Blog do Perrone

Arquivo : setembro 2011

Lula desarma bancada da bola na Câmara
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Foi cirúrgica a intervenção de Lula na questão da Lei Geral da Copa. Ao defender a soberania do país diante das exigênicas da Fifa, ele deu um xeque na estratégia da bancada da bola no Câmara.

Lula mostrou que, apesar de dar as garantias pedidas pela federação internacional para organizar o Munidal no Brasil, está do lado de Dilma Rousseff. A presidente não concorda com algumas exigências, como o fim da meia-entrada.

Ao estender a mão para sua sucessora, Lula enfraquece o lobby montado pela bancada da bola e que visa colocar o deputado petista Vicente Cândido, vice-presidente da Federação Paulista, como relator da Lei Geral na Câmara. Ele é próximo de Zé Dirceu, que estaria apdrinhando sua indicação, feita pela liderança do PT, na contramão dos interesses de Dilma.

Só que Lula fala mais alto do que todos os outros caciques petistas. Assim, a menos que tenha sido jogo de cena do ex-presidente, será difícil deputados governistas apoiarem mudanças na lei a favor da Fifa.


Juvenal deixa Marco Aurélio Cunha fora de conselho “eterno”
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Na próxima segunda, o Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne para homologar os nomes de dez novos conselheiros vitalícios. Eles entrarão no lugar de colegas que morreram e ficarão no cargo até o fim da vida.

A escolha é fruto de um acordo político. Normalmente, os seis partidos que formam a situação indicam um conselheiro cada. O presidente Juvenal Juvêncio costuma escolher dois e deixar duas vagas para a oposição.

O que chama a atenção dos conselheiros é a ausência de Marco Aurélio Cunha. Ex-genro de Juvenal e seu homem de confiança por anos no futebol, ele não foi apadrinhado pelo cartola e nem pelos partidos da situação. Apesar de ter votado no presidente, suas relações com o grupo político do chefe estão estremecidas.

A ausência é encarada como um recado claro de que Juvenal não irá apoiar o médico e vereador nas próximas eleições. A decisão gerou controvérsia no clube. Defensores de Cunha sustentam que ele merecia o posto por serviços prestados no passado e atualmente, defendendo interesses do São Paulo na Câmara Municipal.

A diferença entre conselheiro vitalício e eleito é que o primeiro nunca mais precisa enfrentar as urnas. O segundo é indicado pelos sócios para um mandato de seis anos. Depois disso, tem que encarar a votação novamente.

De acordo com aliados de Juvenal, o cartola não colocou Cunha como vitalício por acreditar que ele será reeleito facilmente com o apoio dos associados. Priorizou quem não é tão popular entre os sócios. Os indicados do presidente são Sérgio Viola Alves, sócio desde 1972, e João Paulo de Jesus Lopes, vice de futebol e terceiro conselheiro mais votado pelos associados no último pleito.

“Talvez eu merecesse, mas isso não vai mudar em nada a minha vida. Continuo colaborando com o São Paulo”, disse ao blog o vereador, que discordou da política da diretoria de desmantelar a antiga comissão técnica permanente do clube.


Desejado pelo Palmeiras, Dagoberto deve recusar proposta
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Cartolas do Palmeiras estão dispostos a fazer uma proposta competitiva por Dagoberto, que em março do ano que vem ficará livre do compromisso com o São Paulo. Porém, o jogador foi aconselhado por pessoas próximas a descartar a possibilidade de atuar pelo rival.

 O atacante sinalizou estar convencido de que é melhor riscar o Palestra Itália de sua lista de possíveis destinos. Ele concordou com o argumento de que sua vida seria desconfortável por lá. Conviveria com a desconfiança da torcida por vir de um dos principais rivais.

Teria também de enfrentar a hostilidade de torcedores são-paulinos em locais públicos e de palmeirenses numa eventual má fase.

Dagoberto ouviu ainda conselhos para recusar uma possível oferta do Santos. O argumento usado foi o de que na Vila Belmiro os jovens revelados pelo clube têm muito mais espaço do que os forasteiros.

Assim, se continuar no Brasil, a tendência é que o atacante vá para outro estado. Mas sua prioridade é jogar no exterior. Os procuradores dele fizeram um trato com a diretoria do São Paulo. Prometeram apresentar eventuais propostas para o Tricolor. Se a equipe do Morumbi igualar a oferta, ele fica.

A chance de permanecer é remota, já que os são-paulinos afirmam que não pagarão mais do que R$ 200 mil a Dagoberto. Ele  pediu pouco menos de R$ 300.

A saída do craque já poderia ter sido evitada. Desde o ano passado, por sete vezes, representantes do atleta  tentaram se encontrar com Juvenal Juvêncio para discutir a renovação, mas não foram recebidos pelo presidente.


Lei da Copa mexe com sucessão na CBF e insinua governo paralelo no PT
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Marco Polo Del Nero é aliado de Vicente Cândido, companheiro de Zé Dirceu, distante de Dilma Rousseff

Fotomontagem: Folha Imagem/AE

A indicação do deputado Vicente Cândido pelo PT para ser relator da Lei Geral da Copa na Câmara reabre antigas feridas no partido e tem influência até na sucessão de Ricardo Teixeira. Entenda o caso.

Quem é Vicente Cândido?

O deputado federal pelo PT é também um dos vices da Federação Paulista e sócio de Marco Polo Del Nero, presidente da entidade. O político estreitou suas relações com o cartola quando trabalhou para que o russo Boris Berezovski, acusado de vários crimes, pudesse entrar no Brasil. Del Nero chegou a advogar para Kia Joorabchian, que trabalharia com Boris. Na operação para trazer o russo, que investiria no país, Cândido atuou com José Dirceu.

Dirceu e Dilma

A presidente tem mantido certa distância de Zé Dirceu. Interlocutores dela afirmam que uma de suas preocupações é evitar a impressão de que ele é capaz de dar ordens como se estivesse no comando do Governo.

Governo paralelo

O poder de Dirceu alimenta em Brasília a tese de que ele tenta implantar dentro do PT um governo paralelo, fazendo valer suas vontades, mesmo quando elas são contrárias aos desejos da presidência. A indicação de Cândido pela liderança do PT para ser o relator da Lei Geral da Copa bota lenha nessa fogueira.

A liderança do governo acatou a sugestão do partido e a repassou para a presidência da Câmara, que vai decidir. Por ser cartola, Cândido é visto como um deputado simpático aos caprichos da Fifa. Enquanto isso, Dilma quer cortar as asas da federação internacional. Assim, a escolha dele mostra que a vontade da presidente foi atropelada por alguém poderoso dentro do partido dela.

Sucessão na CBF

Marco Polo Del Nero não fala publicamente, mas é visto pela cartolagem nacional como pré-candidato à presidência da CBF depois da Copa do Mundo. Ele não aparece entre os nomes preferidos de Ricardo Teixeira. Porém, o presidente da confederação ficará devendo uma a Del Nero, se Cândido ajudar na Lei Geral.

O que muda para o torcedor?

A Fifa quer uma série de alterações no Estatuto do Torcedor. A principal delas é o fim da meia-entrada para aposentados e estudantes. Dilma não aceitou conceder esse e outros benefícios. A bancada da bola na Câmara tentará reverter a situação.


Andrés volta a chamar executivos da Globo de “gângsters” e apelida santista de amigo de bambi
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A cena aconteceu no evento da Globo para celebrar o novo contrato de transmissão do Brasileirão. Um dos cartolas se aproximou da mesa em que estavam executivos da emissora e disse: “Vou cumprimentar nossos patrões”. “Patrões não, eles são gângsters”, disparou Andrés Sanchez em tom de brincadeira.

A tirada gerou constrangimentos, mas não foi a única situação desconcertante em que o presidente corintiano se envolveu na celebração, na semana passada, no Rio. Ele e Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro trocaram uma série de alfinetadas. O presidente do Santos disse que foram só gozações entre dois amigos, mas cartolas presentes acharam um certo exagero.

Laor, como é conhecido o dirigente santista, disse para Andrés que foi sacanagem falar que ele tinha assinado um pré-contrato com Dagoberto. Além de não ser verdade, a declaração poderia ter causado um atrito com o São Paulo.

Em seguida, o santista afirmou que convidaria Andrés para ser corneteiro da banda que irá tocar na Vila Belmiro para comemorar os 100 anos do clube no ano que vem.  “É o único jeito de você participar de um centenário de verdade”, cutucou o cartola.

“Você é amigo dos bambis”, devolveu Andrés, que por várias vezes chamou o santista dessa forma na frente de outros dirigentes. Laor ironizou dizendo para Andrés que Rogério Ceni tem uma foto de corpo inteiro do presidente corintiano em seu armário no vestiário, de tanto que ele fala no São Paulo.

Incomodados com a situação, cartolas que presenciaram a troca de alfinetadas definem Andrés como um cara obcecado pelo tricolor do Morumbi. E reclamam que seu comportamento dificulta a união dos dirigentes na defesa de interesses comuns.

De volta a São Paulo, Andrés e Laor se encontraram casualmente numa lanchonete. Na saída, o santista descobriu que sua conta já tinha sido paga pelo corintiano. Consultado, o assessor de imprensa de Andrés Sanchez, Olivério Júnior, disse que o presidente não responde ao blog.


Vice do Palmeiras é ironizado em quadro no vestiário, e Felipão se irrita com “dedo-duro”
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Nesta quarta, dois textos jornalísticos enfeitavam o quadro de avisos do vestiário do Palmeiras. Um deles era o post publicado aqui pela manhã sobre os cerca de R$ 12,7 milhões (metade do déficit do clube em 2011) que valem os salários de Felipão, Valdívia, Marcos e Kléber somados.

Também foi colocada no quadro declaração de Roberto Frizzo publicada pela coluna De Prima, do diário Lance!. O vice de futebol palmeirense afirmou que se Valdivia e Kléber estivessem jogando como Diego Souza e Juninho a equipe estaria numa posição bem melhor na tabela.

No final dos textos foi escrita à caneta a seguinte mensagem: “Frizzo, obrigado pelo incentivo”. O recado soou como uma ironia feita pelos atletas ao dirigente, apesar de ninguém ter assinado a mensagem.

Segundo dois relatos ouvidos pelo blog, ao ver a provocação, Sérgio do Prado, gerente administrativo, recolheu o papel e disse para Luiz Felipe Scolari que precisava mostrá-lo para o vice de futebol, classificando a atitude de insubordinação do elenco.

Felipão não gostou e soltou os cachorros em cima do gerente. Na bronca, o técnico reforçou que está irritado com os problemas que acontecem diariamente no clube e com os cartolas e conselheiros que reclamam dos salários que consideram altos, além de reclamar de Prado.

A confusão não parou por aí. Descontentes com Frizzo, jogadores chiaram nos bastidores. Chegou ao presidente Arnaldo Tirone que Valdivia e Kléber estavam irritados com o vice e o gerente. Frizzo se reuniu com os dois atletas na sala do departamento médico para tentar colocar panos quentes, segundo quem acompanhou a crise de perto.

O vice não atendeu aos telefonemas do blog. Prado disse que não se pronunciaria sobre o assunto. O gerente já tinha a sua cabeça pedida por conselheiros e alguns diretores. Agora estressou Felipão e os jogadores de vez. A convivência parece ter se tornado impossível. Frizzo também precisará de habilidade para apagar o novo incêndio.


Romário deve combater deputado da cartolagem em Lei Geral da Copa
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O deputado Romário (PSB-RJ)  foi um dos mais atuantes em reunião desta quarta com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e o ministro do Esporte, Olrando Silva Júnior. No encontro, foi pedida a criação de uma comissão especial para discutir a Lei Geral da Copa.

A presidência da Câmara está estudando a ideia. Se aceitá-la, Romário deverá brigar por um cargo na comissão, rivalizando com Vicente Cândido (PT-SP). Vicente já foi indicado pelo PT para ser o relator da lei. Ele é vice da Federação Paulista e sócio de Marco Polo Del Nero em um escritório de advocacia.

Por causa de seu currículo, há gente no próprio governo que desconfia que Vicente será simpático aos caprichos da Fifa. A entidade trava uma queda de braço com a presidente Dilma Rousseff.

Com seu recente histórico de crítcias contra Ricardo Teixeira, Romário é visto por pessoas próximas à presidente como um dos poucos dispostos a marcar o deputado-cartola e trombar de frente com a Fifa.


Prefeitura e Corinthians enfrentam ao menos três ações na Justiça pelo Itaquerão
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Uma chuva de ações civis públicas é o novo obstáculo do Itaquerão. Só entre  4 de julho e 1º de agosto  foram iniciadas três ações contra a prefeitura paulistana e o Corinthians. Todas visam parar as obras.

Os processos questionam diferentes pontos. Um deles é a legalidade dos Cids, benefícios fiscais dados para quem investir em projetos relacionados ao estádio. A cessão de um terreno público para a construção de uma arena privada também é alvo.

É contestada ainda uma licença ambiental dada ao projeto com rapidez pouco comum e apesar de os dutos da Petrobras ainda não terem sido retirados do terreno.

As ações são movidas por diferentes autores. Até agora, nenhuma delas teve seus pedidos de liminares apreciados pela Justiça.

O blog apurou que já há um desconforto na área jurídica da prefeitura, que precisa se defender em todos os casos. E a situação pode ficar bem mais desagradável. Conselheiros corintianos trabalham com a informação de que mais uma série de ações está sendo preparada por gente contrária ao projeto.


Gasto com Felipão, Valdivia, Marcos e Kléber é igual à metade do déficit de R$ 25,4 mi do Palmeiras
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A diretoria do Palmeiras segue com dificuldade para cumprir a promessa de sanear as finanças do clube, feita durante a campanha eleitoral. Em agosto, registrou um déficit de R$ 3,9 milhões. Já são R$ 25,4 milhões no vermelho em oito meses de 2011.

No mesmo período, a metade desse valor foi gasta com os salários de Felipão, Valdivia, Marcos e Kléber. Juntos eles representaram uma despesa de aproximadamente R$ 12,7 milhões. Todos os contratos foram firmados pela administração anterior. Por mês, o quarteto custa cerca de R$ 1,6 milhão.

Após a primeira versão do post ser publicada, a assessoria de imprensa de Felipão procurou o blog para afirmar que quatro patrocinadores pagam mais da metade do salário do técnico.

Em agosto, só o departamento futebol deu prejuízo de R$ 1,2 milhão. Para tocar o clube, a diretoria pegou mais R$ 4,1 milhões do novo contrato com a Globo. No total, o Palmeiras já recebeu R$ 35,7 milhões referentes ao acordo para a transmissão do Brasileirão a partir de 2012. Confira abaixo o balancete oficial do clube.




Dilma decide receber Fifa em Brasília, mas Blatter e Teixeira ficam fora
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Enfim, Dilma Rousseff atendeu a um pedido de audiência feito pela Fifa. A presidente encarregou o ministro Orlando Silva Júnior de entrar em contato com a entidade e marcar a data do encontro em Brasília.

Ficou acertado que apenas Jerome Valcke, secretário-geral da federação internacional, será recebido. Como é um evento formal, ele não poderá levar Ricardo Teixeira ou  Joseph Blatter. Valcke é o executivo que toca a Copa pelo lado da Fifa. Por isso,  no Governo é considerado natural que só ele seja recebido por Dilma. Porém, ela já deu vários sinais de que não quer se aproximar do presidente da CBF.

A escolha do ministro do Esporte como intermediário do encontro é um recado claro a Ricardo Teixeira e à Fifa. Orlando é o interlocutor oficial da presidência para questões envolvendo a federação internacional e o COL. Aproximar-se de Lula ou Henrique Meirelles, convidado para integrar o Comitê Organizador Local, não funciona como atalho.

Se for cobrada sobre atrasos na preparação para a Copa do Mundo, Dilma deverá dizer que as coisas estão andando. Como exemplo, deve alegar  que o BNDES está financiando obras de estádios e que as questões de mobilidade urbana também estão sendo tocadas.

Sobre as mudanças pedidas pela Fifa na Lei Geral da Copa, a presidente deve manter o discurso de que o Governo já cedeu bastante e que ela cumpriu as promessas de Lula. Ir um centímetro além seria ferir a legislação brasileira.