. Os investidores são sócios do Santos nos direitos do craque e lucrariam menos.


Palmeiras contrata auditor para comprovar eventuais fraudes e recuperar dinheiro
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O Palmeiras assinou contrato com empresa de auditoria que terá a missão de tentar comprovar suspeitas de fraudes. Elas teriam lesado o clube em 2010. O trabalho vai incluir o suposto sumiço de R$ 290 mil, revelado pelo blog.

O relatório deverá ser apresentado em até 30 dias. Se os peritos confirmarem as irregularidades, um advogado de fora do clube será chamado para abrir processos de responsabilização por má gestão contra eventuais acusados.

“Esse trabalho vai dar suporte técnico para um ressarcimento ao clube de eventuais danos, sem prejuízo de possível ação criminal, em tese, porque há fortes indícios de
irregularidades, algumas até já comprovadas”, disse ao blog Piraci de Oliveira, diretor jurídico do clube, sem citar nomes.

A causa é justa. Se alguém lesou o Palmeiras, precisa ser responsabilizado na Justiça e obrigado a devolver o dinheiro.


Governo federal faz sua propaganda para estrangeiros em evento da Copa
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Os dias que antecedem o sorteio das eliminatórias da Copa no Rio têm servido também para o Governo Federal vender seu peixe para a imprensa internacional. Crescimento é uma das palavras de ordem dessa campanha.

Uma visita de jornalistas estrangeiros ao Maracanã, organizada pelo Ministério do Esporte, foi um dos pontos altos da propaganda, apesar de o governo do Estado também participar do encontro. Coube a Alcino Reis, assessor especial de futebol do ministério, falar com os gringos em nome da pasta. “Nos últimos oito anos, tiramos cerca de 40 milhões de pessoas da linha de pobreza. Hoje, elas estão na classe média do nosso país”, disse ele, na abertura de seu rápido discurso para o grupo de 17 pessoas.

Para encerrar, soltou: “Vocês já sabem que somos competentes para ganhar Copas do Mundo, agora vão descobrir nossa competência como organizadores.” O esforço para impressionar os estrangeiros é outra demonstração de que o governo federal concluiu que precisa tirar mais proveito da Copa. Afinal, é quem paga a maior parte da conta.


Sem pesquisar preço, Rio diz que patrocínio de R$ 30 mi para sorteio é mais barato do que anúncio
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A secretária de Esporte e Lazer do Estado do Rio, Márcia Lins, disse ao blog que o investimento de R$ 30 milhões no sorteio das eliminatórias da Copa se justifica com uma conta simples. Segundo ela, provavelmente, ficou mais barato do que comprar espaço em TVs do mundo inteiro para falar o nome da cidade e mostrar suas belas paisagens.

“Já pensou quanto custaria se a gente fosse pagar por isso?”, perguntou Márcia, sem saber a resposta. Ou seja, antes de assinarem o cheque, governo e município não fizeram uma pesquisa para comprovar que o negócio seria vantajoso.

A outra justificativa de Márcia é mais convincente. “Nós queríamos fazer o sorteio para divulgar a cidade. Assinamos um compromisso e temos que honrá-lo”, declarou a secretária, justificando o contrato de patrocínio fechado por prefeitura e Estado com a Geo Eventos (ligada à Rede Globo), conforme revelou o UOL Esporte., na última sexta.


Integrantes do governo do Rio duvidam de abertura em São Paulo
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Oficialmente, o governo do Rio prestigia a abertura da Copa de 2014 em São Paulo. Apoio à parte, membros do comitê fluminense estão certos de que a capital paulista não conseguirá abrir o Mundial. Dois deles conversaram com o blog e afirmaram que o Itaquerão, com todas as exigências para a partida inaugural, não ficará pronto no prazo determinado pela federação internacional.

Eles citam também o rigor prometido pela Fifa em relação aos atrasos. Nesse cenário, para não ser cortada da Copa, São Paulo teria que se conformar com uma versão básica do estádio corintiano, apto a receber jogos de menor destaque.

Nos bastidores, os cariocas criticam a maneira como prefeitura e governo estadual administraram a participação da capital paulista no Mundial. Teriam errado por não assumir de vez o controle da situação, escolhendo um estádio sem receios de injetar dinheiro público nele.

Na minha opinião, o erro das autoridades foi outro. Elas tropeçaram justamente por não manterem a promessa inicial de que o dinheiro público ficaria longe do estádio escolhido.